Pobrezinhos mas honrados (cheira a mofo por aqui)

O jogo sujo de caça ao poder do último ano e meio produziu os frutos desejados, levando ao poder quem irresponsavelmente tudo fez para lá chegar. Foram eleitos com ampla maioria. Têm legitimidade para governar. Mas, penso eu, nem todos os portugueses que alinharam no jogo e cujo desfecho aplaudiram tinham uma ideia clara do que verdadeiramente os esperava.
Estes últimos meses têm sido como se rolássemos quase tranquilamente num comboio Eurostar rumo a Calais e à travessia. Neste momento, porém, com as medidas anunciadas a nível laboral e da função pública, já podemos ver uma imagem mais nítida do túnel a aproximar-se. Apesar das viajens sob a Mancha decorrerem presentemente sem problemas, cumprindo-se rigorosamente os 20 minutos debaixo de água até à luz, nem sempre foi assim. No princípio, eu própria por duas vezes fiquei “submersa” a centenas de metros de profundidade mais de quarenta minutos devido a avarias imprevistas.
Assim está Portugal. Ou pior. À beira de um túnel totalmente desconhecido e sem quaisquer garantias de segurança. À escala correspondente, se cada 5 minutos valerem um ano, sem contar com imprevistos, tão depressa não emergiremos. Com a agravante de tais imprevistos, atendendo às incertezas várias que pairam sobre a evolução da UE, poderem ser considerados duras provações e mais que prováveis, passe a incongruência. A receita da Troika, consonante com a prática do FMI em qualquer parte do mundo em que exista risco de incumprimento, implica austeridade, cortes, despedimentos e redução de salários e de direitos para os trabalhadores. Tem resultados conhecidos – recessão económica, instabilidade social, desmotivação, desespero, venda do país ao desbarato. E de tal maneira esses resultados são conhecidos (Irlanda, Grécia, mas também Argentina e muitos outros, que, apesar de tudo, tinham moeda própria) que não se compreende como gente que estudou economia e finanças em boas universidades e sobretudo observa a situação política actual defenda convictamente esta via, que sendo desastrosa, apelidam de necessária para o crescimento. Como? Questiono-me se amam o seu país. Haveria que ter evitado isto. Custasse o que custasse, nem que o preço fosse um adiamento da chegada ao poder. Continuar a lerPobrezinhos mas honrados (cheira a mofo por aqui)

O caso Bairrão e o sistema ptolemaico

Mas podemos admitir que a juventude, a falta de experiência governativa e, enfim, e o gosto pela primeira vez de lidar com estas coisas, possa às vezes ter subido à cabeça de alguém… Pode ter acontecido, não é impossível, como você sabe. É alguém que obviamente acha que um papel que vem dos serviços de informação é verdade, que é também outro risco da falta de experiência governativa.

Minuto 4

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Pacheco Pereira, Lobo Xavier e António Costa, na última Quadratura, trataram o caso Bairrão em registo de perfeito deboche. O Pacheco, como sempre, não resistiu ao seu provincianismo e quis mostrar à audiência que ele sabe tudo sobre o episódio, mas que apenas contará o suficiente para que se saiba que ele sabe. Lobo Xavier, com a sua tarimba de advogado, chutou rapidamente para canto as inconsequentes suspeitas de Carlos Andrade. António Costa achava graça, ria-se e declarava o caso encerrado.

Esta forma decadente de fazer o debate político, e de não fazer jornalismo, irá continuar na mesma até que apareça alguém que ofereça o sistema copernicano como alternativa ao ptolemaico. No actual, os agentes políticos, os comentadores e os jornalistas acham que o universo roda à sua volta. As suas intervenções são pensadas, fundamentalmente, a partir do cálculo das ameaças e vantagens individuais. Num possível futuro, o debate político será feito à volta de um centro donde irradia coragem e inteligência para todos. Nesse sistema, o caso Bairrão não daria vontade de rir. Pelo menos, até os responsáveis serem obrigados a contar o sucedido ou a irem fazer uma outra coisa qualquer com as suas vidas menos o exercício de cargos governativos.

Quando é que sabemos que o governo do PSD/CDS está em apuros?

Quando o presidente da República dá uma entrevista a um jornal a criticar o directório franco-alemão, acusando os dois países de se substituirem às instituições europeias e afirmando que existe na Europa uma deriva intergovernamental. Foi ao Expresso. Não tenho link.
Tem graça que não lhe ouvimos nada de semelhante nos últimos dois anos e, no entanto, o problema já era conhecido e as suas consequências já se sentiam em Portugal.

Cineterapia


Meek’s Cutoff_Kelly Reichardt

Os ataques terroristas em Oslo permitem fazer uma associação de oportunidade a este raro filme que, embora dure só 102 minutos, não tem fim. Ou seja, o filme interrompe-se antes de acabar. Tem de ser o espectador a terminar a obra, se estiver para aí virado.

1845. Três famílias de pioneiros contratam Stephen Meek, um guia com experiência no terreno, para os auxiliar a transpor a Cordilheira das Cascatas, no deserto de Oregon, EUA. Confiantes e esperançosos, seguem-no por um atalho sem imaginar que ele se perderia no deserto e os levaria ao pesadelo. Sem água nem mantimentos, o grupo vai ter de encontrar forças e estratégias básicas que lhes permita sobreviver àquele lugar inóspito. E, quando se cruzam com um indígena, todos vacilam entre confiar num guia que se tem revelado pouco digno ou em alguém que, apesar de mais apto naquele território árido, acreditam ser um adversário natural.

Fonte

Anders Breivik invoca uma preocupação com o multiculturalismo para justificar a sua acção. Só que, paradoxalmente, a resposta foi a destruição dos seus. Ele não atacou os supostos invasores, atacou os compatriotas, os concidadãos, os vizinhos. Queria encontrar o caminho mais curto para o fim dos seus pesadelos. Foi este o seu atalho.

O terrorismo é a ilusão de poder escapar às incógnitas da longa e misteriosa viagem. Não há atalhos para a civilização.

Hipócritas e velhacos

Os ranhosos continuam a repetir que Sócrates era o responsável pelo clima de hostilidade que progressivamente foi tomando conta da política nacional a partir de meados de 2007. Mas dizer isto é continuar no registo da filha-de-putice, porque esse ambiente resultou exclusivamente de Belmiro, Cavaco, Ferreira Leite e Pacheco terem apostado tudo em sucessivas tentativas de assassinato de carácter – as quais chegaram a envolver polícias, magistrados, escutas e ameaças de criminalização do anterior primeiro-ministro – a que se somava uma comunicação social a lançar difamações e calúnias. Os principais responsáveis políticos do PSD e CDS, secundados pelos imbecis do BE e PCP, diziam obsessivamente que Sócrates era mentiroso, indigno, canalha. O paroxismo desta violência verbal aconteceu quando vimos Sócrates ser comparado a Hitler, Saddam e Drácula na última campanha eleitoral. E o cúmulo do ódio veio pela boca suja do Miguel Relvas, ao bolçar que a família de Sócrates devia ter vergonha dele.

Da pesporrência raivosa de Louçã e PCP, cultores de um racismo ideológico imune a qualquer autocrítica, nem vale a pena falar. Mas, vai na volta, a culpa da sua fúria contra a burguesia, o capitalismo e a democracia também é de Sócrates.

Notas no 1º debate quinzenal

A abrir o debate, bom para o PM que (ainda?) não esteja presente o seu parceiro de coligação, Paulo Portas.

O seu discurso é isso, só seu, todas as atenções nas suas palavras, está adquirida a lição do dia da apresentação do programa de governo: Paulo Portas é esmagador e faz de Passos o presidente do partido mais pequeno.

 Não se trata de concordar com Portas, trata-se de ter olhos na cara e de verificar que o homem é um desconforto para  o PSD. Não por acaso a diplomacia económica que o MNE queria, e bem, sob a sua tutela, ficou dividida em três.

Depois do imposto extraordinário que jamais seria criado e afinal foi criado e cuja explicação foi remetida para mais tarde, estamos hoje a olhar para um Governo que durante as eleições sabia ao cêntimo onde cortaria na despesa, mas que anuncia afinal um corte abstracto a explicar mais tarde, com umas festinhas à AR dando “alguns exemplos” que ilustram o tal corte da despesa: – “por exemplo, extinguimos este e aquele instituto”.

Apetece dizer: – temos rigor, seriedade e coerência.

Passos fica feliz porque o PS, naturalmente, quer cumprir o memorando de entendimento naquilo em que o mesmo é imperativo e quando o PS reserva-se o direito de apresentar as suas próprias propostas nos pontos em que o memorando é indicativo, Passos avisa – avisa – que espera que se os objectivos são os mesmos não venha agora o PS pôr-se com essa coisa chata que é divergir em políticas para alcançar os mesmos fins.

Como é que se chama essa coisa chata? Democracia, pois.

Tão igual a si própria, esta direita, não muda não consegue, fala mais baixo, diz umas palavras de protocolo para parecer mais carne e osso, mas é sempre Cavaco, é sempre Durão, é sempre o que sempre foi.

Passos de boa cara é quem põe os que recebem o RMG a trabalharem para o Estado, a escravatura disfarçada por menos de cem euros, o mesmo para os que recebem o subsídio de desemprego.

Passo a passo até à derrota final.

 

 

Tragicamente ridículo

A Noruega é um dos países mais ricos e mais desenvolvidos do Mundo. Contudo, a polícia de Oslo dispunha somente de um helicóptero para transportar os seus agentes, o qual estava inoperacional no dia dos ataques por ter a sua equipa de pilotagem em férias. Essa aeronave tem apenas 4 assentos, dois deles para os pilotos. Para aumentar a dimensão do ridículo na tragédia, o primeiro barco usado para levar os polícias até à ilha de Utoya começou a meter água e avariou. Perderam-se 20 minutos numa travessia que demora 1 minuto. A força policial chegou 40 minutos depois de ter sido chamada, hora e meia após o começo da matança.

A forma, que não interessa nada ou que é sinal de respeito

É desconcertante começar um debate que afecta milhares e milhares de pessoas, o debate em que o Governo vem anunciar a flexibilização da lei laboral de forma aguda, e não dar com a cara do Ministro da pasta.

Está lá o Secretário de Estado, é ele que faz o discurso do anúncio, e ao espanto de quem sabe quando a forma anda de mãos dadas com o conteúdo, responde o Governo, aí sim, com uma outra coisa, os formalismos vazios: – “o Governo tem o direito de escolher quem vem à AR”.

Pois tem. E que mal que interpreta a prerrogativa, desrespeitando, mais do que o Parlamento, os cidadãos que serão alvo das medidas.

A forma carregada de conteúdo diz da dignidade que se confere a um acto, por exemplo.

Hoje, andou mal o Ministro em não dar a cara por esta reforma.

A indiferença por este institucionalismo carregado de sentido e de respeito pelos eleitores talvez venha do facto de  nem sequer haver um “Ministro do Trabalho”; pela primeira vez, desde o 25 de Abril.

O longo ciclo do Cavaquistão

[countup date=2009/08/02-06:00:00]
Há quanto tempo está a Inventona de Belém por explicar:

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*

[countup date=2001/03/01-08:05:45]
Há quanto tempo estão os crimes cometidos no BPN sem responsabilização:

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[countup date=1980/01/03-12:15:15]
Há quanto tempo está Cavaco Silva no exercício de cargos de poder em Portugal:

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Pois…

“”Debates com Passos não serão de vida ou de morte

Depois da primeira reunião com a bancada socialista como secretário- geral do partido, António José Seguro, declarou aos jornalistas que os futuros debates parlamentares com Passos Coelho não serão de “vida ou morte” ou para “marcar pontos”, afirmando que deseja que sejam produtivos e esclarecedores.
Sobre o debate parlamentar da próxima sexta-feira com o primeiro-ministro, Seguro disse aguardá-lo “com muita serenidade”, afirmando que está “convencido de que decorrerá com elevação e com elegância”, onde irá afirmar quais são as posições do PS sobre temas lançados por Passos Coelho.
Para Seguro, os debates quinzenais que terá no Parlamento com Pedro Passos Coelho, serão esclarecedores: “Os portugueses esperam que os seus mais altos representantes estejam à altura de um debate digno e que falem sobre os seus problemas concretos
.”

Fonte

Bom, pela parte que me toca, elegância seria o último desígnio em que apostaria para um debate com o governo neste momento. Sobretudo perante a catadupa de atropelos, desrespeito de promessas (falo da sobretaxa, mas também da propalada transparência nas nomeações), decisões erradas (como o aumento exorbitante dos transportes públicos, em detrimento de desincentivos ao uso do automóvel (como taxas à entrada das cidades, que reverteriam para os transportes públicos, por exemplo)) contradições e insinuações (o desvio) desta fase inicial do mandato. Seguro está a pôr-se já à defesa e faz muito mal. Tanta coisa que podia dizer aos jornalistas, como, por exemplo, «Vamos ver, há muita matéria com que confrontar este governo, como os senhores bem sabem», ou «Vamos lá a ver, este governo tomou posse apenas há um mês, mas muitos portugueses já se questionam sobre a forma e o conteúdo de algumas medidas», ou ainda «Seremos dignos e construtivos, mas a prestação de contas é parte fundamental da democracia». E preparava-se para o combate verbal. Note-se que estas alternativas de resposta aos jornalistas não deixam de ser todas suaves, ou serenas, como Seguro gosta. Ah, e elegantes. Agora, dizer que os debates, não é este em concreto, é não serão (nunca? até quando? até daqui a 4 anos?) uma questão de vida ou de morte demonstra acanhamento, pouco empenho e falta de ambição, deixando o protagonismo para outros partidos, que bem o aproveitarão, e só não é meio caminho andado para o enxovalho porque do lado de lá está um PM muito pouco brilhante.

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Em ranking que será divulgado na quinta-feira, a revista Exame analisou o conjunto das 25 maiores fortunas de Portugal, concluindo que os ricos estão mais ricos 17,8 por cento face a 2010, valor influenciado, diz a revista, pela valorização das participações de Américo Amorim e pela subida em bolsa da Jerónimo Martins.

Américo Amorim continua a ser o mais rico de Portugal

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Healthy economies support diverse entrepreneurial efforts, leading to high economic growth. But concentration of wealth reduces diversity, and with it the most likely growth rate for a country’s economy, according to the researchers.

The simulation results showed wealth concentrating regardless of economic cycles of growth and recession and regardless of whether wealth is split between two offspring every generation. As wealth concentrates with a few individuals, the growth of the economy will depend more and more on the returns of those few, making the economy less resilient to disruptions in their investments, the researchers said.

“The irony is that the economic diversity that helps ensure the presence of some successful enterprises and spurs economic growth could be lost if the success of these enterprises undermines economic diversity,” said Fargione. “To retain the benefits of a diverse capitalist economy, we need economic policies that counter what seems to be the innate tendency for economies to concentrate wealth and become less diverse.”

The simulations showed that a tax (or other mandatory donation to the public good) on the largest inherited fortunes would short-circuit the over-concentration of wealth. But the researchers stress that their point is to advocate not a particular policy, but a policy that accomplishes the goal of protecting long-term economic stability.

Chance Favors the Concentration of Wealth, Study Shows; New Model Isolates the Effects of Chance in an Investment-Based Economy

Caminhos tortos

A reacção da UE à crise das dívidas soberanas pode ser exasperante, mas não é totalmente desprovida de lógica. Por muita retórica ou entusiasmo europeísta que haja, a “Europa” não é um país, nem sequer uma cultura. É uma colecção de povos, e respectivos países, com tanta história e raízes em comum que os aproximam como velhas histórias  e raízes em comum que os afastam, mas cujo casamento é puramente por interesse estratégico. Poderá mais tarde resultar em amor, como é tão comum neste tipo de uniões, mas ainda não estamos no ponto onde alguém se considere “Europeu” antes de “Português”, ou “Holandês”, e ainda terão que passar muitas gerações antes que isso aconteça. É neste caldo de cultura, interesses e desconfiança mútua que navegam os políticos europeus, sobretudo nos países nórdicos mais desenvolvidos. Os cidadãos desses países, mesmo acreditando no projecto europeu, não vêem propriamente os nossos problemas como deles, e ressentem serem chamados a sacrificar-se para os resolver, tendo em conta que um eleitor alemão, aqui, não manda nada. Embora seja chamado a pagar a “nossa” crise.

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Coisas que estão a acontecer

O nosso amigo Manuel Pacheco celebra o 1º ano do seu Coisas que Podem Acontecer. Como ele próprio conta, estamos perante algo mais do que apenas mais um blogue. Antes de tudo o resto, o exemplo dado é o de que vale a pena tentar comunicar com estranhos num meio estranho – como o Manuel fez ao começar a escrever nas caixas de comentários aqui do Aspirina B, por exemplo, para nosso proveito e deleite. Depois, decidiu-se a aprender as técnicas da formatação do texto e das ligações em HTML, acabando por finalmente criar um blogue e nele continuar a sua instrução e desenvolvimento.

É disto, precisamente disto, que Portugal precisa: cidadãos – tenham a idade, escolaridade e condição económica que tiverem – com tolerância zero para a ignorância própria. Neste momento da História, nas condições oferecidas por este País, temos tudo para crescermos colectivamente através do que for aprendido por cada um segundo o que lhe der na gana. E essa é uma outra forma de nos reconhecermos e compararmos, descobrindo quem são aqueles que estão fechados à aprendizagem e os que a procuram.

Eis um critério civicamente superior à dicotomia esquerda-direita, pois é mais nosso irmão aquele que quer aprender, mesmo que nos confronte na barricada oposta, do que aquele que se julga na posse da verdade ou que seja um farrapo de cinismo e pessimismo, mesmo que esteja do nosso lado.

Quando o desnível também ofende

Ontem, ao ver estas cenas, pensei que alguém se ia levantar e ir embora do estúdio. Tal não aconteceu. Mas foi uma oportunidade para Mário Crespo usar e abusar do tom seboso, pretensamente conciliador (tantas vezes bajulador), com que dirige aqueles debates e que nos faz desejar que aqueles minutos de serpenteio viscoso passem depressinha (isto quando o entrevistado merece a nossa paragem naquela estação).

Se Alfredo Barroso, apesar da argumentação certeira e pertinente, se deixou exaltar demasiado sem necessidade, Teresa Caeiro mostrou-se em todo o seu esplendor: de uma vacuidade confrangedora, “tia” até dizer chega, incapaz de se olhar politicamente ao espelho e, no geral, mal-criada e com observações despropositadas, como a do “chafurdar na lama” (!).

Os imbecis preferem o nada

PCP e BE recusaram-se a negociar com o PS algum tipo de acordo que pudesse garantir estabilidade parlamentar após as eleições de 2009 porque não queriam fazer qualquer tipo de cedência à direita. Apesar de o PS ter ganhado as eleições, e apesar de saberem que ao PSD e CDS convinha manter o Governo minoritário para o derrubar na altura que fosse mais propícia para os seus interesses, bloquistas e comunistas exigiam que fosse o PS a ceder em toda a linha, chegando ao ponto de ter de abdicar do seu programa eleitoral, prática governativa e sentido histórico. Só transformados numa cópia do extremismo marxista seria possível aos socialistas portugueses obter a anuência da verdadeira esquerda.

Há várias razões políticas, sociológicas e até antropológicas para este radicalismo saloio, bastamente analisadas ao longo do tempo, mas há também algo do foro da inteligência pura e simples. Ao preferirem nada influenciar na governação, seja na Educação ou Saúde, Agricultura ou Finanças, só para se poderem continuar a reclamar ideologicamente imaculados, estão a privar o seu eleitorado de alcançar algumas das metas que ambiciona ver realizadas. A chantagem do tudo ou nada torna impossível a negociação. E, sem negociarem, terão de esperar pela maioria absoluta caso pretendam aplicar as suas soluções executivas. Ligeiro aborrecimento para estes puros e bravos defensores dos trabalhadores: não se prevê que tal maioria absoluta dada ao PCP ou ao BE, sequer aos dois em conjunto, aconteça neste milénio acabadinho de estrear.

Isto é coisa de imbecis, né?