
Nunca se cansa de pintar todos os dias
Descobre sempre um ângulo inesperado
Regista nas telas a luz das manhãs frias
Usa com as tintas algum sangue pisado
Quando chegou para ver uma Exposição
Era em noventa e oito, o século passado
Lisboa passou a ser o lugar duma paixão
Dum homem que viajou por todo o lado
Nunca se cansa de pintar todas as cores
A cada dia ele descobre novos olhares
Não lhe chegam ao ouvido os motores
Nem estas discussões mais particulares
Nos seus olhos que não param de olhar
Há um brilho tão fugidio e emocionado
No fundo de cada quadro está o lugar
Para um neto que ainda não foi beijado
Muito antes de ter rebentado o escândalo, o que se passava na Casa Pia era do conhecimento de todos. Por todos, entenda-se: as autoridades. Pelas autoridades, entenda-se: alguns indivíduos que frequentavam certos meios. Por certos meios, entenda-se: locais onde há pessoas.
Entenda-se: até ao princípio dos anos 80 havia prostituição juvenil masculina nos Restauradores, na rua, de dia – fora todos os outros circuitos, conhecidos de todos.
Entenda-se.
O destino de Queiroz será decidido hoje e no dia 7. Se Portugal ganhar ao Chipre e à Noruega em piloto automático, o azarado treinador perderá o apoio dos que alinham na sua vitimização, na sua irresponsabilidade, na sua tonteira e na sua incapacidade para chefiar homens. Já para chefiar miúdos, a sua fama mantém-se intacta.
The rise of commercial aviation, high-speed rail, the Internet and other technological advances have allowed smaller cities to compete with urban powers such as New York and Chicago, Neal said. The study identifies Denver, Phoenix and even Bentonville, Ark. — Wal-Mart’s corporate home — as some of the most well-connected and economically sophisticated communities.
Os bons, os maus e os vilões – tudo no mesmo dia
Parece de propósito mas tudo aconteceu depois de publicado no «aspirinab» um texto de memórias sobre o actor Lee Van Cleef. De manhã apanhei na Rua da Escola Politécnica um casalinho que fingia não ouvir a senhora da padaria a dizer «Venham pagar a garrafa de água!». Foram esconder-se atrás do caixote do lixo na Rua do Salitre e quando lhes falei fugiram pela rua acima. Aparentemente são pessoas normais mas na verdade não são nada normais. Quem rouba uma garrafa de água numa padaria é uma cavalgadura. A única boa pessoa é a senhora da padaria. Horas depois soube que, no prédio ao lado do meu, um indivíduo estrangeiro que exerce a profissão de professor em Portugal juntou um monte de cartas e só o entregou á dona da casa onde viveu estes meses no dia em que se foi embora. O grande palhaço não quis perceber que em Portugal as pessoas recebem cartas e não estamos no deserto do Norte de África. Aqui as notícias não vão de camelo; camelo é ele, o brutamontes chauvinista. Ao fim da tarde assisti a uma cena incrível: um gajo miserável dizia com um ar bastante empertigado ao recepcionista de um Hotel o seguinte – «Você garante-me que nos últimos dois anos não ficou nenhum gato neste quarto?». O rapaz respondeu o mais correctamente possível: «O nosso Hotel tem excelentes padrões de limpeza e desinfestação!». Mas o parvalhão não desistia: «Está provado que os pêlos dos gatinhos ficam dois anos e podem incomodar o cão…».
Cambada de trambolhos: o casalinho da manhã pareceu-me português, o estranho professor que amontoou correio é francês e o burro que incomodou o recepcionista do Hotel é espanhol. A CE está a enlouquecer aos poucos, é o que parece.
Em Portugal há quem prometa acabar com o desemprego empregando toda a gente no Estado, o PCP e o BE, e quem prometa acabar com o desemprego acabando com os impostos sobre as pequenas e médias empresas, o PSD e CDS.
Já só falta que estes partidos consigam fazer chegar as suas promessas ao eleitorado.
Se Cavaco se recandidatar, será desta que alguém, jornalista ou candidato, o obrigará a explicar o que foi a Inventona de Belém?
Quem disse que não se pode discutir apaixonadamente a revisão da Constituição mantendo um impecável rigor técnico?
Quem disse que um muçulmano não pode ser um exemplo de respeito e sensatez em matérias de orientação sexual e costumes?
Okay, but why do we cling to our views so tenaciously after they are formed? Interesting clues come from two areas of study… self-affirmation, and Cultural Cognition. Both areas suggest that we cling to our views because the walls of our opinions are like battlements that keep the good guys inside (us) safe from the enemy without (all those dopes with different opinions than ours). Quite literally, our views and opinions may help protect us, keep us safe, literally help us survive. Small wonder then that we fight so hard to keep those walls strong and tall.

Na Feira da Cebola em Setembro
Em Rio Maior, férias da Escola
O avô compra o sal de Dezembro
Os cegos cantam por uma esmola
Cabos de cebola de Alvorninha
Atraem o olhar de toda a gente
Às vezes vem a chuva miudinha
Sob o carro de bois é diferente
Eu durmo na manta aconchegado
A chuva só molha os animais
Havia roubos na feira de gado
Batiam nos ladrões com os varais
Fechada a estrada a fardos de palha
Passam os ciclistas num pelotão
A gente parecia uma muralha
Empurrava homens com o coração
Um golo em fora-de-jogo.
Um penalti que não existiu.
Uma oferta da defesa da Naval.
+
Um frango do Patrício.
A 24 de Julho celebrou-se o Dia de Sakineh Mohammadi Ashtiani. Foi um evento que ligou 30 cidades em diferentes continentes, considerado um sucesso pelos organizadores – os mesmos que 1 mês depois conseguiram ligar mais de 100 cidades. E os mesmos que continuarão a sua acção militante, procurando fazer crescer uma causa a que se adere de imediato pelas melhores razões imagináveis. Pergunta: quem é que no dia 24 de Julho, em Portugal, fez referência à acção?
Ninguém, arrisco esta resposta aproximada. O que significa que a inscrição do tema nas agendas políticas é previsível face à crescente popularidade da causa em tão curto espaço de tempo. Aliás, talvez esta seja uma oportunidade de ouro para criar uma funda consciência da cidadania europeia, justamente orgulhosa e identitária, através da pressão local sobre os eurodeputados de forma a gerar unanimidade no Parlamento Europeu. É nesse plano que a bandeira contra a lapidação e a pena de morte ganhará mais visibilidade e eficácia, podendo até influenciar a Comissão Europeia.
E seria uma forma da Europa se reencontrar com o melhor de si própria. Estamos cheios de saudades.
A terceira indignação é com o ministro Santos Silva. O ministro Santos Silva decidiu fazer uma coisa nunca vista num Ministro da Defesa. Foi comunicar, a países onde passam a existir núcleos de espiões portugueses – isto é, agentes de informações portugueses – “Olhe, a partir de agora mandamos uma equipa de espiões!” Nunca se tinha visto isto, um Ministro da Defesa a comunicar à comunicação social, a comunicar publicamente, que em países estrangeiros passariam a intervir agentes dos serviços secretos portugueses. Para, a partir daí, naturalmente, nesses países, no Líbano ou, porventura, amanhã também no Afeganistão, eles começarem a registar “Quem é que acabou de chegar! Vamos lá ver se estes são espiões ou não…” Os pobres ainda não começaram a intervir e já têm, olha, “Santos Silva” em baixo, “espião”. Os que são e os que não são, em princípio são todos espiões. Isto é Ministro da Defesa? Estamos a brincar…
Marcelo, perto das 22h de 29 de Agosto de 2010
Moura Guedes tinha razão quando vocalizou o sentido lamento: O que me faz pena é ver a informação da TVI chegar onde chegou. De facto, o mais provável era que Marcelo não conseguisse fazer este número chungoso se tivesse à frente Flor Pedroso. Pelo menos, ouviria uma boquinha acerca da inexistência de espiões ou da deturpação à má-fila do que foi dito por Santos Silva e respectivo pretexto e contexto da referência ao CISMIL. Com Júlio Magalhães, numa vergonhosa estratégia de favorecimento ao Governo e a Sócrates, passa tudo sem um murmúrio de questionamento. E passou a tentativa patética de achincalhar Santos Silva, mas feita a partir da mais absentista noção do ridículo. Não só Marcelo está a baralhar pedaços da história como se revela profundamente ignorante acerca do que sejam os serviços de informação militares portugueses. O que lhe interessava era malhar no malhador, à maluca.
Continue reading ‘A vingança dos impotentes’
Ana Paula Fitas – Ciganos de Ouro – Histórias e Vozes Reais…
José Augusto Rosa – Cerejo, o assistente [1] + Cerejo, o assistente [2]

Havia um girassol na nossa rua
Que cedo começou a dar nas vistas
À noite recebia a luz da lua
De dia era o encanto dos turistas
Que passavam a caminho do castelo
Guiados por mapas dos seus países
A pé ou num eléctrico amarelo
Olhando o girassol eram felizes
Mas de noite chegou uma brigada
Com fardas da Câmara Municipal
A coberto do escuro da madrugada
Vieram junto do bem, fazer o mal
Cortaram o girassol pela raiz
Destruíram um motivo de alegria
Muito mal vai a capital de um país
Quando o crime vem da autarquia
George Boeree é um castiço que não me conhece, mas de quem sou amigo. Para começar, tem esta introdução a Maslow que é uma notável exposição que alia a completude com a facilidade da assimilação pelo leitor. Agora reformado, deve ter sido um excelente professor a avaliar pela escrita simples que não perde exigência. Convido-te para atentares no segmento relativo à auto-actualização, especialmente nos nomes dados como exemplos de seres humanos que teriam atingido este estádio último, segundo Maslow: Abraham Lincoln, Thomas Jefferson, Albert Einstein, Eleanor Roosevelt, Jane Adams, William James, Albert Schweitzer, Bento de Espinosa e Alduous Huxley. O nome mais curioso, para nós, é o de Espinosa, holandês descendente de judeus portugueses. Mas bem mais curiosa é a lista de necessidades próprias aos indivíduos que se auto-realizam e o raciocínio que explica a raridade dessa realização, ao arrepio do que o senso comum concebe.
O meu amigo não se interessa só por psicologia, antes tem uma alma de inventor. Para além de assuntos algo menores como variantes de xadrez até matérias algo maiores como a Lingua Franca Nova, os seus neurónios não se podem queixar de falta de uso. Mas também exibe uma objectividade que está ao serviço da justiça, como nesta apresentação da comunidade Amish, seus vizinhos na Pensilvânia, por exemplo.
Contudo, o principal motivo para o estar aqui a louvar, ao meu querido amigo, resulta desta página. Foi para isto que Al Gore inventou a Internet num dia em que não se sentia acalorado: para se exibirem provas digitalizadas da existência da felicidade.
O protesto contra a lapidação, suscitado pelo caso de Sakineh Mohammadi Ashtiani, ligou mais de 100 cidades, de dezenas de países, em diferentes pontos do Globo. Como podemos ver, as manifestações congregaram números baixíssimos de participantes, em vários casos limitaram-se a piquetes na via pública. O exemplo mais espectacular desta baixa intensidade popular é o de Paris, onde se reuniram entre 200 a 300 manifestantes. Quase tão poucos como em Lisboa, com a agravante de contarem com activistas iranianos na organização e nas intervenções – e estarem em Paris… Fiasco? Falhanço?
Na única manifestação em que participei, algures nos anos 90, fomos uns gatos pingados até à embaixada dos Estados Unidos entregar assinaturas. Pingados não é apenas metáfora, porque choveu o trajecto todo. A causa era Timor. Talvez a minha motivação tivesse nascido de ter uma colega de curso que era timorense, talvez fosse apenas uma mistura de culpa neurótica, pela pressão mediática depois do massacre de Santa Cruz, com curiosidade egoísta, posto que nunca tinha participado civicamente dessa forma. Enquanto atravessávamos Lisboa, escoltados pela polícia e pelos olhares solidários ou indiferentes desse plúmbeo final de tarde, tive a consciência do que estava ali a fazer: não ia mudar o Mundo, ia em peregrinação. Era para mim que se tinha organizado aquele evento, com sorte acabaria por me transformar. O passo candenciado, um generalizado silêncio para palavras de ordem agressivas, nascido do pudor e do sentimento típicos daquela causa e daquele povo, acrescentavam notas fúnebres, elegíacas. O ambiente era o de um funeral interrompendo a cidade, íamos circunspectos e recolhidos. A única sonoridade afirmativa vinha do hino dos Trovante, cantado exaustivamente. Os mortos, o sofrimento, a opressão numa terra distante iluminavam a dimensão sagrada da acção política de uns poucos em Lisboa. Mais do que o poder daquele grupo efémero – poder nenhum, afinal – era a misericórdia universal e a esperança numa acção de origem transcendente que me empurrava para a frente.
Aqueles que se reuniram neste sábado estão nas mesmas condições de qualquer outro ser humano que alguma vez se descobriu embargado de compaixão. A clarividência da justeza dos seus actos ultrapassa qualquer contabilidade. Por poucos que fossem, inúmeras podem ser as sementes que foram lançadas. E será preciso nada entender da tradição cristã para atacar, sequer desprezar, estas humildes expressões de amor pela Humanidade.
__
Num certo bar da Rua do Teixeira
Estudantes europeus embriagados
Fazem luxo da sua bebedeira
Vandalizam carros estacionados
Escrevem o seu nome na parede
Telemóvel e o país de origem
Não há limites para a sua sede
Nem para o barulho em vertigem
Do sacrifício dos pais pelos filhos
Nada resta quando a noite termina
A não ser as marcas nos tejadilhos
No desenho dum corpo de menina
Em nome do processo de Bolonha
Surgem as intenções verdadeiras
A falta de respeito e de vergonha
É a base do curso e das cadeiras
Ai eu jurei
Que nunca mais me iria entregar
Disse que jamais vou me apaixonar
Pois tu sabes mesmo é me magoar
Ao invés de me amar
Não faz assim
Tira as mãos de mim
Essa brincadeira chegou ao fim
Morro, vem cá
Pára de me beijar
É que não consigo me controlar
Tu és tentação
Minha perdição
O teu jeito me diz
Vai… eh, eh, eh
Isso vai dar BUM, no quarto,
Na sala ou sofá
Isso vai dar BUM, na varanda,
Quintal ou divã
Isso vai dar BUM, no banho,
Na praia, oh baby
Isso vai dar BUM, BUM, BUM,
BUM, BUM, BUM, BUM, BUM!
Baby eu sei
Que tu não tens
Mas baby eu juro que eu sei
Que tens todos os truques de um player
A minha irmã escapou da tua teia
Grande bandeira
Não faz assim
Tira as mãos de mim
Essa brincadeira chegou ao fim
Morro, vem cá
Pára de me beijar
É que não consigo me controlar
Tu és tentação
Minha perdição
O teu jeito me diz
Vai…
Isso vai dar BUM, no quarto,
Na sala ou sofá
Isso vai dar BUM, na varanda,
Quintal ou divã
Isso vai dar BUM, no banho,
Na praia, oh baby
Isso vai dar BUM, BUM, BUM,
BUM, BUM, BUM, BUM, BUM!
Isso vai dar BUM, no quarto
Isso vai dar BUM, na varanda
Isso vai dar BUM
Ohhh, Ohhh, Ohhh
Isso vai dar BUM, BUM, BUM,
BUM, BUM, BUM, BUM, BUM!
Eu fico doida sem o teu olhar
És a coisa mais linda de se amar…
Ohhh, Ohhh, Ohhh
Uhhh, uhhh…



Intervenções cirúrgicas