Aviso aos pacientes: este blogue é antianalgésico, pirético e inflamatório. Em caso de agravamento dos sintomas, escreva aos enfermeiros de plantão.
Apenas para administração interna; o fabricante não se responsabiliza por usos incorrectos deste fármaco.

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Regular crosswords and number puzzles linked to sharper brain in later life
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Early exposure to banking may influence life-long financial health
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Being Wise Is Good for Your Health – Review Looks at Emerging Science of Wisdom
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For people with strong life purpose, making healthier choices may take less effort
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Captive Chimpanzees Spontaneously Use Tools to Excavate Underground Food
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Domestic Policy Driven by Intergovernmental Bodies Not Citizens, Research Finds
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Brain activity of Spanish Popular Party voters triggered by rivals
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Daniel Oliveira e a normalização do crime

A grande ironia do Perguntar Não Ofende é a descoroçoante constatação de que o Daniel Oliveira tem medo de perguntar por ter pavor de ofender. Estarei fatalmente a ser injusto porque não ouvi todas as conversas, longe disso; sendo evidente o interesse de cada uma para diversos públicos tal como decorreram, fica o agradecimento. E estou fatalmente a ser cristalino no retrato de um formato onde o autor conseguiu pôr a elite política à sua disposição em paleios, à volta de uma hora, que se parecem esgotar num convencionalismo chocho e falho de acutilância. Exercício: que ficámos a saber dos seus convidados, ou de algum assunto, que não soubéssemos já antes da exposição no seu espaço mediático? Esta pergunta não anula a vantagem em se ter aumentado a quantidade da informação corrente, posto que há sempre potenciais ganhos qualitativos na repetição das ideias e da interpretação ou descrição dos factos, apenas tenta desvelar a sua relevância. Logo a partir da escolha de António Costa para inaugurar o projecto que ficou patente o critério que se iria repetir: falar com os mesmos sobre o mesmo da mesma forma. Única diferença: o Daniel desfrutava da oportunidade de juntar as suas opiniões às das personalidades presentes a pretexto de fazer uma “entrevista”. Alerta egocêntrico.

A conversa com Ricardo Costa, porque prometia uma discussão sobre a transmissão das imagens dos interrogatórios de Sócrates e outros, mostrou os limites da sua crítica. Perante uma criminosa violação de obrigações e direitos vários cometida pela SIC, a qual foi justificada pelo mano Costa recorrendo ao argumento da alegada “excepção” (leia-se: a suspensão do Estado de direito para destruir moralmente Sócrates antes de qualquer eventual condenação), o Daniel tratou o assunto num plano superficial e simplisticamente teorizante. Ainda pior, não estava preparado para desmontar ética e juridicamente a falácia que lhe deram a engolir nem mostrou ser capaz de representar a cidade na defesa de quem tinha sido abusado por dois poderes despóticos em conluio, Ministério Público da santa Joana e comunicação social da direita. Não o posso provar mas, com 200% de probabilidade, infiro que o Daniel autocensurou as perguntas que se impunham, implacáveis, para não ofender o patrão.

A conversa com o João Miguel Tavares é da mesma cepa vexante, e ainda mais grave na cumplicidade com um notável agente iliberal e mercenário. Do princípio ao fim, reina uma atitude congratulatória num registo de comadres. O caluniador profissional apareceu a transbordar serenidade e empáfia, o que se compreende sem a menor dificuldade. É para o Daniel que ficamos a olhar em pasmo perante a sua capitulação intelectual, cívica e política ao ouvir o seguinte:

«Eu tenho um discurso muito duro contra a corrupção. Porque acho que vivemos num país onde isso é um problema grave. Aquilo que eu acho é que vivemos num sistema jurídico que é arquitectado para tornar essa prova efectivamente difícil. Porque os políticos nunca foram espectaculares a legislar em causa própria. Isto não é sequer uma opinião, é olhar e ver quantas pessoas estão condenadas, ok? A questão do segredo de justiça em Portugal ser tratado a pontapé e andar pelas ruas da amargura é uma consequência da dificuldade em provar a corrupção. O Ministério Público diz "Eu não vou arranjar maneira de meter este gajo atrás das grades, aqui vai disto. Publiquem agora nos jornais."» <- A partir do minuto 50

Podemos esquecer que o Tavares não apresenta nada de nada de nadinha de nada que seja mensurado ou mensurável, qualificado ou qualificável, a respeito da corrupção em Portugal quando tecla ou abre a boca a respeito, fugindo de dialogar com quem o faz: Corrupção, quando os números não dizem o que queremos ouvir. Podemos esquecer que o Tavares é ofuscantemente inepto para debater o tema da corrupção do ponto de vista jurisprudencial, limitando-se a papaguear a cartilha populista que apanha de ouvido na indústria da calúnia e na direita decadente. Podemos até esquecer a assumida e publicitada perseguição a Sócrates e terceiros a quem fareje uma qualquer relação, um comportamento onde a mais pura ganância oportunista se mistura com uma crescente patologia obsessiva. Basta que encontremos uma resposta para o que o seu discurso espalha denotativamente no espaço público. Discurso onde se pintam todos os parlamentares, Presidentes da República e juízes nesta Terceira República como bandidos que montaram e aplicam uma arquitectura legislativa ao serviço de práticas criminosas que geram enriquecimento pessoal dos “políticos”. Discurso onde se defende e aplaude a prática de crimes num Ministério Público instituído como substituto dos tribunais e poder supremo de um Estado que se quer policial e acima da Lei.

O que o Tavares esteve a promover, em cima de um palco e na cara do Daniel Oliveira, é a visão de uma sociedade onde os fins justificam os meios, primeiro, e onde quem decide quais são esses fins opressivos são aqueles que podem violar a privacidade e prender os restantes, consumação totalitária. Precisamente aquilo contra o qual, ao longo de séculos, da Filosofia Grega ao Iluminismo, passando pelo Direito Romano e pelo Renascimento, concretizando-se política e socialmente na Revolução Americana e na Revolução Francesa, alimentou o combate do liberalismo contra a violência dos monarcas e nobres, papas e bispos, tiranos e tiranetes. É preciso desprezar os direitos individuais, a essência mesma do liberalismo filosófico e político, para pedir condenações e encarceramentos por atacado. Afastar essa parte inútil inventada pelos malditos políticos, em que os suspeitos têm direito à sua defesa e onde se é inocente até prova em contrário num processo justo, e deixar o Ministério Público acusar, julgar e conduzir uns fulanos “corruptos” a Évora em 48 horas ou menos, eis o sonho húmido do caluniador profissional. Querem acabar com a violação do segredo de justiça? Cá está a solução final do Tavares, dar aos procuradores poder absoluto para caçarem quem eles quiserem, como quiserem, quando quiserem.

Face a esta apologia dos reais, caudalosos, sistémicos crimes cometidos por agentes da Justiça e por operacionais na comunicação social, o nosso estimado Daniel nem pestanejou. Estava tranquilo, agradado, a converseta permitia-lhe dizer coisas da sua lavra para a plateia. Aquela não lhe parecia uma ocasião para estar a disparar perguntas incómodas ao seu convidado que tinha tido a especial simpatia de aceitar o convite. Rapidamente estava a explicar que a sintonia entre os dois era ainda mais funda, é que ele também já sabe que Sócrates é corrupto sem ter de esperar pelo desfecho do processo judicial. Ora, isso confirma a vantagem em deixar nas mãos do Ministério Público e dos seus cúmplices mediáticos e partidários a instauração de um novo regime, uma subterrânea Quarta República sob o comando da Joana Marques Vidal, do Carlos Alexandre, do Eduardo Dâmaso e do Octávio Ribeiro.

É escusado procurar por reacções no espaço público a este episódio produzido e difundido pelo impoluto, e propalado representante de um “campo social”, Daniel Oliveira. Ninguém estremece, ninguém se importa. Ver evangelistas dos crimes na Justiça e dos linchamentos a serem legitimados por vedetas da esquerda que se concebe vanguardista faz agora parte do nosso quotidiano, está de acordo com a nossa natureza, é o que pede o nosso bom povo. É normal.

João Vieira Pereira, o populista que faltava

João Vieira Pereira é um especialista em socialistas. Ao longo dos anos, semanalmente no Expresso e amiúde na SIC, tem vindo a explicar ao povo sofredor que os males da Grei resultam deste azar: temos um Partido Socialista a ganhar eleições. Desse infortúnio nascem os problemas que este excelente jornalista consegue expor com isenção e objectividade. Mas foi também desse mal que acabou por nascer o bem que elevou o senhor para o cargo de director do Expresso. Aproveitando uma cena gaga da responsabilidade do poeta-Guerreiro que deixou vaga a cadeira, o militante número 1 do PSD decidiu subir ainda mais o fanatismo da linha editorial. Nesta terça-feira ficámos com um lamiré do que aí vem.

Lendo esta peça – Joe, o bobo que nos expõe ao ridículo – confirmamos que a direita portuguesa ficou louca de felicidade por Berardo ter ido a uma comissão de inquérito mostrar-se igual a si próprio. Isso permitiu transformar a campanha do PSD e do CDS para as Europeias em mais um festival de adoração socrática e chungaria direitola. Até aqui, nenhuma surpresa. Talvez por isso, JVP resolveu acrescentar uma novidade. Pela primeira vez, que saiba, um director do Expresso assume-se como populista e, entusiasmado com a refrescante libertinagem, apela ao espancamento ou morte de um cidadão. Delírio meu? Não, delírio deles, uma dupla de valentes pronta a fazer justiça pelas próprias mãos:

«Enquanto cidadão que perdeu muita coisa para os bancos durante a crise, sinto-me enxovalhado com a petulância de Joe Berardo. É um daqueles raros momentos em que me apetece saltar das palavras aos atos. Enquanto contribuinte massacrado pelo estado que ajudou os bancos que agora não cobram as dívidas de Berardo como cobraram as dívidas de milhares de portugueses, sinto-me humilhado e com uma genuína vontade de implodir o regime que permitiu e ainda permite esta total impunidade.

Na verdade, na verdade vos digo que são figuras como Mr. Joe Berardo que põem em causa a minha crença no perdão universal da hora do juízo final.»

Henrique Raposo

Raposo faz suas as palavras bíblicas para desafiar Deus, o caso não é para menos. Por causa da fome, das guerras, das doenças, da miséria, do terrorismo, da estupidez à solta no Mundo? Não, pá, por causa do comendador Joe. Se Berardo continuar sem castigo depois de ter dito umas coisas a uns deputados com aquela cara insuportável, então dois mil anos de sacramentos, teologia, santos e milagres vão para o galheiro. E isso é algo que o Raposo não vai permitir, logo ele. Daí anunciar que está disposto a “implodir o regime” e que está à beira de “saltar das palavras aos atos”. Ora, não creio que se esteja a referir aos Actos dos Apóstolos, apesar da afinidade exegética, e adivinho que lhe será custoso, em tempo e dinheiro, começar a implodir o regime sozinho. Pelo que nos basta uma inteligência mediana para adivinhar qual o teor pragmático do repto ao Divino Criador: ou dás cabo do regime ou dou cabo do Joe. Está em causa o “perdão universal da hora do juízo final”, foda-se caralho.

É para esta crise de fé musculada e pronta a salvar as incontáveis almas dos pecadores que o senhor Pereira nos envia com a sua assinatura e recomendação. A “imprensa de referência” acaba de ganhar um director que faltava no baralho do populismo nacional.

Paulo Rangel leitor de Hobbes

"Nós não queremos mais 'Berardos' em Portugal", defendeu Paulo Rangel, num comício em Santa Maria da Feira (Aveiro), em que defendeu a importância da reforma da união bancária e da união económica e monetária na União Europeia.

Na sua intervenção, Paulo Rangel afirmou que personalidades como o comendador Joe Berardo existiram em Portugal "para que a Caixa Geral de Depósitos assaltasse o BCP, e a Caixa e o BCP ficassem nas mãos de gente próxima do governo socialista de José Sócrates".

"É que Berardo não caiu do céu, Joe Berardo não é uma invenção de si próprio. É uma invenção de uma conjuntura político-económica em que havia um governo que queria controlar a banca e o usou a ele", acusou.

"Agora dizem que é um produto tóxico, mas quando foi instrumental para tomar conta do BCP, o produto não era tóxico. Estava muito bem e nessa altura estavam ministros que ainda hoje estão no Governo de António Costa", acrescentou.


Fonte

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Paulo Rangel é um importantíssimo quadro do PSD. Foi escolhido por Rui Rio para ser o cabeça de lista às eleições Europeias. Portanto, o conteúdo e o estilo da campanha de Rangel tem a aprovação de Rio. Ora, o conteúdo são calúnias e o estilo é a diabolização. Logo, não há qualquer diferença no PSD quando comparamos as lideranças de Rio, Passos, Ferreira Leite e Santana. Todos utilizaram a baixa política, a chicana, como matéria e técnica de propaganda. Há muitas e fortíssimas razões para ser assim.

Este senhor declara que um número indeterminado de administradores e gestores bancários conspirou, em conluio com um número indeterminado de governantes, para que se fizesse um “assalto” a um certo banco, entre outras malfeitorias, e tem a certeza de que o discurso será reproduzido e amplificado na comunicação social durante horas e dias. Provas? Nenhuma de nenhuma, obviamente. Nos impérios mediáticos da direita as declarações são alvo de uma prioridade e destaque editorial que lhes conferem alcance máximo dentro dos meios respectivos. As mensagens não são criticadas nem enquadradas pelas redacções que as exploram, antes ficam publicadas como se fossem factual, legal e moralmente legítimas. Institui-se que “fazer política” é caluniar.

Desde que nasceu a democracia na Grécia clássica que ela fez nascer os caluniadores. A pulsão para destruir a credibilidade e honra de um adversário político através de suspeições e mentiras é antropologicamente inevitável, psicologicamente provável e historicamente universal. Está longe de ser um exclusivo da direita, mas é à direita que a vocação para a pulhice encontra características axiológicas e cognitivas mais propícias à caudalosa prática dos assassinatos de carácter e das campanhas negras. Os estudos mostram como os direitolas são mais individualistas e por isso mais cagarolas, o que os leva para uma leitura fulanizada das disputas políticas. Adoram ditadores, daí projectarem nos adversários o reverso do que lhes dá segurança.

Ingenuamente, durante anos, estranhei que o PCP e o BE não agarrassem no tema da corrupção e dele fizessem bandeiras estratégicas para os seus posicionamentos tácticos e disputas eleitorais. Parecia-me que na Soeiro Pereira Gomes, dada a organização e recursos humanos do partido, haveria excelentes condições para instituir grupos de investigação permanentes para denunciar – com fundamento na realidade – os supostos inúmeros casos de corrupção gerados pelo imperialismo capitalista. Foi a custo que percebi o meu erro. Para comunistas e bloquistas não faria sentido prestar esse serviço à cidade pois tal implicaria aceitar que o modelo do Estado de direito democrático (portanto, a democracia liberal), assim como a evolução do texto constitucional, estava ideologicamente de acordo com a ambição totalitária que anima a identidade da esquerda à esquerda do PS. Nada mais ao contrário, afinal, pois o liberalismo constitucional causa alergia aos sectários. Pelo que a retórica comunista prefere os tropos conservadores (nacionalismo embrulhado em “patriotismo” e metido no caixote do “povo”) e a retórica bloquista prefere os tropos dos costumes (uma moralização maniqueísta a partir das desigualdades económicas e sociais). Ambos recolhem de Marx a visão estrutural da sociedade, tendo aí o repositório hermenêutico donde sacam os conceitos e o léxico para intervir politicamente. Olham para a corrupção com desinteresse, mesmo bonomia, não gastando uma caloria com o assunto pois não querem lutar pela defesa do actual estádio de desenvolvimento do capitalismo ou contribuir para o aparecimento de um modelo de capitalismo mais justo ou simpático. Isto de irem a votos num regime estruturalmente corrupto antes da revolução é apenas para fazer tempo, suportarem a estadia no Egipto enquanto fazem as malas para atravessar o Mar Vermelho.

Acontece haver valor informativo nas calúnias de Paulo Rangel e dessa mole de políticos e jornalistas para quem a política só se concebe como interminável guerra civil. Eles deturpam a realidade e omitem dados que contradizem tudo o que bolçam. No caso da atoarda sobre a tentativa de controlo do BCP pelo Governo de Sócrates a partir da CGD, Rangel nada diz acerca desta maravilhosa evidência: o PSD controlava administrativamente a Caixa ao tempo (leia-se: em todos os tempos, foi sempre assim com maioria de administradores de direita sobre os do PS). Donde, a fazer fé nas suas palavras, a falange laranja e do CDS na CGD queria dar a Sócrates o controlo do BCP. Faz isto algum sentido? Não tem de fazer e, acima e antes de tudo, não deve fazer. É preciso que não faça sentido para fazer efeito dado que a audiência em causa para este linchamento é não só acrítica como acéfala. O mesmo para a ideia de que o Governo de Sócrates conseguiria “controlar” o BCP, e daí retirar qualquer vantagem política. Como? Para quê? Com que consequências? Nada se explica, se justifica, sequer se esboça porque estamos num processo de diabolização. O Diabo é poderoso precisamente porque fica como mistério insondável ele ter autorização de Deus para fazer o mal. Este o quadro de irracionalidade usado à doida na política por canalhas para atiçar a turbamulta a partir do medo e do ódio. Noutros tempos, essa mesmíssima dinâmica levou ao assassinato de mulheres às mãos da multidão, ao assassinato de vizinhos nas fogueiras, ao assassinato de judeus em câmaras de gás. A lógica assassina, em todos os tempos e lugares onde a civilização ainda não nasceu ou onde desapareceu, foi sempre a diabolização que serve as pulsões de poder absoluto dos algozes e tiranos – ou a loucura violenta dos animalescos cérebros humanos.

Paulo Rangel quer assassinar alguém? Aposto os 10 euros que tenho no bolso, mais os 5 que guardo debaixo do colchão, como nem sequer será capaz de afastar uma mosca do mel. Ele é um magnífico cidadão cumpridor dos seus deveres e um exemplo a merecer condecorações pela sua entrega à vida pública. Não, claro que não, que estupidez. Ele não quer matar ninguém e está cheio de amigos, quiçá familiares, no PS. Ele apenas pretende acordar o assassino que, como leitor de Hobbes, sabe existir dentro de cada um. E cravar-lhe um voto.

Há uma indústria para este serviço

«No caso de Joe Berardo a CGD (tal como o BCP e BES) ou foi incompetente ou foi cúmplice, ou ambas as coisas. E a história começa com cumplicidades na guerra pelo controlo do BCP em 2006 e continua até hoje numa mistura de cumplicidades e incompetências.»


Helena Garrido

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Esta senhora, sabendo tanta coisa, não sabe nada. Não sabe quem fez o quê e porquê. Isso não a impede de escrever um texto que aparenta ser um contributo informado, porque de uma especialista na matéria que acumula com ser profissional da comunicação social, texto que acaba por não passar de uma lamúria difamante e sensacionalista. Fica a ideia de não ter lido sequer uma linha sobre o assunto nos últimos 10 anos, a suspeita de nem sequer ter prestado atenção às comissões de inquérito e suas montanhas de dados recolhidos, publicados e interpretados. Apenas lhe interessa meter no bolso o dinheiro que lhe pagam para ladrar ao Estado de direito democrático. O que a motiva é a decadência de fazer parte do coro que despreza a comunidade, que vive de espalhar a suspeita, o medo e o ódio.

99% do jornalismo de opinião à direita é isto e pior. Sendo que o pior é isto vezes isto.

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Teen girls more vulnerable to bullying than boys
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Negative economic messaging impacting on suicide rates, says new research
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Anger More Harmful to Health of Older Adults Than Sadness
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Paper wasps capable of behavior that resembles logical reasoning
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The art of the circus
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Why creative experts may be better at imagining the future
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Lapidar

«Os números resultantes da acusação do Processo Marquês são de pura demência: 4000 páginas de despacho acusatório, 53.000 de investigação, 77.000 de documentação anexa, 8000 de transcrições de escutas telefónicas, 103 horas de vídeos de interrogatórios e 322 de depoimentos áudio de testemunhas. Tudo isto desaguou nos braços de um só juiz de instrução, que terá a seu único cargo decidir arguido por arguido, acusação por acusação, prova a prova, quais e o quê manda para julgamento. Como é óbvio, o Processo Marquês vai consistir numa tarefa desumana para os seus intervenientes, a começar por Ivo Rosa e magistrados do julgamento, mas também extensível a todos os outros intervenientes, como os jornalistas e todos aqueles que ainda não fizeram o seu julgamento prévio e queiram mesmo saber o que se passou e seguir de perto o trabalho da Justiça.

Num texto sobre o assunto, o juiz Manuel Soares, presidente da respectiva Associação Sindical, insurge-se contra a falta de meios de ajuda ao juiz de instrução, nomeadamente a falta dos assessores previstos na lei. Tem razão, mas não vai ao fundo da questão. O fundo da questão é constatar como a hierarquia do Ministério Público, contra todas as suas proclamações, permitiu que a equipa de magistrados do MP do Processo Marquês, liderada por Rosário Teixeira, pudesse livremente dar à luz um monstro como este, que só para deduzir a acusação precisou de uma dúzia de magistrados a escrevê-la a várias mãos. Porque não havia necessidade nenhuma de assim ser, se Rosário Teixeira, com o apoio de Carlos Alexandre, não tivesse cedido à tentação de fazer o “julgamento do regime”, à conta da acusação contra José Sócrates. Isso tornou-se-me evidente quando, com base na simples opinião de Paulo Azevedo sobre a OPA falhada da Sonae à PT, resolveu envolver também Sócrates no caso e, para fechar logicamente o círculo e socorrendo-se da “delação premiada” oferecida à muito pouco recomendável testemunha Hélder Bataglia, envolvê-lo também com o BES. Isso acrescentou uns milhares de páginas e dezenas de testemunhas ao processo desnecessariamente — pois, se achou que tinha elementos suficientes para tal, o podia ter remetido para um outro processo, a cargo de outro magistrado. Assim, além de mais, salvo melhor opinião, só veio enfraquecer a acusação quanto ao restante, deixando a impressão de que, se juntou a PT e o BES ao processo já no final da investigação, foi porque achou que o que tinha até aí contra José Sócrates era fraco ou de êxito duvidoso. O facto é que o monstro foi crescendo para todos os lados à vista dos superiores hierárquicos do procurador, que nada fizeram para o impedir e que assim deixaram ser entregue em tribunal um processo que, pela sua dimensão absurda, é virtualmente impossível de ser decidido sem levantar tantas ou mais dúvidas do que certezas. Justamente o contrário do que se pedia e se dizia pretender.»


Dez milhões de idiotas

Uma piadola com peru do Natal que só tem graça até ao momento em que os ouvintes se dizem “Espera lá, então mas…”

“Amanhã [sexta-feira] teremos o penúltimo ato da peça de teatro, com a votação do travão financeiro. Pedir ao PS que vote a favor de uma cláusula que vise pôr um travão financeiro é a mesma coisa que pedir ao peru para votar a favor do Natal. Por isso, não tenho grandes expectativas”, afirmou”, perante risos da plateia.

 

O homem insiste na palermice e eu repito. Como disse há uns dias num pequeno texto lá mais abaixo, para se votar um travão a uma dada medida seria necessário ter votado a favor dessa medida genericamente. Ou seja, ter-se aprovado uma medida de princípio e, uns artigos depois, aprovar-se também uma condicionante à aplicação dessa medida na prática. Acontece que o PS rejeita a primeira medida – o reconhecimento da contagem do tempo de serviço integral dos professores, não aceitando que figure sequer num diploma.  Seria, por isso, incompreensível, que votasse a favor de uma condicionante a uma medida que rejeitou.

 

Portanto, foi por diferentes razões que PCP e Bloco, de um lado, e PS, do outro, votaram contra o “travão” a que Rio alude.

 

Apesar de saber perfeitamente tudo isto, Rio resolve continuar a charlatanice para pacóvios (pelos vistos, a plateia riu-se). O que se passa é que o PSD é que é o partido que decidiu, neste caso, prometer gastar milhões. Mas, como sabe que, se chegasse ao governo, não poderia cumprir tal promessa, inventa o tal “travão”. A proposta deste travão tem dois objectivos: poder invocá-lo aquando do incumprimento futuro (“desculpem lá, mas não temos condições financeiras, como ficou previsto no diploma X”) e, no imediato, poder fazer este número de charlatanice que consiste em acusar o Governo e o PS de não quererem pôr um travão nas despesas. Despesas que o Governo recusou liminarmente assumir.

 

Será que não se arranja mesmo ninguém menos pateta lá para os lados da direita?

Vamos lá a saber

Imaginando que o PS tinha conquistado a maioria absoluta em 2015, quais as imagináveis diferenças na governação que tal situação teria causado face ao que aconteceu num Governo de minoria viabilizado pelo PCP e BE? Muitas, algumas ou nenhumas?

Sr. Dr. Rui Rio, escute aqui

O senhor deu agora mesmo uma entrevista à TVI. Evidentemente não tem a noção da vergonhosa prestação que teve. Olhe-me só para isto: o voto do PS contra a norma-travão não será porque também votou contra o reconhecimento do tempo integral congelado? Faria algum sentido não aceitar a contagem integral e depois aprovar a norma-travão? O sr. é burro ou está a fazer dos outros parvos?

Stand-up direitolas

A direita que temos, Rio incluído (como se tem visto para desconsolo dos apaixonados pela cidade), não possui ideias que valha a pena conhecer, quanto mais debater. Em vez disso, tem impérios mediáticos que exploram o cardápio da baixa política, tem poderes fácticos intocáveis, e tem Sócrates, uma armadilha onde se enfiaram vai para 15 anos e que não largarão enquanto a decadência reinar nas lideranças do PSD e do CDS. Entretanto, a esquerda reinventou-se, democratizou-se, libertou-se.

Se esta direita não parece ter jeito para a política como actividade de entrega da inteligência e coragem à sociedade e a ideais comunitários, já para a comédia o talento abunda caudaloso. No Governo Sombra, um bastião do socratismo lucrativo, o divertimento está garantido. O programa cresceu em popularidade ao se tornar cada vez mais sectário e monotemático, é uma fórmula vencedora. O Gente Que Não Sabe Estar é uma variante revisteira da fórmula, num formato que pretende imitar o que se faz na estranja mas escrito por fanáticos do calibre do José Diogo Quintela e daquilo em que se transformou o Ricardo Araújo Pereira.

No Expresso, há muito que o Henrique Raposo arranca gargalhadas dos valentes que ousam ler a sua prosa. Eis um exemplo vintage:

«O que está antes do Big Bang? Se o Big Bang é a explosão da criação, qual é a centelha inicial que causa a ignição? Os ateus que instrumentalizaram a ciência nunca tiveram uma resposta e, aliás, ficavam enfurecidos quando se fazia a pergunta. Diziam que era uma questão imprópria. Não gostavam da pergunta, porque ficavam incomodados com um pressuposto que se tornou tabu: a ciência não cria, só descobre. E o Big Bang foi criado por uma entidade que é anterior e superior ao próprio tempo da história natural. Agora, perante a maravilhosa “fotografia” do buraco negro, podemos atualizar a pergunta: o que está para lá do horizonte de eventos que suspende as leis da física tal como a concebemos em 2019? O que está para lá do buraco negro é o que está para cá do Big Bang.

De resto, são espantosas as semelhanças entre a cosmologia do cientismo (Big Bang) e a cosmologia do Génesis judaico-cristão: a explosão inicial, dizem ambas, ocorreu num dado momento. A teologia identifica uma ignição, o cientismo prefere entrar em negação e fingir que não ocorreu ignição. Ou, pior ainda, recorre ao acaso como explicação. Ou seja, o cientismo que identifica as leis fixas e previsíveis do cosmos é o mesmo cientismo que diz que, ora essa!, toda esta arquitetura racional e previsível nasceu de um mero acaso sem intenção. É um erro lógico absoluto: como é que um acontecimento aleatório pode ser a causa da imensa arquitetura do cosmos, que existe precisamente para suspender o aleatório? Dos anéis de Saturno até à ordem precisa das células do olho humano, nada parece existir por acaso. Portanto, quando transforma a aleatoriedade do acaso na centelha inicial, o cientismo torna-se místico e incongruente com a sua própria lógica interna.

A ideologia deste cientismo tecnológico (não confundir com ciência) aboliu a ideia de começo, para citar George Steiner. Durante todas estas décadas de pós-modernidade, não tivemos começos, isto é, não tivemos narrativa ou narrativas. Os filmes e romances não podiam ter um começo convencional. As nações não podiam ter sagas com princípio, meio e fim (trágico ou redentor). Estávamos suspensos no ar, porque o cientismo dominante lançou uma fatwa à pergunta mais básica e profunda: viemos de onde? Quem nos criou? Qual foi o nosso começo? Neste sentido, a fotografia do buraco negro pode ser uma libertação. Ao contrário do Big Bang, o buraco negro está ali e é impossível fugir à questão: o que está para lá do horizonte de eventos? Porque é que o espaço e o tempo se tornam moldáveis, isto é, relativos? Ora, seguindo a imaginação de Frank Herbert, até podemos conceber uma civilização humana ou humanoide capaz de dobrar o espaço para assim viajar no tempo. Imaginem que se dobra a Europa ao meio como uma folha de papel: Lisboa ficaria ao lado de Moscovo nesse espaço moldável. Mas como é que se concebe o tempo a ser moldado enquanto barro sem o recurso à transcendência? Como é que se compreende a “relatividade do tempo” de Einstein sem a “eternidade” de Santo Agostinho? Como é que se compreende o tempo enquanto variável material sem a introdução do grande tabu, Deus?»


Deus

E Assunção Cristas, muito mais económica de meios, atinge o mesmo grau de hilaridade igualmente recorrendo a esse grande folião, o Agostinho malandreco que viria a ser uma mui perniciosa e milenar influência na forma doentia como o cristianismo, o catolicismo em especial, veio a conceber a sexualidade e a natureza humana. Talvez esta confissão explique o comportamento errático, pecaminoso, da senhora nos últimos dias:

Marx faz tanta falta

A ideia de que o PS não vai conseguir chegar a um eventual acordo com o BE e/ou PCP para um eventual novo Governo na próxima legislatura à conta dos recentes episódios de desavenças na Saúde e no Ensino é tão-só uma projecção de quem não leu nada de nada de nadinha de nada de Marx. Como não leram, e recebem dinheiro para falar e escrever na comunicação social profissional, passam o tempo a expressar os seus desejos e temores. Invariável e infelizmente, os temores e desejos de quem não percebe patavina da “ciência da História” e do “materialismo dialéctico” é uma chachada que se resume ao espectáculo de vermos cínicos a dizer mal de quem não gramam. Ora, um cínico não grama a maior parte dos bípedes implumes que o cercam e prefere ver Roma a arder do que carregar mármore para o Pártenon. O resultado é o estéril aborrecimento que preenche o comentário político engajado à direita, maioritário por larga margem no espaço mediático.

Passaram-se quase 4 anos de uma experiência inaudita no sistema partidário português, isso de termos visto dois partidos sectários a aceitar trocar a sua retórica fanática e impotente pelo risco de conseguirem puxar o PS para a esquerda do centro. O risco resulta da novidade cultural (portanto, novidade também cognitiva e axiológica) de instituir uma práxis de negociações permanentes, as quais produziram resultados apreciados pela generalidade da população mas cujo desfecho eleitoral não é previsível. PCP e BE não sabem o que lhes vai acontecer nas urnas, apenas sabem que foram co-autores de um dos mais pujantes e consensuais ciclos governativos em democracia.

O que parecia impossível já foi feito. Aconteceu em 2015, a efectivação da derrota da PAF no Parlamento e subsequente início da recuperação do tempo, recursos, dignidade e esperança perdidos por causa de uma coligação negativa em 2011 que afundou Portugal. Para uma repetição, ou evolução, da fórmula positiva que estamos a poucos meses de concluir há primeiro de voltar a descobrir o que quer o Soberano. A sua vontade é dialéctica precisamente porque depende da matéria para se concretizar. A matéria fundamental das democracias onde queremos viver é o voto livre – ou seja, é a liberdade. Liberdade de escolha, liberdade de interpretação do voto e liberdade na representação desse voto. Eis a ciência da História pós-marxista, uma juliana de imprevisibilidades que não garante amanhãs que cantam nem impede que hoje, no eterno agora, haja quem esteja disponível para ouvir, falar e chegar a acordo sobre o bem comum.

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Querem uma ajuda para verem onde está o calculismo, ó tristes?

Na perspectiva da captação de mais votos nas próximas legislativas entre um determinado sector da administração pública, e de encurralar infantilmente o Governo, a direita e a extrema-esquerda pátrias reúnem-se num belo dia em volta de uma mesa e acordam num aumento de despesa permanente para o Estado de 800 milhões de euros anuais. O Governo, que se propôs com seriedade (e tem cumprido) aliar a devolução de rendimentos (e o seu aumento) a um estrito rigor orçamental, reage declarando que, a ser assim, não governa nem mais um dia sem que antes o povo se pronuncie sobre o necessário novo aumento de impostos ou cortes drásticos noutros sectores, como a saúde, que tal medida implica. Óbvio.

Pois bem, esta situação, que ficou à vista de toda a gente tal a clareza com que foi exposta por António Costa, chega ao processador dos descerebrados representantes partidários (a quem faltam espelhos) e do comentariado televisivo de serviço e de lá sai na forma dos seguintes “chouriços”:

  • Calculismo político do Governo ao “abrir agora uma crise”.

  • Há tanto calculismo político do lado da oposição como do lado do Governo. (E o Governo deveria fazer o quê?)

  • Para quê este drama, se o Presidente veta a medida? (Ignoram que o veto é ultrapassável)

  • Para quê esta crise, se o acto eleitoral, de qualquer maneira, já teria lugar daqui a quatro meses?

  • “Hohoho, as contas do Mário Centeno parecem-me erradas, pelo que isto é um acto teatral” (Aguiar Conraria dixit, RTP3 – pensando que um dia será ministro das Finanças). “Mas, atenção, acrescenta – isto é o que eu acho após as duas horas em que pensei no assunto, posso mudar de opinião”.

  • Os pagamentos seriam diferidos (e até incertos), afinal qual é o grande impacto orçamental?

  • Calma! O que aprovámos não é o que parece.

  • O facto de se aprovar o princípio do reconhecimento dos 9 anos não significa que se pague alguma coisa.

  • A direcção do PSD desconhece o documento aprovado.

  • O Governo que se deixe de lamechismos e negoceie mas é.

E já chega, suponho. Este é o resultado de um saltitanço insano de canal em canal. Estou certamente a omitir mais tolices do género destas  proferidas ontem à noite, mas, dada a lista supra, vocês, que só querem o meu bem, compreendem porquê.

Só pergunto é se estas pessoas que abrem a boca para, a propósito de um espectáculo miserável quer da oposição quer dos aliados do Governo, inventarem tacticismos inexistentes, fazerem interpretações esquizofrénicas de reacções provocadas, desvalorizarem argoladas ou simplesmente passarem as culpas alguma vez consideraram a hipótese de ficarem caladas perante o desmascarar das suas próprias indigências. Não é por nada, mas é que nem surpreendidas podem ter ficado.

As conquistas do Mário Nogueira são sempre espectaculares

Agora que finalmente tivemos a segunda edição da coligação negativa, com a aprovação, por toda a oposição, de uma despesa permanente de mais 800 milhões de euros, não vejo que melhor pode o Governo fazer do que demitir-se. Sem hesitações.

Do PCP e do Bloco, no rescaldo dessa demissão, iremos ouvir as justificações habituais: que o défice não importa para nada, há sempre dinheiro, os ricos que paguem, que salvar os bancos é salvar os banqueiros (esses criminosos) e não os milhares de depositantes e de empresas, etc. Mas estes partidos, já sabemos, são contra a Europa, contra os mercados, contra o euro, contra o capitalismo, contra o estabelecimento em geral e sonham ainda com um regime do tipo soviético. Vai ser giro é ver o CDS, o PSD e o Rui Rio, esse europeísta e cúmulo do rigor orçamental, na campanha eleitoral. Acabei de me sentar para assistir. Para já, bravo a todos e todas.

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Catarina, a cínica

Bom dia. A manhã parece marcada por tentativas de criar um ambiente de crise política. Esse ambiente é totalmente artificial. Aqui ficam 4 breves notas:
1. O que foi aprovado ontem no parlamento limita-se a corrigir um DL do governo que desrespeita os OE18 e OE19, que explicitamente previam a contagem integral do tempo de serviço de todas as carreiras especiais da função pública para efeitos de descongelamento (ainda que de forma faseada)
2. A solução encontrada para os professores respeita esse faseamento, não representa qualquer acréscimo de despesa no ano em curso e respeita a autonomia negocial do próximo governo.
3. Nos Açores, onde o PS governa com maioria absoluta, a contagem integral do tempo de serviço já está garantida. Na Madeira também está já garantida. 
4. A única despesa extraordinária e não prevista no OE 2019 com que o governo se deparou é a que decorre do pedido do Novo Banco. São mais 450M€, que o governo já considerou acomodáveis.

Acabei de ver as declarações da líder do Bloco, esta manhã. Como quem acorda e descobre que o Governo vê um problema real nas decisões irresponsáveis de toda a oposição. Surpreendidíssima.

  1. O Governo contesta o primeiro ponto.
  2. A reposição dos montantes correspondentes aos 9 anos e tal com que então não é bem, como dizer, aumento de despesa, porque depende de futuras negociações?? Ó Catarina, isso é ridículo. É o que dizem o PSD e o CDS e são justificações para rir (“Não é verdade que o CDS tenha hoje aprovado o pagamento de tempo integral dos professores. Essa proposta foi chumbada com o nosso voto. Aprovou-se apenas o princípio de que os professores terão direito à contagem integral do tempo congelado mediante negociação com o governo.).
  3. Os governos das ilhas por acaso têm as mesmas obrigações e responsabilidades financeiras do governo central? Ou este por acaso só governa para os professores?