Aviso aos pacientes: este blogue é antianalgésico, pirético e inflamatório. Em caso de agravamento dos sintomas, escreva aos enfermeiros de plantão.
Apenas para administração interna; o fabricante não se responsabiliza por usos incorrectos deste fármaco.

Coisas do Carvalho

Depois do processo de substituição de Joana Marques Vidal ter suscitado dúvidas sobre uma tentativa de ingerência do poder político na esfera judicial, os dois deputados estão de acordo sobre a necessidade de se alterar a composição do Conselho Superior do Ministério Público (CSMP), reduzindo o número de procuradores e aumentando as nomeações políticas.

Lacão, velha raposa do parlamentarismo, foi cuidadoso ao expressar os seus desejos, defendendo “soluções que não são isentas de controvérsia”, entre as quais inclui, claro está, os “critérios de representação no CSMP”. Já o deputado do PSD foi transparente e defendeu uma composição mais “paritária”. Quer um, quer outro sabem que num tempo em que a Justiça se empenhou em investigar e a acusar políticos, qualquer ousadia que tenda a diminuir a autonomia dos órgãos do Ministério Público será vista como sinal do instinto de sobrevivência de uma parte da espécie ameaçada pelo combate ao nepotismo ou à corrupção.

Mesmo que questione a actual autonomia dos procuradores, o PS está de mãos atadas pelo fantasma da Operação Marquês. Já no PSD o que está em causa é uma pulsão ideológica que tende a execrar os mecanismos constitucionais de equilíbrio dos poderes – meter os procuradores, ou os jornalistas, na ordem é uma velha ambição de Rui Rio. Com um Bloco Central assim, o melhor mesmo é estar atento.

Manuel Carvalho

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Para quê dar atenção ao Manuel Carvalho? Porque ele é o actual director do Público. E porquê dar atenção a esse jornal? Porque ele representa a minúscula “imprensa de referência” que os seus jornalistas alegam ser um pilar da democracia. Pelo que talvez interesse saber de que democracia estão a falar estes bravos directores tão bem pagos para seleccionarem notícias e opiniões.

Acima temos parte de um editorial. O director encontrou assunto de relevância suficiente para expor publicamente a sua visão editorial acerca. E, de facto, outro assunto dificilmente seria de maior importância para portugueses que paguem impostos em Portugal. É este: Manuel Carvalho, enquanto director do Público, declara que o primeiro-ministro e o Presidente da República deixaram legítimas “dúvidas sobre uma tentativa de ingerência do poder político na esfera judicial”, mais afirma que o “parlamentarismo” (leia-se: a Assembleia da República) é um antro de elementos pertencentes à “espécie ameaçada pelo combate ao nepotismo ou à corrupção”, e conclui que tanto PS como PSD pretendem “meter os procuradores, ou os jornalistas, na ordem”.

A prosa não justifica nada de nadinha de nada do que assevera. De que “dúvidas” está a falar no processo de substituição da PGR? Quem são os deputados que praticam o “nepotismo” e a “corrupção”? Como é que seria possível meter procuradores e jornalistas “na ordem”? Não sabemos se o Manuel Carvalho nada explicita porque apenas pretende comunicar com quem já partilhe dos seus pressupostos e respectivas inferências, ou se nada consubstancia porque tal exercício tornaria impossível o actual em que apenas tem de largar suspeições vagas para despachar o serviço. Não sabemos? Ora, mas sabemos tão bem, é tudo tão obsceno e boçal.

Manuel Carvalho, enquanto director do Público, não exige mais de si próprio do que um bebedolas na tasca a discorrer sobre o estado da Nação. Deleita-se a ser cúmplice de quem usa o poder judicial para intervir mediaticamente e condicionar a disputa política e os próprios processos judiciais. A sua concepção de democracia faz dos procuradores do Ministério Público os guardiões de uma versão da Constituição típica de um Estado policial. Para ele, as coisas têm a beleza da simplicidade: os políticos são corruptos e tiranos, mas não podemos passar sem eles nem há ninguém decente para os substituir, pelo que só resta esta vingança de usar jornais, rádios, televisões e tascas para dizer mal dessa corja, para dizer as “verdades” que limpam a alma aos estupendos jornalistas da “referência”. E siga.

É uma vidinha descansada, haja quem a continue a pagar.

Revolution through evolution

New study finds bias against women and girls when intellectual ability is sought
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DNA study shows stethoscopes loaded with bacteria, including staphylococcus
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Exercise Significantly Cuts the Risk of Death from Cancer
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Yes Please to Yogurt and Cheese: The New Improved Mediterranean Diet
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Tenacious and flexible goal pursuit gets older people on the move
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A new study finds that mindfulness training can improve cognitive performance in US Special Operations Forces
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Music evokes powerful positive emotions through personal memories
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A fase xexé da luta de classes

O xexé desbocado Arnaldo Matos, fundador do inolvidável MRPP, descobriu recentemente o Twitter. Imitando Trump, outro xexé desbocado que fala às massas sem intermediário, Matos está a utilizar diariamente o tuíter (sua grafia) para chegar aos “operários” em directo e sem filtro. Já tem três mil e tal seguidores, entre eles possivelmente uns 9 ou 10 operários, dos quais 1 ou 2 no activo.

Embora os seus milhares de seguidores representem apenas 5% da votação nacional do MRPP em 2015 (sob a liderança de Garcia Pereira, odiado pelo Matos), o facto parece ter impressionado vivamente o Expresso, que hoje lhe dedica uma reportagem de seis páginas da Revista. A falta de assunto é terrível…

Ultrapassando muito o citado desbocado americano, Matos insulta os políticos de quem não gosta de burros (Azeredo Lopes), sacanas (Moscovici) e até cães danados (Marcelo).

Legendando uma fotografia com António Costa, Catarina Martins e Jerónimo de Sousa, o carroceiro Matos exclama: “Então isto não é tudo um putedo?”

O actual secretário-geral da ONU é para Matos “um lacaio dos imperialistas e um homem de mão de Donald Trump”. Li bem: Guterres homem de mão de Trump.

A António Costa o carroceiro chama “o monhé” e diz que tem o direito de lhe chamar tudo, e não só monhé, porque “na luta de classes há uma fase em que se chega ao ódio”.

Arnaldo Matos já declarou no Twitter a sua gratidão ao “inteligente” jornalista do Expresso pelo “notável estudo sobre a minha conta tuíter”.  Mas estará este cara de ananás podre tão xexé que nem percebeu que os seus tuítes só são lidos por gozo? O próprio jornalista o diz, acrescentando que ninguém leva aquilo a sério, mas o Matos ainda não deve ter lido tudo.

Isto é lindo

Vai ser mais um acontecimento inédito na história da justiça portuguesa. Desde que esta prática foi criminalizada em Portugal pelo Código Penal em 1995, nunca houve ninguém a cumprir uma sentença na cadeia por ser simplesmente um traficante de influência. Nos últimos cinco anos, de acordo com o que o Expresso conseguiu apurar junto da Direção-Geral de Reinserção e Serviços Prisionais (DGRSP), houve apenas um caso em que uma pessoa foi enviada para a prisão por um conjunto de crimes que incluía o tráfico de influência, mas não há um único arguido preso pela autoria exclusiva desse tipo de crime. Foi preciso esperar mais de duas décadas para isso estar prestes a acontecer, quando se esgotaram todas as hipóteses de recurso à disposição da defesa do antigo ministro Armando Vara para tentar anular a sentença de cinco anos de prisão efetiva de que foi alvo em 2014 num tribunal em Aveiro como arguido do processo ‘Face Oculta’ e quando a sua entrada na cadeia é dada como eminente.

Depois de a última porta a que podia bater, o Tribunal Constitucional, se ter recusado no verão deste ano a apreciar um pedido apresentado pelo advogado de Armando Vara, a sentença transitou em julgado e o processo vai ser devolvido a qualquer momento à primeira instância, na Comarca de Aveiro. Dez anos depois de ter sido iniciado com a abertura de uma investigação conduzida pelos procuradores João Marques Vidal — irmão da ex-procuradora-geral — e Carlos Filipe Preces e por um inspetor histórico da Polícia Judiciária, o crachá de ouro Teófilo Santiago, o caso chega definitivamente ao fim.

É esperado que assim que esse trânsito em julgado seja declarado num despacho do Tribunal Constitucional que irá acompanhar a devolução do processo a Aveiro, a primeira instância remeta para um tribunal de execução de penas um mandado de condução ao estabelecimento prisional, de forma a que a ordem seja cumprida. No entanto, o juiz-presidente da comarca, Paulo Brandão, explicou ao Expresso que, por se tratar de “um processo tão complexo”, pode demorar algum tempo até que sejam emitidos os mandados para os vários arguidos condenados a prisão. “Vão ter de ser reanalisados os cúmulos jurídicos das penas e verificados se não foram ultrapassados os prazos de prescrição dos crimes, que não pararam de contar, mesmo depois das condenações”, esclareceu aquele magistrado. Uma fonte ligada ao processo diz que, de qualquer forma, a prescrição dos crimes não se coloca no caso do ex-ministro socialista.

Armando Vara é o primeiro preso por tráfico de influência em Portugal

O Sr. Rosa alucina porque o deixam alucinar

4. Que Francisco Louçã é sectarista e intelectualmente desonesto, não é grande novidade. A questão é saber:

porque razão protege e defende Sócrates quando este foi o seu principal adversário no Parlamento?
Porque Louçã sempre soube que a Operação Marquês colocaria em xeque o PS. O ex-líder do BE sabe que um PS eleitoralmente fragilizado e marcado pela corrupção (como o PT no Brasil), pode beneficiar o Bloco mas beneficiaria muito mais o centro/direita e catapultaria o PSD e o CDS para muitos anos no Governo.


Luís Rosa

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Os seis anos dos dois governos Sócrates foram precisamente isso: uma farsa. Entre 2005 e 2011 tivemos, com raras e honrosas exceções, uma imprensa controlada, medrosa e submissa face ao Rei Sol chamado José Sócrates.

Não deixa, por isso, de ser assustador ouvir o Presidente Marcelo Rebelo de Sousa falar na hipótese de uma intervenção do Estado para salvar a comunicação social da crise económica em que está mergulhada quando tivemos há poucos anos um primeiro-ministro que tentou dominá-la para se proteger do escrutínio jornalístico.


Luís Rosa

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Luís Rosa é um dos mais fanáticos entre os fanáticos que fazem o Observador. Nada contra, nem contra uma coisa nem contra a outra. Há muito dinheiro a ser gasto com um tipo de fanatismo que tem uma agenda politicamente óbvia – o que começa por ser meritório – e o modelo de negócio com esta despesa, que nada tem a ver com o ideal jornalístico, encontra-se explicitado na lógica dos investimentos de risco: se atingirem os seus objectivos, terão lucros 10 ou 20 vezes maiores do que o capital investido. Como? Conseguindo levar para o Governo quem propicie aos accionistas negócios cuja escala leve a esses ganhos. Não há mistério algum nisto, é assim desde que há memória nas sociedades liberais (nas outras, acabando por ser o mesmo, é bem pior) e é daí que vem a cassete com que atacam os adversários, erigidos como espelhos cristalinos daquilo que eles fazem desde o berço ou desde a tomada de consciência da gula ilimitada calhando não terem berço. A liberdade, no plano dos princípios, fica bem servida com a actividade mediática deste grupo que não se envergonha por defender e promover a direita decadente. Mas tal não os isenta de crítica (etimologia: análise), bem pelo contrário; sendo que no caso precisamos de uma crítica radicalmente diferente daquela de que estes decadentes alegam possuir o monopólio.

Bastam estas duas citações acima para ficarmos com material para um seminário de mestrado. Na primeira, começa por ser uma delícia ver o Sr. Rosa carimbar como “sectarista e intelectualmente desonesto” Louçã. Não que ele tenha dito um disparate, pois Louçã encaixa na definição com precisão milimétrica, mas porque o que se segue na argumentação apenas consegue demonstrar que o único sectário e desonesto intelectual naquele parágrafo é o próprio autor. Partindo do infantilismo de considerar rixa pessoal os confrontos parlamentares quando Sócrates era primeiro-ministro, de imediato nega a Louçã a liberdade de pensar pela sua cabeça, de ter critérios morais e éticos diferentes dos seus, até de ter informação que ele desconheça. Então, consuma a deturpação projectando em Louçã o que ele, o fanático que persegue profissionalmente Sócrates e o PS, imagina e deseja: muitos anos de Governo para o PSD e o CDS graças à “Operação Marquês”. Na segunda, repete a mais patarata das calúnias que os direitolas agitam desde 2007, sem conseguir perceber o nível de ridículo atingido por defender duas ideias contraditórias de rajada: ou a imprensa, entre 2005 e 2011, era livre e daí Sócrates ter tentado dominá-la como tirano que o pinta para se proteger da “verdade”, ou a imprensa estava controlada – salvo raras excepções, como afirma – e então não se entende por que raio Sócrates precisava de se chatear e arriscar ser apanhado pela gente séria de Aveiro.

Nesta tese de que entre “2005 e 2011 tivemos, com raras e honrosas exceções, uma imprensa controlada, medrosa e submissa face ao Rei Sol chamado José Sócrates” não se dão exemplos. Nem um. Nem um exemplo do que o Sr. Rosa considera uma rara e honrosa excepção, nem um exemplo do que considera uma imprensa controlada, medrosa e submissa. Nem um, nunca. Este aspecto é o que quero realçar pois é a manifestação de um fenómeno muito mais vasto, e muito mais interessante, do que o fanatismo do indivíduo em causa. Podemos conceber uma experiência mental em que alguém o obriga a demonstrar a tese. Que iria dizer? Em que recanto do seu bestunto iria encontrar neurónios para sustentar que no país do império Balsemão (do Crespo, do José Gomes Ferreira, do mano Costa e seus convidados), do Público do Zé Manel carrasco a mando da Sonae, da TVI do casal Moniz e do Marcelo, da RTP da Judite e do José Rodrigues dos Santos, do Sol do taralhouco, da Renascença da Igreja, do DN do Marcelino e da brigada laranja ao tempo, da TSF do Baldaia, do i do Martim Avillez, e da Cofina da criminosa indústria da calúnia, tínhamos uma “imprensa controlada, medrosa e submissa”? Foda-se, senhores ouvintes, a alucinação por que teria de passar para essa façanha deixaria o Sr. Rosa incapaz de conduzir veículos motorizados, ou que fossem a pedais, durante umas horas valentes.

Não faço ideia de qual seja a percentagem nas intervenções mediatizadas, pois tal implicaria fazer-se um levantamento estatístico, mas empiricamente é certo e sabido que quão maior for o sectarismo de uma dada posição política maior será o uso de falácias, distorções cognitivas e puras mentiras sem qualquer fundamento objectivo. Discursos como o do Sr. Rosa, ubíquos nas campanhas eleitorais para enganar o patego e típicos do que os decadentes consideram o “fazer política”, são atentados contra a racionalidade e a boa-fé. Por que razão não só persistem como aumentam de tom e se multiplicam nestes tempos de triunfo das demagogias mais básicas e absurdas? A causa principal está no papel dos jornalistas no fenómeno. Não só eles são incapazes de expor os caudalosos erros de argumentação a que dão palco e alcance como muitos deles ambicionam usufruir do mesmo papel manipulatório dos políticos sectários e dos comentadores fanáticos. Em vez de a imprensa ser um crivo onde se distinga a honestidade da desonestidade intelectual, para que as audiências disponham da melhor informação com que construir as suas livres opiniões e a partir delas exerçam a cidadania e utilizem o voto para uma escolha fundamentada, temos os órgãos de comunicação social cheios de uma fauna que faz da sua venalidade uma carreira, que da política só quer a preguiça e a cobardia de nada ter de decidir em nome do Soberano.

“Retro-imperialistas” e o divertido mas lamentável panorama britânico

Acabo de ler o termo num artigo no The Guardian, assinado por Martin Kettle.  Ele critica o “fanatismo sinergético da direita retro-imperialista dos conservadores britânicos e do DUP“, ou seja, os conservadores fanáticos da saída do Reino Unido da União Europeia, fixados numa miragem da antiga glória do país.

É anedótico mas penoso – ao mesmo tempo – observar a política britânica por estes dias. Theresa May adia a votação do acordo de saída da UE por ter a certeza de que seria chumbado nos Comuns e, ao mesmo tempo, a oposição trabalhista não quer apresentar uma moção de censura por ter a certeza de que seria igualmente chumbada. E os deputados conservadores, que tanto criticam May, também nada fazem a não ser divertir-se com as andanças da primeira-ministra. Pelo menos até à hora a que escrevo.

Por conseguinte, tenho pena e admiração – sim, as duas – pela Theresa May. Ninguém quer o acordo negociado pelo seu governo, nem mesmo alguns ministros, mas ninguém quer, nem pode, ir para o lugar dela negociar outro, aliás impossível e desconhecido. E ela insiste. Ela, que até era contra o Brexit. Admito que possa parecer um bocado tonta, mas não consigo odiá-la. A pobre tem de continuar o “show” posto na estrada pelo seu predecessor no cargo, David Cameron, que consistiu em pôr os excitados conservadores a fingir, em campanha (mas ironicamente não ele, que era favorável à permanência), que um acordo de saída era facílimo de negociar e ultravantajoso, quando toda a gente devia saber que não era nem nunca seria se a ideia fosse “ficar com a manteiga e com o dinheiro da manteiga”, e a prova está à vista.

É claro que May pode sempre demitir-se. Simplesmente parece não haver ninguém que a queira substituir, pelo menos não sem antes verem que concessões consegue ela obter do”continente” nesta nova ronda. E o tempo está a passar, faltando apenas três meses para a ruptura com a Europa. Mas tudo pode mudar muito rapidamente. Correm boatos desde há pouco que os próprios conservadores vão apresentar uma moção de censura. Veremos para quê.

Uma coisa é certa: são tão palhaços personagens como Boris Johnson ou Rees-Mogg, que dizem querer partir a louça toda com uma saída “musculada”, mas não avançam nem ninguém sabe o que fariam de melhor nem o que representaria essa saída, como são palhaços Jeremy Corbyn e companhia, que lideram uma oposição por sua vez dividida, facto que os faz fazer figuras tristes pela indefinição e insegurança.

Enfim, eu penso que a saída será inevitável, de uma maneira ou de outra. Tenho mesmo dúvidas de que um novo referendo resulte numa preferência clara pela permanência. Possivelmente os 52-48 passariam a 50-50 e nada ficaria facilitado. Uma derrota do Brexit num segundo referendo seria uma humilhação total para os conservadores. Não o vão permitir. Vale-lhes, de momento, o facto de Jeremy Corbyn não ter muitas hipóteses de ganhar umas eleições. Pelo que o circo poderá continuar.

Xi Jinping e Portugal fazem pela vida

[…] Responding to critics, Portugal’s Prime Minister said his country did not see foreign investment as a source of anxiety. But with China systematically targeting smaller and poorer EU member states such as Greece and Portugal for its investment activities, and given Beijing’s ability to play a long-term strategic game leveraging economic clout into political power, we believe that the EU’s soon-to-be implemented legal framework for screening FDI on security grounds does not come a day too soon. That said, the EU would not need to be so concerned about Chinese investment if it were itself investing sufficiently in the capital-deprived periphery. 

 

 

A linguagem política tem o seu quê de fascinante. É preciso dominá-la, sobretudo quando se fala indirectamente para outros parceiros. António Costa dizer que o investimento estrangeiro não é fonte de ansiedade para o país quer exactamente dizer que é fonte de alguma ansiedade e tem selo para alguns países europeus, facto que este analista resume no final do artigo.: “Vocês não investem, pá! O que é que querem?”

A “Europa” diz que quer fiscalizar o investimento directo estrangeiro nos Estados-Membros. Fiscalizar o capital dos outros, mas não fazer nada com os capitais próprios. Isso é repressão. Será inveja?

 

Mas, a este propósito, imaginemos que os alemães decidiam investir no porto de Sines como os chineses pretendem. Estamos já a ver os comunistas e bloquistas a chamar a Portugal uma colónia dos alemães. Ainda gostava que os moralistas do costume dissessem afinal quem pode investir aqui. Querem ver que é o Putin?

Revolution through evolution

Harmful, unfounded myths about migration and health have become accepted, used to justify policies of exclusion
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Gender bias sways how we perceive competence in faces
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People Who Prefer Casual Sex Still Desire Intimacy
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As married couples age, humor replaces bickering
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Study finds bad bosses could turn you into a great boss
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How you respond to drama depends on if you are a holistic or analytical thinker
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Political Lessons from the Past

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Yale Psychiatrist Bandy Lee on Donald Trump: “His disorder is on display for the world to see” <- Oferta do nosso amigo Joe Strummer

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Os 3 Javardos

João Miguel Tavares teve um mês de Novembro glorioso, a fazer lembrar façanhas anteriores; em que usou os seus filhos menores para produzir a meias com António Costa uma operação publicitária, por exemplo, e a epifania sobre a carreira de caluniador que iria abraçar deliciado, ocorrida quando foi lançado para o estrelato graças a uma acção judicial contra si promovida por Sócrates, outro exemplo. Desta vez, e só contabilizando o que me apareceu à frente, viu-se citado ou referido por Vicente Jorge Silva, Miguel Sousa Tavares, David Dinis, Pedro Marques Lopes e Francisco Assis. E ainda recebeu uma carta aberta do Ministro do Ambiente e da Transição Energética. Correm boatos de que Pacheco Pereira e Marques Mendes igualmente vocalizaram o seu nome em sotto voce nos estúdios da SIC mas pediram sigilo mediático. João Miguel Tavares é um caluniador profissional. A questão que me ocupa no resto da prosa é a seguinte: o seu inigualável sucesso nesse exclusivíssimo clube do comentariado nacional ocorre apesar de ele ser um caluniador profissional ou por ser um caluniador profissional?

Que é um caluniador profissional não carece de discussão. É o próprio quem o passou a reclamar com alucinado orgulho. Fez da sua contumaz violação do Estado de direito o meio para vender os seus serviços, explorando e amplificando crimes cometidos por agentes da Justiça e jornalistas e abolindo o princípio da presunção de inocência e restantes direitos e garantias de certos arguidos – os quais trata como alvos legítimos para qualquer tipo de abuso que lhe pareça aproveitável com o fito de continuar a ganhar dinheiro à custa dessas vítimas. Esses serviços incluem a repetição da agenda bélica dos “ultras” no PSD ligados à violência política chefiada por Passos, a perseguição obsessiva a Sócrates e terceiros que com ele se tenham relacionado privadamente ou funcionalmente, e também o berreiro a favor de um combate político sem discussão de ideias e apenas baseado na judicialização da política e na politização da Justiça. Quem perder o seu rico tempo a ler os comentários que o seu pelourinho no Público convoca irá encontrar uma audiência que aplaude os linchamentos que o artista serve semanalmente. O perfil-tipo desses comentadores exibe alienação e fanatismo depressivo e impotente. O que conseguem entender do mundo à sua volta, do funcionamento das instituições e agentes sociais, da natureza humana, é um fragmento do que conseguem perceber da realidade apenas olhando para a janela a partir do cu-sentadismo com que teclam furiosos contra os “corruptos” e os “socialistas”. Alguns aproveitam para dar vivas a Salazar, outros mal escondem (ou mostram impunemente) o desejo de molestar ou mesmo balear os bandidos apanhados pelo autor, quase todos comungam de tortuosas limitações cognitivas onde o que escrevem poderia ser apresentado em consultas de psiquiatria como fundamento para baixas médicas compulsivas.

Estes indivíduos são a fonte das métricas que colocam João Miguel Tavares como a vedeta principal da opinião do Público, destacadíssimo dos seus pares. Engolem tudo sem sequer mastigar. O caluniador profissional pode atribuir a Sócrates, ou a quem lhe apetecer, qualquer tipo de responsabilidade e de culpa que o resultado é invariavelmente o mesmo, o aplauso e regozijo por encontrarem validada na “imprensa de referência” a diabolização que os justifica na sua miséria intelectual e moral. A lógica é exactamente igual à que se segue na Cofina, misturando-se os ataques políticos de políticos com as suspeitas judiciais de agentes da Justiça num composto onde esses dois ingredientes se reforçam um ao outro e multiplicam a sua força destruidora – as suspeitas dos procuradores provam as calúnias dos políticos, os quais deixam de ser caluniadores e passam a profetas graças às suposições dos procuradores inspiradas nas calúnias dos políticos que, vê-se agora, eram já a antecipação das provas que o Ministério Público reuniu num megaprocesso que equivale à tentativa de colocar um partido e seus Governos em julgamento criminal. É não só um círculo vicioso quanto viciante, tendo levado o narcisismo do caluniador profissional para um êxtase onde se cita com regularidade e onde faz da sua actividade de caluniador algo equivalente ao Desembarque na Normandia. Aposto que já tem mármore encomendado para a estátua onde ficará eternizado ao lado do Zé Manel e do Rui Ramos por cima de uma pilha de volumes da “Operação Marquês”. Quando este senhor protesta contra a demora em encarcerar um cidadão apenas porque, através de crimes, se publicaram excertos de escutas e de interrogatórios judiciais e esse mesmo senhor declara já não ser preciso esperar pela acusação e pela sua defesa em tribunal, concidadãos com a antiga 4ª Classe ficam banzos com a celebração – num órgão de comunicação social dito da imprensa que se respeita a si própria como imprensa – da mais nefasta violência que é possível conceber a seguir à da guerra: o apelo à justiça popular e ao linchamento que subjaz ao argumentário e retórica usados.

O problema, claro, não é a pessoa e figura triste do João Miguel Tavares. O seu ar de satisfação alarve dispensa intérprete. O homem está maravilhado com a facilidade com que enche os bolsos mensalmente só a carimbar como “corruptos” este mundo e o outro, intervalando apenas para deixar odes a Passos e mandar beijos para os seus colegas caluniadores profissionais. Conseguiu até difamar e ofender os accionistas da TSF, onde primeiro apareceu o Governo Sombra e lá continua a passar, numa prova de que a sua farronca se transformou em método comercial: ele calcula que há mais dinheiro para ganhar se voltar a passar por mártir dos “socráticos”, pelo que anda a pedir que o ponham a andar ou em tribunal para aumentar o seu preço na indústria da calúnia. Se tivesse continuado no Correio da Manhã, ou se for para o Observador, deixaria o mundo de estar desordenado e não se justificaria falar dessa peçonha. Ficaria no seu meio natural, junto dos seus. O problema é a Sonae, através do Público, pretender ser representada civicamente por um profissional da calúnia. E se chamar à liça o accionista poderá parecer abstracto de mais (quando o contrário é que é verdadeiro), então o actual director e o principal fundador do jornal não podem escapar à sua responsabilidade directiva, deontológica, moral, cívica e, portanto e por tanto, política.

Quando Manuel Carvalho se insurge em editorial contra aqueles que apelam ao derrube das instituições democráticas para as substituir por “caudilhos” e “salvadores da pátria”, está a falar a sério ou na reinação? Está a falar de algo fundamental para o jornalismo tal como o pensa e pratica ou de algo irrelevante e sem ligação com a sua carteira de jornalista e posto hierárquico num órgão de imprensa? Se a sério e de algo fundamental, concebe o jornal que dirige como uma plataforma onde esses que minam a democracia e fazem terrorismo cívico podem ter voz e destaque ou, precisamente ao contrário, concebe o jornal que dirige como um instrumento da defesa da liberdade e da democracia, da salubridade do espaço público, da integridade da República e da coesão da comunidade? Quando Vicente Jorge Silva demonstra analiticamente que um certo colunista no Público andou a legitimar um fascista, tal exercício é a sério ou na reinação? Ver alguém a usar o jornal que fundou para normalizar e defender quem “se propõe mergulhar o Brasil no coração das trevas” é assunto desprezível ou crucial para o cidadão e pessoa Vicente Jorge Silva? Que terá o Vicente a dizer quando vê o projecto de jornalismo e decência que lançou e dirigiu a ser usado como meio de perseguição e assassinato de carácter contra o Domingos Farinho?

O silêncio destas autoridades directivas e morais sobre as pulhices não só escarrapachadas como muito bem pagas no seu jornal leva-me a concluir que o sucesso do João Miguel Tavares ocorre não apesar mas por causa da sua tipologia difamatória, panfletária e ofensiva da honra de terceiros, da dignidade das instituições e do respeito pelos princípios fundantes do Estado de direito democrático. Pelo que se o Público está satisfeito com o serviço do seu caluniador profissional, como se induz e deduz, recomendo a contratação de João Pereira Coutinho e José Diogo Quintela. No muito que têm em comum, mas tanto, incluo o pormenor de cada um dos seus primeiros nomes começar por J. Ocasião criativa para o Manuel Carvalho inventar uma secção que seria um sucesso instantâneo e duradouro quanto ao número de comentários dessa querida turbamulta de archote, forquilha e cordame na mão: “Os 3 Javardos

A Graça e a Gravidade

Foi então assim. Ia avançado o ano de 2018 quando uma ministra da Cultura do Governo de Portugal ficou parada, de pé, algures no México. Objectivo: responder a perguntas de jornalistas portugueses. Uma dessas perguntas remetia para uma manchete de um semanário português. Quem a interrogava queria obter declarações da ministra sobre essa notícia. A ministra não quis comentar e – por razões que remetem directamente para a singularidade que deu origem a este universo há 13,7 ou 13,8 mil milhões de anos (a diferença é alvo de acaloradas discussões entre os cientistas, se alguém tiver informações que ajudem a esclarecer a disputa é favor chegar-se à frente) – deixou que a sua boca e garganta fizessem as contracturas musculares suficientes para o ar circundante propagar sons cuja descodificação em cérebros humanos a funcionar razoavelmente corresponde a estas palavras e respectiva pontuação:

Sabe, uma coisa óptima de estar aqui em Guadalajara há quatro dias é que não vejo jornais portugueses...

Fulanos adeptos da violação do segredo de justiça onde se passe na TV não apenas os sons mas também as imagens dos interrogatórios de arguidos, acusados ou meras testemunhas, em ordem a que esses valentes se deleitem de comando na mão na descoberta dos inevitáveis sinais de corrupção da bandidagem filmada manhosamente nos estúdios do Ministério Público, estão em óptimas condições para perceberem que a declaração da ministra ocorre no meio de uma afável e descontraída conversa com a jornalista que faz a pergunta. O seu rosto está sorridente, a expressar a capacidade para representar na sua subjectividade a intenção bondosa e convencionalmente provocatória da pergunta nascida numa subjectividade alheia. O contexto dialógico remetia exclusivamente para a temática das touradas e a ministra nada mais tinha a dizer naquela ocasião sobre um assunto que se tinha transformado numa tempestade política a partir do aproveitamento de um vocábulo pesadamente polissémico dito por si em público enquanto ministra. Esse passado era a fonte da energia mental que envolvia interrogadora e interrogada. Donde, fez o possível para negociar com a jornalista uma trégua. A expressividade do seu rosto antes de responder e o pedido de desculpas que acrescentou de imediato após o desabafo sobre os jornais por (supostamente) não ter visto a tal capa do Expresso chegam para mostrar que o episódio ocorria adentro de intencionalidades absolutamente banais e locais. A declaração, portanto, não se pretendia como um juízo sobre qualquer aspecto relativo aos referentes “jornais” e “portugueses”, antes e só ao sujeito locutor. Era para ela, a pessoa no papel de ministra da Cultura apanhada numa polémica bovina sobre touradas e só para ela naquela exacta circunstância em que a voltavam a confrontar inutilmente com esse passado ingrato e escabroso, que havia alívio em poder agarrar-se a uma desculpa para fugir da lide mediática. A desculpa saiu-lhe daquela forma porque lhe saiu sincera – fruto automático da empatia que sentia pela jornalista nessa interacção.

Isto é simples. O que se seguiu também. O Guerreiro-poeta apontou os canhões da sua escrita gongórica e disparou até à última munição no arsenal para um exercício ad feminamCultura de Graça. O pretexto era a defesa da tal manchete bravíssima e da excelência do jornalismo do semanário do militante nº 1 do PSD. Mas isso era pouco para o director de tão prestigiada instituição que até tem funcionários especializados em publicar notícias falsas sobre o Presidente da República e o primeiro-ministro, que inventa relatórios tão secretos que ninguém com responsabilidade os fez, que alimenta a politização da Justiça e a judicialização da política e não pede sequer desculpa pela conspiração, que funciona como um grupo de pressão do/no PSD. Havia que sacrificar Graça Fonseca no altar da sua prosa soberba e tão bem remunerada. Tinha sido a vítima a dirigir-se voluntariamente para a matança, ia descobrir o que acontece aos membros do Governo socialista que se atrevam a usar as palavras “jornais” e “portugueses” de forma ambígua. E o que acontece é serem reduzidos a um saco de porrada verbal cuja virulência atingiu a mais pura pulsão homicida. Pedro Santos Guerreiro consegue fazer da actual ministra da Cultura o bode expiatório da crise financeira e sociológica da imprensa em papel, uma notável cúmplice do plano do “poder” para acabar com a liberdade de imprensa recorrendo a respostas de 4 segundos em Guadalajara, e ainda um ser destituído de honra pessoal e módico tino que aceitou o cargo de ministra apenas para locupletar-se através de um cartão de crédito. O senhor escreveu e assinou isto, o senhor é director do Expresso.

Podemos esquecer todos os outros, e foram quase todos no comentariado nacional, que alinharam com esta violência. Que a validaram por actos e omissões. Que a celebraram consolados. Só não podemos esquecer que um suave chiste dito a nove mil quilómetros de distância acabou por nos revelar que a crise do jornalismo em Portugal não está tanto no desaparecimento de títulos e leitores. Ao contrário, parte principal dessa crise consiste na persistência de um tipo de suposto jornalismo como o que o Expresso pratica. A capacidade de usar os valores mais altos para os ataques mais baixos perverte fatalmente o sentido do jornalismo como baluarte da liberdade, da democracia e da salubridade do espaço público. A gravidade do texto odiento e canalha do director do Expresso não tem Graça nenhuma.

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