Aviso aos pacientes: este blogue é antianalgésico, pirético e inflamatório. Em caso de agravamento dos sintomas, escreva aos enfermeiros de plantão.
Apenas para administração interna; o fabricante não se responsabiliza por usos incorrectos deste fármaco.

Revolution through evolution

Harmful, unfounded myths about migration and health have become accepted, used to justify policies of exclusion
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Gender bias sways how we perceive competence in faces
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People Who Prefer Casual Sex Still Desire Intimacy
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As married couples age, humor replaces bickering
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Study finds bad bosses could turn you into a great boss
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How you respond to drama depends on if you are a holistic or analytical thinker
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Political Lessons from the Past

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Yale Psychiatrist Bandy Lee on Donald Trump: “His disorder is on display for the world to see” <- Oferta do nosso amigo Joe Strummer

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Os 3 Javardos

João Miguel Tavares teve um mês de Novembro glorioso, a fazer lembrar façanhas anteriores; em que usou os seus filhos menores para produzir a meias com António Costa uma operação publicitária, por exemplo, e a epifania sobre a carreira de caluniador que iria abraçar deliciado, ocorrida quando foi lançado para o estrelato graças a uma acção judicial contra si promovida por Sócrates, outro exemplo. Desta vez, e só contabilizando o que me apareceu à frente, viu-se citado ou referido por Vicente Jorge Silva, Miguel Sousa Tavares, David Dinis, Pedro Marques Lopes e Francisco Assis. E ainda recebeu uma carta aberta do Ministro do Ambiente e da Transição Energética. Correm boatos de que Pacheco Pereira e Marques Mendes igualmente vocalizaram o seu nome em sotto voce nos estúdios da SIC mas pediram sigilo mediático. João Miguel Tavares é um caluniador profissional. A questão que me ocupa no resto da prosa é a seguinte: o seu inigualável sucesso nesse exclusivíssimo clube do comentariado nacional ocorre apesar de ele ser um caluniador profissional ou por ser um caluniador profissional?

Que é um caluniador profissional não carece de discussão. É o próprio quem o passou a reclamar com alucinado orgulho. Fez da sua contumaz violação do Estado de direito o meio para vender os seus serviços, explorando e amplificando crimes cometidos por agentes da Justiça e jornalistas e abolindo o princípio da presunção de inocência e restantes direitos e garantias de certos arguidos – os quais trata como alvos legítimos para qualquer tipo de abuso que lhe pareça aproveitável com o fito de continuar a ganhar dinheiro à custa dessas vítimas. Esses serviços incluem a repetição da agenda bélica dos “ultras” no PSD ligados à violência política chefiada por Passos, a perseguição obsessiva a Sócrates e terceiros que com ele se tenham relacionado privadamente ou funcionalmente, e também o berreiro a favor de um combate político sem discussão de ideias e apenas baseado na judicialização da política e na politização da Justiça. Quem perder o seu rico tempo a ler os comentários que o seu pelourinho no Público convoca irá encontrar uma audiência que aplaude os linchamentos que o artista serve semanalmente. O perfil-tipo desses comentadores exibe alienação e fanatismo depressivo e impotente. O que conseguem entender do mundo à sua volta, do funcionamento das instituições e agentes sociais, da natureza humana, é um fragmento do que conseguem perceber da realidade apenas olhando para a janela a partir do cu-sentadismo com que teclam furiosos contra os “corruptos” e os “socialistas”. Alguns aproveitam para dar vivas a Salazar, outros mal escondem (ou mostram impunemente) o desejo de molestar ou mesmo balear os bandidos apanhados pelo autor, quase todos comungam de tortuosas limitações cognitivas onde o que escrevem poderia ser apresentado em consultas de psiquiatria como fundamento para baixas médicas compulsivas.

Estes indivíduos são a fonte das métricas que colocam João Miguel Tavares como a vedeta principal da opinião do Público, destacadíssimo dos seus pares. Engolem tudo sem sequer mastigar. O caluniador profissional pode atribuir a Sócrates, ou a quem lhe apetecer, qualquer tipo de responsabilidade e de culpa que o resultado é invariavelmente o mesmo, o aplauso e regozijo por encontrarem validada na “imprensa de referência” a diabolização que os justifica na sua miséria intelectual e moral. A lógica é exactamente igual à que se segue na Cofina, misturando-se os ataques políticos de políticos com as suspeitas judiciais de agentes da Justiça num composto onde esses dois ingredientes se reforçam um ao outro e multiplicam a sua força destruidora – as suspeitas dos procuradores provam as calúnias dos políticos, os quais deixam de ser caluniadores e passam a profetas graças às suposições dos procuradores inspiradas nas calúnias dos políticos que, vê-se agora, eram já a antecipação das provas que o Ministério Público reuniu num megaprocesso que equivale à tentativa de colocar um partido e seus Governos em julgamento criminal. É não só um círculo vicioso quanto viciante, tendo levado o narcisismo do caluniador profissional para um êxtase onde se cita com regularidade e onde faz da sua actividade de caluniador algo equivalente ao Desembarque na Normandia. Aposto que já tem mármore encomendado para a estátua onde ficará eternizado ao lado do Zé Manel e do Rui Ramos por cima de uma pilha de volumes da “Operação Marquês”. Quando este senhor protesta contra a demora em encarcerar um cidadão apenas porque, através de crimes, se publicaram excertos de escutas e de interrogatórios judiciais e esse mesmo senhor declara já não ser preciso esperar pela acusação e pela sua defesa em tribunal, concidadãos com a antiga 4ª Classe ficam banzos com a celebração – num órgão de comunicação social dito da imprensa que se respeita a si própria como imprensa – da mais nefasta violência que é possível conceber a seguir à da guerra: o apelo à justiça popular e ao linchamento que subjaz ao argumentário e retórica usados.

O problema, claro, não é a pessoa e figura triste do João Miguel Tavares. O seu ar de satisfação alarve dispensa intérprete. O homem está maravilhado com a facilidade com que enche os bolsos mensalmente só a carimbar como “corruptos” este mundo e o outro, intervalando apenas para deixar odes a Passos e mandar beijos para os seus colegas caluniadores profissionais. Conseguiu até difamar e ofender os accionistas da TSF, onde primeiro apareceu o Governo Sombra e lá continua a passar, numa prova de que a sua farronca se transformou em método comercial: ele calcula que há mais dinheiro para ganhar se voltar a passar por mártir dos “socráticos”, pelo que anda a pedir que o ponham a andar ou em tribunal para aumentar o seu preço na indústria da calúnia. Se tivesse continuado no Correio da Manhã, ou se for para o Observador, deixaria o mundo de estar desordenado e não se justificaria falar dessa peçonha. Ficaria no seu meio natural, junto dos seus. O problema é a Sonae, através do Público, pretender ser representada civicamente por um profissional da calúnia. E se chamar à liça o accionista poderá parecer abstracto de mais (quando o contrário é que é verdadeiro), então o actual director e o principal fundador do jornal não podem escapar à sua responsabilidade directiva, deontológica, moral, cívica e, portanto e por tanto, política.

Quando Manuel Carvalho se insurge em editorial contra aqueles que apelam ao derrube das instituições democráticas para as substituir por “caudilhos” e “salvadores da pátria”, está a falar a sério ou na reinação? Está a falar de algo fundamental para o jornalismo tal como o pensa e pratica ou de algo irrelevante e sem ligação com a sua carteira de jornalista e posto hierárquico num órgão de imprensa? Se a sério e de algo fundamental, concebe o jornal que dirige como uma plataforma onde esses que minam a democracia e fazem terrorismo cívico podem ter voz e destaque ou, precisamente ao contrário, concebe o jornal que dirige como um instrumento da defesa da liberdade e da democracia, da salubridade do espaço público, da integridade da República e da coesão da comunidade? Quando Vicente Jorge Silva demonstra analiticamente que um certo colunista no Público andou a legitimar um fascista, tal exercício é a sério ou na reinação? Ver alguém a usar o jornal que fundou para normalizar e defender quem “se propõe mergulhar o Brasil no coração das trevas” é assunto desprezível ou crucial para o cidadão e pessoa Vicente Jorge Silva? Que terá o Vicente a dizer quando vê o projecto de jornalismo e decência que lançou e dirigiu a ser usado como meio de perseguição e assassinato de carácter contra o Domingos Farinho?

O silêncio destas autoridades directivas e morais sobre as pulhices não só escarrapachadas como muito bem pagas no seu jornal leva-me a concluir que o sucesso do João Miguel Tavares ocorre não apesar mas por causa da sua tipologia difamatória, panfletária e ofensiva da honra de terceiros, da dignidade das instituições e do respeito pelos princípios fundantes do Estado de direito democrático. Pelo que se o Público está satisfeito com o serviço do seu caluniador profissional, como se induz e deduz, recomendo a contratação de João Pereira Coutinho e José Diogo Quintela. No muito que têm em comum, mas tanto, incluo o pormenor de cada um dos seus primeiros nomes começar por J. Ocasião criativa para o Manuel Carvalho inventar uma secção que seria um sucesso instantâneo e duradouro quanto ao número de comentários dessa querida turbamulta de archote, forquilha e cordame na mão: “Os 3 Javardos

A Graça e a Gravidade

Foi então assim. Ia avançado o ano de 2018 quando uma ministra da Cultura do Governo de Portugal ficou parada, de pé, algures no México. Objectivo: responder a perguntas de jornalistas portugueses. Uma dessas perguntas remetia para uma manchete de um semanário português. Quem a interrogava queria obter declarações da ministra sobre essa notícia. A ministra não quis comentar e – por razões que remetem directamente para a singularidade que deu origem a este universo há 13,7 ou 13,8 mil milhões de anos (a diferença é alvo de acaloradas discussões entre os cientistas, se alguém tiver informações que ajudem a esclarecer a disputa é favor chegar-se à frente) – deixou que a sua boca e garganta fizessem as contracturas musculares suficientes para o ar circundante propagar sons cuja descodificação em cérebros humanos a funcionar razoavelmente corresponde a estas palavras e respectiva pontuação:

Sabe, uma coisa óptima de estar aqui em Guadalajara há quatro dias é que não vejo jornais portugueses...

Fulanos adeptos da violação do segredo de justiça onde se passe na TV não apenas os sons mas também as imagens dos interrogatórios de arguidos, acusados ou meras testemunhas, em ordem a que esses valentes se deleitem de comando na mão na descoberta dos inevitáveis sinais de corrupção da bandidagem filmada manhosamente nos estúdios do Ministério Público, estão em óptimas condições para perceberem que a declaração da ministra ocorre no meio de uma afável e descontraída conversa com a jornalista que faz a pergunta. O seu rosto está sorridente, a expressar a capacidade para representar na sua subjectividade a intenção bondosa e convencionalmente provocatória da pergunta nascida numa subjectividade alheia. O contexto dialógico remetia exclusivamente para a temática das touradas e a ministra nada mais tinha a dizer naquela ocasião sobre um assunto que se tinha transformado numa tempestade política a partir do aproveitamento de um vocábulo pesadamente polissémico dito por si em público enquanto ministra. Esse passado era a fonte da energia mental que envolvia interrogadora e interrogada. Donde, fez o possível para negociar com a jornalista uma trégua. A expressividade do seu rosto antes de responder e o pedido de desculpas que acrescentou de imediato após o desabafo sobre os jornais por (supostamente) não ter visto a tal capa do Expresso chegam para mostrar que o episódio ocorria adentro de intencionalidades absolutamente banais e locais. A declaração, portanto, não se pretendia como um juízo sobre qualquer aspecto relativo aos referentes “jornais” e “portugueses”, antes e só ao sujeito locutor. Era para ela, a pessoa no papel de ministra da Cultura apanhada numa polémica bovina sobre touradas e só para ela naquela exacta circunstância em que a voltavam a confrontar inutilmente com esse passado ingrato e escabroso, que havia alívio em poder agarrar-se a uma desculpa para fugir da lide mediática. A desculpa saiu-lhe daquela forma porque lhe saiu sincera – fruto automático da empatia que sentia pela jornalista nessa interacção.

Isto é simples. O que se seguiu também. O Guerreiro-poeta apontou os canhões da sua escrita gongórica e disparou até à última munição no arsenal para um exercício ad feminamCultura de Graça. O pretexto era a defesa da tal manchete bravíssima e da excelência do jornalismo do semanário do militante nº 1 do PSD. Mas isso era pouco para o director de tão prestigiada instituição que até tem funcionários especializados em publicar notícias falsas sobre o Presidente da República e o primeiro-ministro, que inventa relatórios tão secretos que ninguém com responsabilidade os fez, que alimenta a politização da Justiça e a judicialização da política e não pede sequer desculpa pela conspiração, que funciona como um grupo de pressão do/no PSD. Havia que sacrificar Graça Fonseca no altar da sua prosa soberba e tão bem remunerada. Tinha sido a vítima a dirigir-se voluntariamente para a matança, ia descobrir o que acontece aos membros do Governo socialista que se atrevam a usar as palavras “jornais” e “portugueses” de forma ambígua. E o que acontece é serem reduzidos a um saco de porrada verbal cuja virulência atingiu a mais pura pulsão homicida. Pedro Santos Guerreiro consegue fazer da actual ministra da Cultura o bode expiatório da crise financeira e sociológica da imprensa em papel, uma notável cúmplice do plano do “poder” para acabar com a liberdade de imprensa recorrendo a respostas de 4 segundos em Guadalajara, e ainda um ser destituído de honra pessoal e módico tino que aceitou o cargo de ministra apenas para locupletar-se através de um cartão de crédito. O senhor escreveu e assinou isto, o senhor é director do Expresso.

Podemos esquecer todos os outros, e foram quase todos no comentariado nacional, que alinharam com esta violência. Que a validaram por actos e omissões. Que a celebraram consolados. Só não podemos esquecer que um suave chiste dito a nove mil quilómetros de distância acabou por nos revelar que a crise do jornalismo em Portugal não está tanto no desaparecimento de títulos e leitores. Ao contrário, parte principal dessa crise consiste na persistência de um tipo de suposto jornalismo como o que o Expresso pratica. A capacidade de usar os valores mais altos para os ataques mais baixos perverte fatalmente o sentido do jornalismo como baluarte da liberdade, da democracia e da salubridade do espaço público. A gravidade do texto odiento e canalha do director do Expresso não tem Graça nenhuma.

Revolution through evolution

Even if Doing a Good Job, Women CEOs More Likely to be Fired
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An understudied form of child abuse and ‘intimate terrorism’: Parental alienation
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Emotional suppression has negative outcomes on children
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Sexist Men Underestimate Their Power in Romantic Relationships
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Do you have a healthy personality? Researchers think they can tell you
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Why patients lie to their doctors
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Women Sleep Better with Dogs
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O homem que não pode ter primos, amigos e um tecto para dormir

Posto que nunca privei com ele, o que mais aprecio no Sócrates público, a seguir à sua paixão pela política, é a sua amoralidade. Este conceito não é de imediata nem fácil apreensão, requerendo algum trato prévio com os conceitos de moralidade e imoralidade para ser usado com eficácia pensante e comunicativa. A não ser para especialistas ou curiosos, o mais comum é confundir-se a amoralidade com a imoralidade. Essa confusão começa pela generalizada iliteracia acerca do que seja a própria moralidade. Pelo que o melhor é chamar personalidades retintamente morais na política portuguesa para ajudar à nitidez do retrato.

Por exemplo, Cavaco Silva, Marcelo Rebelo de Sousa, Paulo Portas e Passos Coelho são personalidades públicas que usam a dimensão moral como bandeira política e para efeitos de propaganda. Neles a moralidade aparece definida como declaração de integridade excepcional, como referência a entidades divinas com as quais reclamam ter uma relação especial, como ataque a adversários políticos usando categorias morais e ainda como exibição de sinais que mediática e popularmente podem ser explorados como manifestação de características morais. Há racionalidade pragmática nesta tipologia dada a sociologia eleitoral que lhes deu o poder e poderá continuar a dar nalguns casos. Compare-se com Sócrates, ignorando para efeitos da avaliação as campanhas negras e escândalos judiciais em que está envolvido. O que fica é um político que nunca difamou qualquer outro adversário, que nunca sequer lançou suspeitas de natureza moral como arma política, que nunca se arrogou uma superioridade moral que quisesse usar como bandeira política, que jamais deixou de viver a sua privacidade como lhe deu na real gana para simular ser “íntegro”, “honesto”, “humilde”, “poupadinho”, “predestinado” nas capas e ecrãs da comunicação social. Foi precisa e exactamente ao contrário, chegando ao ponto de cometer aparentes absurdos de relações públicas e de eleitoralismo na defesa da sua privacidade e bom nome, assim como da sua família e relações privadas. Como caricatura folclórica desta atitude, ele conseguia arranjar tempo para pegar no telefone e falar com jornalistas que ficavam espantados com a estultícia de quem assim se oferecia para ataques futuros contra os quais não teria defesa. Aqui entre nós que ninguém nos lê, é preciso estar-se tomado por uma ingenuidade patológica para achar que vale a pena estar horas ao telefone com o Henrique Monteiro por causa de uma edição do Expresso qualquer.

Políticos que usam a moralidade como capa hipócrita e recurso retórico estão constantemente prontos para disparar acusações de “imoralidade” em relação a adversários. A forma mais poderosa desta acusação é o carimbo “corrupto”, o qual funciona como sinónimo de “criminoso”, sendo o crime o grau mais alto da imoralidade. Sócrates ficará como o político que na história da democracia mais atacado foi do ponto de vista moral, sem qualquer exemplo comparável que possamos nomear. A paixão com que continua a ser perseguido e violentado é um monumento ao seu poder político, algo a que os seus adversários fazem diária e horariamente homenagem na forma da expressão do seu ódio – isto é, do seu medo. Ora, é nesse contexto, enquanto já está a ser julgado por suspeita de crimes gravíssimos, que Sócrates decide ir para casa de um primo, igualmente suspeito de ser seu cúmplice. Casa oferecida por um angolano (logo, inevitavelmente um corrupto). Qualquer caloiro de um curso de Relações Públicas, ou Política, ou Veterinária conseguiria explicar a Sócrates os efeitos incendiários desta sua opção junto de quem nem quando o vir carbonizado no Terreiro do Paço ficará descansado, ainda irá a correr buscar uma saca de sal. É precisamente por ele saber disso, e apesar do óbvio dano à sua imagem pública ter assumido fruir desse imóvel, que a sua atitude é brilhantemente amoral. Está para além do que os outros lhe querem impor como suposta correcção ou dever social. É uma escolha de quem sabe que a liberdade não tem de pedir licença à moral para ser essencial e existencialmente boa.

És tão bronco, Monteiro

«Um dos mais extraordinários fenómenos presentes é o mimetismo da linguagem da Comunicação Social em relação à de forças políticas e institucionais. Foi assim que uma votação coincidente de CDS, PSD, PCP e Bloco a favor do diálogo com os professores foi anunciada como coligação negativa. Curiosamente, um Governo do PS, apoiado pelo PCP e BE contra os vencedores das últimas eleições, não se considera uma aliança negativa. A conclusão, subliminar, é que o positivo apenas existe quando o PS participa.»


Henrique Monteiro

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Eis um pândego que não se limita a confundir a estrada da Beira com a beira da estrada, é contumaz na bronquite crónica de achar que PSD e CDS poderiam ter cumprido esta legislatura no Governo com menos deputados do que PS, PCP e BE. Como teria sido, como é que os gloriosos “vencedores” iriam impor o triunfo da sua vontade? Nem ele sabe nem os deuses, mas teria sido lindo pois os direitolas ficariam obrigados a cumprir os projectos de lei da esquerdalha durante 4 anos. Ou talvez não seja tão bronco assim, talvez se limite a ser bronco assado. O facto de o Parlamento ter encontrado – no mais puro e inaudito respeito pela Constituição e pelo espírito de Abril – uma solução de Governo que permitiu chegar ao fim da legislatura com um dos mais eficazes e populares exercícios executivos de que há memória em democracia é o que deixa o bronco com um agudo ataque de azia.

Esta direita identificada pelo discurso do ressentimento é a direita da impotência intelectual e comunitária, a direita da decadência. Durante décadas, usufruíram de um desequilíbrio no sistema partidário que impedia a formação de meros acordos à esquerda, quanto mais coligações eleitorais ou parlamentares (excepção para a política autárquica). Comunistas, primeiro, e bloquistas, até 2015, tudo fizeram para prejudicar o PS e ajudar a direita. Com isso, essa esquerda preferiu o fanatismo e sectarismo ao interesse nacional e ao genuíno e óbvio interesse dos eleitores que representavam. Como se viu no chumbo do PEC IV – e a cada dia que passa nesta legislatura é mais cristalina essa realidade até para os ceguetas que não quiseram ver – teria sido sempre possível chegar a acordo com os socialistas com o resultado prático de se puxar o PS para a esquerda sem que tal o levasse a sair do centro onde tem de ficar. Por que é que não se tentou antes o que em 2015 foi concretizado com as consequências que nacional e internacionalmente se reconhecem e valorizam? Porque a cultura tribalista do PCP não concebia outra alternativa à sua clandestinidade antropológica que não fosse a capitulação do imperialismo e do grande capital; ou seja, comuna bom era aquele que abdicava da democracia em nome dos amanhãs que apenas cantam, da revolução científica de que se consideravam proprietários monopolistas. O mesmo desfecho para o BE comandado pelo general Louçã, o qual numa madrugada em Setembro de 2009 apareceu embriagado de felicidade extasiante a anunciar a nova era da “esquerda grande” em que iria conseguir decapitar o PS e levar a sua cabeça podre à Soeiro Pereira Gomes numa bandeja. Menos de dois anos depois, o mesmo genial estratega estava a levantar-se ao lado dos deputados do PSD e do CDS para afundar Portugal e deixar entrar os carrascos da austeridade salvífica.

Henrique Monteiro acha que o acto soberano de legitimar na Assembleia da República um Governo está ao mesmo nível de votações parlamentares avulsas, tacticamente volúveis e oportunistas. Para ele, e foi a sua única motivação para encher o chouriço no Expresso, a mensagem a passar é a de que o actual Governo é “negativo” dado ter corrido com o “positivo” Passos Coelho – o qual, depois de 4 anos a castigar os madraços, os estroinas e os piegas que viviam numa zona de conforto bem acima das suas possibilidades, foi nas últimas legislativas o grande conquistador da minoria absoluta.

A direita com raiva a morder na direita raivosa, o retrato acabado da decadência

«Mas sobra-lhe, a essa direita, uma data no calendário: a do julgamento de José Sócrates. Qualquer que seja o resultado, dará margem para um discurso que já foi testado à distância com esta eleição brasileira: ou é o PS que é corrupto (se Sócrates for dado como culpado); ou é o sistema que está corrompido (por não ter culpado Sócrates). O argumento pode repetir-se para Ricardo Salgado, porque para esta direita um e outro são (apenas) a face e contra face da mesma moeda.

Sim, esta nova direita quer correr a pista justiceira, antecipando na política um julgamento que ainda não se concluiu na justiça. Porque é o que lhe resta – e o que lhe resta cola bem com o seu ressentimento: o combate à corrupção, o discurso da elite cartelizada, do país amarrado. Dirá que é preciso menos Estado porque o Estado é corrupto. No Brasil foi Lula e a Petrobras, por cá foram Sócrates e o BES (como se a direita não tivesse tido os seus tristes pecados).

Isto pode não ser um programa eleitoral, mas é bandeira para uma campanha. Como se viu no Brasil, elas fazem-se cada vez menos com programas ideológicos, cada vez mais de discursos identitários, aqueles que unem muita gente diferente, afastando todos os outros. São políticos que promovem a divisão, que detestam o politicamente correto.»


David Dinis

Da série “Razões para a maioria absoluta”

O Governo vai ter de voltar à mesa das negociações com os professores, para a contagem do tempo de carreiras a descongelar, decidiram os deputados esta segunda-feira na Assembleia da República. Os socialistas votaram contra sozinhos.

No âmbito da votação em sede de especialidade, na reunião da Comissão de Orçamento e Finanças, os deputados do PSD, BE, CDS e PCP viabilizaram a proposta que estabelece essas negociações.

Ao anunciar os resultados da votação, a presidente da Comissão, Teresa Leal Coelho, anunciou que tinha sido "aprovado com voto contra do PS". E acrescentou: "Uma verdadeira maioria alternativa."


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Made in Aveiro pela família Marques Vidal

«"Espero que haja a decência de deixarem o meu cliente passar o Natal com a família, mas vamos ver. Com o meu cliente já tudo é possível. Tudo anda mais depressa. A vontade de o ver preso é tal", afirmou. Quanto à decisão do TC, Tiago Rodrigues Bastos diz sentir uma "absoluta revolta", explicando que os juízes que analisaram o recurso "não quiseram sequer discutir as questões de inconstitucionalidade". "Esperamos que os tribunais façam coisas decentes. A decisão é uma vergonha. É uma porcaria de decisão, sem sentido nenhum. É uma falta de respeito pelos direitos das pessoas", comentou o advogado. Tiago Rodrigues Bastos lembra que existe nos autos um parecer do presidente do TC, Costa Andrade, que diz que o seu cliente "não cometeu crime nenhum". "Custa um bocadinho a engolir que dois professores catedráticos, um deles atual presidente do TC, digam que não houve crime nenhum e que, no final do dia, ele vá cumprir uma pena de prisão", observou.

Rodrigues Bastos diz ainda que estamos a viver "um mundo às avessas", afirmando que os juízes quiseram fazer do seu cliente um exemplo. "Nunca na minha vida esperei assistir a uma coisa destas. Temos violadores com penas suspensas, abusos sexuais com penas suspensas e temos tráfico de influência com pena efetiva. Robalos e 25 mil euros", concluiu.»


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When it comes to love: Personality matters
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Healthcare Providers – Not Hackers – Leak More of Your Data
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Model of quantum artificial life on quantum computer
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When NBA Players Tweet Late at Night, They Play Worse Basketball
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Killer whales share personality traits with humans, chimpanzees
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Dogs know when they don’t know
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Why we shouldn’t like coffee, but we do
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Sim, camaradas, isto é revolucionário

“É evidente que o Governo vai puxar a brasa à sua sardinha, tendo em conta os elementos positivos que se verificaram durante este mandato”, disse Jerónimo de Sousa, à margem de uma visita à Câmara Municipal do Seixal e contacto com os seus trabalhadores para assinalar a reposição do pagamento na íntegra do 13.º mês (subsídio de Natal), em vez dos duodécimos ao longo do ano.

O líder comunista considerou que “com certeza, [António Costa] haverá de reconhecer que era um Governo minoritário e tais avanços, tal reposição e conquista de direitos, se deve em muito à nova relação de forças existente na Assembleia da República e ao papel do PCP”.


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