Vivemos o melhor tempo de sempre para cumprir o ideal democrático. Habitamos num Estado de direito, rodeados de países onde igualmente vigora o Estado de direito e a democracia está nestes regimes consolidada através de inúmeras associações de representação e defesa dos direitos de grupos, minorias e indivíduos. Existimos numa era e numa cultura onde a tecnologia permite a comunicação livre, múltipla e instantânea entre a enorme maioria dos cidadãos. Somos protegidos por sofisticados, complexos, robustos e ubíquos sistemas de alimentação, trânsito, saúde, higiene, comunicação social, bombeiros, polícia e forças armadas.
Então, donde vem a pulsão contra os políticos e os partidos, a qual é concomitantemente uma pulsão contra a democracia? Virá da gravidade da crise económica, claro, mas também de duas decadências: a da direita portuguesa, que não tem passado de um clã de interesses oligárquicos e que cavalgou o populismo por não ter outro projecto eleitoral; a da esquerda portuguesa, a qual é sectária, inclusive dentro de parte do PS, preferindo substituir quem ousa governar ao centro até pela direita mais violenta com medo que se exponha a completa irrelevância e alucinação da sua superior ideologia. A unir estas duas decadências o mesmo conservadorismo, o mesmo provincianismo, a mesma irresponsabilidade.
A democracia não consiste em governarmos todos, nem em votarmos todas as leis. A democracia muito menos consistirá em estarmos de acordo a respeito do destino comum. Trata-se de outra coisa. Algo congénere às monarquias ou tiranias – usar o poder. Esse, num sentido antropológico, é o único problema político com que nos deparamos. Quem deve liderar? Nas democracias, experiência recentíssima no devir histórico, escolhemos esse chefe comunitariamente. Ora, a democracia será tão mais forte quão mais iguais ao líder forem aqueles que escolham entregar-lhe o poder. É por isso que estes são os melhores tempos para realizarmos o ideal democrático – que o mesmo é dizer, para nos realizarmos como seres voluntariamente políticos: reis do nosso destino, súbditos da nossa liberdade.
É o que sinto quando oiço estes dois novos bordões que infectam a fala de várias excelentes pessoas que me rodeiam quotidianamente:
“by the way”
“whatever”
De onde veio esta praga? Quem foi o “stupid bastard” que começou esta “fucking” moda? Que grande “asshole” és tu, pá.
A SEDES é bem o espelho da decadência da direita portuguesa. De 2008 a 2011, esta associação de pândegos trabalhou afanosamente para o derrube dos socialistas e a entrega do poder ao PSD. Fizeram 4 Tomadas de Posição que foram outros tantos exercícios de difamação dos governantes ao tempo. Eis o que diziam de Portugal há 5 anos:
Sente-se hoje na sociedade portuguesa um mal-estar difuso, que alastra e mina a confiança essencial à coesão nacional.
[...]
O mal-estar e a degradação da confiança, a espiral descendente em que o regime parece ter mergulhado, têm como consequência inevitável o seu bloqueamento. E se essa espiral descendente continuar, emergirá, mais cedo ou mais tarde, uma crise social de contornos difíceis de prever.
Portantos, bá la ber, não se faz a brincadeira por menos: a coesão nacional está em risco, o regime está prestes a ir abaixo. Mas porquê? Que estaria a acontecer no final de 2007 e princípios de 2008 para levar a SEDES a declarar a iminência de uma guerra civil? Explicações não faltam, e vão todas dar ao reformado de Belém e aos casos finalmente descobertos de ilegalidades escabrosas e roubalheira à fartazana na banca do laranjal.
Será essa filiação que igualmente explicará o presente silêncio dos mesmos excelsos senhores numa altura em que a real degradação atingiu e contaminou todos os órgãos de soberania sem excepção. Aquilo a que assistimos no País nestes dias de passadismo não tem paralelo com nenhum outro período da nossa História em democracia, pois nunca antes tivéramos um primeiro-ministro completamente inepto para a função e moralmente indigno para o cargo, a que se junta uma coligação governativa onde a média da idade mental ronda os 12 anos, e ainda se acrescenta um Presidente da República conspirador, rancoroso, vingativo, soberbo, burro que nem uma porta e pírulas.
A verdade verdadinha é esta: a direita portuguesa não pode dar o que não tem – coragem.
O nosso Vega9000 saltou hoje para toda uma página do DN pela mão da Fernanda Câncio. Com fotografia e tudo. Para quem não sabia, além de blogger, o Vega9000 tornou-se um famoso tuiteiro. A assunção da personalidade do Passos Coelho e do respetivo “pensamento” numa conta Twitter é o tema do artigo da Fernanda Câncio.
Malta mais cusca, se quiserem ver com os vossos olhos, toca a comprar o jornal, porque em linha não parece estar acessível. Mas deixo mesmo assim a transcrição do texto:
Desempregado de 39 anos, humorista amador, resolveu começar a ‘ imitar’ o PM. Já foi levado a sério até por um repórter do ‘ Wall Street Journal’.
Na quarta-feira, Edward Harrison, do site de especialistas em economia e finanças Credit Writedowns, citou, no seu Twitter, traduzindo-a para inglês, uma frase atribuída a @ Passos_ PM: “A economia contraiu 3,9% portanto vamos redobrar a austeridade e cortar mais”, imediatamente retuitada (citada) pelo repórter do Wall Street Journal Charles Forelle. Quatro minutos depois, uma seguidora portuguesa avisava-o: “Edward, não sei se sabe mas essa conta é satírica.” Resposta: “É muito satírica porque é muito verdadeira. :-).”
Nuno Salgueiro filiou-se no PS em 2002, depois de Ferro perder as legislativas para Durão. (foto)
Nuno Salgueiro, 39 anos, designer industrial no desemprego e atualmente estudante de Engenharia Mecânica no Instituto Superior de Engenharia de Lisboa, engasga-se a rir ao comentar a ocorrência. Não é a primeira vez que alguém assume que a sua conta satírica Pedro o PM (@ Passos_ PM), em cuja nota biográfica se lê “Oriento a minha vida pelos 5 pês: Pedro, Pai, Primeiro- ministro, Patriota e Pin. Também faço farófias” é mesmo do primeiro-ministro português – há mesmo, diz, quem o insulte pensando que está a insultar Passos Coelho na cara –, mas desde que foi criada, em dezembro de 2012, ainda não tinha sucedido com especialistas estrangeiros de finanças. Certo é que Nuno, que se assina @ Vega9000 no Twitter e no blogue Aspirina B, algumas vezes usa frases “verdadeiras” de Passos (assinalando-as com um asterisco nesse caso). E a ideia de base do seu exercício é mesmo a de ser difícil distinguir os seus tuites “a gozar” daquilo que o primeiro-ministro diz. “‘ Surgiu- me quando estava a ouvir um discurso de Passos e a comentá- lo no Twitter. Disse: ‘ Vou escrever dois ou três tuites em passês’, aquele tipo de discurso em que se começa a dizer uma coisa e se acaba a dizer outra completamente diferente. Aí lembrei-me de criar uma conta especificamente para isso. E é muito fácil de fazer, basta olhar para os discursos dele com olhos de ver. A ideia é desconstruir o que ele diz, que parece sério e pomposo mas é completamente sem sentido. E de vez em quando escrevo mesmo tal qual o que ele disse, assinalando com asterisco, e parece na mesma uma anedota.” A piada vai ao pormenor de a conta @ Passos_ PM só seguir outras duas: a de Merkel e a de Schäuble (o ministro das Finanças germânico).
Mantendo a sátira em balizas éticas – “Nunca uso família a não ser a Laura [ mulher de Passos], mas isso porque o próprio usa” –, Nuno, casado, com dois filhos ( um rapaz e uma rapariga) e militante do PS desde a derrota de Ferro Rodrigues contra Durão (“Eu e a minha namorada, hoje mulher, falávamos de nos inscrevermos e pensámos: ‘ Se há boa altura para o fazer é agora.’”), anota a diferença entre o discurso de ódio, pessoalizado, que existiu contra o Governo de Sócrates e a oposição atual. “Agora, que a situação do País é muito pior, não se vê isso. Ainda bem, mas é uma diferença muito curiosa.” Recorda por exemplo que o blogue onde escreve, o Aspirina B, chegou a ser acusado, até por Pacheco Pereira, de ser pago pelo Governo. “Olho para essas coisas que Pacheco Pereira disse e escreveu e penso ‘ que pena, que desperdício.’ É uma pessoa muito inteligente que se deixou levar para a coisa fácil, para os caminhos do ataque pessoal. É como ver um filósofo brilhante a discutir e a dizer ‘ A tua mãe é isto.”
A propósito de mães, o tweet até agora mais popular do Pedro o PM foi a elas alusivo: “Bom dia da mãe. Para celebrar, decretei q hoje o estacionamento no aeroporto é grátis. Demorem o tempo q quiserem a despedir-se dos filhos.” Mas o autor ficou surpreso com o sucesso de outro, muito mais elitista: “Boa tarde. Devido a uma embalagem suspeita evacuámos o ministério das finanças. Afinal era um livro de Keynes, por isso evacuámos outra vez.”
Tratando Paulo Portas como “o Terceiro” ( por Passos ter dito numa entrevista que o ministro dos Negócios Estrangeiros é a terceira figura do Governo) e usando de uma ironia tão subtil como arrasadora, de que o tweet “Bom dia. É falso que o governo esteja a negociar o segundo resgate. Quando vier, aceitaremos sem qualquer negociação” é um bom exemplo, Nuno Salgueiro pede meças aos humoristas profissionais que têm contas no Twitter. Além de, claro, ao primeiro- ministro.
O ensaísta de extrema-direita que ontem se suicidou no altar da catedral de Notre-Dame em Paris tinha uma visão nacionalista e xenófoba da França. Era contra os imigrantes e contra o que chamava “o crime” da “grande substituição da população da França e da Europa”. Numa carta de despedida, lida numa rádio conotada com a direita, a Radio Courtoisie, escreveu:
Declarações grandiosas e intensas, sem dúvida.
Recentemente, e daí a importância mediática do seu gesto, vociferou e mobilizou-se contra o casamento dos homossexuais. Mas a mistura dos temas “nacionalismo identitário” e “homofobia” revela a grande confusão que iria na sua cabeça perturbada, eventualmente causa direta do suicídio:
«Le projet de mariage gay a été ressenti comme une atteinte insupportable à l’un des fondements sacrés de notre civilisation », écrit-il. Ce mardi matin, il postait un article intitulé « La manif du 26 mai et Heidegger », dans lequel on pouvait lire : « Il ne suffira pas d’organiser de gentilles manifestations de rue pour l’empêcher. […] Elle devrait permettre une reconquête de la mémoire identitaire française et européenne, dont le besoin n’est pas encore nettement perçu ».
Como se fossem os islamistas a aprovar o novo casamento. Pelo contrário. Estou em crer que muitos dos que engrossam as manifestações algo surpreendentes a que assistimos em França serão muçulmanos. Acontece que, se há “civilização” que facilmente considerará, quando porventura um dia for questionada, tal casamento “um atentado insuportável a um dos seus fundamentos sagrados” é a civilização islâmica no seu estado atual de radicalização: não só não reconhece qualquer direito aos homossexuais, como também não admite homossexuais. Um grande, gigantesco, ponto em comum, portanto, entre a civilização deste francês puro-sangue e a deles, a dos “afro-magrebinos”, que Dominique Venner se esqueceu de ter em conta.
Sem prejuízo do combate a religiões, leis e práticas retrógradas, um combate de todos os dias em França e noutros países, e que será sempre necessário enquanto houver pensamento e racionalidade, este é mais um a quem não faria mal estudar melhor a história e a geografia da humanidade e, sobretudo, a sua própria origem.
O pai de Passos Coelho, fazendo eco da reclamação da oposição, aconselha o filho a demitir-se. A razão paternalmente invocada é “que isto não tem conserto”. Não é de agora, “há muitos anos” que isto não tem conserto ‒ esclarece. E revela que o filho “está morto por se ver livre disto”. Quando ele deixar o governo, o pai vai fazer uma festaça lá na terra que nem queiram saber. Mas logo desilude, garantindo que o filho não se demitirá. Por puro patriotismo. Se se fosse embora, vinha aí uma austeridade pior. A credibilidade internacional caía por terra “de um dia para o outro”. Tem pai que é cego, já dizia o Gordo.
As declarações de António Passos Coelho ao jornal i não abonam em favor do próprio. Revelam pouco sentido de oportunidade, pouco respeito, pouca inteligência e pouca ponderação. Muito basismo a par de um certo gostinho pela ribalta. E pouco chá, não fosse pelo simples facto de aceder comentar a atuação de um filho primeiro-ministro.
Em muitos destes aspetos, o filho não é diferente.
Ao contrário do que “pensa” muita cabecinha tola, formatada pela catequese marxista, leninista, ou trotskista (que a maoísta, essa, já debandou toda há muito para a extrema-direita…), José Sócrates, um “determinado” mas sem a dita catequese, seria o único líder capaz de tornar a Esquerda um projecto estratégicamente vencedor em Portugal, ainda que sob uma roupagem táctica de “Centro”, ou de Centro-esquerda.
O facto de a maioria dos mais consagrados fazedores de opinião da área da Esquerda, desde o dedicado, mas ingénuo, Daniel Oliveira, até às inutilidades e imbecilidades crónicas de um Henrique Neto, ou um Maria Carrilho, nunca terem compreendido, ou aceitado, esta realidade trivial consiste na maior tragédia histórica das forças progressistas em Portugal desde o 28 de Maio.
José Sócrates, não sendo própriamente de Esquerda, nem tendo o tal “pensamento ideológicamente estruturado” – falsamente tido por indispensável à acção, nas academias serôdias do esquerdismo nacional – em que basear a sua generosidade e enorme convicção, conseguiu fazer avançar mais este País, no sentido do Progresso económico e social nos seis anos em que nos governou, do que nos dez anos do cavaquismo e nos mesmos seis do guterrismo JUNTOS!
O tempo dos Governos de José Sócrates, tirando a Festa abrilista e a aventura gonçalvista – que apesar de tudo foram necessárias para repor Portugal no caminho do Futuro! -, foi o único período pós-Abril comparável aos primeiros e gloriosos anos da República, em que a Direita andou sempre a ranger os dentes e a roer as unhas e foi por isso, E SÓ POR ISSO, que assestou contra ele todas as suas baterias até o derrubar e, quase, liquidar!
O facto de as supostas élites da Esquerda não só não terem percebido esta evidência histórica – fazia-lhe muita confusão o facto de José Sócrates não ser “baptizado”… -, como sobretudo terem-se aproveitado da barragem de propaganda e contra-informação anti-Sócrates em proveito da sua narrativa “revolucionária”, “progressista”, ou “libertária”, e com intuitos oportunistas e eleitoralistas, é simplesmente IMPERDOÁVEL!
O Povo inculto tem desculpa. Os supostos intelectuais não têm perdão e vão levar para a tumba essa CULPA monstruosa e a responsabilidade pela criação do MOSTRENGO que é o Portugal atual – e que só tende a piorar na próximos cinco ou dez anos!
Uma geração completamente rasca, a tua, Daniel. Que vai deixar a dos meus filhos muito à rasca. E sabes bem (ou devias saber) o que acontece a um País em que os jovens não acreditam nos mais velhos. E os desprezam mesmo, sabes? Como eu te desprezo a ti, sim, e às palhaças e aos palhaços como tu.
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Oferta do nosso amigo A piolheira de D. Carlos
Passadas sete horas, ficámos a saber que os senhores conselheiros querem ‘equilíbrio entre disciplina financeira, solidariedade e estímulo à economia’. Mas fiquei na dúvida. Tendo em conta a ordem de trabalhos da reunião, querem isso para já, ou pode esperar até a troika ir embora? E o conselho é para o Presidente, consta que estas reuniões servem para o aconselhar, ou é para o Governo? Se for para o Presidente, é estranho que precise de reunir o Conselho de Estado para ouvir o que já tanta gente disse. Se o conselho é para o Governo, não deve ser para este. Ninguém usaria as palavras ‘equilíbrio, solidariedade e estímulo’ estando a pensar em Passos, Gaspar e Portas.
“Quis fazer aqui uma visita porque, como é sabido em todo o mundo, seja qual for a perspetiva doutrinária, o Presidente Chávez teve muita relevância na política da América Latina e como eu disse no dia da sua morte, foi amigo de Portugal. Este é um gesto que tem esse significado”, disse Paulo Portas a jornalistas.
O Canal Q teve uma boa ideia para mais um programa de debate político. Veremos se a promessa de não haver moderação vai ser aproveitada para aumentar e melhorar o confronto de ideias ou se será desperdiçada no despique emocional e macrocéfalo. O elenco oferece-nos o sempre preparado e implacável Galamba, tendo ao lado Francisco Mendes da Silva a representar a decadência da direita portuguesa e à sua esquerda a vedeta da política-espectáculo Daniel Oliveira.
Da minha parte, gostaria que o João aproveitasse uns minutos de algum programa para perguntar ao Daniel se ainda defende estas imbecilidades que tão fogosamente apregoou na sua actividade artística recente:
Junta-se a isto o temperamento de Sócrates, que resulta mais das suas fragilidades políticas do que da sua personalidade: contundente sem coerência, autoritário sem autoridade, tático sem estratégia. A ultrapessoalização do governo e do partido e a violência verbal no debate público, que nos primeiros anos resultaram em favor de Sócrates, acabaram por se virar contra ele quando as coisas começaram a correr mal. Sócrates foi atacado, até do ponto de vista pessoal, como nenhum primeiro-ministro, é verdade. A questão é saber se não foi ele que criou o caldo político em que isso se tornou legitimo.
Imbecilidade publicada em 7 de Junho de 2011
Daniel Oliveira culpa Sócrates pelas campanhas negras de que foi alvo e, não contente, ainda declara que por sua tão grande culpa os ataques pessoais e à sua honra se tornaram legítimos. Eis a noção de decência para os gabirus da esquerda pura e verdadeira.
Sócrates mentir com tanta facilidade é, para mim, um problema político. Não é, ao contrário do que agora parece, nem o primeiro nem o pior. Mas, sobretudo, não é esse o seu principal problema. O seu problema é não ter um rumo para o governo do País nem convicções políticas. O maior problema de Sócrates não é dizer hoje uma coisa e amanhã outra. É a razão porque o faz. É não ter uma verdade sua – e isso não é uma questão de carácter, é uma questão estritamente política. É que o confronto político faz-se de mundividências e convicções que se confrontam. Diz-se que Sócrates é determinado. O problema é que a sua determinação não está associada a convicções.
Imbecilidade publicado em 26 de Maio de 2011
Daniel Oliveira alinha feliz na estratégia de caluniar Sócrates como mentiroso, gizada em Belém e na Lapa pela escória da direita nacional, e serve um assassinato de carácter de obscena e trôpega hipocrisia. Como são úteis os imbecis para a oligarquia.
Prefere a vitória de José Sócrates ou de Pedro Passos Coelho? Se me pusessem perante esta escolha não saberia o que responder.
[...]
A questão é esta: se o programa do próximo governo está já decidido, não seria preferível que esta crise servisse para nos livrarmos de Sócrates e iniciar-se uma profunda renovação de toda a esquerda portuguesa? Sem Sócrates tudo ficará em aberto. Com ele, continuará a degradação ideológica e ética do PS e do País.
Imbecilidade publicada em 20 de Maio de 2011
Daniel Oliveira não se consegue decidir entre Passos e Sócrates. A cegueira dos sectários merecia ser exibida no circo. Este homem declara-se destituído de critérios intelectuais para evitar um mal maior, qual burro morrendo de fome entre dois fardos de palha. Mas já consegue responsabilizar Sócrates pela “degradação ideológica e ética do PS e do País“. Foda-se, senhores ouvintes. E isto vindo de um gajo que, aposto os meus queridos 10 euros que tenho no bolso, não conseguiria dar uma para a caixa se tivesse de explicar de improviso a uma turma do 10º ano o que é isso da ética.
Que José Sócrates tem uma relação difícil com a verdade é coisa que todos sabemos. Mas a entrevista de terça-feira ultrapassou tudo o que poderíamos esperar.
[...]
As mentiras de Sócrates não fazem aumentar o défice ou as taxas de juro. Não é por temos como primeiro-ministro um homem em que a coincidência dos factos com as suas palavras só acontece por mero acaso que estamos na situação económica em que estamos.
[...]
Os danos causados pelas mentiras de Sócrates são outros, e também eles graves. Primeiro: todo o processo político é, com ele, um interminável quebra-cabeças. No labirinto de mentiras que ele próprio constrói tudo vai a dar a becos sem saída. E nesses becos, esbarramos sempre com a mesma chantagem: a da crise política. O segundo: de cada vez que o primeiro-ministro fala degrada a imagem das instituições democráticas. O contrato entre um eleito e os seus eleitores depende da credibilidade do eleito. Se nunca sabemos se o homem que nos governa nos está a dizer a verdade – se temos mesmo de partir sempre do princípio que nos está a mentir -, ele perde toda a autoridade moral para nos governar. E, sendo eleito, retira com as suas mentiras autoridade à democracia.
Pulhice publicada em 17 de Março de 2011
Daniel Oliveira, sem precisar de se referir a qualquer mentira ou então reclamando o monopólio da verdade, o que torna impossível o eventual contraditório, transforma assim a política no desporto preferido dos canalhas. Este bacano fez-se cobrar por estes belos serviços prestados à democracia, não conseguindo mais do que empestar o espaço público. É o paradigma perfeito dos bloqueios à esquerda, porque manifestamente bom rapaz e um valente cheio de valores, causas e ideais. Tudo do bom e do melhor, e, para perplexidade dos ingénuos, tudo posto ao serviço do laranjal podre no momento crítico em que Portugal corria o risco de cair nisto que vivemos desde Junho de 2011.
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O Daniel tem vindo a aproximar-se de um espaço qualquer intermédio, ou superior, ou ctónico, entre o BE e o PS. Longe parecem os dias em que berrava ter sido Sócrates o pior primeiro-ministro da democracia, perdendo o título apenas para Cavaco. A sua tentativa de contribuir para criar uma nova cultura na esquerda que permita uma maioria governativa PS-BE-PCP tem os seus evidentes méritos. Só que estamos com um pequeno problema: antes de tentares mover montanhas com a singela força da tua fé, Daniel, não seria melhor limpares primeiro esse chão repleto de bostas de imbecilidade que pisas e repisas?




Intervenções cirúrgicas