Baratas tontas

O BE, o partido dos professores, mandou a Ana Drago dizer umas inanidades face à decisão do Tribunal Constitucional a respeito da golpada eleitoralista contra a avaliação. Nada mais. Nem sequer deu um sinal de responsabilização, ou mera consciência, pela tentativa ilícita de interromper a meio do ano o processo sem ter apresentado qualquer outro modelo alternativo.

O BE, o partido da grande esquerda, recusou-se a negociar o pacote de medidas com a UE e FMI, só para descobrir que continuava em queda nas sondagens, para além de ver aumentada a contestação interna a Louçã. De repente, quer saltar para dentro do comboio em andamento, perto da estação de chegada, para poder dizer que não negociou com os malandros mas tinha propostas magníficas que os malandros recusaram.

O BE, o partido que desaparecerá no dia em que Louçã cair de podre, foi a maior desilusão desta legislatura. Desperdiçaram os duzentos mil votos que tiraram ao PS em Setembro de 2009 – sacrificados no altar da megalomania de um fanático que preferiu aliar-se a esta miserável direita para boicotar e derrubar o Governo em vez de tentar uma negociação com o PS e o PCP que realizasse nalguns objectivos a expectativa do seu eleitorado.

Cavaquismo vintage

Silva Pereira, que representa o Executivo à mesa das negociações com a oposição, garantiu que “o PSD está a impedir que o país fale a uma só voz”. “Por isso o Governo insiste no apelo a um comportamento responsável”, disse.

Em resposta, Catroga afirmou que “o fartar vilanagem de Sócrates foi uma tragédia nacional” e sublinhou que o presente governo devia ir a tribunal.

“As gerações mais jovens deviam pôr este governo em tribunal”, afirmou Eduardo Catroga ao Expresso de hoje, sábado.

Fonte

Os últimos e os primeiros

Estava curioso a respeito da ida de Sócrates ao Fórum TSF. Isto porque todos os dias oiço o programa, pelo menos parte. Quem tenha a mesma experiência, e já lá vão anos e anos e anos deste hábito, sabe que os jornalistas que conduzem as emissões são de um profissionalismo inexcedível. E sabe que não se faz qualquer tipo de manipulação editorial das participações, pois a mancha opinativa que chega à emissão é plural. Invariavelmente. E também representativa das flutuações sociológicas e respectivas comoções psicológicas inevitáveis na população. Assim, esperava que a brigada dos desvairados, raivosos, catastrofistas, anti-socráticos e saudosos de Salazar aparecesse em massa como o faz todo o santo dia.

Ora, nada disso aconteceu. Em duas horas de emissão, só se ouviu um participante a colocar uma questão nascida de uma análise negativa para o Governo e Sócrates. Um único! As restantes questões opositoras vieram pela mão da jornalista que as repescou na Internet. Mas ainda mais estranho foi constatar que as perguntas, especialmente as primeiras, eram chapadas cábulas partidárias, artificiais no texto e na leitura. A coisa foi de tal maneira que Sócrates, no começo da segunda hora, manifestou o seu incómodo, ou surpresa, com a situação. Seguramente, também ele se tinha preparado para outro ambiente.

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Vinte Linhas 608

Entre a vida e a morte ou o esplendor do efémero

No dia 13-4-2011 o meu neto Lucas, seis dias de vida, esteve muito tempo ao meu colo. Sentir a sua respiração levou-me a pensar no que aconteceu nesse mesmo dia em 1995 – a morte da minha mãe. Não conheceu este bisneto nem o primeiro, nascido em 2006 mas lembro muito a sua presença. Lembro com evidência, sentimento e propriedade. A vida é isto que li num livro sobre a Académica de Coimbra: «Os mortos empurram os vivos» Citação de Herberto Hélder. Há quem lhe chame corrida de estafetas pois todos recebemos um testemunho que deveremos transmitir melhorado aos vindouros. Ao mesmo tempo passaram 22 anos sobre o desastre de 15-4-89 quando 96 adeptos do Liverpool morreram em Hillsborough, estádio do Sheffield Wednesday. Jamdes Jones, bispo de Liverpool, está numa comissão sobre a tragédia. É preciso encontrar respostas. Saber o que se passou de facto às 3h 15m daquele dia naquele estádio. Saber o que foi dito por Margaret Thatcher a Peter Wright, chefe da polícia do condado. Saber quem escondeu duas câmaras de vigilância duma sala do estádio. Saber quem afastou o superintendente Stanley Beechey e o colocou num serviço não operacional. Saber quem alterou os relatórios da polícia antes de serem entregues à comissão Taylor. Um dia o poeta Ruy Belo escreveu que a força do futebol vem do próprio momento, do irrepetível tempo, de 90 minutos de incerteza. «Só o presente se vive» e o futebol é o presente, diz o poeta. Sem passado nem futuro, entre a vida e a morte o esplendor do efémero é, como no teatro, o encontro impossível de repetir. Para a família dos mortos de Hillsborough o futebol deixou de fazer sentido porque a morte venceu a vida.

Uma caso para a história: TC “chumba” revogação da avaliação dos professores

Aquando da bizarra revogação por lei de um decreto-regulamentar, acompanhada de “ordens” dadas ao Governo enquanto Estado-Administração, escrevi isto.

Era evidente que a irresponsabilidade começava por ser política. A oposição achou por bem revogar sem mais, a meio do ano lectivo, o modelo de avaliação dos professores. Isto, para piorar, quando o Governo estava quase em gestão e as eleições surgiam no horizonte.

Ainda assim, em modelo bomba atómica, a oposição uniu-se no absurdo e na irresponsabilidade, passando uma mensagem de apoio a um modelo de não avaliação dos professores.

Infelizmente, largar bombas sem alternativas é coisa a que nos vêm habituando.

Podia, em todo o caso, um jurista de uma das bancadas ter recordado à mesma a escandalosa inconstitucionalidade da revogação.

Cá está a decisão do TC que “justificou a declaração de inconstitucionalidade da revogação da avaliação de desempenho dos professores, aprovada pela oposição, com a “violação do princípio da separação e interdependência dos órgãos de soberania”.

Penso que este caso vergonhoso fica para a história.

Informação útil

Informo os estimados ouvintes de que poderão enviar para este blogue os vossos presentes destinados ao casal Kate e William. Por razões de simplificação do processo, aconselho a entrega de numerário ou a opção pela transferência bancária. Em tempo útil, encarrregar-me-ei de fazer chegar à Coroa Britânica as manifestações da vossa amizade. Muito obrigado.

Viva os noivos!

Relvas, o Educador

Convidado para falar aos alunos de mestrado em ciência política do Instituto de Ciências Sociais e Políticas (ISCP), em Lisboa, numa aula aberta à comunicação social, Miguel Relvas afirmou também que o PSD recusa “fazer campanha como o engenheiro Sócrates: discurso escrito, teleponto e muita falta de vergonha”.

Para começar, quem foi a luminária que convidou o Relvas para falar com alunos, e logo de ciência política? Quem irá assumir responsabilidades no ISCP quando metade desses alunos – alegando stress pós-traumático ou a súbita urgência de irem inscrever-se na Legião Estrangeira – abandonarem o mestrado em resultado da palestra?

“Eu quero chegar a casa, depois de ganhar as eleições, todos os dias e quero que a minha filha tenha orgulho daquilo que está a ser feito”, disse o porta-voz do PSD, acrescentando: “Eu no lugar do engenheiro Sócrates tinha vergonha, eu se fosse parente do engenheiro Sócrates escondia que era parente dele”.

Não há engano, é mesmo como está escrito. Relvas anuncia que irá governar para a filha. A sua filha será a bitola do sucesso ou insucesso do Governo a que pertencer, avaliação medida pelo orgulho expresso pela menina e percepcionado pelo pai ao chegar a casa.

Relvas também tem mensagens para os parentes de Sócrates, presumindo-se, pela proximidade da referência, que esteja a dirigir-se directamente aos filhos do actual Primeiro-Ministro. Para Relvas, esses miúdos devem sentir vergonha do pai que têm. Caso não a sintam, algo de muito errado lhes está a acontecer. Há ainda uma forma de salvarem a face, mesmo que se reconheçam deficientes em matéria de sentimentos próprios da gente de bem, e tal via consistirá em passarem a esconder que são filhos de tão vergonhoso pai, negando que alguma vez tenham sequer falado com ele e trocando de passeio calhando cruzarem-se na rua por algum infortúnio do destino.

Percebido? Pelo menos a mim, parece-me cristalino o que Relvas está a dizer com as letras todas, todinhas.

Na sua intervenção sobre comunicação política, Miguel Relvas disse que o PSD se vai apresentar nestas eleições com a mensagem de que o PS é “mais do mesmo” e de que esta “é hora de mudar” de política para pôr a economia a crescer, como aconteceu “nos Estados Unidos em 1992, salvaguardadas as devidas diferenças”, com Bill Clinton.

Finalmente algo de tangível acerca do programa do PSD: vamos ter mamadas em S. Bento.

No entanto, o secretário-geral do PSD reconheceu que há resistência à mudança: “Nós temos sondagens, ‘tracking diário’, e vejo a evolução, como é que a coisa está, e vejo que sempre que falamos verdade, sempre que vamos mais longe na mudança, os portugueses retraem-se”.

Até parece que os portugueses vos topam, não é, Relvas? E logo vocês que compraram a patente da Verdade… Grande azar, pá.

“Sabem que é uma coisa que me custa muito, é que a sensação que eu tenho é que ainda há uma parte do eleitorado que quer ser enganada. Ainda há uma parte do eleitorado que quer ser iludida, quer ser enganada e quer ser iludida”, lamentou.

Neste observação, estamos todos de acordo. Relvas não se engana nem engana. Ele só se esqueceu de referir, porque é educado e humilde, que a parte do eleitorado que quer ser enganada tem vindo a diminuir de tamanho – mérito inquestionável do PSD.

Segundo Miguel Relvas, contudo, “é bom que haja sondagens que aproximem” PSD e PS: “Na hora da verdade vai ser o clique de que os portugueses vão precisar. Boas sondagens para o engenheiro Sócrates é o clique da nossa mensagem para ganharmos as eleições”.

Puro génio. Quão melhores as sondagens para o engenheiro, mais perto o PSD fica da vitória. É a famosa teoria do clique, quem não a conhece. Se sair uma sondagem que dê 90% de votos para o PS, nem precisamos de ir votar. É só fazer clique e abre-se uma janela no monitor a dizer que Relvas já é ministro.

“Estou convencido de que as pessoas vão arriscar a mudança, porque nós merecemos o benefício da dúvida”, reforçou.

Mas qual dúvida? Ninguém tem dúvidas, homem. Toda a gente sabe o risco que corre se votar no PSD.

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Eu também teria dificuldade em acreditar

Um livro por semana 229

«A incidência da luz» de Graça Pires

21 anos depois da sua estreia com «Poemas» (1990) que foi Prémio Revelação da Associação Portuguesa de Escritores em 1988, Graça Pires (n. 1946) retoma algumas das linhas de força da sua poesia.

Por um lado a Natureza no múltiplo olhar da mulher na luz do Mundo:

«As paredes das casas com marcas de fumo / guardaram-lhes os gritos quando queimaram / as cartas de amor e o alecrim para afastarem / os fantasmas do passado parados à beira da insónia».

Por outro lado a Cultura revendo o modo como a Arte lê a Vida e a Humanidade: Auden, Conrad, Van Gogh, Astor Piazzola, Kieslowski, Matisse, Thomas Mann, Gauguin e Bach.

No intervalo que separa luz, vida e alegria de luto, culpa e solidão, o poema inscreve no seu articulado a explicação da vida que vence a morte: «Vejo uma cruz. / Um homem. / Uma túnica rasgada. / Uma coroa de espinhos. / Um rosto com sangue pisado. / O suplício das mãos amarradas ao madeiro.»

(Editora: Labirinto, Capa: Manuel Fazenda Lourenço, Prefácio: Isabel Mendes Ferreira, Posfácio: Alice Macedo Campos)

Sites do jornalismo amarelo


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Os nossos jornais de referência abastardam tranquilamente a Língua, nem sequer tendo uns segundos para carregar no botão de itálico tal a lufa-lufa com que nos entregam as notícias fresquinhas. Itálicos era no tempo dos tipógrafos, esses seres muito lentos que arranjavam pachorra para estar ali a montar o texto letra a letra. Os novos licenciados jornaleiros têm mais o que fazer. Há muito site para visitar, muito site onde aparecer, sites cheios de colegas, outros sites cheios de amigos, mais os sites onde dormem, comem, dançam e lêem uns books ou downloadam os files dos movies. No fundo, os jornais modernaços querem-se tal e qual como browsers para atravessar rapidamente a realidade, permitindo um bookmark aqui, outro ali. Mas só se não for bué da chato e não tivermos de fazer itálico, essa sinalética morta e tão pouco bold.

Mais do mesmo, diz uma espécie de voto nulo

Ontem assisti à apresentação do Programa de Governo do PS. Coube a Sócrates apresentar as linhas gerais do mesmo, claro, e não ler o documento na íntegra. Mas apresentar as linhas gerais não é coisa pouca, porque fica claro, claríssimo, quais são os pontos basilares do programa de governo apresentado a tempo e horas daqueles, imagine-se, que não são Governo em plenitude de funções, que não estão a continuar o seu trabalho árduo porque o PSD, de punho erguido com toda a oposição, preferiu a crise ao país. O mesmo é dizer, preferiu a hipótese de poder mais rápido às pessoas, aos cidadãos e cidadãs que estavam a ser alvo das consequências de um esforço tremendo para que não chegássemos aos dias de hoje.

Os dias de hoje são os dias em que é esse mesmo PM que foi varrido na AR sem que o PSD tivesse uma única ideia alternativa, uma única proposta de convergência, uma única resposta aos pedidos de diálogo, que está a negociar a ajuda externa a Portugal, discreto em cada reunião, com o interesse nacional evidenciado em cada gesto. Ironias do destino.

Ao mesmo tempo, quando estamos a ser avaliados para efeitos de recebermos a tal ajuda externa, o PSD lança perguntas ao Governo sobre o estado da Administração e das suas contas, explica que não haverá entendimentos com o PS após as eleições sem a substituição de Sócrates, etc, etc, etc.

Passos Coelho escolhe para cabeça de lista de Lisboa quem não tem cultura democrática. Podia ser lapso. Podia não dizer nada sobre o presidente do PSD. Mas diz. Passos Coelho, na tradição de alguns sociais democratas, tem problemas com regras elementares da democracia. É quase aterrador ouvir um candidato a PM, neste momento de crise em que estamos a ser observados à lupa ou noutro qualquer, deitar por terra as regras democráticas partidárias.

Só vejo uma receita para Passos Coelho. Ele que se inscreva no PS e entre no processo democrático para afastar Sócrates.

Hoje, depois de tudo o que ouvi ontem, que tem muito que ver com o assegurar de linhas mestras essenciais para a esquerda que vêm sendo ameaçadas pela direita através de recados, isto é, que tem muito que ver com não usar a ajuda externa como pretexto ou desculpa para destruir traves mestras do Estado social, dou com a extraordinária declaração reactiva do PSD: mais do mesmo.

A sério?

Leram o programa todo?

Eu lia o do PSD, mas não há.

O Partido que provocou esta crise tinha o dever ético e moral de nesse momento ter propostas alternativas. Não tinha.

Passada essa vergonha histórica, esperava-se que fosse o primeiro a surgir com um programa, ideias sólidas, mesmo que sem a nossa concordância, uma equipa unida, um líder que diz o mesmo de manhã e à noite.

Nada.

Não me lembro de um momento político assim.

O PSD é um voto nulo.

Louçã e a sua crescente impaciência para aturar a democracia

Segundo Louçã, esta questão ficou muito clara na entrevista de José Sócrates à TVI na terça-feira. “É como abrir um ovo da Páscoa e descobrir a prenda que lá está dentro. E a prenda que lá está dentro é o PSD. Querem ajudar agora juntando-se”, sublinhou.

O líder do BE afirmou assim que “Sócrates governa mas quer ajudar governando com o PSD” e, por seu lado, “o PSD quer ajudar o PSD mas governando com o PS”.

“E percebemos bem que a eleição se vai transformar num truque: votar em José Sócrates é votar em Passos Coelho e votar em Passos Coelho é votar em José Sócrates, para que uns e outros vão governando perante esta chantagem imensa do interesse económico, do poder financeiro, desta utilização da economia e do país todo para ir pagando uma dívida que não tem”, condenou.

Fonte

Disfarcem uma beca, olha o nível

O Público faz o que pode para ajudar o PSD. Nada contra, até porque o PSD está bem à rasca, todas as ajudas que conseguirem sacar não serão demais. Só peço é que o façam com um bocadinho de decoro, assim em memória dos tempos longínquos em que não eram um pasquim. Veja-se esta displicência:

Dirigente do PS chama “foleiro” ao Presidente da República

[…]

Lello, além de ser um dos socialistas mais próximos do líder José Sócrates, é dirigente nacional do PS, onde ocupa diversos cargos, deputado e presidente do Conselho de Administração da Assembleia da República.

O dirigente socialista já tinha ofendido publicamente o Presidente da República depois deste ter feito o discurso da tomada de posse, classificando-o como “ressabiado”.

Cavaco Silva, Jorge Sampaio, Mário Soares e Ramalho Eanes foram unânimes esta segunda-feira durante as comemorações do 25 de Abril, no Palácio de Belém, a pedirem para que não houvesse crispação entre os dirigentes políticos.

José Lello diz que Nogueira Leite quer “abifar uns tachos”

[…]

Lello, além de ser um dos socialistas mais próximos do líder José Sócrates, é dirigente nacional do PS, onde ocupa diversos cargos, deputado e presidente do Conselho de Administração da Assembleia da República.

Cavaco Silva, Jorge Sampaio, Mário Soares e Ramalho Eanes foram unânimes na segunda-feira durante as comemorações do 25 de Abril, no Palácio de Belém, a pedirem para que não houvesse crispação entre os dirigentes políticos.

Duas notícias diferentes, em dois dias distintos, levam com dois títulos similares e dois parágrafos iguais. Para quê? Para um único objectivo: transformar declarações informais e pícaras na ideia de que Cavaco está a ser atacado, ou desrespeitado, indirectamente por Sócrates. Daí a repetição do mesmo texto no mesmo contexto – ou a repetição do mesmo subtexto com o mesmo pretexto.

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A professora de Jude Law

Esclerose em placas – que não vejo
Mas oiço bem o ruído do elevador
Sobe as escadas a cadeira de rodas
Aqui junto à parede que nos divide
Como se o seu motor aqui estivesse
E o cão-guia nos ladrasse em festa
No corredor branco da nossa casa

Jude Law, o famoso actor, foi seu aluno
Era distraído, pedia moedas às meninas
Para o bilhete de autocarro no regresso
Mais tarde a mãe do futuro actor pagava
O devido às respectivas mães das alunas
Sem elas imaginarem as primeiras páginas
De jornais que gritam filmes e divórcios

Esta professora recebe hoje visitas de colegas
Trazem chá e scones que barram de manteiga
Se o tempo ajuda vão para o jardim da casa
Ele vem no jornal que sai de um dos sacos
Mas a geração de hoje já não pede moedas
O cartão azul é carregado pelos pais ao mês
Tal como o telemóvel que todos eles usam

Dumping cinéfilo

Leia-se este resumo do Cinecartaz e a seguir o original. O Público informa que o texto vem da Cinemateca Portuguesa, pelo que a pergunta a fazer é a seguinte: quanto é que a Cinemateca está a pagar ao bacano das sinopses para ele copiar comentários do IMDB? Seja o que for, eu farei o mesmo trabalho por metade do que ele ganha.

Good food for good thought

Seed: How, if at all, does steady-state economics apply to the current financial crisis?

Finance is based heavily on things called “present value maximization models”—which means, essentially, that you’re discounting the future by a presumed rate of growth. You run an exponential growth equation backward to get a present value. So via the discount rate, growth is fundamentally built into finance. Well, that’s a very big assumption because the biosphere of which we’re a part is not growing.

One of my intellectual heroes, the Nobel Prize– winning chemist Frederick Soddy, put it another way. He said the problem in our economy is the one thing that economists have in their system which does not obey the laws of physics. And that is money. Money is the symbol of wealth, and yet it operates on laws which contradict the laws that wealth operates on. It’s very strange to have a symbol system that operates in ways that are fundamentally different from the thing being symbolized.

Seed: Do you think that in the future all economics will necessarily be ecological economics?

That’s what I expect. I mean, we’re faced with two impossibilities. On the one hand, it’s politically impossible to stop growth. On the other hand, it’s biophysically impossible to continue it ad infinitum. So, which impossibility is fundamentally impossible? Well, you know, I’ll take my chances with trying to change the politically impossible, because I don’t think I can change the biophysically impossible.

Rethinking Growth

Que vos falta? Querem vir cá a casa?

Já segunda-feira, num almoço com militantes do PCP, o líder comunista havia catalogado a entrada do FMI e BCE como uma traição: “Traindo os valores e ideais de Abril, pende sobre o país uma intervenção externa por via da União Europeia e do Fundo Monetário Internacional (FMI), uma decisão ilegítima tomada no quadro das cedências do Governo PS, com o apoio de PSD e CDS e do Presidente da República, ao grande capital.”

Fonte

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O PCP votou a favor da entrada do FMI quando chumbou o PEC, assim provocando a queda do Governo – será que Jerónimo já foi informado disso? Este partido quer concorrer a eleições, ocupar o Parlamento, usufruir de todas as benesses e regalias que o regime democrático lhe concede mas não mexe uma palha para defender o tal povo que lhe dá as bandeiras e o berreiro. Agora andam felizes e contentes a brincar aos puros e aos intocáveis. Nada de misturas com o grande capital, esse monstro de mil cabeças que suga a alma e nos condena ao mais fundo dos infernos, repetem orgulhosamente sós. É o equivalente a não querer disparar contra o inimigo invocando repulsa pela sua visão.

Haverá pessoas excelentes no PCP, tal como há nas Testemunhas de Jeová – sendo que se trocássemos algumas de uma organização para a outra ninguém daria por isso, nem nós nem elas. Pessoas que estão convencidíssimas de terem as melhores, ou as únicas, soluções para alcançar o fim da pobreza, a paz entre as nações, a felicidade universal. Pessoas que abdicaram de procurar outras ideias porque aquelas a que chegaram chegam e sobram para o gasto. Que fazer com estes fanáticos? Isto: pedir-lhes para explicarem o que está a faltar para que a sua boa nova chegue aos explorados e famintos com número de eleitor. Será que o Avante é boicotado nalgumas regiões do País? Estão com problemas em manter o website do partido actualizado? Querem ter mais espaço na via pública para colarem cartazes? O que estará a impedir que os milhões de vítimas do grande capital abracem a ditadura do proletariado quando o PCP só precisa de mais umas centenas de milhares de votos para expulsar o imperialismo e criar o homem novo?

O PCP, e o BE não será muito diferente, é hoje uma proposta de fuga mundi para extremos da vivência política, aqueles que estão a desabrochar e aqueles que secaram. Por isso não estranha que atraia por igual super-cagões armados em eruditos e taralhoucos para quem partir montras e agredir polícias é preferível a ter de estudar Marx.

Que sorte estar em Lisboa

Nesta quinta-feira e poder ir à próxima sessão do Café dos Blogues. Estive nas duas anteriores e muito agradeci às inteligências e vontades que criaram esta singela iniciativa, onde podemos ver e ouvir alguns autores da blogosfera que só conhecíamos por escrito ou encontrar amigos. Com a Fátima e o maradona assisti a um gargalhado festival de iconoclastia e libertinagem e com o Manuel Falcão e Luís M. Jorge passeei por paisagens crepusculares e introspectivas.

No meio, antes e depois dos convidados, as palavras de Carla Quevedo. Charme hipnótico.