Aviso aos pacientes: este blogue é antianalgésico, pirético e inflamatório. Em caso de agravamento dos sintomas, escreva aos enfermeiros de plantão.
Apenas para administração interna; o fabricante não se responsabiliza por usos incorrectos deste fármaco.

Porque há quem goste

O caso da recapitalização da CGD é um dos tais onde a complexidade das questões bancárias, financeiras, legais, técnicas e políticas, para mais implicando diferentes decisores dentro e fora de Portugal, ultrapassa a capacidade de entendimento de 99% da população e 99% dos jornalistas. De tal maneira que perante o começo do seu desfecho – Bruxelas aprovou recapitalização da CGD que pode ir até 4,6 mil milhões – a oposição precisa de se preparar para abrir a boca e PCP e BE estão em modo “cautela e caldos de galinha”.

Entretanto, o caso tem servido para ataques eufóricos ao Governo, tanto por parte da actual direita como da actual imprensa. Ataques inevitáveis pois em ambas as entidades vigora uma lógica simplista e maniqueísta. A lógica da afirmação totalitária, onde se ficciona a actividade governativa retirando-lhe as características que a moldam como um exercício invariavelmente destinado ao falhanço – isto é, destinado ao concreto. Ao invés, as oposições, e a imprensa sendo sua extensão e réplica de acordo com as agendas próprias, discursam como se governar correspondesse à abstracta correlação entre uma decisão plenamente informada e livre de condicionalismos e um efeito directo desse acto governativo. O que é falso. O que é uma ficção. Daí ao se trocarem as cadeiras toparmos com a mudança das cassetes, passando os mesmos actores a repetirem os argumentos que ouviam aos adversários antes da alteração no poder.

Qual era o racional para a inclusão de administradores não-executivos na CGD? O que levava a direita e a esquerda a estarem contra tal inclusão? Quais os critérios para julgar um erro tal pretensão do Ministério das Finanças? Sejam quais foram as respostas, na realidade temos um Governo minoritário que tem de negociar as suas opções executivas tanto no Parlamento como na Presidência da República, e ainda na Europa nos casos onde tal é necessário. Como a História não se repete, nunca ninguém verá outro conjunto de governantes a resolver o mesmíssimo assunto nas mesmíssimas condições. Como avaliar a qualidade das decisões tomadas, então?

Os tribalistas não precisam de pensar. A bandeira das tropas é o seu farol, sabem sempre onde está a linha de costa. Os que prezem a liberdade, preferindo a incerteza à tanga, poderão recorrer a este exercício: se já foram enganados uma vez por alguém, à segunda só caem se quiserem; ou se gostaram de ser tratados como borregos, porque há quem goste.

PCP, um partido de farsantes no que toca às “violações dos direitos humanos”

O ministério da Justiça (MJ) deu ordens à Polícia Judiciária (PJ) para suspender a participação no projeto europeu destinado a treinar os inspetores em técnicas de interrogatório a suspeitos de criminalidade organizada transnacional. Esta decisão veio na sequência de vários protestos de partidos e organizações de esquerda, principalmente do PCP, porque a coordenação técnica era de Israel, cujas forças de segurança "violam os direitos humanos". O MJ refuta a "motivação política" na decisão.

[...]

Os protestos da esquerda começaram em junho passado com uma tomada de posição conjunta de várias organizações, como o Comité de Solidariedade com a Palestina, a CGTP, a SOS Racismo, a União de Mulheres Alternativa e Resposta, o Coletivo Mumia Abu Jamal e o Conselho Português para a Paz e Cooperação. Depois o PCP e os Verdes questionaram o Governo, tendo a PJ informado a coordenação do projeto da desistência em julho.

Os comunistas invocaram "violações de direitos humanos" por parte das autoridades israelitas para pedirem ao governo que retirasse a PJ do projeto, lembrando que "são sobejamente conhecidas as práticas de interrogatório "intercultural" das forças de segurança do Estado de Israel e o tratamento dado aos detidos palestinianos, com recurso à tortura".


Governo cede a pressão do PCP e afasta PJ de treino com Israel

Revolution through evolution

Austerity Linked to Rise of the ‘Spornosexual’
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Standing up for beliefs in face of group opposition is worth the effort, study shows
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Are violent video games associated with more civic behaviors among youth?
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Cognitive offloading: How the Internet is increasingly taking over human memory
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‘I miss you so much’: How Twitter is broadening the conversation on death and mourning
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It’s True: Latinos Age Slower Than Other Ethnicities
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A Dog’s Dilemma: Do Canine’s Prefer Praise or Food?

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Sendo tão pouco prático, o burkini só pode ser uma provocação?

Desconheço se a sua criadora, uma libanesa residente na Austrália, concebeu, além do modelo, também um tecido que seque facilmente no corpo, ou se são necessárias as antigas barracas de praia, fechadas, para a substituição de tal fatiota após o banho. No primeiro caso, se a resposta for afirmativa, por que não um tecido branco, que sempre resiste mais aos raios solares? No segundo caso, haverá, no Ocidente, vestiários considerados amigos do islão? Penso que até os pinguins terão mais sorte e conforto nos confins do hemisfério sul. Enfim, a mim, parece-me muito pouco prático. É certo que se assemelham aos fatos de surf ou de mergulho, incontestados na nossa sociedade, até por serem iguais para homens e mulheres, mas estes são para despir mal se saia da água, inclusivamente por razões de saúde, para darem lugar ao calção ou ao fato de banho vulgar/bikini. São fatos de trabalho, digamos. E são unissexo. Os burkinis, não. São, de facto, fatos de banho exclusivamente femininos, para nós fatos de banho de outros tempos, do tempo em que as mulheres tinham que ser inibidas e inseguras em público, propriedade de seus pais ou maridos. Umas peças, elas, uns objetos. Uns úteros, na prática. Uma perguntinha: não trocando de indumentária na praia, como regressam estas mulheres ao carro? Desconheço a resposta.

Há quem fale de desrespeito pela liberdade de escolha a propósito da proibição destes fatos. Mas estas mulheres não são livres de escolher vestir um bikini, por exemplo. A escolha aqui é extremamente limitada: ir com roupa de cidade (e não tomar banho),  ir assim ou não ir. Será só graças à enorme benevolência dos machos muçulmanos (alguns) que elas poderão apresentar-se assim em público. Livres? Não brinquem.

Numa outra perspetiva, o burkini parece, sim, pretender ser um grande negócio à escala mundial e os três ou quatro exemplares avistados nas praias francesas são apenas pequenos ecos da revolução desencadeada noutras paragens. Segundo li, a Marks & Spencer, na gama popular, comercializa estas peças há algum tempo no Dubai e na Líbia e, há dois meses, na sua loja principal em Londres, e as firmas Dolce & Gabbana e Donna Karen NY já se lançaram no design de tais peças para a gama de luxo. As perspetivas de crescimento deste mercado são da ordem dos 82% em todo o mundo. É isto mau? Economicamente, é bom. E não, socialmente também não é mau, se considerarmos o mundo muçulmano, onde suponho que, antes desta modernice, as mulheres nem sequer fossem ao mar (ou à piscina). É uma vitória sobre os seus esclerosados hábitos sartoriais, que, a partir daqui, só podem avançar no caminho da descomplicação (digo «só», mas não é garantido; já houve regressões). Nesta perspetiva, o burkini representa, pois, uma abertura, tendo em conta que as formas das mulheres ficam à vista, isto é, os traseiros mais ou menos jeitosos, o peito, maior, mais pequeno, as pernas, mais bem ou mais mal torneadas. Só a pele não. Imagino bem o iraniano Mahmoud Ahmadinejad de má memória a proibir estes fatos por demasiado ousados.

A questão é o contexto em que são envergados em países como a França ou a Alemanha. Aqui, onde estão ainda frescas as imagens dos atentados cometidos em nome do islão, é pedir demais que as pessoas não associem a compra e ostentação destes fatos (e burkas e niqabes) a uma solidariedade com os praticantes de tais atos ou à identificação com a religião mais opressora das mulheres, retrógrada e violenta da era moderna. É natural que não se goste de ver reavivada a memória e que se hostilize o que se considera uma provocação. No contexto atual, repito. E sim, neste contexto, compreendo a sua proibição (embora entenda que a burka e o niqab devem ser proibidos em qualquer circunstância, e já são). Na verdade, quem discorda e protesta contra os presidentes de câmara ou ministros que decidem tal medida, melhor faria se incentivasse as mulheres muçulmanas a protestarem e a lutarem contra a supremacia masculina nas sociedades e comunidades islâmicas. Esse devia ser o alvo. E a protestarem mais alto, que ninguém as ouve, contra os terroristas que planeiam e executam os atentados. Pois é. Convivessem no Ocidente pacificamente e integradamente as comunidades muçulmanas (refiro-me à maioria, claro) com a restante sociedade, assimilassem alguns dos nossos valores, e não existisse a ameaça dos fanáticos religiosos islâmicos do Médio Oriente, que obriga à deslocação de contingentes de militares ocidentais para campos de guerra perigosos e à mobilização de milhares de polícias permanentemente na Europa para garantir a nossa segurança, e penso que até se encorajaria o uso de tal traje pelas mulheres destas comunidades, já que representa um certo avanço nas mentalidades. Assim, é difícil achar-lhe piada. A proibição tem em conta o contexto, creio que não mais.

Imprensa de má referência

Se há coisa que se pode dizer sobre Pedro Passos Coelho, sem criar qualquer polémica, é que é um político que não vive para as sondagens.

O ex-primeiro-ministro do PSD nunca se posicionou como líder que quer agradar, que antecipa o mood nacional e diz o que os portugueses querem ouvir.

Quando fala, percebe-se que Passos acredita no que diz e que quer dizer as coisas como pensa que elas são, por desagradáveis e duras que se revelem. No partido, alguns dos seus seguidores, como o jovem Hugo Soares, vice-presidente da bancada social-democrata, vêem-no como o homem que “fala verdade aos portugueses” e assume com orgulho os custos políticos resultantes desse estilo.

Público – Editorial – 15 de Agosto de 2016

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Não me lembro de ter visto qualquer estudo ou mera contagem a olho sobre o assunto, pelo que tenho apenas a minha memória como material de análise. Na minha memória, não encontro um líder partidário em Portugal que tenha mentido tanto como Passos Coelho. Sequer que se encontre na mesma divisão. Mentiras directamente relacionadas com as sondagens, com as eleições, com a manipulação do eleitorado.

A mentira – ou, para ser rigoroso no exemplo seguinte, a falsidade – começa com a sua transformação em liberal em 2010. Um liberal à portuguesa, de pacotilha, chegando ao ponto de atacar os fundamentos da Constituição e de andar a pedir prisão para políticos, que agitou essa bandeira por mera táctica face à conjuntura. Dois anos antes, ainda com o “pin” de social-democrata na lapela, andava a elogiar Sócrates pela sua resposta à crise internacional. Era o tempo em que valia tudo para desgastar Ferreira Leite, até atacá-la pela esquerda.

A mentira – aqui, sim, com todas as letras mais o espaço entre elas – continua com o chumbo do PEC IV e a campanha eleitoral de 2011, ficando como um logro historicamente original. As promessas de não ir despedir funcionários públicos, de não ir baixar salários, de não ir cortar pensões e subsídios, de ir estancar a emigração, e de que os problemas se resolveriam magicamente “cortando gorduras no Estado” e substituindo os bandidos do PS pela “gente séria”, foram feitas por ele e pelos seus tenentes até ao último dia de campanha. Nesse sentido, tendo em conta que o PSD sabia exactamente o que iria acontecer ao País e aos seus habitantes com o chumbo do PEC mais o pedido de resgate, nunca tivemos uma fraude eleitoralista como esta na democracia portuguesa.

A mentira – ainda por conhecer quanto às suas consequências finais para as contas públicas – culmina com a fuga às responsabilidades governativas do ponto de vista do interesse nacional que o levou a empurrar as crises do BES e do Banif para fora do perímetro da “saída limpa”. Resultado: uma entrada suja na campanha eleitoral de 2015, onde a tanga da “recuperação económica” e da “austeridade salvífica” foi explorada até à exaustão.

Não sei quem é que escreveu este editorial, presumindo que tenha sido Bárbara Reis. Mas sei que ele transforma a expressão “imprensa de referência” numa anedota.

Ah!

João Céu e Silva - Acha mesmo que venceu o debate sobre o marxismo e o fascismo?

José Rodrigues dos Santos - Ninguém conseguiu desmentir o que escrevi no livro e num texto de opinião que publiquei, em que mostrava que havia historiadores a dizerem a mesma coisa que eu. Até foi estranho que um historiador tivesse começado o seu artigo por desmentir afirmações que eu não tinha feito. É difícil desmentir que o fascismo tem origens no marxismo porque é verdade. Eu nunca pretendi que isto fosse um facto novo, aliás, em toda a minha obra não digo coisas novas para os especialistas.


Fonte

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Estamos em meados de Agosto, altura ideal para voltarmos a uma das polémicas mais originais dos últimos anos, aquela que levou um famigerado apresentador de televisão, na posse da verdade a respeito do fascismo e do marxismo, a ser confrontado nos jornais por um grupo muito reduzido de supostos especialistas em História, e merdas dessas, os quais apenas conseguiram exibir a sua ignorância. Verdade.

A verdade, como substantivo e adjectivo, é um termo que aparece 23 vezes na entrevista de JRS ao DN. A entrevista termina, aliás, com o entrevistado a perguntar ao entrevistador se quer a verdade. Não sabemos o que o entrevistador terá respondido, pelo que não sabemos se a verdade foi de facto revelada nessa resposta final. Pode ter acontecido que o entrevistador tenha assinalado com um assentimento da cabeça ou de olhos que, sim, queria a verdade. Mas igualmente é legítimo supor que o entrevistador tenha ficado lívido e imobilizado perante a iminência de se deparar com a verdade, rigidez corporal e facial essa que bastasse ao entrevistado como sinal para deixar a verdade vir à luz. Ou podemos imaginar que o entrevistador fosse vítima de um espasmo ocular involuntário que tenha sugerido ao entrevistado estar o interlocutor em condições de acolher a verdade. A falta de informação contextual na peça dá azo a estas fantasias. Finalmente, é ainda de supor que o entrevistado não tenha recebido as garantias necessárias por parte do entrevistador para que a opção de contar a verdade se concretizasse. Nesta última hipótese, a entrevista termina com uma mentira – o que é sempre chato, embora seja também interessante.

JRS partiu para esta polémica com um avanço que, soubemo-lo entretanto, era impossível de vencer. Como nos conta, “houve historiadores a dizerem a mesma coisa que eu“. Portanto, não estamos perante um caso em que JRS resolveu repetir uma cenas esquisitas assinadas por historiadores. É ao contrário. E isto, como se viu rapidamente, era algo que em Portugal todos menos ele ignoravam. Sintomaticamente, o último texto que publicou sobre a temática – “O fascismo tem mesmo origem no marxismo” – não teve resposta de ninguém. Todos refugiados em tábuas e com a viola metida no saco, para usar duas imagens que acabei de inventar. Nem sequer do valente do Araújo, a quem a lição é dedicada, veio um ditongo crítico. Talvez porque o texto termina com um viril grito, “Ah!“, e este Araújo se sinta mais confortável a bater em mulheres (é uma metáfora, António, calma).

Ora, estamos em meados de Agosto. E isto é verdade. Então, bute responder ao JRS recorrendo a uma outra verdade ausente desta polémica até à data. Cá vai ela: Differenz der demokritischen und epikureischen Naturphilosophie. Acertaste, trata-se da tese de doutoramento de Marx. Com 23 anos, Marx obtinha o seu título académico com uma profunda reflexão sobre as diferenças entre os atomismos de Demócrito e Epicuro. Diferenças fascinantes, onde os átomos de Epicuro são a modos que avariados da corneta, sofrendo de uma tara chamada clinamen, enquanto os atómos de Demócrito não passam de uns totós. Tudo o que veio a seguir na produção intelectual de Marx resulta deste tratado. Sim, voltaste a acertar: o fascismo vem do atomismo clássico grego – ou, para sermos mais exactos, o fascismo vem do marxismo e o marxismo vem do epicurismo. Porquê? Porque é verdade. Não dá para desmentir. De resto, há historiadores a dizerem o mesmo que eu. Olha aqui um de quem o JRS deve gostar bastante:

A capacidade das esquerdas mundiais para justificar em nome de uma utopia humanitária as piores atrocidades do regime comunista — e, exterminado o comunismo na URSS, para continuar a pregar com a maior inocência os ideais socialistas como se não houvesse nenhuma relação intrínseca entre eles e o que aconteceu no inferno soviético —, é uma herança mórbida que, através de Marx, veio do epicurismo.

[...]

Que Marx tivesse, pessoalmente, um tremendo senso do teatro, do fingimento, da prestidigitação, é coisa que os biógrafos já estabeleceram com certeza suficiente. Mas isto não bastaria para dar à sua filosofia tamanho poder de ludibriar as consciências. Quando, no entanto, notamos que o primeiro interesse acadêmico do jovem Marx foi devotado ao estudo do príncipe dos ilusionistas filosóficos, e em seguida constatamos ser idêntica, em Epicuro e nele, a mixórdia proposital e alucinógena da teoria na prática e da prática na teoria, então compreendemos a virulência inesgotável da herança epicurista, capaz de atravessar os milênios e ressurgir a cada novo empenho cíclico de instaurar em alguma parte do mundo o reinado da impostura.

Olavo de Carvalho – EPICURO E MARX

Perante estas verdades, perante o calibre dos historiadores que me repetem, toda a polémica avança na direcção de uma verdade maior ou melhor do que a tese inicial de JRS, talvez mesmo maior e melhor em simultaneidade e concomitância. Agora, sabemos muito mais do que sabíamos em Maio e Junho passados. Restará satisfazer a última curiosidade: e o epicurismo, vem donde? Hum?

Mas não se vê logo, caralho? Esta até quem fez a antiga 4ª classe sabe de cor. De Sócrates!

Passos, o tal que nos ofereceu coisas inesquecíveis do ponto de vista económico, social e político

"Esta solução de governo está esgotada, não tem nada para oferecer do ponto de vista económico a não ser a estagnação e eventualmente o conflito com os credores, as instituições europeias e os investidores", afirma o líder do PSD. Passos Coelho considera também que também a nível social a "troika governativa" está esgotada porque só sabe fazer o que é fácil" e a seguir acabam-se a ideias".


Fonte

Revolution through evolution

Partisan Media Can Influence Viewers to Reject Facts
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Single people have richer social lives, more psychological growth than married people
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Study shows men follow up conflict with friendly gestures more than women
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New study confirms adage that with age comes wisdom
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Experiment shows exposure to nature reduces aggressive behavior among inmates
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Becoming a volunteer later on in life can result in good mental health and wellbeing
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Eating a Mediterranean diet can slow down cognitive decline

Os caluniadores protegem o povo das agruras da complexidade

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E a verdade é que em Portugal nunca se avançou por uma legislação que previna, por exemplo, o enriquecimento ilícito, porque esse é um dos problemas do regime que temos, nenhum partido quer essa figura, a verdade é esta. Cada vez que há uma iniciativa legislativa ela morre no Parlamento porque já vai inquinada. Aquilo que seria uma outra iniciativa muito prática e muito boa, que era o obrigar a reverter todo o rendimento e todo o património acumulado em caso de dúvida, também não existe e devia ser legislado. Eu digo isto porque acontece que em relação a estes casos, grandes casos, de decisões económicas que aconteceram em Portugal, nos anos que estão em apreço, que estão em análise, que estão ao mesmo tempo referidos neste processo que envolve o ex-primeiro-ministro, eu soube de casos de advogados, e não estou aqui a influenciar ou a querer dizer que a classe é toda assim, não, mas sei que houve casos pontuais de advogados que fizeram pareceres jurídicos para determinadas obras como parcerias público-privadas e que em pouco tempo no espaço de meses ganharam milhões e milhões de euros. E não foram só advogados, foram economistas, foram professores universitários. A própria academia participou nesta deriva muito grande que houve na tentativa de se fazer obra; isto é, de fazer acontecer para alguém ganhar, porque não há outra maneira de dizer isto. Soube de casos de economistas que fizeram estudos de tráfego das estradas, das novas auto-estradas, provando por A + B nos seus estudos econométricos que iriam dar azo a que passariam por lá centenas de milhares de automóveis todos os dias, e tudo isso se provou, grande parte disso se provou que era mentira. E agora nós perguntamos uns aos outros como cidadãos, "Mas nós pagámos, e estamos a pagar, isso tudo e ninguém investiga?". E eu tenho que remeter para este período da História em que eu concluo o seguinte: houve um primeiro-ministro que se sentiu à-vontade para decidir todos estes grandes dossiers, e foi um período histórico em que houve uma escolha de um Procurador-Geral da República, que mais tarde, pelo menos na altura não foi percebido mas mais tarde percebeu-se, que era amigo pessoal, e houve uma influência numa eleição ou numa escolha de um presidente de um Supremo Tribunal de Justiça, que mais tarde apareceu na situação também em que aparece muito chegado a um ex-primeiro-ministro. E isto foi de tal forma gravoso no nosso regime, não tenhamos medo das palavras, que quando se descobre que há uma tentativa de controle da comunicação social, que como sabemos chegou a atingir a TVI, ou por meios indirectos houve até uma tentativa por interpostos empresários, nomeadamente um deles, um senhor que era dono da ONGOING, que quis também controlar o Grupo Impresa, o que nós vimos foi que havia indícios de tudo isso, e houve um período histórico em que tudo isso não contou para nada e foi arquivado como se nada se tivesse passado. E, portanto, quando alguém sente, em determinado período, que pode actuar em vários campos para decidir dossiers a seu bel-prazer, em conjunto com outros decisores políticos, pensando que é inquestionável, é óbvio que aparecem exageros que levaram a uma deriva económica, que mais do que as questões de corrupção... Porque a mim o que me preocupa neste debate nem é se o senhor A ou B recebeu mais 5 ou mais 10 milhões. A minha maior preocupação está acima disso, é muito mais vasta do que isso. É que houve uma deriva económica do País no sentido de uma América-Latina, no sentido de uma falta de escrutínio e do mau funcionamento das instituições. E agora que o poder judicial está a tentar descobrir o que se passou, aparece alguém a dizer que não, não se passou nada, não há nada... Eu, não acredito que não haja nada. Continuo a dizer: como jornalista, tenho o direito à interpretação, e continuo a achar o que é legítimo supor face aos sinais que nos chegam.

[...]

Em primeiro lugar, uma questão que é pessoal: eu não desejo nenhuma vingança, eu não procuro nenhuma vingança nem acho que devamos estar à procura de ver alguém preso. Acho que isto não deve ser um bom princípio de conversa. No entanto, eu quero ser esclarecido como cidadão. [...] Dito isto, não me move nenhum desejo de que alguém seja preso mas pergunto-me por que é que estranhamente José Sócrates aparece sozinho neste processo. Estranhamente! Porque o dossier da PT tinha um ministro na altura que era o das Obras Públicas Transportes e Comunicações, o engenheiro Mário Lino, o dossier das parcerias público-privadas que está em investigação tinha um secretário de Estado que era Paulo Campos, houve um outro dossier que teve a ver com a venda, com a atribuição de concessões de barragens por mais 15 a 25 anos às grandes empresas, nomeadamente EDP e outras, que foi feita por apenas um terço do valor que os bancos de investimento internacionais diziam que era, 700 milhões de euros, quando os bancos diziam que aquelas concessões valiam pelo menos 2 100 milhões. E eu continuo a perguntar porque é que aparece um homem isolado neste processo e não há uma investigação, de fundo, que junte as pontas de todos estes dossiers e nos faça ver claro sobre este período da nossa História, que foi um período negro. Faço uma pergunta muito concreta: se nós olharmos para o que foi o chumbo da OPA sobre a Portugal Telecom, e era Belmiro de Azevedo e o filho Paulo de Azevedo que estavam a fazer este movimento, se ela não tivesse chumbado, será que a Portugal Telecom teria continuado a pôr o seu dinheiro de caixa, e era muito, no Banco Espírito Santo? É uma pergunta que eu não vejo respondida por ninguém. É que se calhar não tinha continuado, com todas as consequências menos boas que vinham para um grupo bancário, e um grupo económico construído sobre um banco, que também precisava desse financiamento. Portanto, todas estas questões precisam de ser esclarecidas. Eu estranho que haja um homem só num processo destes. Acho que de facto estas investigações deviam ser todas aprofundadas, deviam chamar outros protagonistas. Esta questão, volto a sublinhá-lo, não estou a dizer que isto é para haver um julgamento e uma vingança sobre um período histórico e seus protagonistas, não é nada disso, até porque há casos mais recentes que também merecem ser investigados, mas nós portugueses temos o direito de saber isso. E é isso que me move, é perceber qual foi a lógica destes negócios que tinham muita coisa menos o negócio "per si" e por um valor liberal de criação de riqueza.

[...]

Há outra coisa que eu oiço sempre, sempre, os defensores, os advogados dizerem em relação a processos que envolvem figuras públicas e se tornam muito mediáticos, que é "Ah, este é um processo muito complexo, de uma extrema complexidade, e não se consegue estabelecer relação causa-efeito". Pois eu tenho, enfim, chegado a conclusões na minha vida profissional, em relação a determinados dossiers e a determinados assuntos, de tecnicidade económico-financeira barra jurídica, que são deliberadamente construídos assim, com muita complexidade, para o comum dos cidadãos não perceber. E eu gosto de falar para o comum dos cidadãos.

José Gomes Ferreira – Especial Operação Marquês na SIC-N

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Estas declarações de um dos mais poderosos profissionais da indústria da calúnia provam, se mais provas fossem precisas, que não existe imprensa em Portugal. Isto é, não existe nenhum órgão de comunicação social (do meu conhecimento) que tenha como critérios supremos da sua missão jornalística a independência e a coragem da investigação. Porque se existisse, no dia seguinte, ou no dia seguinte ao dia seguinte, teríamos alguém desse órgão sonhado a entrevistar o sr. Ferreira, ou a relatar que o tentou entrevistar e que ele recusou.

É difícil de perceber o que seja mais grave, se a visão de completa violação do Estado de direito e falência das instituições da República que as insinuações e afirmações acima transcritas consubstanciam, se a indiferença com que são acolhidas pelos pares mediáticos, pelo sistema partidário, pela opinião pública e pelas próprias autoridades judiciais. Eis o que foi difundido oficialmente por uma das figuras com maior projecção no Grupo Impresa:

– Que há um “período histórico”, balizado pela entrada e saída de Sócrates no cargo de primeiro-ministro, onde o Governo e o Estado foram usados criminosamente ao serviço de interesses particulares bem identificados.

– Que nesse mesmo “período histórico”, e para efeitos de cumplicidade com essa prática criminosa, a Justiça foi corrompida nas figuras dos corruptos Procurador-Geral da República e Presidente do Supremo Tribunal de Justiça ao tempo, os quais protegeram Sócrates e outros criminosos impedindo que fossem investigados judicialmente.

– Que são os partidos com representação parlamentar, todos, quem alimenta a corrupção ao não quererem evitar o “enriquecimento ilícito”.

Este Gomes Ferreira não prima pela sofisticação intelectual, usando as suas competências mentais e morais para assumir plenamente o papel de agitador populista ao serviço de uma agenda política transparente. Nesse papel, tem tido sucesso, pois é projectado pelo aparato da máquina SIC. À SIC, obviamente, interessa ter este caluniador profissional a ser visto como mero palhaço, pois tal permite que a sua actividade seja mantida pelo tempo em que for considerado útil. O mesmo se passou com o Crespo, tal qual. Mas por que razão a comunidade aceita ser intoxicada com este sórdido exercício de baixa política? Muitas serão as respostas, incluindo-se nelas o interesse da esquerda em que o PS seja atacado por todos os lados num vale tudo sem fim.

Existindo imprensa em Portugal, JGF seria entrevistado por um jornalista amante do jornalismo – o qual estaria muito interessado em levar muito a sério todo e qualquer contributo de JGF para o combate à corrupção. Eis algumas das perguntas inevitáveis:

– Por que razão considera ser o “enriquecimento ilícito” um dos problemas do regime? Sabe que já existe legislação para punir diferentes formas de enriquecimento ilícito? Se sabe, admite inverter o ónus da prova no combate à corrupção? E se o admite, devemos parar aí ou estender esse critério a outros tipos de criminalidade? Quais são as suas fontes acerca da dimensão do “enriquecimento ilícito” em Portugal? Quais são os restantes principais problemas do regime que tenham a mesma ou mais importância ou nenhum outro se equipara com este em gravidade? Acha que os partidos são cúmplices da corrupção? Se sim, como o descobriu? Se não, admite que possa estar enganado ou com dificuldades cognitivas no trato desta questão?

– Antes de Sócrates ter sido nomeado primeiro-ministro não se pediam pareceres para justificar investimentos públicos? Estudou esses pareceres anteriores avaliando o seu preço e o grau de acerto ou desacerto face ao futuro? Estudou os pareceres encomendados pelos Governos de Sócrates? Se os estudou, quais são as falhas que apresentam que possam ser consideradas “mentiras”? Uma previsão de tráfego é considerada uma mentira a partir de quantos automóveis por dia? Mas se são mentiras, e se foram encomendados para apresentarem mentiras que serviriam como justificação e cobertura para negócios criminosos, quem são esses responsáveis? Por que razão a SIC, ou o Expresso, ou a Visão, ou todos estes órgãos à vez ou à molhada, não expõem essas mentiras, esses responsáveis da advocacia e da academia e esses crimes já do conhecimento de JGF? Acaso a Visão, o Expresso e a SIC estarão a proteger os corruptos que JGF enfrenta e denuncia heroicamente?

– Como é que Sócrates conseguiu manipular sozinho tantos negócios, com tanta gente envolvida, com tantos níveis de decisão, sem que tenham ficado registos das suas manipulações criminosas? Dada a constante vigia, incluindo policial, dos seus actos públicos e privados, como relacionar tanto crime potencial e sistémico, e tão espectacularmente ganancioso, com a falta de provas depois de anos e anos de investigação judicial? Como é que Sócrates conseguiu corromper a Justiça ao mais alto nível sem que a própria Justiça, nem que fosse através dos seus sindicatos, o tenha denunciado? JGF acha que Sócrates também tinha na mão o SMMP, a ASJP e o Conselho da Magistratura? Ou acha que o Conselho da Magistratura, mais a ASJP, mais o SMMP, mais o Presidente da República ao tempo, mais o Parlamento ao tempo e agora foram e são cúmplices dos crimes de Sócrates e por isso é que eles não são investigados como JFG gostaria que fossem?

A basicidade do estilo desta infeliz figura adequa-se na perfeição ao público de broncos e fanáticos a quem se dirige. Aquilo que está a fazer, porém e ironicamente, corresponde a uma intenção complexa: ser um factor de permanente desgaste dos alvos que a oligarquia portuguesa selecciona. Esta complexidade pede, para continuar operativa, que se cultive o simplismo demagógico e populista dos profissionais da indústria da calúnia. O “comum dos cidadãos” para quem fala é um borrego que abdica de pensar e já só deseja poder continuar mais um dia de cabeça baixa a pastar. Serviço prestado à Nação pelo militante número 1 do PSD.

A falta de assunto não pode justificar tudo

Estávamos em julho. O mês corria quente. Como não era credível que não houvesse incêndios no país, convenci-me de que teria finalmente sido estabelecido um acordo entre os principais canais de televisão para que não fossem transmitidas imagens das labaredas que destroem grande parte das nossas florestas nesta altura do ano e das tragédias pessoais das numerosas vítimas. Evidentemente que isto não significa não dar notícias dos incêndios. O assunto é grave e deve ser notícia. No entanto, há maneiras inteligentes e comedidas de o fazer. O facto é que aquela suposta decisão agradou-me e supus até que tivesse sido promovida pelo Governo. Puro engano. Agosto chegou. Políticos de férias. Os assuntos escasseiam. Ontem, e dizem-me que nos dias anteriores também, não havia um canal que não ocupasse as longas horas de programação da noite com chamas e mais chamas e pessoas desesperadas e novamente chamas, até já não se suportar tal insistência sádica. Os próprios convidados que, nos estúdios, peroravam sobre as soluções espectaculares que facilmente implementariam caso tivessem poder, apareciam apenas em metade do ecrã, para que, enquanto falassem, se continuassem a ver, em repetição constante, as chamas e as faúlhas e as casas e paisagens destruídas. Como é possível? Como é possível a falta de assunto toldar o raciocínio dos responsáveis televisivos ao ponto de não se importarem minimamente com o efeito de deleite que tais imagens provocam nos incendiários? Será este incentivo ao crime aceitável? Alguém já “falou” com as televisões? A ERC, o Governo?

Portimão sem urgências de ortopedia?

Não sei se é consequência da política de cortes dos últimos anos, ou se o problema (e qual será?) já vem de trás. Confesso que não tenho aprofundado as causas reais da carência de profissionais de saúde no Algarve (que, no entanto, me parece uma região muito agradável para se viver e trabalhar). Sei que o Centro Hospitalar do Algarve (segundo informação disponível no seu sítio Web) precisava, em julho, de 51 profissionais, entre os quais 4 ortopedistas, e abriu concurso para o preenchimento dessas vagas. Será que é só para o hospital de Faro? Será que alguém se apresentou? Se sim, serão suficientes para os meses de verão? Imagino que, atingindo o Algarve grandes picos de ocupação numa altura precisa do ano, não seja a tarefa mais fácil do mundo recrutar médicos temporários só para os meses de maior afluência turística. Mas penso não ser o caso dos ditos 51, que serão carências permanentes. Mas, e ignorando se a carência de Portimão se verifica durante todo o ano (podem os médicos estar de férias, claro), parece-me inaceitável que a cidade, de dimensão razoável (60 000 habitantes), e o seu concelho não disponham de um serviço de ortopedia nas urgências. A expressão dos técnicos da ambulância, de que “não há urgências de ortopedia em Portimão”, sugere uma situação constante.

Uma pessoa amiga teve o azar de fraturar uma perna no mar, num dia de rebentação forte, e teve de ser transportada para Faro, onde, à hora a que escrevo, ainda não é certo que permaneça para ser operada. Possivelmente irá para Lisboa, onde reside.

Ainda me lembro bem de, há uns anos, eu ter ido parar às urgências de Portimão com um problema no tornozelo, depois de um salto na areia que acabou com o meu pé esquerdo em cima de um calhau escondido. Não só o serviço existia, como também estava repleto de “acidentados”, desde crianças a velhotes, muitos deles casos bicudos de fraturas expostas que muito me impressionaram. Imagino estes casos todos multiplicados por dois, ou mais, a sobrecarregarem as urgências do hospital de Faro. É o caos. E o trágico é que já deixou de ser apenas imaginação. O que aconteceu entretanto? Não teriam esses médicos muito que fazer? Eram uma gordura do Estado? Foram embora para países que pagam melhor? É que ninguém terá dúvidas de que o número de turistas no Algarve aumentou consideravelmente desde então, assim como a população residente no concelho de Portimão, muita dela estrangeira. Além de que o agora chamado Centro Hospitalar do Barlavento Algarvio (Portimão) acolhe a maior parte dos doentes de Lagos, cujo hospital me parece prestar apenas serviços básicos, apesar do crescimento visível da cidade. Um mistério que não tem graça e uma situação que, a avaliar por muitos comentários deixados por estrangeiros na rede, é vergonhosa. E dissuasora.

Revolution through evolution

’Media Contagion’ Is Factor in Mass Shootings, Study Says
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Research explodes the myth of a ‘West vs. Rest’ cultural divide
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Study suggests ‘use it or lose it’ to defend against memory loss
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Tinder: Swiping self esteem?
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Why you’re stiff in the morning: Your body suppresses inflammation when you sleep at night
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Curiosity Has the Power to Change Behavior for the Better
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Selfless People Have More Sex, Study Finds

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É bem feita, Costa

CM Costa saque IMI
CM capa Clá Costa
CM capa Clã Sócrates

Não sei se alguém anda a estudar academicamente o fenómeno “Correio da Manhã”, um fenómeno que aumentou exponencialmente de poder ao passar também para a televisão. Muito mais importante do que ser um exemplo de tabloidismo feito com perícia, mais importante do que as enormes e crescentes audiências que conquista, o que o torna merecedor de estudo multi e interdisciplinar é a dimensão política onde esta entidade define um espaço de ostensiva batalha partidária para o qual também recruta, ou alicia, elementos que fazem parte do sistema de Justiça, e os quais comentem crimes (pelo menos) de violação do segredo em certos processos judiciais seleccionados estrategicamente. O sentimento de imunidade e de impunidade é total, nunca até hoje tendo sido descoberto, muito menos acusado, qualquer responsável pela contínua prática criminosa que chega ao jornal e canal Correio da Manhã.

Nestas capas acima, temos o modus operandi do CM em três exemplos paradigmáticos do seu estilo e intenções políticas, e também relevantes pela proximidade no calendário. Na primeira capa, deturpa-se por completo uma medida governativa numa lógica de diabolização do inimigo, Costa. Na segunda capa, explora-se um alegado acontecimento com um familiar próximo de Costa, a filha, e usa-se uma expressão cuja semântica popular – o “andar na noite”, o “ir para a noite”, o “trabalhar na noite” – a faz equivaler a prostituição. Ao mesmo tempo, usa-se a palavra “clã”, a qual é também fértil em ambiguidades semânticas negativas. Na terceira, publicada um dia depois da segunda, volta o “clã”, agora obviamente contextualizado pelo sentido mais negativo que o termo agrega – “clã de mafiosos”, “clã de criminosos”, “clã de poderosos”.

Desafio os malucos a contarem quantas vez o CM usou o termo “clã” para fazer capas a propósito de Passos Coelho, Relvas, Ferreira Leite, Marcelo, é escolher nesta área. Não me surpreenderia se se viesse a descobrir que para o CM só há clãs no PS e no Real Madrid (o “clã Aveiro”). Quanto a Costa, é bem feito o que o esgoto lhe está a fazer. Afinal, ele já para lá trabalhou e deu o seu melhor para o sucesso da coisa.

Quando chegarem as autárquicas, e calhando o Fernando Medina interromper o seu também extremoso esforço para o sucesso do CM, é certo que iremos ter notícias do “clã Medina”. Aposto que é mais um desses clãs a precisarem dumas capas do CM para ver se se arrependem da vida devassa que andam para aí a ter à conta do Zé que lê religiosamente este pasquim. Um pasquim que tantos e tão magníficos serviços presta à nossa decadente direita.

Exactissimamente

Uma escola que tem por cá ilustríssimos seguidores, de alguns dos mais lidos cronistas ao mais lido dos diários. Ai o cronista escreve mentiras? Não interessa, "é a opinião dele" - e "as pessoas gostam". Ai o título não coincide com o que está na notícia? Eh pá, se pusermos a verdade no título ninguém lê. Acusámos a pessoa e nem a ouvimos? Ela que nos ponha em tribunal - se tiver dinheiro para isso e se atrever a ser vista como inimiga da liberdade de expressão. O sucesso desta "escola de pensamento" é tal, de resto, que já estamos no ponto em que quem passa por maluquinho é quem se encarniça em, apresentando factos, denunciar mentiras. Como se a verdade fosse uma espécie - particularmente pouco sexy - de mania.


Sol, vistas e manias