Resolução de Ano Novo

A minha resolução para 2011 é ambiciosa, à altura dos tempos muito difíceis que enfrentamos. Consiste em tentar descobrir ao longo dos próximos 12 meses o que significa a expressão vale o que vale. É fórmula usada amiúde, já um cliché se o tema é relativo a sondagens, mas tem vasta aplicação. Ao limite, qualquer coisa pode receber a sentença: vale o que vale. Por exemplo, Paulo Sérgio vale o que vale, a ida da Moura Guedes para a SIC vale o que vale, o esquecimento da Judiciária de Aveiro acerca da existência de cópias das escutas a Sócrates vale o que vale e até o dinheiro, feitas bem as contas, vale o que vale. Assim, preciso saber do que anda tanta gente a falar.

E as tuas resoluções, quais são?

És patético, Pacheco

Acabo de ouvir o Pacheco, na Quadratura, a fazer a enésima ameaça de que um dia tudo se saberá acerca do terrível Gabinete de Sócrates e suas diabólicas malfeitorias. O costume é ficar-se pelo registo canalha de nada concretizar, largando risadinhas boçais para telespectador ver. Desta vez, a repto do António Costa, atreveu-se a indicar umas pistas soltas. E o que era? Pois nada mais, nada menos, do que o material que o Carlos Santos e o Paulo Pinto Mascarenhas andaram a espalhar acerca dos anónimos, do Simplex, dos emails de membros do Governo com informações para bloggers, das agências de comunicação ao ataque na Internet e, portanto, também a celebérrima teoria conspirativa da frente da calúnia e seu trio de blogues onde pululam empregados do Governo.

O Pacheco tem neste par de infelizes, Santos e Mascarenhas, a sua fonte para a construção da grande cabala socrática, afinal. Inacreditável o ponto a que se chega quando se perde a auto-estima intelectual. Contudo, um artista da política-espectáculo tem de ter conteúdos para apresentar, e a necessidade acaba por esfarelar a lucidez. Agruras da profissão.

Só espero que um dia também se saiba quanto se ganha nessa indústria onde vale tudo, até mesmo a exibição crua da indigência moral. Desconfio que não compensa.

Vinte Linhas 570

«O Livro das listas» – O MIRANTE é o primeiro da lista da página 81

João Pombeiro organizou e a Quetzal editou um livro muito especial – «O livro das listas». Nele, em 178 páginas, há tudo ou quase tudo o que uma pessoa sempre quis saber e não tem medo de perguntar. Respeitando embora o interesse de listas com os insultos essenciais para usar no dia-a-dia, os países com mais ovelhas do que pessoas, as frases bombásticas de Alberto João Jardim, os números que menos têm saído no euro milhões ou as 40 palavras mais usadas para designar os órgãos sexuais masculino e feminino, a verdade é que me interessou muito mais a lista com os jornais regionais portugueses de maior circulação. Temos então a lista tal e qual: o MIRANTE de Santarém com 29.344 exemplares seguido de Diário Cidade (Madeira) com 22.219, o Diário de Notícias da Madeira com 12.405, o Jornal do Fundão com 13.285, a Reconquista de Castelo Branco com 11.711, o Postal do Algarve com 11.629, os mesmos da Região de Leiria, o Badaladas de Torres Vedras com 9.660, o Diário de Coimbra com 9.213 e o Jornal da Bairrada com 8.796 exemplares. A nível mundial não deixa de ser curioso que nos dez maiores jornais do Mundo só há dois europeus – o Bild (alemão) em 4º lugar e o Sun (inglês) em 7º lugar. Todos os outros são da China, da Índia e do Japão. No que diz respeito ao futebol julgo que Fernando Peyroteo com 331 golos no campeonato nacional português fora os 13 golos na selecção nacional merecia estar na lista dos melhores – mas não tenho a certeza. Quantos ao tema do futebol julgo que o livro sobre a Académica não tem como único autor João Mesquita – mas não tenho a certeza. Até por isso este é um livro que nos interessa e nos desafia.

Rex tremendae

Nas duas vezes que Alegre debateu com Cavaco vimos a mesma cena: um homem ingénuo, sem vocação política, a sonhar-se nas Cortes de Lamego à espera da aclamação. Transbordando magnanimidade, tratou o seu opositor com impecável elevação e indisfarçável estima. Afinal, tratava-se de um correlegionário, um par do Reino.

Não lhe podemos levar a mal tão humana fraqueza, porém. Antes devemos agradecer-lhe as batalhas que travou fogoso e heróico contra os verdadeiros inimigos da democracia – primeiro em 2005, contra Soares, e de 2007 a 2009, contra o Governo e a sinistra Maria de Lurdes Rodrigues. Também não podemos ignorar os sacrifícios suportados durante os 5 anos em que arrastou sozinho 1 milhão de votos. É um desafio titânico, especialmente quando chove e os votos ficam todos empapados. Naturalmente, chegou a estas eleições esgotado. É tempo de desfrutar o merecido repouso.

Alegra-nos, Alegre

Pedindo licença a Louçã e Seguro, os dois génios da grande esquerda que levaram Cavaco a escapar à mais do que merecida derrota para a reeleição, vou ajudar Manuel Alegre a fazer um brilharete esta noite e, finalmente, ficar com algo para mostrar que interesse ao eleitorado. Chega aqui e presta atenção, poeta.

Assim que te derem a palavra, vais dizer o seguinte:

Venho a este debate não para falar, mas para ouvir. Entrego todo o meu tempo ao Presidente da República, aqui presente, para me ajudar a compreender quem é o candidato presidencial Cavaco Silva, igualmente aqui presente. Porque sem os esclarecimentos do primeiro não podemos saber quem é, nem o que quer, o segundo. Infelizmente, a imprensa do meu país não fez o que agora vou fazer. E, desgraçadamente, Vossa Excelência não se dignou contar aos portugueses o que aconteceu, pelo que vou ser eu a exigir de si que cumpra o juramento que prestou ao aceitar o cargo. Revele sem margem para dúvidas: qual é a sua responsabilidade nas notícias que saíram em Agosto de 2009 descrevendo suspeitas de espionagem e escutas cujo alvo era a Presidência da República?

Se não tem qualquer responsabilidade, explique o seu silêncio após a saída das notícias, a poucas semanas das eleições legislativas, assim permitindo a continuação, e adensamento, da calúnia que teria inevitáveis consequências eleitorais. Se não tem qualquer responsabilidade, explique o pseudo-afastamento de Fernando Lima, apontado como o contacto com o jornal em causa para a montagem da conspiração, e diga se ele é inocente ou culpado para si. Se não tem qualquer responsabilidade, explique as variadas declarações que fez antes e depois das eleições, onde confirmava ter suspeitas de haver problemas na segurança das suas comunicações.

De quem tantas vezes exigiu aos políticos para falarem verdade, o mínimo que se espera é uma coerência mínima. Venha ela, Senhor Presidente da República, pois este é o momento em que não o deixo fugir das suas palavras.

Mas se tem alguma responsabilidade, assuma-a de imediato para que me possa levantar e sair. Não discuto com pulhas.

Sim, a lei irlandesa pode continuar a penalizar mulheres que interrompem a gravidez: o contentantamento de Vaz Patto

Nos últimos dias noticiou-se esta decisão do Tribunal Europeu dos Direitos do Homem (TEDH). É uma decisão importante que pode vir a contribuir para uma alteração da lei irlandesa.

Estava em causa o recurso de três mulheres, de que tomei nota na devida altura, as quais fizeram o que se tem de fazer no (hipócrita) sistema irlandês: foram a um país civilizado (Inglaterra) interromper as gravidezes, pois assim, diz a lei amante da vida, evitam a prisão. O sistema irlandês, portanto, amante da vida e da igualdade, diz às mulheres que pecaram o seguinte: se te atreveres a fazer uma IVG entre nós, levas com cadeia para o resto da vida; se fores a um país maldito que tenha esse horror legalizado, podes voltar, pois não temos nada a ver com isso. E assim vivem as mulheres: quando pecam e engravidam (de extraterrestres) e não está em causa a sua morte – razão atendível -, se, no seu juízo pessoal e intransmissível, quiserem fazer uma IVG, ou têm dinheiro (ou juntam o que têm) para atravessar a fronteira ou vão onde for, e deus trate do seu destino.

Este sistema é tão atroz que os senhores que aplicam a lei ficaram, claro, baralhados quando uma menina engravidou em consequência de uma violação. Eis que lhes soou uma campainha, mas na sua habilidade formalistica tiveram uma epifania quando prescreveram que uma menina ou uma mulher, se forem violadas e engravidarem, não podem interromper a bonita gravidez; mas se à conta do episódio (que realmente deve ser traumático) quiserem suicidar-se, então o sistema permite a IVG, porque passa a caber na única previsão permissiva que é a do perigo comprovado de risco de vida para a mãe.

É caso para imaginar uma adolescente grávida de uma besta que a violou a dirigir-se a quem de direito, com os seus pais, para pôr termo àquela gravidez rapidamente: deverá ser perguntado e verificado que foi violada; feita a verificação, deverá olhar-se para a menina e perguntar: olhe, que mau o que passou, mas está com planos de suicidar-se? Deve responder-se sempre que sim, claro. Caso o impulso suicida exista mesmo, depois deste processo imagino que se agrave.

Ora, naquela decisão do TEDH temos três mulheres corajosas. Mulheres forçadas a fazer uma IVG fora do seu país: uma, pobre, desempregada, mãe de quatro filhos – o mais novo deficiente -, com problemas de alcoolismo, vítima de depressão prolongada; outra acreditando ter uma gravidez de risco; a terceira tinha cancro. A decisão explica que todas ficaram grávidas involuntariamente – insuportável – e explica os problemas de saúde que as três tiveram após a IVG.

É impossível reproduzir aqui a decisão toda, mas impossível é também fazer a análise cega pelo contentamento que o Juiz Vaz Patto fez ontem no “Público”.

Congratulava-se o defensor da vida com o facto de a legislação irlandesa não ter sido alterada; diz que o TEDH não procedeu a essa decisão. Isto, num artigo que não encontro on line, em que vibra com a defesa da vida.

Por mim, pode vibrar o quanto quiser, mas não se deve esquecer de explicar, quando escreve num jornal, que o TEDH não pode alterar a legislação dos Estados. É impossível. O que pode acontecer, como aconteceu parcialmente, é condenar um Estado – aqui a Irlanda – ao pagamento de uma indemnização.

Fica registado, mais uma vez, o júbilo daqueles que afirmam não querer impor uma visão religiosa ao sistema jurídico, esses que escrevem aqui, pessoas que dormem melhor de noite quando vêem assegurado que há sempre alguém que resiste, há sempre alguém que diz não, há sempre alguém que entende a vida como uma valor tão absoluto que manda uma jovem violada para a prisão (a não ser quer se queira suicidar).

Dormem melhor, são gente valente, não é?

Quanto pode custar um Nokia E 71?

Aconteceu com a Maria João Nogueira, que a própria explica enquanto Jonasnut, e Alda Telles fez uma excelente resenha do ponto de vista dos desafios para o marketing. É um caso cristalino do que uma empresa não deve fazer face ao novo paradigma comunicacional onde a Internet pode amplificar desmesuradamente qualquer conflito com os consumidores. E para além de ignorarem a influência social da pessoa que reclamava, os advogados e decisores da Ensitel cometeram o sacrilégio de querer censurar o conteúdo publicado num blogue. Obviamente, estavam chanfrados dos cornos.

Apenas acrescento – a partir da minha própria experiência profissional – que a conveniência da inclusão de competências da disciplina de relações públicas nos projectos para a Internet era uma evidência logo nos primórdios da sua utilização comercial frequente, antes da Web 2.0. Agora, no primado do utilizador-emissor servido por potentes plataformas de agregação, é uma questão de sobrevivência.

Vinte Linhas 569

Fernando Salgueiro – Ainda há coisas espantosas na Blogosfera

No passado dia 23-12-2010 enviei ao Valupi com pedido de publicação um poema sobre a Taverna do Manelvina (Cruzes – Salir de Matos – Caldas da Rainha) e para ilustrar o texto enviei uma fotografia a preto e branco do cavaleiro Fernando Salgueiro entrando em praça para tourear. A lógica dessa escolha está no facto de a Taberna (não «tasca» como alguns bandalhos lhe tentaram chamar) estar decorada com motivos característicos das corridas de touros: cabeças de animais, bandarilhas, barretes, coletes, fotografias com gente da festa brava. Mas a escolha não era inocente: há uma relação de parentesco entre a família do cavaleiro Fernando Salgueiro e uma família da Granja Nova que frequenta a Taberna do Manelvina. Isto é um aspecto da questão mas há o negativo: alguns palhaços escreveram coisas miseráveis sobre mim como por exemplo «ele tem almoços garantidos à borla» e «para ele escrever num Blog é um negócio». Mas o vómito dos burros fica com quem o deita pela boca fora.

Mas mudemos de assunto sem mudar de tema.

Espantoso foi o que li hoje (27-12-2010) no Diário de Notícias na página 41: «A antiga ganadeira Maria Manuela Andrade Salgueiro faleceu no passado sábado com 89 anos de idade. Viúva do cavaleiro Fernando Salgueiro, era avó de João Salgueiro e bisavó do jovem João Salgueiro da Costa, também cavaleiros tauromáquicos». Fim de citação.

A fotografia publicada no «aspirinab» em 23-12-2010 foi por mim escolhida numa base de intuição mas acaba por funcionar como homenagem a um cavaleiro de grande categoria e, de forma indirecta mas implícita, à sua viúva D. Manuela Salgueiro.

Estado especial de bovinidade

José Manuel Fernandes espera receber explicações de Fernanda Câncio a respeito do que um cidadão egípcio resolveu fazer à sua família. Seria fácil aproveitar a ocasião para trazer outros casos pitorescos da História da Psicologia Clínica, mas tal não faria justiça à estupidez que foi produzida. Mais relevante é lembrar que foi a esta indescritível figura que Belém encomendou uma golpada eleitoral que metia ousados actos de espionagem ao Presidente da República por um agente ao serviço de Sócrates que andava pela Madeira a sentar-se em mesas para onde não tinha sido convidado. E quando o DN publicou o email que explicava a manobra, a primeira coisa que lhe ocorreu dizer foi que o SIS tinha invadido os computadores do Público. Como nunca pediu desculpas por essa afirmação, é provável que ainda acredite nisso.

O Zé Manel não está só, porém. Aquilo a que se convenciona chamar direita por desleixo conceptual, que ocupa os lugares nos actuais partidos da dita e nos meios de comunicação que servem esses interesses, que se passeia por algumas universidades como docentes ou palestrantes, é feita desta estirpe de especial bovinidade.

O mundo de Sofia

A nossa amiga Sofia Loureiro dos Santos incluiu o Aspirina B na sua selecção anual de blogues. Estamos em excelente companhia. E realço a generosidade da escolha incluir um sumário explicativo. Isso permite ficar a conhecê-la ainda melhor, sendo esse o verdadeiro interesse destas listagens de favoritos.

A blogosfera junta pessoas que doutra forma talvez nunca se cruzassem. E cada uma delas é um mundo à espera de ser descoberto.

Vinte Linhas 568

Bendito e louvado seja – dissertação para o Natal 2010

Na minha terra natal (Santa Catarina – Caldas da Rainha) havia o hábito de se cantar o «Bendito» sempre que não havia músicos no coro da igreja paroquial. A Filarmónica Catarinense tinha um grupo de instrumentistas que tocavam e cantavam nas missas solenes mas, umas vezes porque estavam fora, outras porque não era possível reunir o grupo completo, não tocavam nem cantavam lá no alto do coro. A chamada Missa do Galo apanhava-me sempre com muito sono e quando era pequeno ainda mais do que hoje. Felizmente a casa dos meus avós maternos (actualmente em ruínas) era muito perto da igreja e havia sempre uma cama disponível para mim. Tenho uma memória muito viva do presépio: além de colocado em socalcos com os bonecos em cima do musgo do Cabeço Castelo e uma gruta de cortiça onde estava o Menino Jesus, havia um barril de cinco litros de vinho cheio de água e disfarçado na verdura do presépio que, a um toque do meu tio, começava a despejar água num rio de cortiça que conduzia a mesma água a uma azenha onde nas quatro pontas da roda havia bugalhos sem miolo. A água, ao cair dentro do buraco do bugalho, projectava na roda uma velocidade enorme que só parava quando o barril se esgotava por completo.

Agora que o meu tio morreu e que já não há tempo para nada, não sei se alguém faz o presépio mas aquele presépio com o barril de cinco litros nunca se vai repetir. Vi um postal de Boas Festas da Irmandade do Santíssimo Sacramento ali à Calçada do Sacramento e lembrei-me logo do «Bendito» que se cantava na igreja da minha terra nas missas do Natal. Coisas desencadeadas pela memória a ligar duas memórias.

Limitar o défice por lei: afinal parece que é uma boa ideia

A dívida pública era regulada ao pormenor na Constituição de 1933. Hoje, quando falamos em equilíbrio orçamental, no sentido constitucional, estamos a referir um princípio meramente formal, ou seja, uma exigência de que as receitas previstas no OE cubram as despesas previstas no OE. Ponto.

Leio agora que está para aprovação na AR uma proposta de alteração à Lei de Enquadramento Orçamental que se traduz, sem traços simples, numa limitação ao défice, na senda de um princípio de equilíbrio orçamental que se pretende material.

Em bom rigor, já encontramos uma exigência de equilíbrio orçamental na actual LEO, que distingue os orçamentos dos serviços integrados, os dos serviços e fundos autónomos e o da segurança social.

Imagino que venha aí uma ideia antiga, uma proposta de Luís Amado de Maio de 2010, segundo a qual seria inscrever na Constituição um limite ao endividamento.

Talvez pela recordação das críticas violentas que uma tal proposta mereceu, como por parte de Sérgio Sousa Pinto, o PS tenha entendido por bem consagrar a ideia maldita não na Constituição mas na LEO.

Acontece que o princípio é o mesmo, e há-de ser mais do que as regras de equilíbrio já previstas na actual LEO, pelo que veremos do consenso em torno da introdução de um princípio destes numa lei de valor reforçado.

Independentemente de estar em causa uma alteração à Constituição ou a uma LEO, interessa perceber o que anima propostas destas, que raio de ideia terão tido os alemães, por exemplo; esses malucos que, sujeitos a n limitações após a guerra, descobriram a sua nova arma: chamava-se marco.

Good food for good thought

Loosely defined, resilience is the capacity of a system — be it an individual, a forest, a city, or an economy — to deal with change and continue to develop. It is both about withstanding shocks and disturbances (like climate change or financial crisis) and using such events to catalyze renewal, novelty, and innovation. In human systems, resilience thinking emphasizes learning and social diversity.

Resilience theory, first introduced by Canadian ecologist C.S. “Buzz” Holling in 1973, begins with two radical premises. The first is that humans and nature are strongly coupled and coevolving, and should therefore be conceived of as one “social-ecological” system. The second is that the long-held, implicit assumption that systems respond to change in a linear — and therefore predictable — fashion is altogether wrong. In resilience thinking, systems are understood to be in constant flux, highly unpredictable, and self-organizing with feedbacks across multiple scales in time and space. In the jargon of theorists, they are complex adaptive systems, exhibiting the hallmark features of complexity.

On Resilience

A modinha do Chico Lopes

O candidato presidencial do PCP ganhou as simpatias da direita. Isto porque deu porrada em Cavaco, mas sem o ferir de morte, sequer deixar mazelas a precisarem de tratamento. Foram uns sopapos dados em alguém meio entrevado, sem capacidade de se defender. A direita também tem razões para sovar Cavaco, mas não pode permitir que sejam os xuxas a fazê-lo, pelo que ter um comuna a prestar esse serviço catártico é a melhor solução.

Mas o que realmente agrada no Chico Lopes é a sua disciplina de funcionário. Ele apresenta-se com a cassete das Testemunhas de Jeová e o aprumo executivo dos oficiantes da Igreja Universal do Reino de Deus. É um pastor, pois. E de um conservadorismo que já nem no catolicismo se gasta. Essa higiene política mínima foi quanto bastou para reunir agrado, o que igualmente ilustra o nível paupérrimo dos restantes candidatos.

Temos substituto do Jerónimo, isso é certo. E o PCP ficará cada vez mais igual a si próprio, mais barricado e hostil, o que a direita aplaude.

Natal digital

O meu amigo Jorge Teixeira, o primeiro director criativo com quem trabalhei, teve uma carreira de altíssimo sucesso na publicidade logo desde que entrou nesse feérico mundo, algures no final dos anos 80. Há um par de anos, mudou para uma agência especializada em comunicação digital. Acaba de conseguir um mega-ultra-hiper-triunfo no Youtube, tanto na versão em português como em inglês, à pala do Menino:

O dia nasceu frio

Conto de Natal:

O dia nasceu frio. Quando espreitou pela janela e viu a brancura da neve é que se lembrou que esse dia era o vinte e quatro de Dezembro. João, era assim que se chamava, da véspera de Natal não guardava grandes lembranças. Era um dia igual a tantos outros e como sempre tinha de ir para o monte com o seu rebanho. Por ser véspera de Natal as ovelhas tinham de se alimentar e os pastos dos montes sempre saíam mais baratos que os comprados no Grémio de Lavoura do seu concelho. Uma vez por outra era do pasto comprado que se alimentavam – dia de Páscoa, Natal e nas festas em honra a S. Pedro, padroeiro da sua terra, nunca na véspera de Natal.

Mesmo de férias escolares, primeiro, estavam os afazeres domésticos, os escolares eram feitos enquanto vigiava o rebanho e o dia três de Janeiro estava próximo. Era quando começava o segundo período lectivo. Também beneficiava da ajuda de Mondego, o seu cão, que era um amigo inseparável e que tantas vezes o ajudou quando as ovelhas se tresmalhavam. Nunca por nunca em véspera de Natal deixou de ir ao monte com o rebanho. Também a idade não era muita para ter bastantes recordações. Mas, nos seus dez anos de vida, esta véspera de Natal era a segunda passada no monte com o seu rebanho.

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