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Afinal não havia desvio colossal na despesa em 2011
Trata-se apenas da mais importante prova da estratégia de continuada mentira que o PSD e o CDS seguiram na preparação para o derrube do anterior Governo, na campanha eleitoral e mesmo depois de terem conquistado o poder. Vinda da UTAO, um grupo de técnicos independentes, a informação confirma que a execução orçamental de 2011 ia no caminho certo da redução das despesas quando foi interrompida por uma crise política que foi catastrófica para as receitas.
Eis a evidência: caso o actual Presidente da República – que se pavoneia como mestre de Economia e Finanças, e que, portanto, sabia melhor do que ninguém quais seriam as consequências de ir para eleições naquele tempo e naquelas circunstâncias – tivesse algum tipo de respeito por Portugal e pelos portugueses, jamais teria patrocinado o derrube do Governo no pior momento para os nossos interesses, antes teria feito das tripas coração de forma a promover uma solução que permitisse atravessar a tempestade europeia nas melhores condições possíveis. Cavaco teria realmente cumprido com a sua palavra, tantas vezes repetida, em vez de a violar literalmente na primeira oportunidade.
E eis outra evidência: caso os actuais políticos que lideram o PSD e o CDS tivessem algum tipo de respeito a Portugal e aos portugueses, pediriam desculpa pelos colossais prejuízos causados pela sua colossal cobiça.
Finalmente, eis a última evidência: fazer política neste país, para o bem ou para o mal, passa por compreender o humilhante fenómeno de apenas se encontrarem 5 comentários nesta notícia e 500 ou 1000 numa outra qualquer que permita a orgia populista dos assassinatos de carácter apontados a políticos seleccionados.
A primeira redacção a sério do menino Tomás
«Escrever é revelar o pensamento» – isto se lia num dos livros obrigatórios da quarta classe do meu tempo, lá por idos Abril e Julho de 1961. E concretizava a ideia: «Se o pensamento for turvo e confuso a escrita também será turva e confusa». Não é o caso em apreço, longe disso.
Lembro este texto antigo ao ler o recente trabalho do meu neto Tomás a quem a professora da primeira classe solicitou uma redacção com cinco frases dando especial atenção às maiúsculas e aos pontos finais. O resultado foi este: 1- Eu gosto do Horrid Henry. 2- O meu bebé é pequeno. 3- Eu amo o meu bebé. 4- O bebé Lucas tem os dedos pequenos. 5- Ele gosta de amachucar papel. (Falta explicar que o Horrid Henry é uma colecção de livros muito popular em Londres e não só).
Tivesse um Governo de Sócrates, ou tão-só do PS fosse quem fosse o primeiro-ministro, intentado acabar com os feriados de 5 de Outubro e de 1 de Dezembro, assistiríamos fatalmente a uma explosão de violência emocional desvairada que de imediato inundaria a comunicação social com túnicas rasgadas, juras de vingança, martírios públicos pelo amor à Nação. À esquerda, esse Governo seria visto como o braço armado do imperialismo mundial a esmagar a memória proletária e antifascista inscrita no 5 de Outubro. À direita, esse Governo seria visto como o punho de ferro dos internacionalistas maçónicos, comunistas e ateus, apagando a mais valiosa memória da independência nacional. Grupos de guerrilheiros comunas ocupariam a Praça do Município para lá dormirem, tomarem banho e aprovarem estatutos revolucionários enquanto a extrema-direita ficaria no sobe e desce da Avenida da Liberdade impedindo a circulação automóvel e perseguindo os estrangeiros, de preferência os mais torrados. Os patriotas de pacotilha que andaram nos últimos anos a dizer mal de tudo o que dissesse bem de Portugal, exactamente iguais no fel tantos os de direita como de esquerda, estão agora com o rabo enfiado entre as bambas pernas como inveterados hipócritas que são.
Tem supina razão a Fernanda ao pedir explicações aos seus concidadãos para o absurdo da manutenção em estatuto de igualdade dos feriados do Estado com os da Igreja dentro desse mesmo Estado. Que o Estado conceda privilégios à Igreja por via de acordo que um qualquer momento histórico justifique, será bondoso na sua abstracção. Que em 2012 se invoque esse acordo para moldar uma decisão política que apenas compete ao Estado e aos representantes eleitos, é sofisma. Com que causas, para que efeitos, cada um que tire as suas conclusões. O que não podemos é fingir que na asinina abolição dos feriados não está também em causa uma questão de regime.
A direita partidária tem sempre uma acusação pronta contra os socialistas onde estes aparecem como déspotas de um Estado tentacular, opressores dos exaltados indivíduos e suas privacidades. Contudo, têm vindo dessa mesma direita as experiências mais radicais de engenharia social, como aconteceu com o genial plano de um Governo de Cavaco para levar o povo a ficar a bronzear-se na praia até às 11 da noite e a mandar os filhos para a escola nas horas mais frias e escuras da madrugada. Tudo ao serviço do horário de trabalho da alta finança, o ecossistema destes senhores. Ou como acontece agora com a fúria para o desmantelamento e redução dos serviços sociais do Estado, pretendendo substituir a obrigação pública enquanto direito pelo assistencialismo privado como esmola.
Neste caso dos feriados, a retórica é toda ela moralista, fazendo parte da vilania de se considerar Portugal como um país de preguiçosos e esbanjadores a precisar de castigo, a precisar de trabalhar mais e de ganhar menos. A precisar de aprender a comportar-se. E quem melhor do que a gente séria para nos dar essas lições?
Nem tudo são desastres no soporífero consulado de Seguro. Uma das poucas vantagens de ter um líder apagado é que notamos melhor quem está à sua volta, pessoas que normalmente viveriam na sombra de um líder carismático sem se notabilizarem para o exterior, mas que têm nestes periodos a sua oportunidade de exibirem algum brilho. É o caso de Carlos Zorrinho. A sua escolha para líder parlamentar, para quem como eu não está dentro das lógicas internas do PS, é algo misteriosa. Não lhe noto nenhuns dotes oratórios especiais, não aparenta a combatividade necessária para o lugar, as suas críticas ao governo, presidente e adversários políticos são, devido à praga do politicamente correcto e “sereno”, de uma inconsequência atroz, e a gestão do grupo parlamentar do PS fica, enfim, um pouco abaixo do nível de José Mourinho. Ou de Paulo Bento. Ou de Carlos Queiroz. E depois há, ahem, isto:
Finalmente temos um acordo. Um mau acordo. Um acordo que garante um empobrecimento consentido do País mas um acordo necessário. Viva portanto o acordo.
Perceberam? Eu também não. Talvez perceba quando parar de rir.
Convido-vos no entanto a descobrir outra faceta. Esqueçam as entrevistas aos media, as colunas de opinião no Correio da Manhã ( a sério, não havia outro? ), ignorem tudo isso e dêem um salto ao twitter, onde o nosso homem na liderança da bancada é um comentador entusiasta de futebol, onde apresenta e defende as iniciativas do PS, divulga notícias, comenta programas e politica, e se envolve em frequentes polémicas com os restantes frequentadores do mais famoso espaço de insta-bitaites. E, mais importante, onde apanha forte e feio sem nunca se escusar a responder. Há políticos, muitos, para quem as redes sociais são apenas outro meio de divulgar sound-bites e propaganda. Não é, definitivamente, o caso de @czorrinho. Nota-se ali um genuíno gosto em interagir com os restantes cidadãos e procurar as suas opiniões, em utilizar a sua recém-adquirida notoriedade não para ego pessoal mas para defender as suas ideias e procurar, através desta interacção, aperfeiçoá-las. Mesmo que, como no caso do vendaval à volta do projecto-lei 118 (#pl118 no twitter) ou da PMA, esteja a defender o indefensável. Mas defende-o o melhor que sabe, directamente aos cidadãos que o questionam, criticam, algumas vezes hostilizam. E independentemente da opinião que se tenha da performance politica de Carlos Zorrinho, isto revela, para mim pelo menos, que tem aquilo que é essencial, que constitui a base: um intenso respeito pelos seus eleitores e pelo lugar privilegiado que estes lhe confiaram, e uma vontade genuína de o demonstrar na prática. Há muitos aspectos onde o cidadão preocupado pode e deve exigir mais, muito mais, de Carlos Zorrinho. Neste, no entanto, está perfeito.
“A Polineuropatia Amiloidótica Familiar (PAF) ou paramiloidose é uma doença congénita, com prevalência especialmente significativa no nosso país onde, aliás, foi pela primeira vez identificada, graças ao génio clínico e científico do médico Corino de Andrade. Popularmente continua a ser designada por “doença dos pezinhos”.
A paramiloidose, sendo uma doença hereditária, atinge cerca de metade dos descendentes das famílias afectadas. Manifesta-se, habitualmente, na terceira década de vida e causa um enorme sofrimento aos que dela padecem e às suas famílias. Os doentes, apesar de muito jovens, ficam gravemente diminuídos na sua capacidade de trabalho e na sua autonomia.
Apesar da enorme evolução científica e tecnológica da medicina nas últimas décadas, a paramiloidose não teve, até agora, tratamento eficaz. A única opção terapêutica é a transplantação do fígado. Mas mesmo essa opção tem limitações significativas. Em primeiro lugar a transplantação depende da disponibilidade de órgãos, sempre contingente. Depois, embora tenham ocorrido importantes avanços nos últimos anos, com um notável contributo do Serviço Nacional de Saúde, que colocou Portugal na liderança mundial neste domínio, a transplantação do fígado tem associada uma mortalidade muito elevada. Essa circunstância é particularmente dramática quando
esse acto médico é realizado em pessoas jovens, que estão relativamente bem na fase inicial da doença. Finalmente, a transplantação é uma intervenção cirúrgica muito complexa, com elevada despesa para o Estado, e que exige intenso acompanhamento especializado do doente durante o resto da sua vida.
Face a esta realidade percebe-se bem a expectativa gerada junto dos doentes, das suas famílias e dos profissionais de saúde que com eles lidam, pela descoberta de um promissor tratamento com um novo fármaco, o tafamidis. Os resultados dos ensaios clínicos, em que participaram também centros portugueses, confirmaram o efeito positivo deste fármaco e conduziram à sua aprovação pela agência de regulação europeia (EMA / European Medicines Agency).
Esta agência, em Julho de 2011, emitiu uma recomendação no sentido de que fosse aprovada a autorização de introdução no mercado para o tafamidis. Essa recomendação viria a ser adoptada pela Comissão Europeia, em Novembro de 2011.
Em Portugal, o Infarmed autorizou já a administração do fármaco a dois doentes, no âmbito do procedimento de Autorização de Utilização Especial (AUE).
Neste contexto e atentos os efeitos terapêuticos associados ao novo fármaco, é absolutamente imperioso que o tafamidis seja rapidamente disponibilizado aos portugueses que sofrem de paramiloidose. É uma opção humanitária que não pode ser adiada nem comprometida por constrangimentos de natureza burocrática ou financeira. Mesmo numa conjuntura de restrições económicas e financeiras e de consolidação orçamental, é uma decisão que se impõe numa sociedade que se pretende moderna, justa e solidária.
Para que o fármaco possa ser administrado aos doentes portugueses, alguns dos quais necessitam dele de forma dramática e urgente, é necessário concretizar o seu registo junto da entidade reguladora nacional, Infarmed, obtendo a necessária autorização de introdução no mercado. Ao mesmo tempo, é indispensável a decisão política do Governo, no sentido de financiar a sua disponibilização aos doentes.
Trata-se de um medicamento caro. Mas é o único tratamento disponível para uma doença com repercussão catastrófica na vida dos atingidos. A sua não adopção custa sofrimento, vidas humanas, perda de capacidade de trabalho e gasto público em transplantação.
A administração do tafamidis deve ser regulada de modo rigoroso, garantindo que ele é administrado em condições adequadas do ponto de vista da indicação terapêutica e da monitorização dos seus efeitos. Mas a adopção destes procedimentos, que aliás existem já em relação a outros tratamentos dispendiosos de doenças raras, não pode atrasar a utilização do novo medicamento.
A cada dia que passa, alguns doentes são obrigados a optar pela transplantação hepática, com risco de vida. Por isso, o Partido Socialista entende que a decisão não pode mais ser adiada.
Assim, ao abrigo das disposições constitucionais e regimentais aplicáveis, os Deputados do Grupo Parlamentar do Partido Socialista apresentam o seguinte Projecto de Resolução:
A Assembleia da República resolve, nos termos do n.º 5 do artigo 166.º da Constituição da República Portuguesa, recomendar ao Governo que, com carácter de urgência, disponibilize o medicamento tafamidis, sem custos, a todos os doentes que sofrem de paramiloidose e que dele necessitam”.
Todos os Partidos à esquerda apresentaram Resoluções no mesmo sentido.
A Direita mente, confunde procedimentos e usa da retórica infundada para dar a mão ao Governo em vez de pensar na vida das pessoas. É mesmo a vida das pessoas que está em causa. Não assumir isso é crime.
Nas próximas legislativas, quantos votos a mais irá recolher o partido que prometer revogar o Acordo Ortográfico, ou, pelo menos, levá-lo a referendo?
«Loja, Contra-loja e Armazém» de Carlos Garcia de Castro
Carlos Garcia de Castro (n. 1934) é autor desde 1955 de 7 livros de poemas – o mais recente é Gloria Victis de 2007. Neste livro de memórias, o ponto de partida é o seu olhar para dentro da loja de seu pai: «Das poucas vezes que agora vou à loja – é estranho. As prateleiras não têm peças de panos. Os riscados, popelinas, os percais. As chitas, as gorgorinas, as gangas e as flanelas. Os cotins. As sarjas. Os surrobecos.»
O autor apresenta-se («Cresci duma casa para a loja e para a minha rua. Sou da cidade.») e apresenta o seu livro: «este livro que fala da minha terra não a ultrapassa nem ilumina, é decididamente paroquial.» Nas suas páginas, diversa poesia surge intercalada embora o seu autor tenha advertido: «a Poesia quase não é procurada nas livrarias». Memória de um tempo e de um mundo, a família e o comércio são dois dos pilares do texto: dos irmãos António, Miguel e Maria de Jesus aos netos Mafalda, Madalena, Diogo com passagem pela divisa «O comércio é para servir mas não é criado de ninguém».
A campanha eleitoral de Cavaco para a sua reeleição desenhou um perfil adequado ao momento do País, aos concorrentes no páreo e à imagem de um Presidente da República que tinha lidado em registo bicéfalo com um Governo de maioria PS, seguido de um Governo de minoria PS. Das inúmeras citações passíveis de recolha para ilustrar a correcta e vencedora estratégia, estas afirmações no lançamento do seu manifesto eleitoral são um dos melhores resumos:
Não é com meras palavras, criticando tudo e todos, nem com radicalismos extremistas, que ultrapassaremos a crise em que o País está mergulhado.
[...]
Comigo, sabem com o que podem contar. Tenho experiência e conhecimento da realidade e do rumo que Portugal deve seguir para vencer as dificuldades com que está confrontado. Através de uma magistratura activa, irei fazer o que sempre fiz ao longo de uma vida de trabalho: estudar com rigor os assuntos de Estado, actuar com moderação e prudência, defender com firmeza o interesse nacional, intervir publicamente com contenção nas palavras e com dignidade nos gestos.
Há um valor essencial nos tempos de incerteza que vivemos. Muitos Portugueses receiam o futuro, angustiam-se com o que o amanhã lhes trará. Daí a importância extrema de um valor seguro: a confiança.
É fundamental que os agentes económicos e sociais confiem nos poderes públicos, é fundamental que os outros países, os investidores e os mercados confiem na credibilidade de Portugal, é fundamental que os Portugueses confiem nas suas instituições e nos seus dirigentes políticos.
A minha candidatura é a candidatura da confiança. Os Portugueses conhecem-me, sabem como exerço as funções de Presidente da República, com sentido de Estado e dignidade. Sabem que actuo com absoluta isenção e imparcialidade no tratamento das diversas forças partidárias e que faço uma leitura correcta e adequada dos poderes presidenciais. De mim, não haverá reacções imprevisíveis, que criem instabilidade e incerteza. Sou um candidato em quem os Portugueses podem confiar.
[...]
Se acaso os Portugueses me honrarem com a sua escolha, irei ser um Presidente activo e dinâmico, mas realista e prudente.
[...]
Um Presidente da República tem de ser um elemento de segurança e de confiança, sobretudo num tempo como aquele em que vivemos, e em que, mais do que nunca, temos de nos manter unidos. O Presidente é a última reserva da República para que os Portugueses olham em momentos de crise.
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Segundo o jornal i, os novos administradores da CGD andam insatisfeitos e frustrados, porque “a teia de Armando Vara se mantém viva”, apesar de Vara já não pertencer aos quadros de topo da instituição há imenso tempo. Ora isso não pode acontecer, tanto mais que ainda há alguns amigos na bicha, não é? O tentáculo de Vara “estrategicamente” por lá deixado, ou seja “pessoas ligadas ao PS”, está a causar impaciência. Os laranjas gostam de total exclusividade.

Martha Marcy May Marlene_Sean Durkin
Se o modo como um filme acaba for a chave do seu sentido, pressuposto inculto mas legítimo para começo de conversa, esta obra para sempre escapará a qualquer interpretação final posto que não tem fim. Sim, há um momento em que entra a ficha de produção, com muitos nomes, a que se segue a evidência de alguém ter desligado o projector e acendido as luzes. Aqui chegados, não será difícil constatar que os convivas de sessão já se dirigem para a saída, ou terão mesmo deixado aquele recinto indiferentes ao facto de o filme não ter acabado. Ficar ou partir perderá a sua natureza dilemática à medida que o tempo for passando e a limpeza da sala decorrer sem contemplações.
Não foi essa a minha experiência, sendo o único bípede implume presente à última sessão de um domingo. É dos maiores sinais exteriores de riqueza, chegar a um local onde nos espera uma sala de cinema em circunstância de exclusividade, guardada por vário pessoal auxiliar competente e solícito. Um punhado de euros, moeda em vias de extinção, oferece a ocasião de imaginar concretamente o que sentiam os produtores da extinta Hollywood do star system nessas horas de omnipotente fruição dos ecrãs onde criavam mundos, deuses e destinos. Grandes e espaçosas vidas, com um magnífico pé-direito a coroar as fontanelas.
Sean Durkin não tem uma história para contar, por isso não a poderia nunca terminar, mas deixa um estudo acerca de uma das mais destruidoras agressões que se podem fazer a um ser humano: a manipulação afectiva para efeitos de violação continuada e consentida. A violência maior não está na violação física ela própria, e seu caudal de subsequentes aviltamentos, mas no processo que leva à sua aceitação – e ao desejo para que se repita, agora simbolizando pertença, constituindo-se identidade. O segredo, como sempre, é o amor. Mas esse tipo de amor predador que vampiriza, que faz com que a vítima queira proteger o algoz e lute contra a esperança. Um tipo de amor que perverte a capacidade do outro amor, aquele que é fonte de liberdade, porque estilhaça a lucidez. Ter-se proposto a filmar tão evasivo e camaleónico assunto foi de valente.
Estar sozinho numa sala de cinema a ver um filme que reuniu um magote de gente para conseguir captar a ferida solidão da sua personagem principal é estar na melhor das companhias. Um espectacular happy ending.
Foi um deslize, alguém disse. Acontece a qualquer um, ouvi. Nada disso. Quem se queixou da sua magra reforma da CGA, dizendo não saber ao certo quanto receberia pelos aninhos descontados no Banco de Portugal, foi o Presidente da República, o único Órgão unipessoal eleito por sufrágio universal direto.
Foi o titular desse Órgão, Cavaco, que inclinou a cabeça quando afirmou que não pode receber o vencimento da Presidência, embora não fizesse muita questão nisso, porque o empático Cavaco sabe que tantos, mas tantos portugueses na mesma situação.
O homem que nunca enganou muita gente mostrou-se. Não foi um deslize, não foi um episódio, foi Cavaco: um homem pouco sério, dissimulado, mentiroso, sem pingo de humanidade ou empatia.
Ele sabe, quando fala, que não se trata de não poder receber o vencimento da presidência, mas de a lei dar-lhe uma opção que não, ninguém tem, em tempos de dificuldade, de escolher entre esse vencimento, que ronda os 6523 Euros e as suas miseráveis pensões que andam entre os oito e os 10 mil euros mensais.
Na verdade, para estadista, ficava-lhe bem ter optado pelo vencimento de Presidente, mas não vamos pedir tanto ao homem sério.
O comunicado posterior agrava o dito, aquelas palavras agravam a revelação do que temos em Belém. É o comunicado do homem do estatuto dos açores ou do homem das escutas de Belém. É sempre Cavaco, o pior político do Regime.
Descascando melhor o homem através deste filme de terror, a sua mentira adensa-se, quando há um silêncio sepulcral sobre o ódio que o sorvedor de Euros teve, também por isto, ao anterior Governo.
Se em 2005 a lei permitiu optar entre vencimento e pensões, mas só com 1/3 de uma das opções, excecionando do seu regime o PR, em 2011 – recordam-se? –, passou a ser ilegal acumular vencimentos e pensões. Aqui Cavaco, que gostava mais do outro regime – ai, pois, – escolheu a reforma do banco de Portugal e a da CGA. Ou seja, optou pelas suas pensões e evitou o corte de 10% no seu salário como Presidente, depois do monstruoso corte de 5% no ano anterior.
Fez bem, se pensarmos nos seus gastos pessoais. É que as reformas, apesar de congeladas, não eram objeto de qualquer redução salarial. Era escolher entre 6523 Euros e 10 mil Euros.
Sendo a perspetiva de Cavaco uma – números -, e tendo a lei do seu lado, tratou da sua vida, com ódio, ódio profundo ao Governo que perseguiu.
Isto tem pernas, e agora que continua com muito dinheiro, mas que perde subsídios na CGA, por causa dos mil e tal euros e ganha ali, chegou o momento de Cavaco dizer basta. E disse. Disse com um ar tentativamente humano e mentiroso. Ele acha que o povo é estúpido.
Porque pensa que nos vê refletido no espelho.
Para que serviu este governo até agora?
Depois de ter empurrado entusiasticamente o país para a ajuda externa, eis para o que serviu:
1. Para sacar do apito e chamar a malta ao pote.
2. Para agraciar os empresários seus apoiantes com todas as facilidades pretendidas.
3. Para ir sacar ao bolso dos portugueses dinheiro suficiente para pagar a dívida (e os respetivos juros) contraída junto de uma Tríade pela qual ansiavam.
4. Para varrer do país milhares de trabalhadores e quadros qualificados, entre os quais médicos e investigadores.
5. Para permitir a Vítor Gaspar testar as suas teorias económicas.
6. Para atacar e desmotivar os funcionários públicos.
7. Para empobrecer 95% do país, na tentativa desmiolada de concorrer com a China (no fabrico de vassouras? Sapatilhas?).
Confrontados agora com a subida contínua das “yields” num mercado totalmente indiferente, por um lado, à voz de Passos e à sua alegada credibilidade e, por outro, à matraqueada competência de Gaspar, com as críticas da Tríade à falta de políticas para o crescimento, à morte da atividade económica e à manutenção de certos monopólios muito ligados ao Estado, a desorientação e o desassossego começam a grassar entre as hostes, e o exterior (a Europa, a Grécia), e evidentemente já não o outro governo, começa a ser o grande acusado do agravamento da situação do país. O que ganhámos, pois?
“Estamos a fazer o nosso trabalho, resta à Europa fazer o seu”. Mais ou menos, é o que agora dizem. Mas já o dizia Sócrates, quando então os estarolas o acusavam de tudo e mais um par de botas e se entretinham com um toca e foge político, encenações de desculpas e outras técnicas de brincar com o fogo. Até ao incêndio. É que já na altura havia pactos de estabilidade, assim como vigilância e controlos das contas do país pelas instituições europeias. O que constatamos hoje, por exemplo? Que Mario Monti, numa Itália ameaçada pela especulação como nós à altura, está não só a fazer tudo para evitar ajuda externa, como também a aplicar no seu país, muito mais anquilosado do que o nosso a nível das estruturas económicas e sociais, as mesmas medidas que Sócrates aplicou há anos, ou seja, o combate às corporações, a liberalização das farmácias e dos táxis e muitas outras, nomeadamente o investimento público em infraestruturas ferroviárias e outras, para dinamizar a economia, ao mesmo tempo que vai pressionando Angela Merkel a rever a sua inflexibilidade, lembrando-lhe oportunamente que a mesma corre o risco de ressuscitar velhos ódios entre os povos. E lembro que Monti não é nem nunca foi de esquerda. Verdadeiramente, ganhámos o quê?
Noutra frente, convidando os portugueses a emigrar e dando um sinal claro de que Angola nos é fundamental como destino dos indesejados, entre outras coisas com Prós e Contras patéticos como o de há uns dias, Relvas e companhia colocaram Portugal à mercê da chantagem angolana, que, repleta de petro-kuanzas, não é meiga. Ai de quem fale publicamente mal de Angola. Foi assim que um programa de rádio português, crítico da política angolana, foi há dias censurado e erradicado das antenas pela direção do canal público. O que se seguirá? Se a situação se agravar, irão estas práticas liberticidas ser toleradas?
Entre a cegueira económico-financeira militante e as negociatas do Relvas, desta feita com a mão-de-obra a exportar, o Governo está bastante entalado.
Cavaco tem ideias e mensagens para o povo, que o povo precisa bem mais de conhecer do que precisa de pão na mesa, mas infelizmente está rodeado de ignorantes que não falam o seu dialecto nativo. Também Ferreira Leite e Catroga são vítimas deste infortúnio, sofrendo com o baixo nível de alfabetização cavaquista em largas camadas da população. Daí a necessidade constante de tradução que as suas palavras suscitam. Vejamos alguns casos que têm aguardado descodificações oficiais pelos próceres do Cavaquistão:
Para ser mais honesto do que eu tem de nascer duas vezes
Tradução oficiosa:
Para receber mais pensões do que eu tem de nascer duas vezes; e, mesmo assim, duvido muito que consiga ganhar metade do que eu saco todos os meses.
É fundamental falar verdade aos portugueses
Tradução oficiosa:
Haja alguém que fale verdade aos portugueses, chiça, que eu não tenho tempo nem pachorra.
Há limites para os sacrifícios que se podem exigir ao comum dos cidadãos
Tradução oficiosa:
Há limites para os sacrifícios, é provável, mas não sabemos quais são e eu desconfio que com um Governo à maneira, cá da malta, esses limites seriam levados para além do limite num instantinho, olarila!
Muitos dos nossos agentes políticos não conhecem o país real, só conhecem um país virtual e mediático.
Tradução oficiosa:
Muitos dos nossos agentes políticos são tão burros e alienados que até são capazes de usarem o país virtual e mediático para se queixarem ao país real de não poderem pagar as despesas pessoais mesmo que recebam 10 mil euros por mês, tenham palácio, comezainas, popós de luxo e roupa lavada à custa dos impostos do real país e ainda viajem pelo Mundo com todas as despesas pagas nas melhores pensões e casas de pasto para si e para quem quiserem convidar.
Para lutar pelo quinto lugar basta a prata da casa
O Sporting Clube de Portugal não pode competir com o Benfica e com o F. C. Porto. Em vez de comprar 19 jogadores com o dinheiro que não há e vender aos sócios e simpatizantes ilusões de competitividade que em nada resultam, o único caminho é dizerem a verdade ao universo «leonino» e trabalhar com a prata da casa.
Lembro-me bem do Paulo Teixeira, do Miguel Garcia, do Adrien que está na Académica e de todos os que jogaram o Portugal – França em Rio Maior há pouco tempo. Jogadores como Wilson Eduardo, André Martins e Cedric Soares estão fora do Sporting e são do Sporting. Jogadores como Fui Fonte, Diogo Amado e Nuno Reis estão fora do Sporting e são do Sporting. Jogadores como Mário Rui, Diogo Rosado e Pedro Mendes estão fora do Sporting e são (ou foram) do Sporting.
Não se sabe quem representa a opinião da direita partidária nestes dias de pote lambuzado, mas a arraia-miúda dos direitolas engole o que lhe aparece à frente com a sofreguidão costumeira, mesmo quando tais substâncias provocam graves desarranjos na inteligência.
Foi assim dito que o pedido de fiscalização sucessiva do Orçamento era uma revolta na Bounty orquestrada pelos deputados socráticos para molestarem a direcção do PS, nomeadamente Seguro e Zorrinho. A inércia do simplismo e a excitação de poder continuar a falar de Sócrates davam as mãos e partiam aos saltinhos pelo jardim da boçalidade. Teríamos então que o socratismo parlamentar seria representado por Rui Santos, Glória Araújo, Eduardo Cabrita e a independente, e constitucionalista, Isabel Moreira, por exemplo. Pouco importava o que estes deputados pensassem a respeito do anterior ciclo governativo, passavam a representantes de Sócrates porque teriam ousado divergir das opções de Seguro. Pouco importava que a iniciativa dependesse da colaboração de Louçã, inimigo figadal do mafarrico. Acima e antes de tudo, pouco importava que estes deputados fossem deputados, representantes de um dever de consciência em nome do Soberano. O maniqueísmo é apanágio dos fanáticos e dos broncos, e eles nunca se cansam de o comprovar.
Acontece que nem Pedro Silva Pereira, que não subscreve o pedido, nem Augusto Santos Silva, que o repudiou publicamente, surgem nestes terrenos. Haverá personalidades supostamente mais socráticas do que esta dupla, a qual era o núcleo duro do Gabinete que andou a espiar Cavaco na Madeira, em Belém, nos seus emails, e se calhar até nos seus sonhos, e que obrigou o Rei de Espanha a tentar calar Moura Guedes e depois, não contente com a demora espanhola, deu ordens à PT para asfixiar Portugal assim que tivesse uma aberta no mercado das telecomunicações, entre outras perfídias, muitas utilizando técnicas dos mais secretos dos serviços secretos mundiais, as quais o Pacheco Pereira de imediato topou, denunciou e nelas chafurdou? Há aqui uma grande confusão, a menos que o socratismo em versão socialista, afinal, não passe dos justificadíssimos arroubos de Paulo Campos perante matérias ideológicas mais salientes.
O socratismo, porém, existe. Isso é inegável. Não há santo dia em que ele deixe de se fazer presente no nosso quotidiano. Basta ler jornais, ver televisão, ouvir rádio. Alguns dos mais ferrenhos socráticos trabalham ou sacam cheques no Correio da Manhã e no DN, na SIC e na TVI. Pelo que temos de reconhecer que compensa ser socrático, ficando só a faltar a profissionalização dessa actividade geradora de tanta riqueza.
Já lá vai o tempo em que nunca se enganava. Afinal, tem de vir emendar o que diz, e já tem dúvidas quanto ao que recebe e muitas mais quanto ao que gasta. Mas, bem vistas as coisas, o culpado é o mesmo de sempre. Estavam as continhas tão bem feitinhas e tinha de vir aquele grandecíssimo filho da mãe obrigá-lo a escolher entre o vencimento de PR e as míseras pensões. Imagine-se o ódio que deve ter sentido quando soube que o Governo de Sócrates se preparava para levar para a frente esta medida. Deve ter entendido a coisa como uma afronta pessoal. Austeridade sim, mas a sua excelentíssima pessoa deveria ter ficado a salvo de tal barbaridade. Mesquinho e vingativo como é, deve ter jurado fazer a folha ao responsável, e fez. Mas a vingança não lhe valeu de nada, o vencimento foi-se mesmo e as continhas que fez com a Maria saíram furadas. Como se não bastasse agora queriam ficar-lhe com os subsídios do Banco de Portugal. Era só o que faltava! E a verdade é que com esta bronca toda nunca mais se ouviu falar de tal coisa, e nem o facto de ter estado reunido ontem com o Governador do Banco de Portugal levou a que alguém escrevesse uma linha que fosse acerca do assunto. Podem fazer as petições que quiserem, o que interessa é que os cortes na pensão já eram.
Apenas quis ilustrar, com o meu exemplo, que acompanho as situações que chegam ao meu conhecimento de cidadãos que atravessam dificuldades e para as quais tenho chamado a atenção em diversas intervenções públicas.
Imagine That: How You Envision Others Says a Lot About You in Real Life
.
Large and in Charge: Powerful People Overestimate Their Own Height
.
Gossip Can Have Social and Psychological Benefits
.
Cognitive Benefit For Older Adults From ‘Exergames’
.
Study Finds Good Intentions Ease Pain, Add To Pleasure
.
iPad a Solid Education Tool, Study Reports
.
Group Settings Can Diminish Expressions of Intelligence
.
Sleep Vs. Cuddling: Study Looks at What Happens After Sex






Intervenções cirúrgicas