Vinte Linhas 465

Assim não, senhora Ministra Dulce Pássaro

O gabinete da Ministra do Ambiente e do Ordenamento do Território acaba de publicar o seu Despacho nº 5185/2010 que começa por reconhecer uma evidência: «O rio Tejo é o maior rio nacional e um dos mais importantes da Península Ibérica.» Até aqui tudo bem. O Despacho cria um grupo de trabalho para a elaboração de uma proposta de plano estratégico de intervenção de requalificação e valorização do Tejo e nomeia três engenheiros – Pinto Leite, Manuel Lacerda e Ana Lopes. Até aqui tudo bem. Mas onde se borra a pintura é na constituição de uma comissão de acompanhamento: além de diversos técnicos cuja competência não está em causa, nomeiam-se representantes dos seguintes municípios: Abrantes, Alenquer, Almeirim, Alpiarça, Azambuja, Benavente, Cartaxo, Chamusca, Constância, Golegã, Salvaterra de Magos, Santarém, Vila Franca de Xira e Vila Nova da Barquinha. Além destes 14 municípios não percebo qual a razão que levou o gabinete da senhora ministra a ignorar outros que também estão à beira do Tejo e á beira de afluentes importantes (e poluidores) do Tejo: Tomar, Torres Novas, Alcanena, Entroncamento, Vila Velha de Ródão, Mação, Alcochete, Barreiro, Montijo Moita, Almada e outros haverá. Estou a escrever sem recurso a livros. Poderia evitar-se esta confusão deixando os municípios de fora. Ficavam apenas os técnicos do Instituto da Água, do Instituto da Conservação da Natureza e Biodiversidade, os técnicos da CCDRA e CCDRLVT além do técnico do NERSANT mas escolher só 14 municípios ligados ao Tejo deixando de fora outros tantos não parece boa política. Anexo capa do primeiro livro que fala dos Avieiros em 1940 com o conto de 1938 – «A Leandra».

Why You Can’t Help Believing Everything You Read

Mais um erro de Descartes, mais um triunfo do maior filósofo português de sempre, Bento de Espinoza.

A ideia é esta: assimilar informação implica uma adesão cognitiva ao seu significado, o que leva a outra subsequente adesão ao seu sentido. É nesta segunda adesão que ficamos apanhadinhos. Resultado: para lermos temos de acreditar no que estamos a ler.

E é isto que nos acontece amiúde. Lemos um tipo a dizer bem de A e acreditamos. Lemos uma tipa a dizer mal de A e também acreditamos. Se forem os dois a dizer mal, este tipo e esta tipa, ainda é mais fácil acreditar – por isso ranhosos e imbecis apostam tanto nas suspeições, nas calúnias, nas difamações, nas pulhices.

Solução? Continuar a pensar. Isto é, aprendermos a ser críticos do que se passeia na nossa consciência. Nem tudo o que nos habita é nosso ou merece a nossa hospitalidade.

Se é assim no futebol

Se reina a mais desvairada confusão jurídica no futebol nacional, não temos de nos admirar com outros casos, bem menos importantes, onde a Justiça parece inexistente ou – o que é incomensuravelmente pior – privada.

Seja como for, é uma lástima o Hulk não ser do Sporting e reconheça-se que o Benfica não merecia esta mancha na sua bela festa.

Amazonas

A Islândia, um deserto rodeado de água com uma quantidade de habitantes rigorosamente igual à do Baixo Vouga e já contando com a Bjorka, conseguiu foder a economia de tal maneira que tiveram de eleger a primeira chefe de Governo lésbica na Via Láctea de forma a terem alguém com o nível de testosterona adequado à gravidade da situação. Acontece que a senhora Johanna Sigurdardottir governa um país onde se aprovou uma lei que vai fechar os clubes de striptease. A tese é a de que o comércio do corpo trata o ser humano como produto, logo é inaceitável. Uma argumentação feminista, não de substância religiosa ou moral.

O feminismo divide-se quanto à indústria do sexo, ora se denunciando a exploração e violência a que as mulheres se sujeitam, ora se reconhecendo a liberdade e o poder de que as mulheres desfrutam.

E tu, em que lado da barricada estás?

Crapulinsky

Louçã diz que o PS é inimigo dos trabalhadores, amigo dos liberais, e que só o BE pode levar a cabo uma política socialista, em aliança com o PCP. Acrescenta que esse dia está cada vez mais próximo porque o BE está cada vez mais forte, o PS cada vez mais fraco. No fundo, sugere que já cheira a Louçã como Primeiro-Ministro.

O seu discurso repete as fórmulas dos pregadores, incluindo a retórica diabolizante e a prosódia sermonária. Fala de dois grupos: o mau, que junta PS, PSD e CDS; e o bom, onde o BE dará a mão ao pequeno PCP e salvará os pobres e oprimidos através de um Governo que cumprirá todos os ideais de Outubro e Abril do século passado. É o maniqueísmo sempre eficaz na manutenção da identidade das seitas, veneno da inteligência e intoxicação da liberdade.

Durante os anos do 1º Governo Sócrates, o Bloco declarou que a causa de todos os males políticos residia exclusivamente na maioria absoluta. Sem ela, inevitavelmente apareceria uma nova governação, onde o PS aceitaria as propostas da oposição ou faria coligações. Foi-se a maioria, tempo para o BE moldar o destino do País? Sim, mas apenas como fonte de guerrilha. A lógica é a mesma, manter a promessa de que os santos estão só de um lado, e que não fazem milagres apenas porque os demónios não deixam. Vamos ter de esperar mais um bocadinho, então, para que Portugal se torne no único país do Mundo onde o socialismo derrotará o grande capital, o liberalismo, os banqueiros, os ricos, os abastados, a burguesia, os contra-revolucionários, os inimigos do proletariado – e Louçã terá toda a legitimidade para se auto-coroar imperador do marxismo.

Museu da Cidade

Apenas duas palavras (ou quase) para avisar que está perto do final a exposição sobre figuras populares de Lisboa no Museu da Cidade, no Campo Grande. Já só podem visitar a dita exposição nos dias 30 e 31 de Março mas vale a pena. Personagens como a Madre Paula, o pai Paulino, a madame Villaret, as manas Perliquitetes, o galego Mateo Agustin, o Luciano das Ratas, a preta Fernanda, a peixeira Ilda Fernandes, a leiteira Albertina de Jesus e o arquitecto Victor Palla são algumas das figuras de Lisboa presentes nesta exposição. Vale a pena, só faltam dois dias.

Capuchinho Laranja

Uns dias antes das eleições no PSD, António Capucho foi à porqueira do Crespo. Instado a comentar a sondagem publicada pelo Sol, onde Passos aparecia com 51%, Rangel 31% e Aguiar-Branco 8%, Capucho desvalorizou os resultados e disse que havia uma suspeita acerca dessa sondagem que punha em causa os seus resultados. Não quis contar o que era, empinando o nariz e dando a entender que um tipo com o seu nível não enchia a boca com qualquer denúncia. Vai daí, o Crespo serviu-lhe a papinha: contou que a empresa onde se fez a sondagem tem como director um elemento da candidatura de Passos Coelho. Capucho aproveitou para continuar a espalhar a suspeição de aqueles serem resultados martelados.

Como sabemos, a sondagem até pecou por defeito com Passos Coelho, vindo a ter uma percentagem de 61% na votação. Assim, que pensará agora Capucho da legitimidade do trabalho da Pitagórica? Continuará a pensar que se fez uma deturpação para favorecer um dos candidatos? E se porventura não o pensa, que pensa de si próprio, que fez uma insinuação caluniosa e difamante para cima de uma empresa, de Alexandre Picoito e de Passos Coelho?

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Vinte Linhas 466

Maria Farandouri – memória de um poema

A propósito da Grécia lembrei-me da Maria Farandouri. Em 1981 dediquei-lhe um poema no meu livro «Inicias» e ontem passei uma hora a ouvir no Youtube as suas canções cuja memória ainda guardo: Pote, pote, pote, To palio roloi, Ligo akoma, Pios ti zoi mou, O kaimos, Menexedenia ta vouna, Z, To Yelasto pedi, O Antonis e Asma Asmaton. Canções quase todas com música de Mikis Theodorakis, ligando de modo mágico o som da sirtaki à sua poderosa voz de contralto.

O poema é este:

Desculpe que lhe diga mas gosto mais do disco

Não digo que não me emocione profundamente

Quando a vejo num palco a enfrentar a multidão

Mas o disco tem um som mais cuidadoso e belo

Você coxeia ligeiramente talvez devido às sevícias

Embora a sua palavra nada transmita dessa situação

Como se fosse possível esconder a longa noite

Por detrás da frescura da sua bela voz

Nesse tempo você não usava óculos como hoje

Na prisão em Zatouna você percorria o perímetro da lágrima

Hoje tenho comigo a dupla emoção de a ver

Pedindo-lhe desculpa por não saber escrever grego.

Clarifiquemos

Portugal precisa de uma inspiração mobilizadora e não de exercícios de cálculo. Cabe ao Presidente da República indicar o caminho e não os atalhos. A defesa da estabilidade não é um jogo de sombras, é uma prática de clarificação.

Alegre

*

Há argumentos fortes para o PS escolher este homem como seu candidato presidencial, e todos antecipam que assim aconteça. Mas há argumentos valiosos para só aceitar votar nele numa hipotética segunda volta. Porque é óbvio faltarem-lhe condições para ser um Presidente da República à altura das responsabilidades intelectuais da função, por um lado, e de acordo com as necessidades políticas do País, pelo outro.

Alegre vem de ser oposição velhaca ao PS, tendo utilizado o seu lugar de deputado num exercício revanchista que contribuiu para a perda de votos e reforço do BE. Chegou a fazer comícios com aqueles cuja única paixão é a desagregação do PS, e teve a supina egolatria de ameaçar sair para fundar um partido. As suas declarações, desde que lhe caiu em cima o milhão de votos, são invariáveis hinos a si próprio. Os sinais de estar a viver uma fantasia sebastianista onde faz a festa e apanha as canas multiplicam-se em crescendo. Leia-se a citação supra, repare-se na concepção profética subjacente, atente-se no acordo que está a ser proposto onde o Rei-Poeta deixa de recorrer ao cálculo para se entregar à inspiração. A política reduzida àquele que aponta o caminho. Medo…

Alegre é um fenómeno criado pelo BE. Sem a manipulação de Louçã, o sr. Fiquei à Frente de Soares passaria o resto do tempo em almoços comemorativos do feito heróico de 2006 e não seria o berbicacho para o PS, e para a qualidade da democracia, em que se tornou. Louçã sabe que a irracionalidade de Alegre suscita conflitos dentro do PS, tendo levado muitos a viraram-se contra o partido, subitamente visto como parte do problema e não da solução.

A máquina calculadora que se esconde dentro da lira quer dividir para reinar.

Espionagem política

Vieira da Silva tinha razão. Santos Silva tinha razão. E só quem não tenha olhos é que não vê: o Face Oculta é também, ou principalmente, um caso de espionagem política. A impunidade com que prossegue esta campanha de devassa da privacidade, cujo único móbil é o assassinato de carácter e a intoxicação da opinião pública, emporcalha a sociedade.

E veja-se quem são aqueles que chafurdam nisto. A sua irreversível corrupção moral.

Aprender com o exemplo

A vitória de Passos Coelho é esmagadora. Só perdeu na Madeira, o que até acaba por ficar bem no seu mapa de ascensão interna. Como Passos não tinha qualquer ideia aproveitável que justifique a amplitude dos resultados, o que aparece como a principal conclusão das eleições no PSD remete para o desfasamento da anterior liderança face ao seu eleitorado. A sanha caluniosa, bota-abaixista, catastrofista e dessocratisante só excitava a corte do reino de Pacheco. Grandes senhores do partido, habituados a pernoitar na Lapa, queriam abarbatar o Governo através de uma golpada, seguindo a ancestral tradição da família. Fazer política, pensar, escutar as pessoas, e voltar a pensar, não era com eles. Dava muito trabalho e não garantia resultados. Chegava a banha da cobra da Política de Verdade, a aliança com Belém, o Freeport e a asfixia democrática em spray.

Entretanto, o povo social-democrata admirava a união do PS apesar de todas as pulhices despejadas para cima de Sócrates, como nunca se viu com outro político em Portugal. A mensagem dada à próxima direcção partidária no congresso do PSD foi clara: comecem a fazer política. O ressabiamento de uma geração caduca fez com que o PSD de Ferreira Leite fosse vítima do cavaquismo decadente. Por causa desse desastre, a concepção puramente oligárquica do partido, cujas disfunções feudais não se conseguem esconder, estatelou-se ao comprido nas eleições.

Passos Coelho tem tudo para concretizar a sua promessa abstracta: mudar. Vai é ter de começar por dar o exemplo.

Más companhias

«Nós vivemos agora numa situação em que cada vez se nota com mais evidência que o país está desgovernado», afirmou à Agência Lusa Belmiro de Azevedo quando confrontado se esperava a descida rating de Portugal, anunciada hoje pela agência de notação financeira Fitch, face à situação da economia portuguesa, escreve a Lusa.

*

Belmiro, 72 anos, passou metade da sua vida no salazarismo e metade na democracia. É um dos portugueses mais poderosos em Portugal. E um dos últimos a quem se perdoa a deturpação grosseira de factos económicos e financeiros para ataques políticos. Tal como faz nesta associação entre uma avaliação da agência Fitch e o Governo. A falácia é tão básica que desperta um sentimento de incredulidade – como se pode ignorar o contexto volátil, e esconso, da decisão da agência e ainda as etapas governativas que o Governo tem vindo a alcançar apesar da coligação negativa? Pela mesma lógica, de cada vez que as acções da SONAE baixam, Belmiro amaldiçoa Teixeira dos Santos. Ver alguém que ganhou o estatuto mítico de maior empresário do pós-25 de Abril a exibir a ciência política de um fogareiro é assustador.

João Marcelino, na Comissão de Ética, alertou para as perversidades que nascem da misturada entre directores de informação e administradores dos meios de comunicação. O caso do Público é paradigmático da promiscuidade entre os interesses, ou vinganças, do accionista e a perseguição política. Como é evidente, o Zé Manel só se permitiu a guerra com Sócrates porque contava com o apoio entusiasmado de Belmiro. O que fazem as más companhias…

Vinte Linhas 464

António Carmo na Galeria Diário de Notícias

Foi ontem inaugurada a exposição de António Carmo (n.1949) intitulada «Percursos». A Galeria Diário de Notícias (Avenida da Liberdade 266 – Lisboa) que já foi Livraria e que tem as paredes decoradas com trabalhos de Almada Negreiros, recebe desta vez vinte peças (entre obras a cores e a preto e branco) deste pintor lisboeta com quadros expostos em vários países: Alemanha, Austrália, Brasil, Bélgica, Bulgária, Canadá, Checoslováquia, Cabo Verde, EUA, Espanha, Guiné-Bissau, Holanda, Inglaterra, Japão, Luxemburgo, Macau, Marrocos, Suécia, Suíça, URSS e Venezuela.

Um dos aspectos curiosos desta mostra diz respeito ao facto de algumas peças homenagearem o traço definidor, a marca indiscutível de pintores hoje clássicos como Gauguin, Magritte, Rubens, Velásquez, Miro e Matisse. Todos os quadros desta série apresentam o título de «No atelier com…»

Pessoalmente fiquei fascinado por ter encontrado nos desenhos a tinta-da-china da série «Leitura e Leituras» o António Carmo que todas as semanas recebia em 1982 das nãos de Jacinto Baptista textos de diversos autores e depois os ilustrava em casa, ali no Bairro Alto. Não havia telemóveis nem «mails» mas as pessoas contactavam entre si e as coisas prosseguiam. Esta série a preto e branco, estas cinco peças, recordam-me esses tempos de 1982 quando um jornal chamado «O Ponto» saía às quintas-feiras ali na Rua da Rosa. Quero recomendar a todos uma ida ali ao Diário de Notícias e envio um dos desenhos da série a preto e branco. Para quem ainda não conhece os frescos de Almada Negreiros a ida ao D. N. acaba por se tornar um dois em um com António Carmo.

Génio de Carvalhal

Quando uma equipa se habitua à chapa 3, torna-se indiferente ganhar ou perder. Interessa é garantir a desportiva trindade no resultado final. Foi esse o genial plano do genial Carvalhal, o qual mandou para o meio campo dois médios defensivos e um defesa. De fora, deixou Postiga, Pongolle, Pereirinha, Matias, Vuk e Izmailov. Uma óbvia manobra de terrorismo psicológico, mostrando ao Marítimo que o Sporting tinha chegado à Madeira não para ser o rei da selva mas do carnaval.

Um dos sinais da actual ignorância que grassa em Alvalade acerca da mística é este das coincidências. Para os néscios, o autogolo do Pongolle é apenas um acto fortuito. Para o iniciado, todos os acontecimentos são emanações dos conflitos celestes entre as potestades menores que regem este mundo. Assim, a entrada de Pongolle no jogo foi castigada. A mística consiste na sensibilidade apurada para o compreender e no subsequente arrependimento salvífico. Estou certo de que Carvalhal, genial como é, um dia chegará a este nível de consciência. Pode é já não trabalhar no Sporting.

Quando o telefone não toca

Passos Coelho meteu o discurso da crise governativa, e do tiro ao Procurador-Geral, na gaveta e falou como se tivesse sido empossado presidente da INATEL. A sua capacidade soporífera não se desgastou com a campanha, nem se baralhou com a vitória, prometendo centenas de horas de fatal aborrecimento. Todavia, em resposta aos jornalistas, fez uma importante revelação, a de que Ferreira Leite ainda não lhe tinha telefonado a dar os parabéns.

Ferreira Leite, temos de admiti-lo, é a seriedade em pessoa. E como poderia ela dar os parabéns a quem nem sequer mereceu ser deputado? No dia em que Passos Coelho chegar aos calcanhares de António Preto e Pacheco Pereira, aí sim, receberá a chamadinha.

Let men be men

Men look at attractive women the way women look at pretty butterflies.

Louann Brizendine

*

Esta senhora explica tudo, tudo, tudinho, e mais alguma coisa, em relação à guerra dos sexos. E termina aconselhando as mulheres a deixarem os homens serem homens. Sim, estamos perante um neo-feminismo de base neuronal e genética. O fim dos problemas da rapaziada, a consagração dos tarados – ou seja, atingimos um patamar histórico no secreto combate pela condição masculina.

Perícia

Manobrava o automóvel com perícia

Como num filme uma nave espacial

No Marquês havia o carro da polícia

Não evitou que ela chegasse triunfal

À Braamcamp que devorou com rapidez

A olhar o Largo do Rato em confusão

Sexta-feira, fim-de-semana, fim do mês

Mais dinheiro nos motores de combustão

Antes já passou sem vislumbre de medo

Na tão caótica Avenida Duque de Loulé

Sobre os comandos actuam sem segredo

As mãos e o hábil toque no pedal, do pé

Partiu veloz na direcção das Amoreiras

Atenta a manobras tão perto da loucura

Eu vi ao fim destas duras sextas-feiras

Apenas a perícia salva piloto e viatura