Aviso aos pacientes: este blogue é antianalgésico, pirético e inflamatório. Em caso de agravamento dos sintomas, escreva aos enfermeiros de plantão.
Apenas para administração interna; o fabricante não se responsabiliza por usos incorrectos deste fármaco.

Que diria Jefferson do David Dinis?

[...] na semana passada, quando alguns jornais internacionais publicaram notícias sobre a Zona Franca da Madeira, incluindo o Le Monde (leram?), o Pedro Crisóstomo, jornalista do PÚBLICO, lembrou-se de ir ver se as estatísticas de 2015 já tinham sido publicadas no Portal das Finanças. [...]


David Dinis

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O actual director do Público assina um artigo de opinião no seu próprio jornal onde explica qual a razão por que teve de noticiar algo tão aparentemente negativo para os seus amigos do PSD e do CDS. A razão dá pelo nome de Pedro Crisóstomo, alguém que fez um bom trabalho como jornalista na matéria em causa, e o qual criou uma situação que, enfim. Logo, os amigos do David Dinis podem ficar descansados pois o David Dinis não mudou de gostos, garante o David Dinis. Foi um azar.

Este mesmo David Dinis, na mesma opinião, aproveita para encher de patê os burgessos, ou lá como os franceses dizem, reclamando-se fidedigno discípulo de Jefferson, um fulano que gostava muito, mas mesmo muito, de jornais. Para o provar invoca uma outra matéria tratada abundante e entusiasticamente pelo seu jornal e por si próprio: a embrulhada da CGD no que à relação de António Domingues com o Governo e o Presidente da República diz respeito. A tese é a seguinte: explorar – e apelar à continuação da exploração política e mediática – um caso passado e desaparecido nascido de uma negociação falhada entre administradores bancários com exigências esdrúxulas e governantes displicentes é exactamente o mesmo que apontar dados objectivos que revelam uma objectiva e grave falha nas obrigações do Estado.

Ora, se é óbvio que qualquer órgão de comunicação social tem todo o direito de investigar o que lhe apetecer pelo tempo que quiser, podendo até brincar ao “jornalismo independente” para melhor gozar o prato, não menos óbvia é a constatação de que a estrada da Beira não tem a mesma importância da beira da estrada. Apelar à constituição de nova comissão de inquérito cujo alvo seja a exposição de toda a correspondência possível de exibição entre António Domingues e Centeno só tem um objectivo: manter PSD e CDS ao ataque para lhes dar tempo de antena numa lógica de desgaste de ministros, Governo, PS e restantes partidos que suportam no Parlamento a governação. Foi isso que o David Dinis fez explicitamente e é isso que a peça da Liliana Valente igualmente faz pelo seu contexto editorial – isto é, David Dinis está a usar Liliana Valente para se armar em puro. Logo ele, com um currículo de alto sucesso na politização da profissão de jornalista.

Que diria Jefferson de tamanha lata?

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Sinais exteriores do consumo de LSD

Em Portugal escreve-se pouco e com alguma preguiça. Felizmente Passos Coelho está também a escrever e há algum tempo já.

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4. No lançamento do livro há dias, no Centro Cultural de Belém – casa “amiga” da caminhada longa deste político de difícil classificação –, aconteceu algo de inusitado e por isso digno de registo. No momento em que Cavaco Silva entrou numa sala apinhada, com gente até ao tecto dentro e fora do recinto, as pessoas puseram-se de pé com uma espontaneidade que só podia ser natural e aplaudiram com alguma coisa que só poderia ser convicção. Não me parece que seja costume aplaudir os autores quando entram nas apresentações dos seus livros. Foi interessante observar que ali o quiseram fazer.


Maria João Avillez

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Serviço público

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As corporações repetem diariamente que têm falta de recursos, mas a realidade é que desde os anos 1960 o número de juízes multiplicou-se por mais de 7,1 vezes e o número de magistrados do MP por 7,4. No entanto, o número de processos entrados por tribunal não chegou a duplicar. Os recursos financeiros afetos ao sistema judicial, relativamente ao PIB, mostram que Portugal não é dos que gasta menos no sistema.

Na minha opinião, as causas da falta de eficiência e de confiança na Justiça não estão na falta de meios humanos e financeiros, nem nas reformas da legislação sobre os procedimentos judiciais.

E há uma comparação que deixa a Justiça numa situação desconfortável, quando olhamos para o que o país conseguiu nos setores da Saúde e da Educação. Na Saúde, o que conseguimos no aumento da esperança de vida e na diminuição drástica da mortalidade infantil pode deixar-nos orgulhosos. E na Educação, não obstante o enorme atraso com que partimos, fomos sempre melhorando. A confiança dos portugueses na Saúde e na Educação suplanta em muito a confiança na Justiça.

No entanto, os políticos, todos os políticos, não têm uma palavra a dizer sobre a crise da Justiça. Na última campanha eleitoral (2015) o tema foi ignorado por todos os partidos políticos nos seus programas eleitorais. Os eleitores estão desprovidos de mecanismos corretivos do sistema de justiça. A eleição do Presidente e a alternância democrática do governo em nada influenciam e em nada podem corrigir o funcionamento do sistema. O lema é "À justiça o que é da justiça, à política o que é da política"!

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Daniel Proença de Carvalho

 

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O modus faciendi do blogue que ataca Sócrates

Este “post” – O modus operandi do blogger que defendia Sócrates – foi publicado há umas largas horas, ainda sem Sol, e continua cimeiro no blogue Observador manhã alta. Os bloguistas responsáveis por ele dão pelos nomes de Miguel Santos e Vítor Matos.

Para além de tentarem envolver de forma difamatória algumas pessoas num suposto problema policial ou judicial cujos contornos objectivos se desconhecem publicamente, o grosso do exercício consiste em repetir opiniões que foram publicadas num outro blogue onde escrevia um colega do Miguel e do Vítor, o Miguel Abrantes (nome blogosférico). Quando chegamos ao fim do lençol que despejaram ninguém pode ter a mínima dúvida: nesse tal blogue na berlinda havia muitas e boas opiniões. Se depois cada um gosta delas ou não, ou assim-assim, é com cada qual na boa tradição liberal.

O meu único lamento, questões deontológicas à parte que até num blogue como o Observador deviam ser respeitadas por módica salubridade cívica, reside na ausência de informações acerca do alcance mediático desse tal blogue tão opinioso. Afinal, era lido por quem? Por quantos? Qual era o seu poder de influência junto da população? Equivalente ao da BBC na Segunda Grande Guerra para os povos sob domínio alemão ou algo um bocadinho menos relevante? Será que ofuscava em audiências a nossa comunicação social, ou que fosse só a nossa imprensa, ou somente a televisão, ou então os jornais, ou alguma rádio daquelas que dão notícias? Ou seria esse blogue, tão atentamente lido na Casa Civil da “Inventona de Belém”, algo parecido com um daqueles restaurantes muita careirões e muita cagões onde são vão os ricalhaços, os famosos e alguns bloguistas disfarçados de jornalistas?

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Asfixiados à séria, mas ai de quem queira mudar as coisas

A notícia hoje vinda a público, a da transferência de cerca de 10 000 milhões de euros para paraísos fiscais sem o controlo do Fisco entre 2011 e 2014, aparece logo no jornal que a publica – o Público – com uma importante omissão no título – a do período a que se refere – e vem acompanhada, no interior do jornal, pela fotografia de Fernando Rocha Andrade, actual Secretário de Estado das Finanças. A omissão das datas foi deliberada e a escolha de Rocha Andrade em vez de Paulo Núncio para a ilustração deliberada foi. David Dinis anda armado em habilidoso. Podia não dar a notícia e seria bem pior? Não sei se podia. Mas, se a deu, devia evitar equívocos. O objectivo é que quem só ler as gordas e só olhar para as fotos associe de imediato os factos revelados ao actual governo. Depois, como lá acabam por mencionar as datas e dar pormenores, dirão que ninguém os pode acusar de falta de rigor. Espertezas saloias que só servem para que muita gente, mais uma vez, se indigne e chame a atenção para os truques e o comprometimento da nossa imprensa, assim como o respectivo controlo financeiro e político.

Mas o caso é grave. Se não, vejamos o panorama nos restantes jornais: à hora a que escrevo, o JN e o DN em linha nem uma linha dedicam ao assunto, idem para o Correio da Manhã; o “site” Observador reproduz a notícia lá para os confins do lençol, só detectável por quem esteja munido de uma lanterna. Apenas o Expresso lhe dá um certo destaque. No entanto, estranhamente, a SIC Notícias escolheu como tema do Opinião Pública o importantíssimo problema da tolerância de ponto no dia de Carnaval… A TVI24 chamou o tema a uma Antena Aberta (não sei se se chama assim), mas convidou o jornalista Pedro Sousa Carvalho, do Público, para responder em estúdio aos participantes. E é assim que estamos.

Talvez o Paulo Rangel nos queira agora falar com propriedade da asfixia democrática.

Por regra, o Fisco recebe todos os anos informação dos bancos a identificar as transferências de dinheiro realizadas de Portugal para contas sediadas em paraísos fiscais. Porém, durante aqueles quatro anos uma enorme quantidade de fundos passou ao lado do controlo – nem foram declarados pela Autoridade Tributária, como era obrigatório.

O ministério liderado por Mário Centeno confirma ao matutino que estas “omissões” foram detetadas quando, entre finais de 2015 e o início de 2016, foi “retomado o trabalho de análise estatística e divulgação” dos valores das transferências para offshores. Ou seja, quando o Governo de António Costa assumiu funções.[…]

[…]A publicação destas estatísticas foi implementada em 2010, por ordem de Sérgio Vasques, então secretário de Estado dos Assuntos Fiscais do Governo de José Sócrates. Contudo, nos anos em que Paulo Núncio foi secretário de Estado do executivo de Passos Coelho, os dados nunca voltaram a ser publicados. Tal só voltou a acontecer em abril de 2016, quando o seu sucessor Fernando Rocha Andrade mandou divulgar os dados de 2014 e os números dos anos anteriores que estavam em falta. “

Fonte: Expresso

Exactissimamente

O que é feito do clamor cavaquista?

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Adenda

Estava para escrever exactamente sobre o mesmo assunto, o silêncio da direita face ao que parecia ter tudo para provocar uma excitação incontrolada nesses infelizes, cartolas e bengalas lançadas ao ar: 600 páginas de inaudita e presidencial calhandrice sobre a sua paixão fatal, Sócrates. Era desta que os podres mais podres daquele que continua a apavorar a oligarquia ficariam gravados no mármore, pelo cinzel da figura mais importante e poderosa da direita portuguesa após o 25 de Abril. Só que não. E porque não?

Incrivelmente, o que Cavaco diz de Sócrates acaba por melhorar a sua imagem pública. Cavaco revela a sua versão de episódios privados e o que nós vemos para além do seu próprio rancor e completa decadência moral é algo que conhecemos de Sócrates fora desse contexto. É o tal Sócrates que não estava disposto a ser um títere de um Cavaco soberbo, pacóvio e tiranete. É o tal Sócrates que reagia inteiro perante as campanhas negras – negras mesmo que acabe condenado, com trânsito em julgado, de alguma ilegalidade ainda por provar, repita-se até que o Inferno gele – e reclamava pelo direito à decência e à protecção institucional do seu partido, do Governo e do seu nome. É o Sócrates bem preparado que tinha uma concepção muito diferente da de Cavaco quanto ao papel do Estado e ao modelo de sociedade a desenvolver. É, enfim, a imagem de um primeiro-ministro que se sabe atacado e atraiçoado pelo Presidente da República, pelo que tem não só de se defender como de contra-atacar sendo um dos representantes máximos do próprio eleitorado que legitimou a conjuntura de poder em causa.

Enquanto isso, Cavaco assina a sua declaração de abjecta cobardia e desorientação política. Ele que tudo viu e que tudo topou, nada fez para além de tentar influenciar o não influenciável, acabando invariavelmente por sair das reuniões de quinta-feira com o estômago a dar voltas no implacável ácido. Cavaco impotente perante um bandido rasteiro como Sócrates, eis a sinopse da obra para a legião de pulhas que está agora com a viola enfiada no saco.

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Centeno, dá-lhes o arroz

Consta que Robert Pirsig é o responsável pela popularidade da seguinte parábola: algures na Índia do Sul, algures no tempo, foi inventada uma armadilha para apanhar macacos que consistia em meter arroz dentro de um coco vazio, este tendo uma abertura que permite ao macaco enfiar a mão aberta mas sem conseguir retirá-la fechada – isto é, com o arrozito na mão, entenda-se para compreender a lição. Mesmo que seja uma tanga no plano histórico, no cognitivo é um tesouro de sapiência.

A nossa direita partidária, compulsivamente simiesca, está na mesma situação do macaquinho indiano. Em relação à CGD, viram ali a tábua de salvação perante um Governo improvável e original que superou todas as expectativas e é já uma referência e fonte de esperança na Europa, e também perante as sondagens que colocam o PSD à beira de uma defenestração da liderança. Pelo que reagiram de acordo com o que consideram ser o “fazer política”: uma estratégia de terra queimada cuja cegueira era reforçada pelo desespero de não terem discurso. Também em 2011 foi esse o critério, preferiram afundar o País numa estrita lógica de poder pelo poder, “custe o que custar”. Sabemos quanto custou esse colossal logro, mas ainda ninguém sabe quanto vão custar os danos que PSD e CDS querem intencionalmente provocar na CGD.

Lobo Xavier, na última Quadratura do Círculo, frisou que o ataque devia continuar. Terem conseguido o triunfo de dominarem há semanas a agenda política e mediática, atingindo vários alvos em simultâneo, desde Centeno a Marcelo, passando por Costa e CGD, e com o bónus de abafarem os resultados positivos de Portugal no plano económico, é pouco. Há que tirar o maior proveito de terem Centeno na fogueira e Marcelo de mãos atadas a assistir ao auto com um Costa de mordaça a fingir que não é nada com ele. Igualmente David Dinis usa o Público para apelar ao mesmo, disponibilizando-se para amplificar e prolongar a tal “descoberta da verdade” que poderá ocupar mais uns meses de cabeçalhos e muitas opiniões da rapaziada da cor. Cofina e Impresa, com os seus exércitos em papel e na TV, estão às ordens para o que for necessário.

Ora, no passado tal poderia ser feito sem qualquer risco. Nesse passado, o PCP e o BE alinhavam com palavras e actos, silêncios e passividades, no tiro aos socialistas por parte da nossa direita decadente. E o povoléu acreditava no berreiro, porque, como ensina diariamente o CM e a cada livro o sr. Cavaco, os políticos são uma cambada de incompetentes e ladrões. Só que agora estamos a viver o primeiro ciclo político na nossa democracia em que existe uma aliança das esquerdas ao serviço da governação. Tal nunca antes tinha acontecido, pelo que não espanta que os macaquinhos não estejam a perceber onde é que se estão a meter. Começar a ver o PCP, tão admirado pelos direitolas pela sua “integridade” granítica, a malhar sem dó nas hipocrisias e cinismos dos básicos que preenchem o PSD e o CDS leva a que o Zé que anda de autocarro comece a fazer contas ao que cada um dos lados está mesmo a querer dizer.

Avançando a nova comissão de inquérito, cuja finalidade é unicamente chafurdar numa situação normalíssima que só faz sentido discutir naquela câmara caso se queira mesmo criminalizar alguém, a esquerda terá literalmente a soberana oportunidade de denunciar o que o PSD e CDS estão a fazer. Trata-se de virar o feitiço contra o feiticeiro, mostrando como a única lógica do tempo gasto nessa comissão é a baixa política e o prejuízo demente que se vai tentar espalhar por pessoas e instituições públicas. Soberana oportunidade de mostrar como a cultura vigente nos actuais PSD e CDS é furiosamente contrária à resolução dos nossos problemas sociais, económicos e financeiros.

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Revolution through evolution

How eating less can slow the aging process
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Doctors Prescribe More Antibiotics When Expectations Are High, Study Says
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Surprising link between athletics and addiction
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‘Hair of the Dog’ Won’t Cure That Hangover
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Emotions Are Cognitive, Not Innate, Researchers Conclude
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Food Additive Found in Candy, Chewing Gum Could Alter Digestive Cell Structure and Function
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Alien Particles From Outer Space Are Wreaking Low-Grade Havoc on Personal Electronic Devices

Fui paga para dizer isto

Se as quintas-feiras de Cavaco foram desconfianças, avisos de cátedra, discordâncias e sensações de deslealdade permanentes, imaginem as do Sócrates, obrigado a aturar com compostura, ali sentada à sua frente, a criatura mais sinistra, rancorosa, dissimulada, invejosa e mau-carácter da nossa democracia, que, todos os dias, incluindo às quintas, urdia planos para o derrubar, desejando obter dele informações privilegiadas para aperfeiçoar as tramóias?

Para quem queria discrição e alegava independência, Domingues está completamente mediatizado e politizado e pelos piores motivos

O PSD e o CDS andam destrambelhados com a boa execução orçamental e os dados da economia e entraram em delírio, mas este lado do país felizmente ainda não perdeu a noção da realidade. O senhor António Domingues (ele, a sua equipa ou só a sua equipa, pouco interessa, porque havia solidariedade nessa questão) não queria apresentar as declarações de rendimentos e de património ao Tribunal Constitucional enquanto administrador do banco público. Não queria. Não queria, ouviram?! Com isso, criou um problema ao Governo. Para o tentar resolver, a esse e ao problema do salário, o Governo aceitou alterar o estatuto do gestor público, na convicção de que tal bastaria para a dispensa pretendida. O Presidente da República fez saber que a lei 4/83 continuaria a aplicar-se apesar da alteração do dito estatuto. Domingues sabia da posição de Marcelo. Domingues sabia também da contestação política que poderia surgir no Parlamento. Quando percebeu as vicissitudes da democracia e a impossibilidade de o ministro das Finanças satisfazer o seu pedido (como se dependesse só dele), demitiu-se, foi-se embora. Não gostou, não comeu. Assunto encerrado.

Mas afinal não. Ao passar a Lobo Xavier as mensagens de telemóvel trocadas com o Ministro, António Domingues entra claramente na luta político-partidária à qual o julgávamos alheio. E fá-lo porquê? Porque, como alega Xavier, não gostou de ouvir o ministro dizer que não existia acordo algum com ele sobre a dispensa das obrigações para com o TC? Mas, esperem aí, tendo em conta o que se disse acima, esse acordo, a existir, alguma vez poderia ser firme e irreversível? Um acordo por SMS? Então e o Presidente, então e a Assembleia? Então – ironia das ironias – e o jogo político dos seus amigos PSDs e CDSs? A vitimização de Domingues é absolutamente ridícula!

Nesta história, falta ainda perceber se Domingues se foi queixar ao amigo do BPI para se vingar – e de quem, senhores? – ou se foi Lobo Xavier que viu ali uma boa oportunidade para fazer chicana política e tentar fragilizar o Governo. Resta saber. Mas a nova comissão de inquérito não deixará de lhe exigir a troca de mensagens que ele, administrador de um banco privado, efectuou com o então administrador e depois ex-administrador do banco público.  Estamos a assistir à génese de um atoleiro da direita.

Lumpenimbecilidade

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As alimárias, para lá do eventual interesse sociológico que possam ter para presentes ou futuros investigadores, entraram em 2017 a manter a alucinação de que o Jacinto Lucas Pires recorre ao pseudónimo “Valupi” para dizer umas parvoeiras num blogue perdido no cu da Internet. Trata-se de um boato desmiolado que foi lançado em 2008, e aqui estão estes broncos mergulhados nele nove anos depois.

As alimárias projectam nos seus odiozinhos de estimação as regras de conduta que observam à sua volta, entre os pares, a sua malta. Logo, se alguém aparece a defender uma ideia que estranham, esse confronto com a alteridade, essa crise cognitiva, resolve-se imediatamente recorrendo à mesmidade: “O que tu queres sei eu! Vendido!”

É deste chiqueiro mental e moral que, no passado como no presente, Pacheco Pereira e Alberto Gonçalves alimentam a pulhice que vendem por excelente preço. Nisso, estas duas vedetas da indústria da calúnia são por igual caixas de Petri da direita portuguesa.

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Como diz que disse?

O primeiro-ministro, António Costa, escusou-se hoje a comentar novos dados em torno da Caixa Geral de Depósitos (CGD) e das comunicações entre o ministro das Finanças e o antigo presidente do banco, dizendo que o assunto "acabou" na segunda-feira.

"O quê, ainda andam com esse assunto? Ainda não ouviram o senhor Presidente da República? Isso já acabou tudo na segunda-feira", disse Costa, questionado sobre a matéria à margem de uma iniciativa em Oeiras.


Fonte

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Costa perdeu uma não só excelente como necessária oportunidade para se afirmar como primeiro-ministro e como líder político neste desfecho da crise cujo pretexto foi a CGD. Em vez disso, foge à sua responsabilidade governamental e entrega à Presidência da República o comando institucional e moral do Governo. Ou seja, assistimos com este episódio de Centeno ir de castigo a Belém e depois vergastar-se em público à confirmação de estarmos num regime presidencialista de facto.

O modo chocarreiro como reage às perguntas dos jornalistas, dirigindo-se na ocasião aos próprios jornalistas tomados como grupo social em vez de se dirigir ao Soberano, é grave. E tão mais grave quanto não sabemos de ninguém no Governo ou no PS que esteja em condições de lhe explicar porquê.

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Perguntas simples

Existe alguma declaração ou documento público que possa ser atribuído a Sócrates, sequer a alguém que lhe fosse ou seja pessoal ou politicamente próximo, a respeito de supostas conversas privadas com outros responsáveis políticos, sejam eles quem forem?

Alguém consegue explicar o silêncio de Sócrates a respeito da reunião secreta que teve com Passos dias antes de uma cimeira europeia nos princípios de Março de 2011, e sobre o que nela ficou dito ou acordado, a qual Passos e Relvas começaram por esconder e deturpar para poderem abrir uma crise política catastrófica em conluio com Cavaco, e explorarem mediaticamente a mentira de que o Governo não tinha avisado o líder da oposição a respeito do acordo com a Europa que teria evitado o resgate de emergência, para deste modo afundarem o País ao chumbar o PEC IV e forçarem eleições antecipadas?

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O António Domingues ficou furioso ao ponto de andar a passar SMS privadas ao Lobo Xavier?

Em defesa de Mário Centeno

A António Domingues e aos restantes novos administradores da Caixa deu-lhes para não quererem apresentar a sua declaração de rendimentos e de património ao Tribunal Constitucional por não gostarem que os jornais fizessem parangonas com a sua situação patrimonial. Podia dar-lhes para pior, como gerir a caixa a partir das torres giratórias do Dubai. Felizmente, queriam apenas discrição. De certo modo, e conhecendo os jornais, compreendo-os. É também sabido que já estavam obrigados por lei a apresentar as ditas declarações ao Banco de Portugal. E acresce que, segundo li, o TC pode, de facto, decidir não tornar públicas as declarações entregues, a serem entregues. Por conseguinte, a exigência da nova equipa, embora bizarra e atrevida, merecia, pelo menos, ser analisada, estudada e equacionada. Não creio que devesse ser imediatamente rejeitada, tanto mais que não brotam do chão, com a chuva, trezentos gestores competentes para o banco público em Portugal.

Agora, para sermos francos, a demora no estudo das soluções mais adequadas para o problema, assim como, a partir de certo momento, o protelar do seu fatal desfecho, não era prejudicial, antes pelo contrário, ao bom desenrolar das negociações com Bruxelas, para “quem” o pormenor das declarações era irrelevante, ridículo ou desconhecido.

Assim, não me surpreende que o ministro das Finanças, com outros problemas bem mais importantes para resolver lá fora, como o da autorização e o das condições e implicações da recapitalização do banco público, e a necessidade de entretanto apresentar e garantir uma equipa competente, entendesse que poderia satisfazer aquela exigência de alguma maneira. E mais, que, se não conseguisse, conseguiria outras coisas bem mais importantes entretanto em Bruxelas. Parece-me que foi o que aconteceu.

Onde está, neste contexto, o problema de Centeno tentar manter a equipa até garantir em Bruxelas uma luz verde para uma capitalização pública que não afectasse o défice? Onde está o problema de trocar SMS com o dr. Domingues dando-lhe a entender que a sua exigência poderia vir a ser resolvida (se é que foi isto que aconteceu)? Quer isto dizer que o iria ser? Não, não quer. É essa a relatividade de uma prova como uma conversa telefónica ou uma mensagem. Não conhecemos a intenção por trás das palavras. Tratava-se de uma negociação. A resposta final, aliás, nem dependia do ministro! Por outro lado, a equipa de Domingues sabia ou não sabia dos entraves e até da opinião do Presidente? É claro que sabia. Mas manteve-se até ao fim do ano! Seria, portanto, melhor não se meter em vinganças parvas. Mudar de advogados ou de ambições seria bem mais sensato e decente.

Muito mal, Marcelo!

A nota do presidente da República sobre o caso Centeno, divulgada pela presidência segunda-feira à noite, é a primeira gafe grave de Marcelo desde que chegou a Belém. E dizer gafe é pouco, porque são várias e não são só meras gafes.

Em cinco pontos singelos, o presidente da República começou por revelar que Centeno pôs o seu lugar à disposição do primeiro-ministro – o que não lhe competia a ele, presidente, revelar. Aludiu depois a uma alegada falha de comunicação entre o ministro das Finanças e o gestor Domingues – o que não lhe competia a ele, presidente, relatar. Queixou-se de forma velada de que alguém (Centeno ou Costa?) interpretou indevidamente as “posições do presidente” sobre o assunto da Caixa – deixando para o público a tarefa de interpretar o significado dessa queixa enigmática e de perceber a quem ela se refere. Declarou enfim que, depois de ouvir o primeiro-ministro, o qual lhe disse manter a sua confiança em Centeno, ele presidente “aceitou tal posição”, atendendo ao “interesse nacional, em termos de estabilidade financeira” – sem que se perceba porque é que um presidente tem de aceitar ou não aceitar a confiança do chefe do governo num dado ministro.

Temos, pois, que o presidente Marcelo parece mesmo querer continuar a sua antiga actividade de comentador político, de preferência fazendo revelações apimentadas e inconfidências de bastidores. O mais grave de tudo é o dislate final, que lhe foi já apontado pelo deputado socialista Porfírio Silva e pelo constitucionalista Vital Moreira. Com efeito, os ministros não carecem da confiança política do presidente da República, muito menos da sua “aceitação”, termo que implica um poder que a Constituição não lhe dá. Acrescente-se que também a confiança do primeiro-ministro num ministro não carece da “aceitação” do presidente da República.

Se o presidente quiser, pode formular, perante o primeiro-ministro, todas as dúvidas que entender sobre a permanência ou não de um ministro no governo. Vir exprimir essas dúvidas para a praça pública é insólito e até pode ser estúpido, ainda que não seja propriamente inconstitucional. Absolutamente estúpido e profundamente errado é vir declarar publicamente que “aceita” ou não “aceita” determinado ministro, coisa que definitivamente não lhe compete. Se o presidente está descontente com o governo e se não lhe chegam as reuniões com o primeiro-ministro para fazer as suas pressões ou ameaças, então só tem um caminho constitucional, se não quiser estar quieto e calado: dissolver a Assembleia e convocar eleições.

Já se percebeu que Centeno foi trapalhão nas negociações com Domingues e que lhe faltou alguma prudência, o que certamente advém da sua total inexperiência na política. Outra coisa é a histeria da direita, inconsolável com os resultados positivos do primeiro ano de governação de Costa e Centeno e ansiosa que se fale de outra coisa. Mas eis que Marcelo resolve ceder à histeria raivosa e vem dar uma no cravo, outra na ferradura, para assim se justificar e sacudir o capote perante o execrável laranjal – necessidade que até agora não tinha sentido. Muito mal, senhor presidente!

Os sms do Centeno devem ser mesmo suculentos

Que a direita, e a comunicação social, já agora, não esteja muito interessada em discutir os números revelados pelo INE, relativos ao crescimento da economia, ou às previsões de Bruxelas, percebe-se. São números muito chatinhos para quem dizia que só havia um caminho para nos levar a bom porto.

Mas e o novo aeroporto? Então o Governo quer avançar com essa obra e a direita só quer saber dos sms do Centeno? Mas isso não era uma daquelas loucuras do Sócrates, uma obra megalómana e totalmente desnecessária?

Mas por que alimenta o governo a chicana destes decadentes?

António Domingues demitiu-se há mais de dois meses. Teve as suas razões – uma delas porque o que exigiu não foi possível passar no Parlamento, apesar de o Governo lhe ter dito que satisfaria a sua exigência de mudança do estatuto do gestor público (pela via legal, claro), compromisso que cumpriu, eventualmente prevendo, ou garantindo-lhe, consequências improváveis. António Domingues foi à sua vida, seguramente lamentando que a política se tenha metido no seu caminho, como se o banco público lhe pudesse ser oferecido como privado de bandeja. Foi embora e parece-me que em boa hora.

O ministro Mário Centeno esteve, durante uns meses, entalado entre a urgência de dar uma administração independente, competente e credível à CGD – ao mesmo tempo que negociava com Bruxelas as condições da recapitalização-, e as exigências dos novos gestores, que exageraram na noção da sua imprescindibilidade.

Esclarecida e mais do que esclarecida está também a questão de o PSD e o CDS mais não quererem do que criar confusão com aspetos secundários e ultrapassados, insistir numa tecla por não terem mais nenhuma, tocá-la com mais força de cada vez que ouvem as boas notícias da economia e das contas públicas. É isto e nada mais do que isto. Como se as discussões entre Centeno e Domingues tivessem de ser fáceis e 100% do domínio público!

Mas agora, senhores, agora o assunto está encerrado. Já chega, já percebemos, a Caixa já seguiu em frente, basta!

António Costa e Mário Centeno deviam acabar com isto. O que é que Mário Centeno ainda tem que responder mais? E se o PSD está a querer fazer chantagem com a demissão do ministro para aprovar futuras medidas, tornem-na pública e, se for caso disso, vamos para eleições ou proponham-nas ao presidente e ele, se não as entender como benéficas, que venha pôr ordem na desmiolada direita. Não foi bem o que fez.

Lembro que esta oposição está constituída pelo maior grupo de aldrabões que jamais passou por um governo democrático em Portugal, daqueles mesmo aldrabões em assuntos importantes, que chegaram ao poder com base em mentiras e que nenhum pudor tiveram em continuar a mentir em várias etapas da governação, e que nenhum deles foi demitido. São pessoal mais do que rodado em jogadas oportunistas e irresponsáveis. Portanto, olhando para as sondagens, o melhor é mesmo mandá-los bugiar. Neste momento, só eles próprios se gramam e mais ninguém tem paciência para o espectáculo que dão.