Aviso aos pacientes: este blogue é antianalgésico, pirético e inflamatório. Em caso de agravamento dos sintomas, escreva aos enfermeiros de plantão.
Apenas para administração interna; o fabricante não se responsabiliza por usos incorrectos deste fármaco.

Revolution through evolution

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Solutions to combat misinformation include public inoculation, financial transparency
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Medical detection dogs help diabetes patients regulate insulin levels
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Exercise ‘snacks’ make fitness easier: Researchers find short bouts of stairclimbing throughout the day can boost health
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Riding a Motorcycle Improved Metrics of Focus and Decreased Stress Biomarkers, According to a New Neurobiological Study
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Pode-se entrar duas vezes nas promessas do mesmo Rio?

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Rui Rio, na fase em que começou a posicionar-se como candidato à presidência do PSD, aparecia como um potencial Salazar democrático, ou um alemão exilado em Portugal. Alguém que viria propor ao eleitorado uma tirania das “boas contas” e uma nortada moral para morigerar o regime, as cortes e as gentes. Na disputa com Santana Lopes, surpreendeu ao levar a votos as suas críticas ao Ministério Público da santa Joana. Foi nisso muito corajoso dado o clima de judicialização e linchamento explorado ininterrupta e maniacamente pela direita política e mediática desde 2004, agravado pelo uso da PGR como braço policial e judicial dos interesses que Cavaco e Passos representavam. E depois ganhou a Santana, numa inevitabilidade que também teria acontecido se Montenegro tivesse então concorrido. Ganhou mas não soube o que fazer com o novo estatuto, deixando os seus apoiantes perplexos com a inépcia de quem trazia um currículo só com vitórias no circuito autárquico, depois de ter sido uma segunda linha prestigiada ao longo de décadas no PSD. Qual a origem da actual disfunção?

O problema, segundo a minha vizinha do 4º andar, é clássico. É o principal problema da política: a dinâmica entre o poder e a autoridade. Rio pressentia que seria fácil obter o poder máximo dentro do PSD, bastava-lhe ir exibindo uma marca conservadora e esperar pelo céu limpo de nuvens. Nesse conforto, comprazia-se a fantasiar que iria conseguir resolver os problemas futuros no futuro. O seu maior problema futuro consistindo no caminho para chegar a primeiro-ministro ou a vice-primeiro-ministro. Eis que acordou no dia 14 de Janeiro de 2018, cheio de energia e apetite, e continuando sem fazer a mínima ideia de como derrotar Costa ou chegar a um Governo de coligação com ele.

Talvez não seja possível derrotar o PS nas eleições de 2019. Isto é, talvez não exista nada nem ninguém capaz desse feito, fosse quem fosse o presidente do PSD (incluindo nessa lista o Cristiano Ronaldo e a Cristina Ferreira). Mas todos sabemos, e Rio melhor do que nós, que seria possível estar a fazer um melhor trabalho. É até simples de explicar, bastando recuperar o que prometeu: rigor, rigor e rigor. Valor importante para diferentes públicos eleitorais, assim essas promessas sejam concretizadas. O seu problema reside na falta de autoridade. Porque a autoridade não se declara nem se pede, conquista-se. Ora, é o próprio que boicota a sua afirmação; como se viu durante o frenesim que antecedeu a substituição da anterior procuradora-geral da República. Para quem já se tinha mostrado capaz de afrontar os cães raivosos no seu partido apesar de estar em campanha interna, a ambiguidade e irrelevância, ou mesmo contradição, reveladas como líder do PSD no meio desse berreiro mediático de exploração e degradação política foram não apenas uma oportunidade perdida para se impor com autoridade em matéria tão grave e decisiva para o futuro do Estado de direito e da democracia em Portugal; muito mais e pior do que isso, Rui Rio mostrou não estar à altura da situação.

Justiça e Saúde, este o centro de um programa que poderia seriamente assustar o PS. A que se juntaria a política fiscal para cidadãos e empresas, em plano secundário mas complementar. E, pelo meio, encher de elogios o Governo pelos resultados económicos e europeus, inclusive pelos ganhos sociais face ao passadismo do passismo. Na Justiça, levar até ao fim o que já tinha iniciado, dando nome aos bois, colocando a Lei e a decência acima das pulsões criminosas de agentes da justiça, políticos e jornalistas. Mostrando não temer a ameaça corporativa do sindicato do Ministério Público. Usando o fanatismo sectário e persecutório, essa cultura do ódio e a indústria da calúnia, como trampolim para levar a sua mensagem ainda mais longe. Ser atacado pelos pulhas a servir de farol ao acerto do seu rumo. Calhando ficar sozinho a defender a sua visão para alguma área da Justiça, como no caso da constituição do Conselho Superior do Ministério Público, ter a consciência de ser esse isolamento prova de força, manifestação de liderança. Assistir ao progressivo ajuntamento de concidadãos à sua volta por perfilharem do mesmo ideário, por sentirem que finalmente têm alguém que os representa e pode guiar nesse terreno de batalha em constante bombardeamento mediático pelos impérios e serventuários da decadência. Na Saúde, indo ao encontro das crescentes experiências de intenso sofrimento e tragédia que o maremoto do envelhecimento demográfico traz. Ser realista e claro na exposição das soluções, mostrando que com ele haveria decisões estruturantes nessas áreas onde qualquer adulto se sabe utilizador presente e futuro. Abraçar a republicana glória de termos um Serviço Nacional de Saúde onde milhões encontram milhares que se tornam decisivos para as suas vidas, para as vidas daqueles que amam. E, por fim, agitar a bandeira que ideologicamente justifica haver um PSD e um PS, sendo o primeiro a opção para aqueles que com absoluta legitimidade queiram um 25 de Abril com mais sociedade e menos Estado, comparativamente com aqueles que preferem um Estado mais robusto como garante de uma sociedade com menos desigualdade – mas continuando a ter esse “dia inicial inteiro e limpo” onde nos queremos livres.

Não faço ideia se Rui Rio vai conseguir recuperar a sua autoridade. A avaliar pela estupidez que podemos ver acima, onde faz um comentário asinino e abstruso sobre Armando Vara, despachando logo a seguir a infantilidade de confundir a sua subjectividade com a alteridade a propósito de Miguel Macedo, diria que está de chuva.

SIC reúne os seus dois melhores crânios para lidar com Vara

O crânio da esquerda disse que o “tráfico de influências” é um “tipo de criminalidade actual, contemporânea” – ou seja, que não havia no passado, dita a lógica que o levou à escolha da adjectivação. Será verdade? Será que, e vamos esquecer toda a ordem dos primatas, existe algum mamífero em algum recanto do Planeta que ignore ser o tráfico de influências a mais antiga das práticas sociais, inerente aos laços familiares e à socialização em qualquer tempo e lugar? O que o mano Costa quis fazer foi o branqueamento da violência de Estado exercida sobre Vara através de alegadas “provas indirectas” para um suposto novíssimo tipo de crime que só assim, sem provas, daria para condenar. Mais acrescentou que “Em Portugal, seguramente que há muito tráfico de influências” – ou seja, assumiu conhecer por testemunho directo e/ou indirecto muito criminoso desta laia, dita a lógica que o levou à escolha do advérbio, do verbo e do substantivo. Porém, não consta que ele os tenha denunciado, servem apenas para se exibir na TV como um craque deste tipo de pseudo-jornalismo onde se defende a excepcionalidade de uma condenação só porque o alvo é tomado como inimigo político.

O crânio da direita disse que “poderia haver um outro julgamento, que envolveria José Sócrates” se certas escutas de Vara a falar com o Diabo não tivessem sido apagadas. Ao seu lado, o director-geral de informação do Grupo Impresa consentiu calando e agitando a cachimónia. Isto é, validou institucionalmente o que ouviu e ouvimos. Afinal, tratava-se de uma declaração saída da mesma boca que semanas antes tinha usado a mesma SIC para defender a “pena máxima” para o tal bandido que já tinha levado com a pena máxima para o crime em causa, o que nos faz soltar a imaginação a respeito do castigo em que a senhora estava a pensar. Pista: talvez 25 anos de choça não chegassem para o seu palato. O mano Costa foi sábio em anuir e despachar. Só quando inventarem computadores quânticos plenamente operacionais vamos conseguir contabilizar quantas vezes os decadentes já nos despejaram em cima a mesma denúncia nos últimos 10 anos. Até lá chegarmos, podemos ficar entretidos a descobrir o que nos estão a dizer estas inteligências. É uma de duas coisas, terceira opção excluída. Ou que existem provas nessas tais escutas referidas que eram válidas para condenar Sócrates em tribunal, no mínimo fazer uma acusação minimamente séria; ou que não existem provas válidas nas escutas apagadas, mas que mesmo assim daria para fazer uma acusação fajuta cujo objectivo seria o de meter Sócrates em tribunal, o desfecho sendo indiferente porque já se teria ferido de morte o animal. Para a primeira hipótese ser aceite como verosímil, os cérebros desses infelizes têm de consumir toneladas de açúcar pois as tais escutas apagadas nunca foram realmente destruídas e existem por aí à disposição até ao final dos tempos. Isso significa que os magistrados de Aveiro, procuradores e juiz de instrução, conhecem por inerência o seu conteúdo. Se eles o conhecem, os jornalistas a quem passaram as informações que invadiram caudalosamente a indústria da calúnia a respeito do “Face Oculta” idem e aspas. Se esta maralha leu essas transcrições, assim os políticos do PSD e do CDS, pelo menos. Pergunta: com tanta, tão zeloza e tão valente gente a tomar conhecimento desses indícios inequívocos de um “atentado contra o Estado de direito”, por que razão nunca se lançaram no espaço público essas “provas”? Foi a pergunta que Noronha do Nascimento fez nas várias ocasiões em que os jornalistas lhe rosnaram e morderam nas canelas com essa calúnia. Pinto Monteiro repetiu a evidência de outra forma, criticando Sócrates por não ter permitido a sua divulgação dado nada lá estar de incriminatório (embora estivesse de privado, e daí a exploração tentada e alcançada). Podemos ainda chegar a outra inferência. Se em Aveiro os seríssimos e impolutos magistrados descobriram que um primeiro-ministro em funções cometeu um crime, e que esse crime foi apagado pelo Procurador-Geral da República e pelo Presidente do Supremo, por que razão essa inaudita e colossal sequência criminosa que atingiu os pilares do regime não recebeu do Conselho Superior do Ministério Público, do Conselho da Magistratura, do Presidente da República e da Assembleia da República a devida resposta, ou sequer uma qualquer resposta? Porque são todos corruptos e todos às ordens de Sócrates; é isso, Manela? Quanto à segunda hipótese, dois neurónios dão para o gasto. Poder espiar um primeiro-ministro socialista que parece invencível nas urnas é o sonho mais húmido do direitola decadente, e isso foi alcançado simulando uma captação fortuita entre o alvo e uma pessoa da sua intimidade, Vara. Simples de pensar e de montar, desde que não haja escrúpulos e se usufrua de uma blindagem garantida pelo próprio regime. A ilegalidade que permitiu captar conversas de merda entre dois amigos e parceiros políticos ofereceu trunfos potencialmente devastadores contra Sócrates e contra o PS mesmo em cima das eleições legislativas e autárquicas de 2009. 10 anos depois, os mesmos continuam a usar essa golpada como arma de arremesso ao mais alto nível informativo, não havendo ninguém no PS, ou fora dele, que desmonte o obsceno sofisma. Sequer perdem tempo a explicar como é que Mário Lino nem arguido foi no “Face Oculta”, e isto apesar de se garantir ter sido Ana Paula Vitorino quem permitiu apanhar Vara – a tal testemunha cujo depoimento “decisivo” consistiu na reprodução de uma conversa que teve com… [introduzir aqui sons de tambores a rufar]… Mário Lino, o ministro de quem era secretária de Estado. Faz isto algum sentido jurídico? Sim, mas só quando o objectivo é fazer uma vingança e obter um troféu.

Ver Ricardo Costa ao lado de Manuela Moura Guedes, ambos a debitar o seu sectarismo cínico e empáfia odiosa contra Vara (ou seja, contra Sócrates), é uma daquelas cenas em que o Universo nos parece o tal relógio divinamente afinado. Nasceram para ficar assim juntinhos, fazem o mais tétrico dos casais. Dois crânios que definem o que é a imprensa ao gosto do militante nº 1 do PSD.

Marques Mendes, Consiglieri de Estado

FCQJ – Ora, depois deste caso em que [Vara] foi de recurso em recurso, e mesmo assim todos mantiveram a condenação, faz sentido ele vir para a praça pública acusar, da forma como acusou, o juiz Carlos Alexandre?

MM – Não, não faz sentido nenhum, acho que ele não tem é vergonha na cara. Não, não tem vergonha na cara. É uma coisa sem descrição... Uma pessoa que já foi ministro, uma pessoa que foi alto administrador na Caixa Geral de Depósitos e no BCP (embora não tivesse deixado nenhumas grandes saudades, pelo contrário, deixou foi grandes buracos), não tem o mínimo de vergonha na cara. Porquê? Porque ele veio à televisão, insinuar, no fundo, que vai preso e que foi condenado por causa do juiz Carlos Alexandre. Ora, alguém que foi ministro devia prezar um mínimo de rigor, de verdade e de honestidade intelectual. É que, veja bem, os factos são os factos. Eu não vou dar opinião, só vou dar factos. Quem investigou Armando Vara e o acusou foi o Ministério Público, não foi o juiz Carlos Alexandre. Quem o condenou, a seguir, foi um tribunal em Aveiro, onde não estava, nem está, Carlos Alexandre. A seguir, quem rectificou, confirmou, a sua sentença foi um Tribunal da Relação onde não estava, nem está, Carlos Alexandre. E, finalmente, quem indeferiu o último recurso foi o Tribunal Constitucional, do qual não faz parte, nunca fez, o juiz Carlos Alexandre.

FCQJ – Nem tem sequer poder para influenciar todos esses processos.

MM – Portanto, o juiz Carlos Alexandre não o condenou a coisíssima nenhuma. E Armando Vara sabe isto muito bem e está numa televisão a dizer isto com esta facilidade, a dizer o contrário. Portanto, isto é um descaramento. É uma falta de vergonha completa.

[…]

MM – Em Portugal, até há poucos anos, tínhamos um político que tinha uma grande preocupação de controlar a Justiça e a comunicação social. Chamava-se quê? José Sócrates. Acabou José Sócrates, agora temos Rui Rio. Rui Rio não disfarça, tem uma preocupação de controlar a Justiça e a comunicação social. Eles são diferentes, Sócrates e Rio, de facto; quer no carácter, quer nas intenções, são diferentes. Agora, no resto, nas propostas de controlo, eles são irmãos siameses. Quer dizer, verdadeiramente, se pudessem, queriam decidir quando é que se investiga, o que é que se investiga, da forma como se investiga.

Marques Mendes, 16 de Dezembro de 2018

MM – Neste momento, há muitos políticos em Portugal incomodados com as investigações, sobretudo no combate à corrupção - em especial políticos do PS e do PSD. Há muitos políticos com problemas, a contas com a Justiça. E por isso a questão que se coloca é a seguinte: nesta ocasião, mais políticos no Ministério Público significa melhores investigações, melhor e maior combate à corrupção? A suspeita que fica, justa ou injusta, é que meter mais políticos no Ministério Público é para eles se protegerem, para eles se defenderem, para condicionarem as investigações ou controlarem o Ministério Público. Isto é uma suspeita terrível.

Marques Mendes, 23 de Dezembro de 2018

MM – [a respeito da absolvição de Miguel Macedo e do Ministério Público] Não chega apenas investigar, não chega apenas acusar, e mediatizar tudo isso...

Marques Mendes, 6 de Janeiro de 2019

MM – Em política, o que parece é!

Marques Mendes, 13 de Janeiro de 2019

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Conseguir mostrar como Marques Mendes é um dos mais poderosos cavalheiros de indústria do regime aparece-me como missão urgente após o seu ataque a Rui Rio. Porque o seu poder é oligárquico, a sua agenda sectária, a sua intenção ferina. Obviamente, não tenho capacidade para tal, pois pede logística que só a imprensa profissional possui. Apenas consigo descrever evidências.

Com vinte aninhos, e a licenciatura por concluir, já era uma figura grada do poder autárquico de Fafe – decorria o ano de 1977, o mesmo em que Jimmy Carter tomou posse e saíram os filmes Saturday Night Fever, Star Wars e Cet obscur objet du désir (quem puder que estabeleça as conexões). Nos anos e décadas seguintes, não mais largou a política e a advocacia. Foi deputado, secretário de Estado e ministro favorito no Cavaquistão. Continuou ministro com Barroso, no que foi então uma reedição parodiante do cavaquismo. E entrou no Conselho de Estado várias vezes, lá permanecendo hoje pela mão de Marcelo. No entretanto, também conseguiu presidir ao PSD durante o tempo suficiente para o entregar moribundo ao genial Luís Filipe Menezes. Estamos então a falar de 42 anos ininterruptos de exercício do poder ao mais alto nível representativo no Estado e fáctico na “sociedade civil”. Seria supinamente ilustrativo quantificar o número de portugueses que tiveram e têm poder análogo, somando-se os cargos e a duração da sua actividade. Acho impossível que sejam mais de 100, apostando num grupo de 50. Se forem menos, em nada me espantaria. Basta lembrar que o PSD vai no décimo oitavo presidente, e dessa lista apenas cinco ou seis nomes comparam (para pior) com Mendes quanto à sua influência na actualidade.

Que se consegue fazer com quatro décadas de acesso e influência nos mais altos círculos do poder político, financeiro e económico em Portugal? Por exemplo, daria para explicar o fenómeno BPN. Explicar aos portugueses como é que uma parte dos seus colegas na elite cavaquista montaram esse esquema que tanto dinheiro criminoso lhes deu a ganhar, assim como a tantos outros que, sem terem sido envolvidos nas ilegalidades, delas recolheram igualmente proveitos financeiros imorais. Marques Mendes, por maioria de razão, dado ter convivido política, profissional e intimamente com essas pessoas, e dado ser um oceano de integridade e exemplaridade ética, estaria em condições óptimas para nos pintar esse fresco glorioso do maior caso de burla que se conhece na história de Portugal após o 25 de Abril. Acontece que Marques Mendes nada disse ainda sobre o assunto, e será melhor esperar deitado num caixão enterrado a dois metros de profundidade se a ideia for a de testemunhar tal espectáculo. É que ele primeiro tem de ajudar os portugueses a castigar Armando Vara, um perigoso facínora que alguém em Aveiro imaginou ter recebido 25 mil euros de um sucateiro (embora disso não exista qualquer prova, nem da entrega do dinheiro nem do benefício que estaria a comprar, nem exista quem perca um segundo com a farsa que o condenou, tirando o próprio que vai de cana).

Foi o que fez em meados de Dezembro. Tendo à sua frente uma Faz de Conta Que é Jornalista, a qual lançou uma questão falaciosa previamente combinada, o grande Mendes partiu para o deboche. Insultou e mentiu com quantos anos leva a virar frangos para servir ao patego. Até conseguiu apagar que Carlos Alexandre, de facto e para quem jurou só falar deles, foi o juiz de instrução do “Face Oculta”. Um juiz que deturpa a sua função ao decidir não como magistrado dos direitos e garantias dos arguidos mas como super-procurador que usa os poderes que o Estado lhe outorga para castigar cidadãos que persegue. Mas qual foi a base, o fundamento, a prístina verdade na origem da explosão de violência e deturpação vomitada por Mendes? Existe alguma passagem, na entrevista à TVI, onde Vara tenha dito que foi condenado por causa do tal super-juiz? Se existe, peço rogado que ma mostrem. Na sua ausência está a valer aquilo que testemunhei: Vara disse ter sido envolvido no processo “Marquês” como vingança, não diz ter sido condenado no “Face Oculta” por causa solitária do justiceiro de Mação – Armando Vara diz ser vítima do juiz Carlos Alexandre. Para além da renovada actualidade das declarações de Vara à luz da absolvição de Miguel Macedo e do vexante e alarmante fiasco da acusação do Ministério Público no caso dos “Vistos Gold”, a única lição que se pode extrair da verrina de Mendes deixa-nos perante a evidência de que um dos portugueses mais poderosos e distinguidos no regime não passa de um rematado pulha.

Pulha com Vara, sem surpresa, e pulha com Rio, para choque de quem ainda não desistiu de pertencer a uma República que exige módica decência aos seus símbolos e agentes vivos. Encharcado em rancor depois de ter dilacerado e conspurcado o cadáver de Vara, atirou-se de bocarra aberta à jugular do actual presidente do PSD. Ao dizer que Rio e Sócrates eram “irmãos siameses”, o enorme Mendes conseguiu produzir uma verdadeira ofensa à honra de Rui Rio tendo em conta os públicos a quem se dirigia a sua mensagem. Teria sido mil vezes mais suave, até inócuo na comparação, se tivesse optado por chamar a Rio “Grande filho da puta, cabrão de merda, és o maior paneleirão que já passou pelo PSD, chupa aqui.” Nesta última opção, toda a gente o compreenderia e desculparia por se ter emocionado, apenas palavras ao vento. Na opção que preferiu concretizar, o plano foi o de marcar a ferro e fogo o animal, passando este a exibir para onde for essa “Estrela de David” para os decadentes identificarem o inimigo a exterminar. É que Sócrates é o Diabo, como sabe quem leia a imprensa ou veja TV portuguesas. O que não se sabia, nem cá nem no Vaticano, é que o Diabo podia ter um irmão (e siamês, não se fosse pensar que era o irmão mais novo, ainda menor de idade). Pois pode, como ficámos a saber. O Mendes gigante descobriu que Rui Rio quer “controlar a Justiça e a comunicação social” e detalha o que está em causa: “decidir quando é que se investiga, o que é que se investiga, da forma como se investiga“. E depois, fica implícito, decidir quando é que se noticia, o que é que se noticia, e qual a forma de noticiar. Sim, senhores ouvintes, Marques Mendes disse isto do presidente do PSD, do líder da oposição, e, no dia seguinte, continuava Conselheiro de Estado.

Pertencer ao Conselho de Estado deve ser das coisas mais fixes no regime. Trata-se de um esdrúxulo grupo de vinte bacanos: sete por inerência, três vitalícios (antigos Presidentes), cinco designados pelo Presidente e cinco eleitos pelo Parlamento. Na actual composição, encontramos dezoito homens e duas mulheres, o que deve corresponder à proporcionalidade exacta das diferenças de género em cargos de poder no mundo político nacional. As reuniões terão direito a abundantes salgados e doces do melhor que a zona adjacente ao Palácio de Belém é capaz de fornecer. E o entusiasmo a que se pode chegar no debate entre conselheiros será de homérico para cima, pelo menos a avaliar pelo estatuto de imunidade de que gozam cruzado com o direito ao porte de arma. À partida, isto de querer armar os membros do Conselho de Estado parece algo não só disparatado como até perigoso para os próprios, mas depois um gajo lembra-se de que durante dez anos essas sessões tinham como objectivo aconselhar Cavaco Silva e, súbito, só podemos agradecer e aplaudir a presciência do legislador. Muitos conselheiros terão conseguido sair inteiros e a respirar desses encontros presididos pelo Aníbal por terem lá entrado com a S&W 29 na cintura. Ora, nada é mais prestigiante do que estar no grupinho dos cinco que vão para o Conselho de Estado por convite do Presidente da República. A autoridade do Presidente, eleito por sufrágio directo e universal, estende-se a estes conselheiros e dá-lhes um nível de influência superior sobre o órgão de soberania que ocupa a posição cimeira no Estado. Marques Mendes está nesse lote, ao lado de Leonor Beleza, Lobo Xavier, Guterres e Eduardo Lourenço (mais uma vez, quem puder que estabeleça as conexões ou se aventure numa hipótese do critério seguido por Marcelo). Para além disso, é percepção geral que Mendes intervém no espaço público também para ser um altifalante oficioso, mesmo subversivo, do Presidente outrora inventor de “factos políticos”. Este o contexto, o subtexto e o pretexto para o ataque à outrance a Rio vindo de uma figura com este labiríntico e esconso poder. Pergunta: que justifica tal violência contra o actual presidente do PSD?

Só há uma resposta, estamos num desses casos à prova de estúpidos. Marques Mendes castigou e ameaçou Rui Rio numa inaudita explosão de cólera porque está em jogo algo valiosíssimo para a oligarquia portuguesa: a manutenção da captura política do Ministério Público e de um certo juiz, ou tipo de juiz, que serve interesses políticos inconfessáveis mas facticamente capazes de espiar primeiro-ministros em funções, condenar sem provas certos alvos políticos e montar e arrastar durante anos um processo judicial intencionalmente dirigido para a criminosa devassa e o criminoso lançamento de calúnias através dos impérios mediáticos da direita com o objectivo de desgastar e diminuir o poder eleitoral do PS. Rio que se calasse já com essa conversa de querer alterar fosse o que fosse na posição e constituição das tropas. Esta situação, verificável diariamente se não for horariamente, oferece uma desvairada vantagem estratégica no curto, médio e longo prazo que só um louco, um imbecil ou um vendido iriam querer desperdiçar, pensam todos os decadentes da direita. Daí a sua raiva incontida, o ataque de nervos. Sentimento reforçado até ao zénite da confiança por constatarem que a impunidade de que gozam é absoluta, ninguém se opõe (tirando vozes avulsas e inconsequentes de raríssimos comentadores) a que uma direita do poder pelo poder faça da Procuradoria-Geral da República uma polícia política que tem em Sócrates material para continuar o cerco ao PS durante décadas (é ver o número de certidões que foram tiradas da investigação a Sócrates, já para não falar na investigação às PPP, apenas o caso dos cartões de crédito teve o desfecho pífio que se conhece depois de ter alimentado os esgotos a céu aberto). Incrivelmente, até ao actual PS tal quadro convém; a começar pelo facto de acharem que nada podem fazer contra ele e a acabar no outro facto de que o linchamento e execução de Sócrates permite desviar atenções e energia dos pulhas para o auto-de-fé – deixando Costa com mais espaço de manobra para exercer o poder com a discrição que prefere por ser o seu estilo de sempre. Quanto ao PCP e o BE, a sua passividade e silêncio perante o aviltamento e manipulação do Estado de direito não disfarçam a esperança de também dessa sangria socialista tirarem dividendos eleitorais.

A decadência da direita é manifesta há muito e muito tempo, desde Barroso, desde os últimos anos de Cavaco como primeiro-ministro. Habituados a usufruírem de vantagens iniciais na biografia e nas circunstâncias, a forma como lidaram com a implosão do seu ecossistema financeiro com as crises do BPN, BCP e BPN aquando da Grande Recessão consistiu em assumir que estavam perante um combate de vida ou de morte. Iriam fazer o que ainda não tinha sido feito em Portugal após o 25 Abril, usar os poderes do Estado para atacar abertamente na Justiça aqueles que viam como inimigos políticos. Foi essa a origem do “Face Oculta” e foi esse o aproveitamento da “Operação Marquês”. Para quem achar que Marcelo é só esta sua última reencarnação mediática, o tio de Cascais engraçadíssimo, sorridente e beijoqueiro, vedeta adorada do povinho e do povão, e que nada tem a ver com a realidade de termos uma Justiça onde se pôde fazer o que se fez a Vara e a Sócrates, fora as vítimas colaterais, nada como recordar o Marcelo comentador e aquilo que o entusiasmava tão recentemente: Marcelo pede celeridade a Rosário Teixeira

Marques Mendes não veio explicar isto a Rui Rio, pois já tinha esgotado a sua paciência com a criatura. Tratou-se antes de uma humilhação o que lhe quis servir, como bombardeamento inicial antecedendo a invasão do Montenegro apoiado pelas divisões gradas do passismo, Paula Teixeira da Cruz e Maria Luís Albuquerque, mais os fanáticos do ódio na madraça Observador. No Expresso, segue-se outra táctica, a de continuar o desgaste de Rio fingindo que se quer proteger o PSD. Como vimos neste domingo, o enorme Mendes partilhou com a audiência o modus operandi do que está na berlinda: “Em política, o que parece é“. Então, como igualmente explicou uma semana antes, quando se possui o incomensurável e exclusivo poder de investigar, acusar, e mediatizar as mais desvairadas e torpes acusações, tal vantagem sobre o adversário é preciosa demais para ser perdida por causa de um badameco de um líder transitório e totó do PSD como Rio, o qual ainda imagina poder decidir livremente o que quer ou não quer para o País. É que, de cada vez que um crime de violação do segredo de justiça contra um alvo socialista é cometido, um anjinho ganha asas cor de laranja. Tem sido um bacanal de gozo e testosterona que os deixou completamente viciados. E é só o que têm, a judicialização da política e a politização da Justiça, porque quanto a inteligência política e decência ao serviço da comunidade, nicles. É neste chiqueiro que se ergue um conselheiro de Estado, pestilento e infecto, difamando e caluniando o presidente do maior partido da oposição só porque ele ousou ter ideias sobre a democratização e transparência do Ministério Público. Um conselheiro, portanto, especialista em missões de assassinato de carácter. O conselheiro levado para a ribalta pela distinção e carta branca do Presidente desta pervertida República. O consigliere de Marcelo.

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Sobre a liberdade (polémica) de a dra. Vilaça exercer mal a profissão

Anteontem houve mais um espectáculo a vários títulos degradante na TVI, desta feita em horário nocturno. Já entrei a meio. Percebi que a jornalista Ana Leal passara uma reportagem em que homossexuais iam a consultas (talvez tenha sido isso) a psicólogos católicos que não rejeitavam a “cura” nestes casos e que as imagens e gravações das consultas e terapias tinham sido obtidas por métodos dissimulados, como câmaras e microfones escondidos. Vi a grande indignação da principal convidada, a psicóloga Maria José Vilaça, apelidada de membro de uma seita secreta, e também do psicólogo que se sentava a seu lado. Depois de argumentações e contra-argumentações acaloradas sobre o que verdadeiramente se disse ou quis dizer e o que a reportagem fez e mostrou, sem surpresa de maior, os dois “réus” da Ana Leal levantaram-se, um primeiro e a outra pouco tempo depois, e foram-se embora. A partir daí (e não foi muito mais), passei para o modo “visualização intermitente”. Mas que história. Fiquei, assim, por culpa minha, sem perceber se os pacientes procuravam mesmo curar-se ou se iam simplesmente pedir ajuda para os seus conflitos internos e saíam de lá sem alternativa que não fosse um aconselhamento espiritual com vista a uma cura, com toda a carga emocional excedentária que isso impõe precisamente à parte mais frágil (mas algo burra, diga-se).

 

Ora, sobre o que vi, que foi particularmente mau, tenho a tecer as seguintes considerações: a Ana Leal, e digo-o com base em reportagens anteriores, em que meteu a pata na poça em grande, está longe de ser uma autoridade mundial em matéria de investigações jornalísticas e de apresentação dos seus resultados. Agressiva, julgadora, má intérprete de dados, inquisitorial. O facto de a sua expressão facial ser por vezes assustadora não me convence do seu rigor nem da sua probidade. Instalar câmaras escondidas em consultórios médicos e transmitir as imagens é uma tangente, com riscos de ser uma enorme secante, à ilegalidade. Nisso os dois indignados tiveram razão. Posto isto, que já é mais do que suficiente para desatinos e broncas em directo, pareceu-me óbvio que a dita psicóloga católica estava a negar demasiados factos da sua prática clínica para o meu gosto e, ao contrário do que seria de esperar, não estava a defender as suas convicções de que a homossexualidade é um problema (não exijo que diga doença) passível de reversão (não exijo que diga “cura”). E devia tê-lo feito, se é isso que pensa, a bem do debate (e talvez do seu próprio esclarecimento).

Apesar disso, ao contrário de muitas opiniões excitadas que leio por aí, não acho que se deva mandar calar a senhora e retirar-lhe a carteira profissional só porque tem ideias indemonstráveis e erradas. É que isso levar-nos-ia muito longe. Quantos médicos já consultei na vida que não perceberam nada do que eu tinha? Nada. Zero. E me indicaram terapias disparatadas? Estaria feita e já nem estaria aqui, se fizesse o que disseram. Bom, mas se ela tem pontos de vista contrários àquilo que a ciência vem apurando sobre a homossexualidade e ao que a observação empírica nos diz, o mínimo era que os defendesse, caramba. Lamentavelmente, não foi isso que fez. Ou porque teve medo que a Ana Leal a comesse (é uma hipótese) ou porque não saberia o que dizer, dada a sua orientação clínica ser ditada pela fé e pelas orientações da igreja católica e pelo preconceito, ou ainda porque o seu colega resolveu abandonar a sala e a deixou sozinha. Seja como for, optou desde o início por negar afirmações que proferira e que muitos ouviram. Duplamente mal: pelo que na prática faz e por não o saber defender.

 

Mas, dir-me-ão os leitores em abono da jornalista, os ataques (e o programa, vá) não tinham razão de ser? Afinal Maria José fala publicamente, exerce a profissão, etc., e o que ela pensa da homossexualidade acaba por causar grande dor aos que a procuram em busca de equilíbrio. Sim, é verdade. De facto, ela exerce a profissão e mal, com muito pouco espírito científico, substituindo a consulta médica por um aconselhamento espiritual segundo os preceitos de um dado credo religioso. Mas também só é verdade se partirmos do princípio de que quem a procura é imbecil, confia cegamente nos profissionais de saúde, em todos e em qualquer um deles, sente dever de obediência a qualquer um e, enfim, neste caso da homossexualidade, vive completamente alheado deste mundo. Mundo este em que ser homossexual é comum – quantos políticos, artistas, apresentadores, jornalistas, tantas pessoas famosas e não famosas, amigos, conhecidos, têm contribuído para quebrar tabus e desdramatizar a situação?

Está bem, não chega. Eu compreendo que muita gente precise de ajuda e que lhe servem de fraco consolo os outros casos de afirmação. Só que eu sou fortemente contra a estupidez. Se vais consultar uma psicóloga e sabes que ela é católica e pauta a sua prática clínica pelas orientações da ICAR, já deves saber ao que vais, ou ficar a saber onde foste, não?  Tens centenas de outras hipóteses. Além disso, não é de excluir que existam pessoas como a psicóloga Vilaça e os seus clientes que queiram alinhar pelas suas “terapias” bizarras. A questão é esta: proíbe-se?

 

Quanto à seita e aos seus membros, a Ordem dos Psicólogos pode e deve ter uma conversa séria com a senhora Vilaça, mas o pior é fazer deles vítimas… de más práticas jornalísticas.

Resposta a Montenegro

«Onde está o PSD que fala para os jovens? Onde está o PSD que fala e representa a classe média? Onde está o PSD que tem propostas para os pensionistas e para os reformados? Onde está o PSD que incentiva e defende as pequenas e médias empresas? Onde está o PSD que representa a sociedade civil que não quer viver de dependências excessivas do Estado? Onde está o PSD que combate o excesso de impostos? Que promove o ambiente? Que aposta na tecnologia e no empreendedorismo? Onde está o PSD das causas e das reformas que mobilizam a sociedade e os seus sectores mais dinâmicos?»


Declaração de Luís Montenegro sobre a corrida à liderança do PSD

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Montenegro, pá, esse PSD está na campanha eleitoral para as legislativas de 2011. Lembras-te, né? O teu nome também assinou por baixo este juramento:

«O programa que agora deixamos à apreciação e ao escrutínio dos Portugueses resiste a qualquer teste de avaliação ou credibilidade. Tudo o que nele se propõe foi estudado, testado e ponderado. Consequentemente, as propostas nele contidas são para levar a cabo e as medidas que nele se apontam são para cumprir. Também nisso queremos ser diferentes daqueles que nos governam e que não têm qualquer sentido de respeito pela promessa feita ou pela palavra dada. Assumimos um compromisso de honra para com Portugal. E não faltaremos, em circunstância alguma, a esse compromisso.»


Programa Eleitoral do PSD – 2011

É da tua palavra e da tua honra que este parágrafo fala. Este foi o tempo em que tu e a tua malta enganaram os papalvos com a promessa do “fim dos sacrifícios”, do “corte nas gorduras do Estado” e da “libertação e democratização da economia”. Para depois terem desgraçado a vida a milhões de portugueses, a quem ainda por cima achincalhavam do alto da vossa fanática soberba.

Se queres ver esse PSD que hoje não encontras, desampara a loja e regressa à campanha eleitoral de 2011 levando o Relvas contigo:

«“Não haverá aumento de impostos, de uma forma clara já está demonstrado, o programa demonstra-o”, afirmou Miguel Relvas aos jornalistas após o Conselho Nacional do PSD, que decorreu num hotel de Lisboa.»


Fonte

Miguel Macedo merece ser destruído, João Miguel Tavares decidiu

Ricardo Costa é uma das mais poderosas figuras na comunicação social portuguesa. Nesta quarta-feira, botou faladura sobre a absolvição, em 1ª instância, de Miguel Macedo, por sua vez um dos mais importantes políticos portugueses e cidadão acusado num dos mais importantes processos da Justiça portuguesa – O caso Miguel Macedo e o Ministério Público. Neste importante artigo, o director-geral de informação no grupo Impresa foi buscar João Miguel Tavares como singular referência externa a compor a sua prosa. Corolário com a importância que cada um lhe quiser dar: o muito importante Ricardo Costa acha que as opiniões de João Miguel Tavares são muito importantes para os leitores do Expresso, daí estar a convidá-los à descoberta das mesmas. Convite aceite.

Na peça destacada e promovida pelo mano Costa – Miguel Macedo e as “canalhices” – o seu autor declara que Miguel Macedo foi absolvido apenas porque escapou “à tangente de uma condenação devido à formulação da lei e às garantias da presunção de inocência”. É este o único raciocínio objectivo sobre o facto bruto, a absolvição, o resto é fogo de barragem sobre “os políticos”. Espíritos cínicos serão tentados a ver na conclusão uma patarata tautologia. Algo da família do “Se a minha avó tivesse rodas era um camião”. Algo demasiado estúpido para ser citável a não ser como exemplo de inanidade. Mas isso não será fazer justiça à importância que João Miguel Tavares tem para o tão importante Ricardo Costa. Pelo que precisamos de aprofundar a análise.

Segundo a minha vizinha do 4º andar, o que o caluniador pago pelo Público está realmente a dizer é o seguinte: “Caso as leis fossem outras, ou caso não existissem garantias de presunção de inocência, ou preferencialmente as duas circunstâncias em simultâneo, então o Miguel Macedo teria sido condenado.” Condenado por quê, porquê, e com que pena? Infelizmente, não teve tempo para deixar uma jurisprudência alternativa na sua importante denúncia de mais um político que pretende condenar mediaticamente para aplauso da turbamulta. Em vez disso, a fixação num discurso primário feito de insinuações emporcalhadas e generalistas expõe uma retórica que apela – de iure – a um clima em que se aceite socialmente a diminuição dos direitos e garantias dos cidadãos em nome do “combate à corrupção dos políticos” (constate-se que este caluniador, que se auto-proclama ao lado de Rui Ramos e José Manuel Fernandes como super-herói na Grande Guerra Socrática, não gasta um caracter a reflectir sobre a sociologia e antropologia da corrupção, não usa um neurónio para comparar os níveis de corrupção internacionais, não perde uma caloria a discorrer sobre a corrupção de funcionários estatais e autárquicos, sequer apresenta qualquer dado mensurável e aferido por instituições com autoridade relativo ao fenómeno da corrupção em Portugal; tudo para ele se resume à perseguição de quem conceba como inimigo político ou de quem sirva para reforçar a sua marca comercial).

E não só, e ainda mais decisivo: as consequências para a vida pessoal, vida profissional e carreira política de Miguel Macedo, por ter sido acusado num processo judicial sem prova válida em tribunal, estão totalmente ausentes da sua farronca. Ou por outra, aparecem referidas indirectamente apenas para serem chicoteadas. O caluniador revolta-se contra quem aponte para os danos que o tal Ministério Público que “acabou com a impunidade” produziu com a sua acusação de merda, deixando um espectacular fiasco da PGR da santa Joana ao abandono na comunidade. Para este palhaço do circo justiceiro, o único problema que existe no processo “Vistos Gold” está no desencontro entre a furiosa campanha que fez de Joana Marques Vidal uma comissária política de Passos e Cavaco e a real integridade e independência do poder judicial que respeita e aplica a Lei. O dinheiro gasto ao longo de anos pelo Estado, os recursos humanos ocupados na investigação e acusação e, acima e antes de tudo, a destruição do bom nome e valor social de cidadãos, mais a depauperação da sua segurança e saúde, e podemos até esquecer que têm família e amigos, justificam-se no seu bestunto se o caluniador profissional puder usar algum material das cinzas do caso para despachar mais um texto pago pela Sonae, eis a única lei que venera. Agenda secreta desta pulhice desenfreada: a fantasia lúbrica de ver o Ministério Público transformado numa polícia moral ocupada exclusivamente com governantes, deputados e dirigentes partidários. Qualquer pecado descoberto, mesmo que não recebendo de juiz algum o carimbo de ilegal, seria sempre para este senhor uma “tangente” à sua pulsão torcionária (desde que lhe dê jeito, vide como tratou os altos e baixíssimos voos do seu ídolo na Tecnoforma, para dar um singular e ilustrativo exemplo da sua duplicidade axiológica e inveterada sonsaria). Logicamente, a publicação das gravações dos interrogatórios judiciais dos “Vistos Gold”, expondo-se os registos áudio e vídeo dos arguidos, passa sem qualquer referência da sua parte. Compreende-se facilmente o silêncio. É que alguém que ganha o pão a explorar canalhices desse calibre não pode morder na mão que o alimenta.

Quantos anos teria Miguel Macedo de passar a ver o sol aos quadradinhos em ordem a deixar o Torquemada da classe política satisfeito? Nunca o saberemos, receio. Mas talvez um dia eles se cruzem por aí e o nosso salvador da pátria se lembre de dizer ao ex-futuro-presidiário qual o castigo que gostava de lhe dar. Entretanto, ficamos com uma questão bizantina nas mãos: Ricardo Costa acha que João Miguel Tavares está ao seu nível, ou, pelo contrário, Ricardo Costa acha que já chegou ao nível do João Miguel Tavares?


Legenda desta imagem: numa excepção que confirma a regra no Público, desta vez a inteligência e a decência venceram pelos números a vacuidade narcísica, a incapacidade empática e o oportunismo rapace.

Mal podemos esperar por “políticos com ideias inspiradoras” no PSD

 

E aí vem mais um com vontade de mentir. Não bastou o Passos e a sua campanha eleitoral totalmente feita de enganos em 2011, agora insinua-se o Montenegro, um dos seus fervorosos apoiantes e réplica menos sinistra do outro, para correr com o Rui Rio da liderança e, diz ele, recuperar os apoios perdidos do PSD.

 

Acho bem. O Rui Rio tem revelado, de facto, que entre um governo local e uma liderança nacional vai um passo de gigante. Que a frontalidade e honestidade sobre certas matérias não são qualidades universalmente apreciadas no partido. Não percebeu, por exemplo, que a bandeira da reforma da Justiça e do Ministério Público, de resto justíssima, implicaria mexer com uma das armas mais poderosas (e asquerosas) de grande parte do PSD, a ligada ao governo anterior, na luta política contra o PS. Que ser social-democrata deixou de ser importante para boa parte do PSD após Passos Coelho. Que o partido iria, como se vê, ficar mesmo partido, entre outras razões, por pressão dos tempos modernos e das tendências instagramáticas e tuíticas – pois está totalmente na moda que os medíocres e os charlatães cheguem ao poder pela via democrática e digam as maiores enormidades e falsidades nos palanques, antes e depois da chegada ao poder.  Para bem da população? Aqui é que bate o ponto: não. Mas são os tempos. Na falta de capital de queixa para nazis adormecidos, em Portugal, restam-nos os aldrabões. Azar que, desta vez, sem crise financeira internacional, nada possam fazer com as contas.

 

Mas, Montenegro?

 

É que eu penso que já tivemos, e este já acolitou de muito perto, o nosso último charlatão, assim como boçalidade que chegasse. O Montenegro debita talvez mais palavreado por minuto do que o Passos, mas é menino talqualzinho capaz de prometer tudo aos professores, enfermeiros, juízes, polícias, bombeiros, estivadores e todos os alegadamente descontentes para, caso conquiste o PSD, concorrer a primeiro-ministro. É igual, apenas menos fúnebre. O que terá para dizer para além de promessas demagógicas e avaliações deturpadas? Talvez pegue nos ciganos? Ou no Marcelo, que tanto mal lhes faz. Mal posso esperar. Para bem do PSD, preferia o Pedro Duarte* .


*Correcção:  eu não queria dizer Duarte Marques, obviamente

 

A Europa das nações – um muro em volta e estamos salvos

Quem diria que o desafio sério, interno, à “Europa” chegaria em força, não com as bandeiras da extrema-esquerda (sempre risonhas, mas utópicas, datadas ou descredibilizadas), mas com as da extrema-direita (e tirem o “risonho” da equação). Ou seja, com ideias mais extremadas à direita do que as da tradicionalmente “direitista” Alemanha e a sua CDU, por tantos odiada durante a última crise, e com bastas razões. A perplexidade actualmente é que os dois movimentos anti-Europa se aproximam, somando contestação à contestação, e portanto números e alarido, mas também criando maior confusão e indefinição, por, teoricamente, deverem ter motivos diferenciados.

Na prática, menos intromissão de “Bruxelas” (como se “Bruxelas” não fosse o Conselho dos chefes de Estado e de Governo eleitos dos diferentes países), menos controlo político e judicial, menos tratados orçamentais, menos controlo financeiro ou mesmo fim do euro, da União Europeia, mais independência são as reivindicações gritadas por uns e por outros! Ambos dizem “não querer esta Europa”. Por cá, sei que o PC não quer Europa nenhuma e nunca percebi se a Marisa Matias quer mais Europa ou menos Europa e, em Espanha,  não sei se o Vox quer mais ou quer menos ou ainda não pensou nisso. Tal como em França, as redes sociais materializadas em coletes amarelos não querem nada do que existe, querem tudo e o seu contrário, que é o mesmo que dizer que não sabem o que querem. Ou antes, há quem saiba: a Marine le Pen, por exemplo, quer chegar ao poder. E a Rússia acha que é uma óptima ideia.

A União tem vantagens de peso face ao histórico de conflitos no continente. Toda a gente que passou por uma escola sabe disso. As fronteiras, no mundo actual de enorme mobilidade e facilidade de transporte, são um anacronismo. Mas o novo dado da “islamização” da Europa devido à forte imigração muçulmana (a que já está instalada e a que pretende vir) veio suscitar um compreensível repúdio pelas políticas de abertura total e, queiramos ou não, tem sido um bom fantasma para se agitar a par do nacionalismo. No entanto, vemos nas televisões que a maior parte dos incendiários de automóveis e partidores de montras em Paris são jovens muçulmanos filhos dessa mesma imigração que buscava uma vida pacífica e melhor. Por fim, a crise recente e as consequentes austeridades ainda fazem sentir os seus efeitos nas classes média e média baixa em alguns países europeus. A juntar à confusão, penso que a Alemanha, tanto a mais como a menos extremista, quer ainda coisas muito distintas de todos os outros países em matéria europeia, dada a sua posição dominante. E depois há o euro, que tem que obedecer a regras. O euro, que nenhum país, nenhum povo, tem coragem de abandonar de tão prático e simbólico que é.

 

Mas sobre os dirigentes nacionalistas, que cavalgaram a crise migratória, leio (aqui) que Matteo Salvini, o populista/nacionalista líder da Liga do Norte italiana, agora vice-primeiro-ministro de Itália e ministro do Interior, se vai encontrar com o líder do partido do governo polaco para se aliarem e concertarem forças no ataque às instituições europeias já nas próximas eleições para o Parlamento Europeu. Ambos se dizem eurocépticos, mas, ao contrário dos “snobs” britânicos, não querem sair da UE (compreende-se: questão de fluxos de fundos). O que querem, aparentemente, é conquistar uma grande maioria no Parlamento Europeu e certos lugares-chave na Comissão para, alegadamente, alterarem as políticas actuais, consideradas demasiado impositivas. Salvini, o populista, tem até vontade de presidir à Comissão Europeia, para, presumo eu, ficar a cumprir as instruções de um bando de nações que se odiarão mutuamente e cortar com o que há de comum e mais conseguido actualmente, incluindo o ambiente e a livre circulação (já a agricultura, aguardo notícias do nacionalismo nesse ramo). Seria um “concerto de nações” lindo de se ver.

O polaco não gosta que a Europa o obrigue a respeitar o tratado de adesão que assinaram, que contém regras sobre o Estado de Direito, a democracia e outras, descaradamente violadas pelo seu governo, cada vez mais ditatorial e que está até a ser investigado por essas violações. Mas não existe euro na Polónia. Nem portos de entrada de migrantes. Pelo que o problema não é exactamente o mesmo que o da Itália. Existe um exemplar parecido na Hungria, surgem outros noutros países, mas desconheço se querem constituir um trio, um quarteto ou um quinteto de eurocépticos. Como as coisas estão, talvez nem haja necessidade de alianças. O italiano quer liberdade monetária e financeira, esquecendo-se que a sua moeda é o euro e que é o euro que a população quer e, não sabendo que volta dar ao país para o tirar da estagnação, se é que isso verdadeiramente o interessa, como populista que é, acusa as instituições europeias de serem a causa do fracasso nacional e quer ir para Bruxelas governar a Itália. Estamos mesmo a ver. O que o homem sabe é que não quer migrantes, e bem martelou essa tecla até conquistar o poder. Mas não querer migrantes não chega para definir melhores políticas monetárias e económicas a nível europeu que beneficiem o seu país.

 

Também há Putin, o potencial dinamitador da União, de quem Salvini gosta e de quem Kaczynski e os polacos em geral nem querem ouvir falar. Um ponto de discórdia, portanto.

 

Em suma, os cenários que se perspectivam não são risonhos para o projecto europeu. Irão os chamados “eurocépticos” conseguir dominar o Parlamento e as restantes instituições? Que raio de Europa teremos nesse caso e, se tal não vier a acontecer, que acontecerá se a própria direita europeísta, que tem dominado em França, na Alemanha, na Bélgica, na Holanda, enfim, nos países fundadores, e também no PE, sair fragilizada do processo de estraçalhamento democrático em curso e se dessa fragilização não resultar um reforço da social-democracia europeísta?

 

Não sabemos. Será difícil voltar atrás na Europa sem um sério conflito. Será isso que gente como o Salvini ou a Le Pen procura, ou fechar as fronteiras e admitir regimes ditatoriais no espaço europeu fará toda a gente feliz e europeia?

Eixo do Bem

Nesta emissão, a propósito do convite a Mário Machado para aparecer como atracção de feira num programa de diversão matinal na TVI, temos para a posteridade um grande momento de televisão da autoria de Daniel Oliveira. O efeito de dramatização foi conseguido numa mistura perfeita de ethos e logos onde o Daniel falou em nome das vítimas dos crimes do criminoso. Falou como um verdadeiro jornalista, daí o poder da sua intervenção. E que faz um verdadeiro jornalista? Usa a sua credibilidade para transmitir os factos e só os factos – sendo que também pertence ao domínio factual repudiar o que é ameaçador e abjecto e emocionar-se na defesa do que mais importa, assim tendo criado um pathos de natureza e alcance cívico. Pode-se carimbar como corajosa a sua intervenção, pois sim, mas para mim foi outra coisa congénere: foi bela.

Todavia, atribuo ao Luís Pedro Nunes o maior mérito no trio. É que o Pedro Marques Lopes esteve igual a si próprio, exemplar na muralha da cidade a combater em nome da decência e da liberdade. Não veio dele surpresa alguma. Veio foi do bronco, o qual provou que só é bronco quando quer. O Nunes apresentou um raciocínio que foi ao cerne da questão com precisão cirúrgica: o Machado é alguém completamente desqualificado para representar num espaço mediático generalista e sem enquadramento biográfico rigoroso qualquer ideia, donde tinha sido convidado exclusivamente pelo seu currículo criminoso. Tudo o resto que se dissesse sobre a questão, especialmente as manobras para confundir e perverter a discussão ao agitar a liberdade de expressão e ao atacar quem se tinha indignado, não passava da cumplicidade com a intenção de promover a figura ou o ganho de a ter utilizado comercialmente.

Impressiona nele a complexidade da análise por não ter comprometido a sua eficácia; pelo contrário, enriqueceu-a. Ora, o crânio donde saiu o naco de inteligência e honestidade intelectual acima em exibição é o mesmo que a propósito de Sócrates, pessoas com ligação a Sócrates, e ainda ao PS e a quem nele se realiza politicamente, só consegue despejar ódio e estupidez incontinente e inaproveitável. Porquê? Porque se apaixonou por Sócrates, porque tem medo de Sócrates, porque se casou com o papel público de carrasco de Sócrates e não se admitem divórcios nessa seita do fanatismo mediatizado paga pela indústria da calúnia.

Revolution through evolution

The distance between our values and the people we are is greater than we might think
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Exactissimamente

«Não passou assim tanto tempo para que os portugueses não reconheçam um fascista quando o ouvem falar e quando observam os sinais e os rituais de que se rodeia. Honra lhe seja feita, Bolsonaro não disfarçou coisa alguma: no seu discurso de posse disse exactamente ao que vinha, as suas ameaças foram claras, o seu instinto de ódio e perseguição, em nome de Deus e da “cultura judaico-cristã”, foi tão óbvio que não há disfarce possível. Antes assim: mais tarde, num futuro que só por sorte não será tenebroso, ninguém poderá dizer que foi ao engano. Não é por ser evangélico, por repetir à exaustão o mantra de “Deus acima de todos”, que o fascismo se torna cristão. Pinochet, Franco, Salazar eram todos devotos católicos e também eles gostavam de invocar o nome de Deus em vão — que, como se sabe, é pecado que brada aos céus. Não é por esgrimir a fé contra as “ideologias” — isto é, contra as ideias, contra a liberdade de pensamento — que o programa político de Bolsonaro deixa de ter a sua própria e sinistra ideologia. E é por isso que o ministro da Educação, indicado directamente pelos evangélicos, tem como tarefa limpar “o lixo ideológico” das escolas e servir às criancinhas a fé evangélica — esse embuste religioso inventado à medida de um país com largas camadas da população semianalfabeta. Se isto não é todo um programa político e ideológico, em tudo semelhante ao das madraças islâmicas, é só porque há quem o não queira ver.»

Deus deve estar zangado