Aviso aos pacientes: este blogue é antianalgésico, pirético e inflamatório. Em caso de agravamento dos sintomas, escreva aos enfermeiros de plantão.
Apenas para administração interna; o fabricante não se responsabiliza por usos incorrectos deste fármaco.

A velhice do caluniador eterno

O exercício que vou fazer requer, para a sua plena fruição, de uma leitura, nem que seja na diagonal, da entrada na Wikipédia intitulada José Pacheco Pereira.

Cá vai alho:

[em epígrafe, Na sombra do Pacheco]

.
.

«Mais do que nunca, temos que ter uma conversação rigorosa, dura, intransigente, mesmo impiedosa, sobre a corrupção.»

Sou eu, Pacheco, um representante e apaixonado colaborador do Cavaquistão, quem o garante. Mais do que nunca, agora que existem leis e instrumentos de fiscalização e investigação da corrupção que fazem com que os anos 80 e 90 pareçam a Idade de Ouro do saque público, temos de continuar a vender a banha da cobra de que a corrupção não pára de aumentar em ordem a manter esta mama que nos enche os bolsos, a mim e aos meus estimados colegas da indústria da calúnia.

«Já se vêem os bandos de pombos atrás do milho.»

Sou eu, Pacheco, o mais antigo e ubíquo passarão do comentariado quem o garante. Vejo tudo lá do alto com o meu olhar aquilino. Pombos, ratos, porcos, serpentes, lacraus, ervas daninhas, minhocas. Tudo vejo e tudo calo. Não contem comigo para dar nome aos bois; à excepção do Sr. Engenheiro, Deus nos livre e guarde.

«Tiveram oportunidades, e criaram oportunidades, e é a facilidade com que isto aconteceu, e a fila enorme de gente importante que foi lá buscar o seu quinhão, que mostra que não é um problema de meia dúzia de corruptos, mas do “meio” que facilita o crime, ou seja, é estrutural e não conjuntural. Eles vivem no “meio” e são o “meio”.»

Sou eu, Pacheco, com 40 anos de esfreganço de costas e bacalhauzadas no “meio” dessa gente, quem o garante. É preciso frequentar o “meio” sem pertencer ao “meio” para conseguir o que eu consigo, isto de fingir que não sou do “meio” enquanto uso o “meio” como meio para os meus fins. Complicado? Só para quem não é conhecido no “meio”, seus tansos que nada pescam do estruturalismo do “meio”.

«Hoje isto é dinamite para a democracia. Já houve alturas em que não foi assim, ou não foi tão grave assim. Hoje, é.»

Sou eu, Pacheco, com o servicinho do dia ao dispor na “imprensa de referência”, quem o garante. Hoje, sim, hoje é que é. Hoje é dinamite, ontem foi pólvora seca, amanhã será bomba termonuclear. Quando se passava ao meu lado, com os meus colegas de partido, com os ministros e secretários de Estado que eu apoiava no Parlamento, com as centenas e milhares que se cruzavam comigo sem esconderem quem eram e o que faziam, estava tudo bem. Outros tempos, topas? Outros tempos, éramos jovens e amigos. Não há comparação com o horror que agora vejo à minha volta. Hoje. Dinamite. Bum!

«Já viram alguma especial indignação com a corrupção nos grandes clubes quando não é o “nosso”? Como se as pessoas que vociferam nos cafés e nas redes não tivessem uma ideia de onde vem e para onde vão os muitos milhões e milhões que custam os jogadores.»

Sou eu, Pacheco, um dos mais populares historiadores e sabichões do Reino, quem o garante. A gentalha dos cafés e das redes não presta, cospe-se ao falar, não tem bibliotecas em casa. A gentalha dos cafés e das redes vai à bola com os corruptos. Por isso é que coiso. Ando a dizer isto há décadas nos jornais, nas rádios e nas televisões. E não me posso queixar pois eles pagam bem e a horas. Mas a gentalha dos cafés e das redes, francamente, que piolheira.

«É pensar de uma ponta a outra a administração, das autarquias aos ministérios, é cortar radicalmente os milhares de pequenos poderes discricionários que por aí existem, obrigar a que sejam transparentes e escrutináveis muitos processos que nada justifica não serem públicos. Agora que vêm aí vários barris de dinheiro, é vital que tal se faça.»

Sou eu, Pacheco, que em 1972 era maoísta e em 2009 era o mauísta de Ferreira Leite, quem o garante. Aproveitemos a data ao virar da esquina do calendário para fazer o que não foi feito em quase nove séculos de História. Bute “pensar de uma ponta a outra a administração, das autarquias aos ministérios” aproveitando as restrições da epidemia que nos obrigam a ficar em casa. É pura e simplesmente genial pois o falhanço é certo e certa é a culpa dos socialistas que não vão dar conta do recado.

«Mas é também dar o exemplo de que não se mistura “honra” com mundos muito pouco honrados. Por isso é que a participação do primeiro-ministro, do presidente da Câmara de Lisboa e de vários deputados num acto de promiscuidade com o poder fáctico do futebol é muito grave, porque significa indiferença face à corrupção, numa altura crítica do seu combate. Como não se retractaram, ficam com uma mancha.»

Sou eu, Pacheco, um dos patrícios cavaquistas que contribuíram para ajudar ao nascimento do BPN, essa gesta heróica da gente séria, quem o garante. Ver o primeiro-ministro e o presidente da câmara numa comissão de honra – de honra, concidadãos! – do tal Vieira manda uma mensagem que chega imediatamente a todo o sistema de Justiça e interrompe o glorioso combate contra a corrupção. Como é que um procurador, um juiz, um agente da Judiciária ou mero polícia sinaleiro conseguirá encontrar coragem moral para enfrentar os diabólicos corruptos sabendo-se do benfiquismo de António Costa e Fernando Medina? É que a ligação é óbvia, “eleições no Benfica”=”plebiscito à corrupção”. Vergonha! Vergonha! Vergonha!

Adão Silva, o apogeu de um anjo

A notícia de Adão Silva ter ganhado as eleições para a bancada parlamentar do PSD encheu de júbilo o meu pobre coração amante da política. Porque estamos perante um cromo que é uma pratada de riso, o que irá aumentar a saúde mental de quem acompanhar a actividade parlamentar, e porque tal ocorrência permite-me republicar o vídeo com mais sucesso que este pardieiro alguma vez colocou no éter youtúbico:

A intervenção de Pedro Silva Pereira é de uma perfeição oratória sem rival na minha memória. Desde a estocada inicial, que deixou o adversário pelo chão em agonia, até à construção segura e implacável do argumento, o qual termina em evidência peremptória. À distância de oito anos, atendendo ao contexto de então e ao que sabemos agora, o seu discurso fica ainda mais relevante. E tudo isto de improviso, imediatamente a seguir a uma cena pífia de chicana. Não admira que se odeie tanto este PSP, o medo e a inveja explicam o fenómeno e deixam medalhas de mérito na lapela do alvo.

Chamo também a atenção para os números da eleição:

De acordo com fonte do partido, votaram os 79 deputados da bancada do PSD, dos quais 64 votaram sim, seis em branco e registaram-se 9 votos nulos.

Isto significa que Rui Rio, o Clausewitz ao contrário da estratégia política, tem neste momento um líder da bancada folião – o qual está rodeado por seis deputados que preferiam não ter de votar e mais nove que nem sequer conseguiram apenas fazer uma simples cruz num quadradinho, admitindo-se as mais estouvadas hipóteses sobre o que terão deixado escrito, ou desenhado (cuspido?), nos boletins considerados nulos.

Lapidar

«O que se perdeu com a estratégia narcísica que vai dar, mais cedo ou mais tarde, ao sentimento elegíaco da perda e por conseguinte a uma profunda infelicidade, foi a crítica, o espírito crítico. O jornalismo moderno, que nasceu do Iluminismo, colocou a crítica como projecto inalienável e como critério primeiro que justificava a sua existência. Mas a crítica não era apenas uma exigência na relação com o poder político e todos os outros poderes: o jornalismo crítico tinha também de ser capaz de ser crítico de si próprio. Sem essa dimensão, todo o projecto falharia. Ora, o que acontece hoje é que a capacidade de autocrítica, com todas as suas potencialidades, foi substituída pelo narcisismo que se compraz na autocelebração. Este fenómeno não é novo, mas instalou-se na nossa paisagem mediática com uma força enorme a partir do final do século passado. Recordar isso hoje é também uma homenagem a Vicente Jorge Silva, cujos projectos em que esteve envolvido, do Comércio do Funchal ao PÚBLICO, passando pela "Revista" do Expresso, foram espaços que estimulavam a razão crítica do jornalismo. Sem uma consciência teórica e crítica de si próprio, o jornalismo é cego.»


António Guerreiro

Costa e a habilidade

Cavaco gravou num livro, em 2018, que Costa é “um hábil profissional da política”. Foi a forma que ele encontrou para lhe chamar cabrão. Mas em 2018 essa fama de Costa ser habilidoso já era um estafado bordão na retórica da direita, o substituto do “mentiroso” urrado sem parar quando se cagavam todos de medo ao ver Sócrates pela frente. Muito provavelmente, foi o Marcelo comentador que inventou o carimbo após as peripécias da luta entre Costa e Seguro para a liderança do PS; antes, ninguém tinha reparado em especiais habilidades de Costa, limitava-se a parecer competente. Depois ficou como eufemismo de trafulha para gasto com um alvo que não podia ser engolido pela indústria da calúnia.

No mundo feérico e obsessivo do comentariado, o termo ganhou estatuto de categoria hermenêutica, passando a ser uma forma de despachar crónicas ao metro. Há sempre alguém que imagina que existe um outro alguém preocupado com o que o primeiro alguém pensa a respeito do estado da suposta habilidade de Costa. E rapidamente o fenómeno se torna mágico, atribuindo-se à sua habilidade tudo o que pareça correr-lhe bem e, simetricamente, abrindo-se uma crise cósmica quando os acontecimentos põem em causa a incensada predestinação. Governo minoritário com apoio do BE e PCP? Habilidoso. Elogios da Europa às contas certas? Habilidoso. Recuperação do poder económico dos portugueses, explosão do turismo, défice zero, domínio nas sondagens, campeões da Europa e da Eurovisão? Super-habilidoso. Participação numa conversa privada com jornalistas depois de dar uma entrevista, quando era suposto nada ficar gravado, e participação como cidadão na vida de um clube de futebol? Temor e tremor… Que é feito do Costa hábil?

O comentariado vive de simplismos, caricaturas, deturpações, berreiro. Não poderia ser de outra forma pois estamos perante um estilo de entretenimento. Escreve-se e palra-se para plateias que se divertem a aplaudir e apupar. Mas não convidem esses bufões para cuidar da cidade pois adormecem nas muralhas ou aproveitam para vender entradas aos bárbaros. Marcelo é o exemplo supremo. Enquanto astro da TV acertava em tudo, tudo parecia fácil e cristalino no seu teatro. Escurecia-se o currículo onde era apenas mais um professor de Direito, e um viciado e vicioso jornalista de opinião, e onde tinha sido o tal falhado dirigente partidário e o tal falhado candidato à câmara de Lisboa. Os holofotes iam todos para aquela parte do palco onde imitava, com paixão e donaire, os políticos que arriscam coiro e reputação. Só que imitar não é ser, como ensina Platão. Assim que o Marcelo outra vez político apanhou uma tempestade gigante pela frente, em Março de 2020, mostrou o que era realmente: um general em quem não se pode confiar.

Já Costa viu-se coroado nos meses de Março e Abril. A direita ficou apopléctica com a visão do primeiro-ministro budista, seráfico perante a notícia de o mundo estar a desabar à sua volta. Ainda por cima, os números das infecções, mortos, vagas em hospitais pareciam não só controlados como muito melhores do que se previu no pânico inicial. Que era feito daquele Pedrógão vezes mil que estava prometido, perguntavam os pulhas? Para quando a boa nova do colapso do Serviço Nacional de Saúde e do horror a sair à rua, mordiam-se os canalhas? Não foi nada fácil para a direita decadente atravessar esse confinamento do seu ódio. E lá no fundo, porque os neurónios (ou falta deles) não dão para mais, também atribuíam à sua habilidade a roleta da propagação da epidemia em Portugal e a imagem de segurança e confiança que transmitiu em período tão original, angustiante e perigoso para a comunidade. Mas será Costa realmente esse portento de habilidade que os seus adversários agitam vencidos?

Vicente Jorge Silva pode ajudar-nos a encontrar a resposta. Em Novembro de 2017 deixou no Público a tese de que Costa não só atravessava um período de inabilidade extrema como talvez nem tivesse vocação para o cargo. O texto chama-se Que aconteceu a António Costa?, sendo banal na forma e torpe no conteúdo – excepção para a partilha da anedota onde se relata uma suposta conversa tida entre os dois em 2004, a qual teria levado Costa a declarar-lhe que nunca seria líder do PS nem primeiro-ministro (por não ter vontade, fica implícito no relato). Ora, sou comprador da veracidade dessa memória. Costa não parece ter a gana de querer atingir o topo da pirâmide, realmente, antes aparecendo como um fortuito líder que, com algum manifesto contragosto, se vê obrigado a dirigir as tropas. Essa tipologia concorda com o que todos vimos aquando dos movimentos para derrubar Seguro, em que começou logo por meter os pés pelas mãos com uma falsa partida, e depois com a campanha de merda que fez para chegar a secretário-geral. O mesmo perfil para os excessos emocionais que parecem absolutamente amadores, podendo calhar com jornalistas ou políticos. É como se ele não se importasse de regressar à função de tenente e aí descansar para não ter grandes chatices. Como se sonhasse todos os dias com o remanso de um gabinete pintarolas mas discreto, perdendo-se secretamente na contemplação das futuras sopas e descanso, mas leal ao grupo que aceitou chefiar e vestindo a camisola do serviço público até ao fim da missão.

Não querer o poder é um arcano sinal de vocação para lhe dar o melhor uso. Se for o caso, é quase perfeito. E, ironia suprema, talvez esse desprendimento pachola nasça de uma certa falta de habilidade para fazer das pulsões tribais o centro da sua vida.

Revolution through evolution

Romantic partners influence each other’s goals
.
Sex differences in health and disease
.
Phone calls create stronger bonds than text-based communications
.
Strong and Fit Older Adults Have Younger, Less Stiff Arteries
.
How Laughter Can Help Your Heart
.
Study: Without Right Messaging, Masks Could Lead to More COVID-19 Spread
.
Feeling misunderstood boosts support for Brexit
.
Continuar a lerRevolution through evolution

Ventura e a inteligência

A seguir a ter sido criado por Passos Coelho, o mais curioso a respeito de André Ventura é tropeçarmos em declarações a respeito da sua apregoada grande inteligência. É o que diz Donizete Rodrigues, professor universitário de sociologia, por exemplo. Ou Carlos Abreu Amorim, um desbocado passista à espera de regressar à ribalta. A sua actividade académica e a subida do Chega nas sondagens compõem este ramalhete sobre os dotes cognitivos do fulano. Razão para nos perguntarmos: será?

Ventura escolheu uma retórica maximalista em que infantiliza o sistema partidário e as instituições como cenário da sua pose megalómana. É a estratégia anti-sistema copiada de outros países onde o populismo de uma direita inane triunfou eleitoralmente. Nela verbaliza expressões que pretendem ser explicitamente humilhantes para os alvos, apelando à percepção inequívoca e imediata de que está a ridicularizá-los. Nesses alvos inclui CDS, PSD e Marcelo Rebelo de Sousa enquanto Presidente da República. Inova em Portugal ao, já como deputado, hostilizar minorias e a cultura cívica que apela à sua integração e à defesa dos seus direitos. Ao mesmo tempo, cola-se à notoriedade de figuras como Trump, Bolsonaro, Salvini e Marine Le Pen, por um lado, e explora símbolos e locais religiosos para se promover como representante do voto evangélico e católico, por outro. Joana Marques Vidal é também usada como arma de propaganda, como o foi por Passos e Cavaco, ignorando-se qual o grau de adesão da própria ao papel que lhe está a ser dado. Segundo palavras de Ventura, ele acabará por ser primeiro-ministro, depois de destruir o CDS e subalternizar o PSD; donde, naturalmente, saltará para Presidente de uma República sem corrupção, sem racistas, sem ciganos, sem abusadores sexuais, sem protecção a minorias e sem esquerdalhos – e, parece, sem Serviço Nacional de Saúde e justiça fiscal, entre outras misérias herdadas do 25 de Abril.

É isto prova de inteligência? A seu favor, correm as evidências e os estudos. Trump ocupou a Casa Branca, inacreditavelmente para todos e para si, porque quem votou nele apenas valorizou a atitude provocatória e a promessa revolucionária, não avaliando o seu discurso racionalmente e aceitando acriticamente a superficialidade, simplismos, incoerências, mentiras e puros absurdos despejados em caudalosa verborreia. Vários estudos mostram que as dinâmicas da filiação identitária geram estes fenómenos, de há muito resumidos na fórmula “É um filho da puta mas é o nosso filho da puta.” Acresce que a direita portuguesa, seus partidos e Presidentes da República, se encontra num ciclo de profunda decadência; começado com a fuga de Barroso e consumado no impacto da superioridade eleitoral e executiva de Sócrates e sua equipa numa conjuntura de gravíssima crise económica e financeira na oligarquia, levando o combate político em Portugal a ficar afundado nas campanhas negras e no golpismo. A judicialização da política e a politização da Justiça, no fundo das quais esta direita se barricou, transformou-se num túmulo onde a sua decência jaz morta, e apodrece com pestilência. Daí valer tudo para os decadentes. Daí Ventura, como Passos intuiu, tentou e fez chegar até nós.

Ora, só há um desfecho para este cromo circense, o de ficar a falar sozinho para o grupo de borregos que agrega. É preciso ser-se muito estúpido, por condição ou opção, para suportar quem revela abertamente que nos quer enganar e prejudicar, como faz o leporidófilo. E o número desses infelizes não lhe permitirá ter mais do que um pequeno e efémero grupo de deputados, na melhor das possibilidades. Porém, outro galo cantaria se Ventura tivesse a estratégia de aparecer colado a Marcelo, CDS e PSD, mostrado-se um aliado especial – aquele aliado que consegue dizer e fazer abertamente o que os outros apenas conseguem dizer e simular que fazem implicitamente. Não foi esse o caminho que a sua gula pulsional seguiu, para sorte da qualidade da democracia e segurança do regime. E nem a inenarrável incompetência de Rui Rio o vai salvar da resposta que a comunidade lhe dará.

Vicente Jorge Silva, jornalista

Se Vicente Jorge Silva foi um dos mais importantes jornalistas portugueses após o 25 de Abril, como as eulogias publicadas consagram e a memória não tem pejo em aceitar, vale a pena tentar um exercício de celebração alternativo ao registo encomiástico. Ir por um caminho que faça justa – portanto, implacável – homenagem ao que parece ter definido existencialmente esse homem, o ter sido jornalista.

Um jornalista não existe sem uma era, um tempo histórico, um lugar político, uma estrutura económica, um processo social e uma corrente de circunstâncias colectivas e individuais. Acontece que os jornalistas sempre tiveram má fama por causa dos poderes fácticos que aceitam servir. Como lembrou Belmiro de Azevedo, isto de ter um jornal é muito giro mas é preciso que alguém pague as contas. E para quê estar com essa despesa se não vier daí algum proveito, alguma satisfação? Pelo que as agendas políticas, logo a partir de Gutenberg, fizeram dos órgãos de comunicação de massas imediatas arenas de combate ideológico e partidário. O ideal de um jornalismo puro, exemplar no cumprimento da deontologia que a si mesmo impõe, lembra a moral kantiana: é para anjos, não para seres humanos.

O Vicente, diz quem com ele conviveu e trabalhou, nem era um anjo nem um anjinho, antes parecendo ter acessos demoníacos conformes ao folclore de uma profissão de egos hipertrofiados e tóxicos. Apesar disso, ou por causa disso, o seu nome aparece como responsável principal por duas publicações que marcaram gerações de leitores no tempo em que os jornais em papel ainda moldavam o espaço intersubjectivo: a “Revista” do Expresso e o Público. Sobre esses dois feitos que inovaram a imprensa portuguesa nos anos 80 e 90 as homenagens são consensuais. Pois este meu exercício minúsculo começa a partir daí, da saída do jornal de que foi o primeiro director. Que aconteceu depois de 1996 a esse extraordinário jornalista então livre para fazer e ser o que quisesse ainda com uns saborosos 51 anos de idade no corpinho?

Nada. Nada que tenha relevância para o jornalismo, sua história ou mera reflexão a respeito de qualquer uma das suas dimensões ou facetas. Ficou na bancada a assistir à degradação completa do Público sob a direcção do José Manuel Fernandes, ignoro o que pensava de Ricardo Costa como czar de Balsemão, desconheço qualquer posição sua a respeito do poder persecutório e criminoso da Cofina ao longo dos anos, e quando voltou para o jornal da Sonae foi chocante vê-lo neste papel. Até no Sol aceitou deixar o seu nome como colaborador.

O Vicente sem papas na língua e mandão poderia responder que não lhe competia ser um provedor oficioso das lides jornalísticas e respectivas responsabilidades na qualidade da democracia e na coesão da comunidade, que tinha bem mais e melhor para fazer com a sua pessoa, que estava farto do meio ou que não queria chatices. Pois sim, teríamos de concordar porque primeiro está o mistério da liberdade de cada qual. Mas a sua ausência no combate contra a pasquinagem ilumina uma paisagem onde não se vê uma única referência de ética e coragem para acudir à derrelicção dos raros que ainda conseguem fazer miraculosamente peças de jornalismo exemplares de honestidade intelectual e serviço público. Se nem este excelso madeirense nos valeu, e se ele foi mesmo um dos mais importantes jornalistas portugueses após o 25 de Abril, então emerge o corolário: os nomes mais importantes do jornalismo em Portugal são muito pouco importantes para o que mais importa.

Filipe Santos Costa, jornalista

Assim começa uma inaudita confissão a lembrar os tempos heróicos dos dissidentes soviéticos. Não é que faça revelações incríveis, sequer provoque desmaiada surpresa, pois a cultura do Expresso está à vista, bastando ver a montra para adivinhar as misérias no armazém. O que causa espanto é o acto de fala onde Filipe Santos Costa parte a loiça toda com precisão cirúrgica. Neste momento, e até à eventualidade de o mano Costa lançar como resposta e vingança um qualquer assassinato de carácter contra o ex-empregado do Grupo Impresa, a credibilidade jornalística e deontológica do Expresso, mais a dos seus directores passados e presentes, não existe.

Repare-se: não estamos perante uma situação em que temos de escolher entre duas versões concorrentes e contraditórias – dado que o seu discurso é assumido como um testemunho pessoal complemento da realidade objectiva, material, incontornável de ser o Expresso aquilo que nós registamos que é – ficamos é na posse da novidade de se poder confirmar através de uma visão interna, vinda de um ex-operacional da casa, a encardida decadência deste tipo de pseudojornalismo agora denunciado com uma frontalidade absolutamente sem antecedentes a este nível de notoriedade, para mais envolvendo uma vaca sagrada cheia de vedetas assanhadíssimas.

Não se trata de um ataque ressentido ao jornal e seus responsáveis, contudo. Provavelmente, este mesmo jornalista não se envergonha do que fez no Expresso, onde vestiu a camisola e tentou ser um bom soldado. E, às tantas, poderá ter alimentado a ambição de chegar a director para, vamos acreditar optimistas e ingénuos, alterar a cultura editorial no sentido que agora anuncia querer seguir profissionalmente. As suas declarações parecem circunscrever aos dois últimos anos, que coincidem com a queda do Pedro Santos Guerreiro e a entrada do David Dinis e subida do João Vieira Pereira, o crescimento da sua insatisfação, por um lado, e servem também para promover a sua marca e oferecer-se ao mercado, pelo outro. Tenho a vantagem de nada de nadinha de nada saber a seu respeito para além da embirração que lhe tinha quando era um serviçal do sectarismo mediático, daí poder especular sem travão.

Seja lá qual for a história secreta do episódio, que até pode não haver alguma e ser só tal como anunciado, era lindo que desta coragem inspiradora viesse a nascer jornalismo jornalismo.

Votos de felicidades e boa sorte

Começa a semana com isto

Carol Tavris on Mistakes, Justification, and Cognitive Dissonance
__

Para além da graça de vermos o simpático Sean Carroll no papel de entrevistador de uma psicóloga social, ele que é um famoso físico teórico especializado em mecânica quântica e cosmologia, e não esquecendo que a entrevistada inaugura o seu podcast, chamo a atenção para duas passagens onde a simpática e risonha Carol Tavris nos tenta ajudar:

– Quando descreve como nos interrogatórios policiais e judiciais é fácil (frequente?) partir-se de uma presunção de culpa do interrogado que jamais será abandonada pela autoridade em causa na situação. Independentemente do que o suspeito diga em sua defesa, calhando não haver evidências a seu favor, quem interroga tenderá a ficar cognitivamente limitado pela visão em túnel, pelo viés de confirmação e pelo viés de investigação. Esta distorção pode gerar violência sobre o suspeito e até forçá-lo a aceitar assumir falsas confissões.

– Quando conta uma história que termina assim: “When a friend makes a mistake, the friend remains a friend and the mistake remains a mistake.”

Revolution through evolution

Being a selfish jerk doesn’t get you ahead: Study
.
Is being generous the next beauty trend?
.
Body mass index is a more powerful risk factor for diabetes than genetics
.
People love winning streaks by individuals – teams, not so much
.
New electronic skin can react to pain like human skin
.
How we sleep today may forecast when Alzheimer’s disease begins
.
Atheists are more likely to sleep better than Catholics and Baptists
.
Continuar a lerRevolution through evolution

Em defesa da educação da liberdade

Em resposta à audiência concedida pelo Presidente da República a Manuel Braga da Cruz e Mário Pinto, primeiros subscritores do abaixo-assinado ‘Em defesa das liberdades de educação”, surgiram duas tomadas de posição que argumentam a favor da disciplina Educação para a Cidadania: o documento “Cidadania e desenvolvimento: a cidadania não é uma opção” + o Manifesto em Defesa da Educação para a Cidadania

Que se está a passar? De um lado, temos a direita no fundo do poço, o poço está seco, e eles continuam a escavar – cada vez mais febris com sede, mais exaustos, mais emporcalhados, mais afundados num ciclo em que trocaram a decência e o bem comum pelo ressentimento e o ódio. Do outro, vemos a esquerda a ocupar o centro, pois o princípio supremo da política é o do espaço do poder nunca ficar vazio.

O que se ensina na disciplina Educação para a Cidadania é, nem mais nem menos, a ideologia do centro numa democracia liberal onde o Estado tem eficácia soberana. Precisamente por estarem em causa valores morais eclécticos e universalistas, mas não neutros pois não existe tal coisa na axiologia, o lado que abriu as hostilidades ao usar como casus belli «Artur Mesquita Guimarães e sua Mulher, pai e mãe de dois filhos alunos da escola pública de Famalicão» barricou-se na figura legalmente ilegítima da “autoridade da família” contra o resto do mundo. Colocaram-se a jeito para serem bombardeados com noções básicas de História, de constitucionalismo e de bom senso.

Sonho com uma escola pública que tivesse como finalidade primeira formar alunos que no final da escolaridade obrigatória recebessem o título de cidadãos, após terem passado 12 anos a estudar a Constituição da República Portuguesa – todas as restantes disciplinas a serem subsidiárias deste eixo central de aprendizagem: descobrir donde veio a liberdade, onde e com quem está, e para onde nos pode levar.

Como é curiosa a luta contra a corrupção em Portugal

Quantas vezes, ao longo da nossa vida (cada um que pense na sua), a corrupção nos causou um qualquer dano? E a ter causado, quando foi a última vez? Somando as parcelas, qual é mais danosa para o País, a grande ou a pequena corrupção? Se a “Operação Marquês” é o mais importante processo judicial de sempre no Portugal democrático, e se esse caso nasceu por suspeitas de corrupção e produziu uma acusação de corrupção, existe alguma prova directa de corrupção nas 53 mil páginas e nos 13,5 milhões de ficheiros informáticos reunidos? A haver, mesmo que seja prova indirecta, e visto dizer respeito a actos de um primeiro-ministro, como é possível não existir mais nenhum ex-governante, ou que fosse mero funcionário público, a ser acusado de cumplicidade? Aliás, o que é a corrupção? Há uma definição legal, restrita ao âmbito dos funcionários públicos. Há a definição popular, em que a corrupção é o que todos os outros fazem a toda a hora. E há a definição populista à portuguesa, em que a corrupção só existe porque existem socialistas a ocupar posições estatais. Os inquéritos mostram que a percepção sobre a corrupção em Portugal é muito elevada entre os que respondem a esses levantamentos; o que parece inevitável quando há uma indústria da calúnia onde o tema é explorado à exaustão de acordo com todas as técnicas sensacionalistas e persecutórias, situação agravada pela decadência da direita que, por factores pulsionais e contextuais, igualmente faz do espantalho da corrupção uma estratégia retórica dado não ter mais nenhum discurso para apresentar aos cidadãos e aos eleitores.

João Miguel Tavares, quando andava a passear no Iraque em aventuras de guerra com Ana Lucas Coelho, estava muito longe de imaginar que se iria tornar numa super-vedeta da indústria da calúnia por ter despachado, em Março de 2009, um exercício displicente onde acusava um primeiro-ministro de ser corrupto apenas com base no que o autor tinha recolhido na comunicação social. Começava aí uma carreira gloriosa que o iria levar para o panteão daqueles que por feitos extraordinários ao serviço de Portugal e da cultura e comunidades portuguesas foram convidados a ilustrar o 10 Junho, assumindo a presidência das comemorações e tendo direito a dizer das suas para edificação da Grei. O actual Presidente da República justificou a escolha declarando que via no nomeado de 2019 um representante do “jornalismo” e que o “jornalismo” estava a precisar de ajuda, pelo que as peças encaixavam na perfeição – a transformação da actividade jornalística na mera opinião vulgar e o prémio político dado a quem fez da pulhice um negócio. Ora, este importantíssimo especialista em corrupção socialista acaba de publicar um importantíssimo tríptico onde exibe os seus superiores talentos analíticos. Foi assim, sirvo os sumários executivos:

Portugal e o problema da corrupção – parte 1 – Cuidado com os socráticos. Costa é igual aos socráticos, cuidado com o Costa. A corrupção é o Diabo, e os socialistas são diabólicos.

Portugal e o problema da corrupção – parte 2 – O regime é corrupto. Em 1788, alguém na América disse: “A natureza humana é socialista, só os anjos é que se safam mas temos de esperar pelo Passos Coelho.” Entretanto, não dá para acelerar a produção de prisioneiros socialistas voltando à rapidez e limpeza dos tribunais plenários?

Portugal e o problema da corrupção – parte 3 – Um estudo da Católica que não fala de Portugal é o guia ideal para falar de Portugal. Ao mais de resto, anda tudo a gamar e ninguém quer saber. A própria Suécia já foi como Angola, portanto… Adam Smith não sei quê e foda-se. Ah, isto que eu aqui deixo é que é o jornalismo.

Uma característica curiosa das intervenções deste famoso jornalista e grande investigador do fenómeno da corrupção é nunca terem qualquer número relativo à problemática na berlinda. Ele despreza percentagens, ocorrências, segmentações, comparativos, tabelas, mapas, gráficos, estatísticas. Abomina a gentalha das ciências sociais que tresanda a socialismo. Não precisa, dispensa. Para quê perder tempo com essa tralha dos factos e seu tratamento rigoroso e isento, o que muito provavelmente só iria aborrecer os seus leitores, quando basta ler o esgoto a céu aberto e depois passar meia hora a teclar para aplauso da claque, e ainda sacar o belo à Sonae para poder ir de férias com a família? Não serei eu a condená-lo por essa vida tão confortável que alcançou. Mas confesso ficar um bocadinho pesaroso ao tropeçar no seu silêncio sobre essa mesma Católica que referiu, e por onde se passeia com intimidade de braço dado com o Zé Manel, precisamente no capítulo da corrupção, o combate da sua vida. É que um jornalista curioso não deixaria passar sem uma referência esses tempos em que um primeiro-ministro montou um esquema fiscal que, noutros tempos ainda mais remotos, lhe teria garantido uma bula papal e a promessa do início do processo de beatificação aquando do passamento, tamanhos os benefícios financeiros dados à UCP. A mesma UCP onde esse primeiro-ministro e a esposa foram professores, entre outras figuras com responsabilidade governativa no tal decreto-lei. Curiosa a selectiva falta de curiosidade do nosso herói da luta contra a corrupção, né?

A direita a devorar-se a si própria

💣

Há uma protecção à figura institucional do Presidente da República que quase não carece de ser explicada por se compreender e aceitar intuitivamente. O regime precisa, a Assembleia da República necessita, os cidadãos esperam, que o garante do regular funcionamento das instituições democráticas mantenha a sua autoridade política e moral (não sendo o mesmo podem ser a mesma) num plano imaculadamente soberano. Por exemplo, do próprio Marcelo, então comentador, muitas vezes nos chegaram declarações com sorrisos de escárnio ao lembrar que Sócrates e o PS nada poderiam fazer contra os desvairados boicotes e ataques de Cavaco; pois quando os Governos e os partidos hostilizam o Presidente, acabam os primeiros por perder sempre o braço-de-ferro com o último. O povo está com a Presidência, advindo da eleição directa deste especialíssimo representante um poder único, plástico, críptico na arquitectura da República.

Será? Para mim, o episódio da “Inventona de Belém” marca a data em que tal complacência deixa de ser patriótica (ou decente, ou democrática, ou republicana, é escolher). O que se seguiu, o comportamento de Cavaco na noite da reeleição em que atacou os restantes candidatos após ter vencido, e o seu comício no discurso solene da tomada de posse, em que pré-anunciou o afundanço de Portugal na crise devastadora que promoveu sonsa e cinicamente, crise resultante do chumbo do PEC IV que até Merkel achou inacreditável não se ter evitado, confirmaram os idos do Verão de 2009. Um Presidente que não respeita o bem comum nem se dá ao respeito, um Presidente que prefere o interesse pessoal ao interesse nacional, não é apenas inepto para a função, acumula com ser um dos maiores perigos políticos e sociais para a comunidade.

É só por não termos imprensa, e a comunicação social estar na sua enorme maioria na mão da direita, que o episódio de Marcelo Rebelo de Sousa em despique verbal com uma popular, acima exposto, não provoca um escândalo para a História. Do princípio ao fim, incluindo as justificações aos jornalistas, vemos um sujeito amedrontado, impaciente, confuso e desleixado. Claro, o sujeito que preenche a figura institucional de Presidente da República pode, em variegadas circunstâncias, mostrar-se em público desleixado, confuso, impaciente e amedrontado sem que tal nos deva afligir dado concordarmos em ter um ser humano a desempenhar essas funções. Mas é preciso que a realidade em causa confirme essa bondade. No caso da Feira do Livro do Porto, a brutal realidade infirma-a e deixa-nos com um pavoroso diagnóstico entre mãos: o Professor de Direito esqueceu o dito, o católico não se lembra do Evangelho nem da catequese, o político odeia o Parlamento e o chefe de Estado não faz ideia de quando é que se aumentou o salário mínimo. Perante uma pessoa num estado mental exaltado, com um discurso provocatório e a passos demente, o “presidente dos afectos”, que fica tão bem nas fotografias popularuchas e populistas, colocou-se ao nível psicologicamente miserável de quem o acossava, primeiro, e depois deu por si afundado no vazio, ao nada encontrar para responder a quem lhe perguntou se conseguiria viver com 580 euros por mês e se aceitaria trocar de casa. Este vazio imprevistamente exposto no espaço público está saturado de outros vazios, é um vazio asfixiante e esmagador. Usar os mortos e a destruição dos fogos de 2017 para fazer brilharetes frente às câmaras e deixar os direitolas em êxtase com mais uma cabeça cortada na Hidra socialista é fácil num artista deste calibre, saber o que dizer a quem aponta um telemóvel e dispara rajadas de desigualdade de tudo e por tudo já não é matéria que se ensine no circuito das melhores famílias de Cascais.

Cavaco foi o líder da direita durante três décadas. Marcelo tem sido o líder da direita desde que entrou em Belém. Os decadentes estão em campanha para que Passos Coelho volte como líder da direita. E André Ventura, no seu deboche crescente, vai angariando pilha-galinhas, rufias, trafulhas e psicopatas para brincar aos líderes da direita posto que ele vem desde Loures a constatar que vale tudo nesse deserto de ideias e de ética onde montou a barraca. O que Marcelo mostrou, numa insólita tarde de final de Agosto, é que não há grandes diferenças entre estas quatro figuras. No essencial, nem conseguem viver com 580 euros por mês nem tencionam sujeitar os pobrezinhos ao incómodo de trocarem de casa com eles.

“O que distingue a festa do avante dos demais festivais de verão que foram cancelados?”

Perguntava ontem no twitter, Ricardo Baptista Leite, vice-presidente da bancada do PSD na AR.

E só para responder ao democratazinho de trazer por casa do PSD, mais um, depois de todos os disparates que tem vindo a protagonizar nos últimos tempos, muitos partilhados com o próprio líder do PSD e outros nem tanto, porventura entre duas viagens pagas pelas farmacêuticas todas que o patrocinam como deputado, a festa do Avante é um evento de um partido político com conteúdos políticos. Ao contrário dos demais festivais comerciais de verão. Onde ainda assim vamos ver o que sucederá também daqui para a frente. As feiras dos livros adiadas acabam de abrir e os shoppings centers upa upa. De um partido político de sempre da nossa Democracia. Como aliás, o próprio PSD. E que já antes dela, foi o partido político que mais lutou pela Liberdade em Portugal! Eventos não só salvaguardados na Constituição da República Portuguesa como na Lei dos Partidos Políticos. E muito bem. Como aliás em qualquer Estado de Direito Democrático digno desse nome. Sobretudo hoje outra vez! Talvez porque em termos de comunidades democráticas são capazes de ser mais importantes que ir acampar para a porta da Fnac para comprar o último smarthphone da apple ou o último livro do Harry Porter. Mais fundamentais para as respectivas multinacionais.

P.S. Já eu pessoalmente prefiro não me pronunciar sobre a decisão do PCP. Sobretudo depois de tantos pronunciamentos e tantos disparates como este.

Repórter P