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Baldaia’s effect

Os conteúdos patrocinados em órgãos de comunicação social vieram para ficar. São uma resposta muito mais inteligente do que os formatos publicitários que interrompem e perturbam a experiência de consumir informação digital, embora levantem algumas questões morais a respeito da intencional confusão entre o que é uma notícia (portanto, um conteúdo supostamente independente ao serviço do interesse público) e o que é publicidade (portanto, um conteúdo comprado ao serviço de um interesse particular). O que já entra a pés juntos dentro de uma violação deontológica, para mais por ocorrer no DN, é o que se está a passar com os textos do Paulo Baldaia a respeito do Euro 2016. Por exemplo:

Irei ver o próximo jogo em Cabo Verde, não poderei testemunhar mais uma enchente no Carlsberg Euro Lounge, no Terreiro do Paço, mas vou poder trazer a confirmação de que o apoio à seleção portuguesa não se resume aos 11 milhões que vivem em Portugal, nem aos 15 contando com a diáspora, mas a muitos mais milhões que se espalham pelos países africanos que falam português.

Se alguém já ganhou neste europeu foi a cidade Portugal. No final deste evento, terão passado pela sala de visitas de Lisboa mais de 200 mil pessoas. Nenhum país trata tão bem os seus turistas. Quero voltar ao Terreiro do Paço na quarta-feira da próxima semana, para poder voltar também no dia 10 de julho e participar na grande festa da final do Euro 2016. Melhor era impossível.

Fonte

Este tipo de promoção da iniciativa da Carlsberg, de que o DN será um media partner, difere das notícias que o DN tem feito sobre o que se vai passando ao longo dos jogos por não assumir a intenção – por exemplo: Carlsberg Euro Lounge. Austríacos e húngaros estreiam-se no Terreiro do Paço. Em nenhuma parte do texto do Baldaia, ou do contexto da sua visualização, aparece a informação que permita descodificar a tipologia do conteúdo. O autor usar o seu estatuto como jornalista para fazer publicidade, este é o facto.

Tem isto alguma importância? Só a que lhe quisermos dar.

Revolution through evolution

How Make-Up Makes Men Admire but Other Women Jealous
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Intrusive Parents May Lead Children to Be Overly Self-Critical
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In doctors we trust, especially when they admit to bias
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New Book Explains “Democracy for Realists”
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Hairs, feathers and scales have a lot in common
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Moral dilemma with driverless cars: Who gets protected, the driver or pedestrians?
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Running releases protein associated with improved memory in mice

Pândegos e aventureiros e a razão do seu sucesso

Tem razão Bernardo Pires de Lima quando diz, hoje no DN, que o mundo está entregue a pândegos e aventureiros, a propósito do Brexit. Vou ser rápida nas razões que podem explicar esse fenómeno: talvez porque os que o não são sejam demasiado sinistros e também, ao seu modo, nacionalistas, egoistas e anti-europeus. Não será? A Alemanha é um bom exemplo. Sob o discurso “europeísta”, esconde-se a mais determinada defesa dos seus interesses de que há memória na construção europeia. Já não falo na crise do euro e na política do castigo. Veja-se a questão dos refugiados. É em defesa dos seus interesses que, numa primeira fase, anuncia que os acolherá a todos e, numa segunda fase, confrontada com a realidade interna e na sua vizinhança, que sejam distribuídos pelos restantes Estados-Membros. Se isto não é ser centralista e anti-europeu na postura, não sei o que é. Depois surgem palhaços a dizer que eles é que são os verdadeiros nacionalistas. Estes, ao menos, não têm discursos europeístas. Daí, a sua aparente sinceridade e clareza.

A palhaçada – Poucas horas depois de conhecido o resultado do referendo britânico, já muito eleitores procuravam informação no Google sobre o que tinham votado, sobre o que estava verdadeiramente em causa e sobre o que era afinal a UE. Distinguindo-se muito pouco destes votantes, também Boris Johnson, o ex-presidente da câmara de Londres, do partido conservador, e quem mais promoveu a campanha pela saída, coçava a cabeça e despenteava-se estudadamente, intrigado, sem saber muito bem o que dizer e sobretudo o que fazer. Não excluo a hipótese de também ter ido ao Google. Ocorreu-lhe declarar, à falta de melhor e já o sol ia alto, que não tem pressa. Um vagar que ninguém que o viu inflamado lhe atribuiria ainda há uns dias. Enquanto isso, o seu colega de pândega, Nigel Farage, declarava, com o à-vontade de um palhaço, que o que dissera em campanha sobre o dinheiro que atribuiria ao SNS não era a sério. Se mais o espremessem, mais mentiras revelaria.

Enfim, com tanta comédia junta a encobrir a tragédia, só espero que, no final, o Reino Unido não acabe por voltar a entrar permanecer na UE em posição ainda mais frágil e que a orientação alemã e seus satélites não saia ainda mais reforçada. Isso seria a maior desgraça. Não só nada do que está mal na UE não mudaria, como também os Schäuble desta Europa reforçariam a sua visão mesquinha das relações intra-europeias e apertariam mais o garrote aos países do sul, os bodes expiatórios.

Para nunca chegar a sair, basta ao RU que, nas próximas eleições, a realizar brevemente, de preferência antes do arranque das negociações de saída, ganhe um partido (que pode ser o trabalhista com outra liderança) favorável à permanência na UE que anule o resultado do referendo. Ora, se assim for, apetecerá bastante responder-lhes já que se aguentem com a decisão que tomaram, a qual não foi sem consequências. Apetecerá. Mas não vai acontecer, penso eu, mas posso enganar-e. Há muito comércio e muitos milhares de milhões de euros e de libras em jogo. O Reino Unido vai muito provavelmente voltar a entrar, enquanto os discursos oficiais serão de que respeitaremos a decisão soberana do povo britânico (embora quase exclusivamente inglês).

Tudo indica, pois, que a saída vai correr mal. Pela agitação na Escócia e na Irlanda do Norte, pelas inseguranças, hesitações e revelações dos principais líderes da campanha pelo Brexit, pela surpresa de muitos dos votantes com o resultado inesperado pelo qual foram corresponsáveis, pelas ameaças de saída de Londres de grandes empresas e instituições financeiras, pela pressão mais ou menos velada do “Continente”, etc., seria necessário haver líderes muito determinados e convictos que conduzissem este processo de saída sem deixar dúvidas de que é esse o único e o melhor caminho. Ora, se existem, não se viram ainda.

Aos líderes europeus continentais restam duas atitudes: ou acelerar o processo, erguendo assim uma barreira, considerando que o desamor foi ofensivamente declarado, para que não voltem nunca mais – e aí estarão a esquecer as maiorias claras que nas ilhas votaram pela permanência -, ou aproveitar estes primeiros tempos conturbados e de desnorte no Reino para, enquanto declaram que respeitam a decisão soberana do povo britânico, deixar que os próprios ingleses mostrem ao mundo que tudo não passou de uma brincadeira de mau gosto e se arrependam do que fizeram, e deixar que os futuros novos líderes peçam desculpa pelo aventureirismo dos seus predecessores e recomecem tudo de novo. Tenho dúvidas do que será melhor. Quem liderou a campanha pela saída não deve e não pode agora soçobrar. O único caminho é mesmo em frente. Sem Escócia, sem Irlanda do Norte, sem União Europeia, mas com o Mundo. “Out and into de world”. England, porém.

Foi pena. Tanto que haveria a mudar nesta União Europeia.

 

Britânicos atiram a UE ao lago

Com razão? Não sabemos. A UE não é bem bem exatamente a CMTV. Estes foram bem para o lago, embora devessem ter ido para o charco. Farage e Boris Johnson são uns demagogos que souberam aproveitar o péssimo momento que a UE, com a crise dos refugiados, e sobretudo a zona euro, atravessam para virem com nacionalismos eventualmente utópicos e tomarem o poder. Mas lá que esta era um pedrada necessária no charco, era. E se os tempos que aí vêm forem piores para nós, e tudo indica que sim (o ministro dos Negócios Estrangeiros alemão já convocou uma reunião com os seis países fundadores da CEE e eu ainda não sei o que pensar acerca disso) “we will always have Britain“.

Exactissimamente

cristiano ronaldo, o micro da cmtv e nós

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Nota:

O texto da Fernanda é uma carta aberta de uma jornalista à classe jornalística. Nessa esfera, considero-o irrepreensível. Para uma posição cívica a respeito do episódio, alinho parcialmente com o João Lopes_Cristiano Ronaldo e o seu microfone

Parcialmente porque se esqueceu do contexto onde o Correio da Manhã aparece como violador dos direitos do cidadão Cristiano Ronaldo e explorador não autorizado da sua imagem para efeitos sensacionalistas, difamatórios e caluniosos. Calhando a vítima decidir-se por uma resposta judicial, como já aconteceu várias vezes por parte de Ronaldo contra o pasquim, quem ainda sai a ganhar, mesmo que perca no tribunal, é o violador. O mesmo está a acontecer neste episódio, o qual será usado ao longo das próximas semanas pelo CM até ao limite do seu potencial para gerar mais notoriedade e proveitos para o esgoto a céu aberto.

Assim, tem toda a razão a Fernanda ao expor a sistémica cumplicidade que em nome da liberdade permite a sua perversão em favor de quem não tem qualquer escrúpulo. Onde os fins não só justificam os meios – o sempre invocado perante os juízes “interesse público” que não passa de alegado “interesse do público” – como os meios se transformam em fins absolutos. Os meios são a devassa, a degradação e o linchamento. E tem razão João Lopes ao concluir que o Estado de direito é mais valioso do que a justiça de Ronaldo.

Os reis do jornalismo e a sua falta de interesse

Se António Costa destruiu qualquer possibilidade de haver um bloco central em Portugal. Agora, com esta comissão de inquérito, Passos Coelho destrói o bloco central de interesses económicos que geriu Portugal nos últimos 25 anos. Aquela velha cumplicidade entre PS e PSD, que permitia aos reis do negócio repartir Portugal, morreu.


JOÃO VIEIRA PEREIRA_Há crime na Caixa

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Esquecendo a exótica sintaxe que dá origem à primeira frase, a expressão “bloco central de interesses económicos“, com ou sem o calendário aqui aposto, é um tropo do discurso à esquerda do PS (inclusive dentro do PS) e, e talvez ainda mais, do discurso de alguns jornalistas politicamente opinativos quando lhes dá para simularem uma postura de “isenção” ou “equidade”. Também tem gasto em meios populistas e caluniadores, embora ai seja mais frequentemente usado com precisão e cautelas para apenas manter o fogaréu que cozinha o ódio da turbamulta contra certos alvos socialistas seleccionados. Vale a pena analisar a economia do uso desta figura que nasce de um estilo decadente de fazer jornalismo ao serviço de uma forma decadente de fazer política.

Este João Vieira Pereira, director-adjunto do Expresso, usa o seu palco como cronista e editorialista para atacar o PS. Não há mais nada de notável ou de reconhecível no que escreve para além deste seu gosto. Tudo bem, o patrão deve andar satisfeito com essa produtividade, e é exactamente o que está a fazer na peça citada. O seu título diz tudo, a mensagem é a de que temos em Passos Coelho o herói que vai acabar com décadas de corrupção expondo os criminosos do PS, é certo, e do PSD, é igualmente certo embora não se comparem em malfeitorias com os outros. O sr. Pereira está convicto de qual será o desfecho do inquérito e entusiasmado com a coragem necessária para finalmente se proceder à histórica limpeza.

Vamos agora imaginar que algum maluco conseguia reunir todos os textos publicados por jornalistas deste calibre e estatuto, mais as eventuais gravações de declarações televisivas e radiofónicas dos mesmos, onde tivesse sido usada a expressão “bloco central de interesses” ou variantes. Tal daria origem a uma listagem com centenas ou milhares de entradas referentes a muitos anos. O que é que, seguramente, não encontraríamos em qualquer delas? A explicação do que está em causa para o interesse público, com referências objectivas e factuais ao sentido pejorativo ou ambíguo da fórmula. E a razão para essa ausência não custa a encontrar: tentar associar qualquer acto concreto no plano da actividade do Estado ou de privados, ou entre ambos, com uma suspeita de qualquer tipo de ilícito, legal ou moral, é entrar no território da difamação e da calúnia. Então, estes passarões nada concretizam, o que lhes garante a imunidade para continuarem a usar essa munição de baixa política ao produzirem as suas peças e contributos “jornalísticos”.

Contudo, a fórmula recebe uma tácita aprovação popular por aparentar ser um retrato exacto do que se passa. Se privássemos com estes jornalistas de “referência”, e bastaria uma conversa com o fulano aqui na berlinda, a probabilidade de escutarmos dezenas e dezenas de histórias que ilustram a substância da mensagem ultrapassa os 357%. Histórias marcadas com o selo “verídico” porque testemunhadas pelo próprio ou recebidas em 1ª mão por algum protagonista das mesmas. Afinal, pertencer à elite jornalística implica ir a muito almoço e a muito jantar, geralmente bem regados do belo néctar e de muitas conversas espirituosas. Só o tópico BES daria para encher meses de serões bem passados a contar episódios picarescos e até grotescos adentro da categoria “bloco central de interesses”. O povoléu alinha no diagnóstico não tendo de gastar mais do que o tal bom senso que Descartes lembra estar tão bem distribuído que a ninguém ocorre pedir mais do que aquele que calhe ter. Esse pessoal dos cargos e dos negócios, que aparecem nas notícias quando mudam de poiso e sobem na hierarquia, são uma cambada de ladrões ao serviço dos mafiosos do “bloco central de interesses“. Como explicar sem recurso a essa entidade tentacular com sede desconhecida que beltrano e sicrano tenham sucesso no trabalho e na vida? Como poderá alguém servir o Estado em funções de topo, ou ser contratado por uma empresa para um cargo superior, apenas pelos seus méritos, disponibilidade e interesse nessas responsabilidades? Impossível no mundo do analfabrutismo, da miséria moral e do rancor.

A expressão é plástica e adequa-se a semânticas tão variadas quantas forem as intenções do seu uso. Porém, como neste exercício do JVP, o mais frequente é que permita fazer referências eufemísticas a um estado generalizado de corrupção, tão grave que teria conseguido dominar o regime nas últimas décadas. E tão mais grave por ter sido organizado pelas sucessivas lideranças do PS e do PSD, com o CDS a reboque e os Presidentes da República, mais os deputados de todos os partidos com assento parlamentar, mais os magistrados, todos a assobiarem para o lado ou, mais lógico, a comerem da mesma gamela. Só nesta extensão criminosa é que se pode interpretar o substantivo “interesses económicos” e a imagem verbal “repartir Portugal“. A ser assim, a prática política não passaria de uma burlesca e espantosa comédia onde os agentes combinariam insultar-se em público para melhor encobrirem os abraços que davam nas catacumbas enquanto dividiam o espólio dos assaltos ao tesouro. Bata num tacho quem considere alucinada esta sugestão. Não se ouve nenhum, né?

E que fez o sr. Pereira até hoje, do alto do seu prestigiadíssimo jornal, para denunciar e combater a infernal situação? Ele próprio responde: esperou que Passos Coelho se decidisse a fazer um inquérito à CGD, meses após ter largado a sua tutela. Ou seja, não consta que este jornalista, nos últimos 25 anos, tenha tido interesse em perturbar o bloco central que, portanto, pelas suas próprias palavras, está por inerência na origem do sucesso de quem lhe paga o salário.

Será que algum dia a casa vai abaixo, ladies?

No Diário de Notícias

 

Um dos prazeres das crianças enquanto não são adultas e não podem ter uma carta de condução é conduzir carrinhos de choque. Um cheirinho de algo proibido, uma ousadia, um teste de orientação e destreza, sobretudo quando já podem tomar o volante sozinhas. Uma experiência, uma fase da infância, em suma. Mas aqui trata-se de mulheres adultas que simplesmente estão proibidas de conduzir.  E sobre as quais impende a ameaça de humilhação, violação ou morte se ousarem autonomizar-se neste e noutros aspetos da vida. Tenho verdadeira vergonha de certos animais com forma de espécie humana. Está tudo tão, mas tão errado nestas sociedades, que é difícil escalonar os motivos de espanto. Por exemplo, há parques de diversões só para mulheres. Os trapos pretos que as cobrem não visam mais do que esconder o corpo dos olhares dos machos (bestas incontroladas, pressupõe-se), pois quando sozinhas, é como quiserem. Isto faz algum sentido?

Não há nada neste mundo que mais me custe a entender do que  a perenização destas sociedades e a total passividade das mulheres. E não há nada que menos me espante do que o choque das respetivas mentalidades com o modo de vida ocidental, nele incluindo o da China e do Japão (e peço desculpa se ignoro que estes países se enquadram, para efeitos históricos e sociológicos, no chamado “mundo ocidental”). Mundo ocidental esse de cujos avanços tecnológicos não hesitam, porém, em tirar partido, apesar de serem fruto da cabeça de filhos de Satanás. É triste. E pior do que isso: os transtornos psíquicos que tal fechamento causa matam.

Se o Reino Unido ficar

Um bom papel poderá estar-lhe destinado. Será possível tamanho empreendimento?

(sugiro a leitura integral)

[…]And the UK has an even more important role to play. A two-speed EU in which non-Euro members are systematically sidelined cannot be sustainable. The UK, as the second largest economy in Europe and by far the largest of the non-Euro countries, should lead the reconstitution of the EU into a multi-currency area in which countries have the right to use their own currency or the Euro as they decide. A sovereign bankruptcy procedure is needed, along with a formal exit procedure for the Euro: the UK, which has been friendly to Greece and other distressed countries throughout the crisis, is well placed to campaign for these. And going further, the UK can help the EU to decide how best to reform the Euro, retaining its important role as an international trade currency while dismantling the straitjacket that it creates for domestic users and for the ECB.

Further integration of the EU is not the right way forward. Ultimately, EU member states will break the bonds that further integration creates, since in the absence of any willingness to share risks and losses, they are far too restrictive. The EU needs to be looser, not tighter: wider, not deeper. It is not yet too late to turn around this particular Titanic. Rather than launching a solo lifeboat, the UK should take the helm.

I hope and pray that the people of Britain recognise the vital role that the UK can have in the essential reforms that the EU must undergo if it is to survive, and vote to Remain. I shall do so.

Política e Tânatos

Comentário

 

Comentário em Comissão de inquérito é uma “infantil manobra tática preventiva” do PSD

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Será fácil supor que o autor deste comentário está apenas a divertir-se, a desabafar ou mesmo a expressar um estado depressivo de qualquer origem, tipologia e gravidade. Todavia, o conteúdo da sua mensagem, à excepção dos desejos de morte tão explícitos e assumidos, é por nós sobejamente conhecido. Consiste num discurso articulado onde se lista o argumentário que foi, e ainda é, o da actual direita portuguesa a respeito da governação de Sócrates. É também o discurso oficial, presente no tratamento sensacionalista e caluniador tanto dos artigos como dos editoriais, do Correio da Manhã, para dar o exemplo maior. E ainda da Helena Matos ou do Zé Manel na RTP, para dar um outro exemplo num meio onde é suposto existir algum tipo de deontologia de imprensa. Trata-se de uma diabolização que se alimenta do narcisismo inflamado e do tribalismo político e suas eventuais psicoses paranóides, obsessivas e até delirantes. Quem está nesse estado não responde à lógica de terceiros, porque a sua própria distorção aparece como a única lógica possível para dar sentido ao que observa. É a dinâmica do ódio.

Miguel Relvas (comparsa e figura decisiva no acesso de Passos Coelho à presidência do PSD e à chefia de um Governo), num acto de campanha eleitoral em 2011, disse para registo da comunicação social que todos os familiares do então primeiro-ministro – portanto, incluindo os seus pais, os seus filhos e o irmão ainda vivo – deviam esconder o seu parentesco com Sócrates. Esta declaração, que eu saiba, não gerou qualquer pedido de desculpas por parte daquele que poucos meses depois era empossado como ministro. Mas não é apenas a ausência de módico civismo e mínima educação que se regista por parte de um labrego que viria a fazer muito pior com uma jornalista e um jornal num caso sórdido e assustador, é também a completa ausência de censura do episódio por parte dos partidos, da comunicação social e das figuras de referência da comunidade (sejam elas quem forem) perante o que é um espectacular apelo à violência. Ao nível de um Relvas, naquele contexto, declarar que um adversário político enquanto adversário político merece ser ostracizado pela própria família é um literal apelo ao linchamento físico.

A actual direita está cheia de atiradores e incendiários com grande exposição e influência mediática que se habituaram a despejar as acusações mais graves no espaço público sem qualquer prova, inclusive contra o sistema de Justiça, e que constatam ser tal prática legitimada pela cumplicidade da comunicação social, mesmo a de “referência”, e pela indiferença das autoridades judiciais e demais órgãos de participação política. O que difere entre aquela que é uma estratégia de permanente desgaste pelo emporcalhamento, nascida de condicionantes antropológicas que moldam a cognição e de um sentimento de inferioridade que gera inesgotável ressentimento, e o sectarismo de um PCP, onde igualmente se diabolizam os adversários políticos enquanto adversários políticos, reside na fulanazição. Os comunistas recorrem a abstracções (capitalismo, imperialismo, reaccionários, grande capital, etc.), dessa forma diluindo a agressividade da retórica em moinhos de vento lá muito ao longe. Já os pulhas personalizam os ataques ao ponto, como vimos com Relvas e vemos sistematicamente na indústria da calúnia, de até a família e relações de amizade e amorosas do adversário nomeado como inimigo se tornarem um alvo para a violência promovida politicamente.

Ainda não ter existido em Portugal uma tragédia como a que vitimou Jo Cox poderá explicar-se por pura sorte.

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